sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

No banho, acredita?

O banho foi mais demorado que o necessário na última terça-feira. Era dia de lavar o cabelo e, geralmente, esses dias me são inspiradores. Não pelo fato de ter que lavar o cabelo, é claro! É pelo tempo que leva. Enquanto o shampoo escorria, eu coloquei as mãos, com as unhas pintadas de vermelho, sobre a barriga estufada. Fechei os olhos e pedi a Deus que no momento certo me permitisse ter um filho. Achei-me estranha. Quero muito ser mãe. E para ser ainda mais estranha, pedi a Deus que meus filhos fossem para mim os filhos que meu irmão e eu sempre fomos para minha mãe. Meu irmão tem sido um parceiro sensacional. Será que eu seria uma boa mãe? Não tive resposta alguma, mas lembrei-me de uma amiga reproduzindo a fala de uma professora dela no carro. "Por natureza, não existe mãe alguma que possa ser má." Continuei parada. Pensando se por acaso eu conseguiria ser má. É claro que sim! Nunca... Pude perceber o quanto não sou má e mais uma vez me senti esquisita. Ignorantemente comparei o sentimente que tenho pelos meus pais com o qual eu teria pelos meus filhos. Por um brevíssimo instante acreditei que eu fosse mesmo capaz de ser má. Mas nunca consegui ser má com meus pais. Luanamente impossível! Lembrei-me do quanto amo meus pais. Essa situação é muito desconfortável. Senti-me a esquisitice em pessoa ao perceber que ainda hoje não me vejo capaz de odiá-lo. Fiquei paralizada por um bom tempo. Lembrei-me de tudo novamente. Ouvi a voz do meu pai e senti uma coisa demasiadamente diferente, pela primeira vez. Estava sendo racional demais e meu coração ficou gelado. Revoltada. Incrédula. Tentei novamente projetar um ódio. Eita sentimeto estranho! Ainda se eu tivesse pensando e sentido essas coisas em um lugar diferente, em um momento mais propício. No banho, acredita? Não vou dar conta de explica-lo. "Podemos fazer de tudo, mas a gente nunca permite que ninguém faça nada de mau aos nossos pais." - disse a terapeuta. Era tão ruim acreditar que isso era verdade... Sobretudo a pior verdade era a certeza de que tenho muito dos meus pais em mim. No entanto alegrei-me ao lembrar que apesar de possívelmente também me herdarem as esquisitices meus filhos terão muito o Amor de mim. Enfim... ainda meio lesada deixei tudo para lá. Olhei mais uma vez para minha barriga e voltei a tomar banho. Era esquisitice demais para um banho só. Graças a Deus a sexta-feira chegou!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Friends

Yes... They might be my friends some day if I learn how to use chopsticks. Rsrs...

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Como nos velhos tempos

Naquela noite percebi que poderia ter me tornado ou "estar me tornando" (que feio isso!) uma pessoa anti-social. Já não sabia mais a hora de ficar calada, porque queria falar. Sentia muita falta de encontrar meus amigos puxar a cadeira do buteco, assentar-me e falar, falar, falar. De tudo um pouco. Com todo mundo. O que havia de mau nisso? Aparentemente nada se eu não tivesse ficado tão afoita e falado tanta besteira.
Desde quando eu entendo de campeonato europeu?! Estatísticas da medicina?! E o que eu sabia sobre o exército israelense?! Sentia-me diferentemente um monstro. Percebi a forma diferente como aquelas pessoas diferentes me tratavam. Eles não eram meus amigos e depois da última quinta-feira talvez nunca mais os sejam. Quis muito ter meus bons e velhos amigos de sempre ali comigo. Que fossem os Corneteiros, os da São Miguel ou os do Professor Morais. Os que eu demorei tanto tempo para conquistar....
Anti-social e chata! Como nos velhos tempos. Só que dessa vez sem namorado para me consolar no final da noite.
Voltei para a casa chorando. Liguei para um amigo, ao menos penso que ainda o seja, apesar da distância. Não me perguntem porquê, mas eu liguei. Ele nem me atendeu... Deixei recado. Não tive resposta até hoje, mas também não me lembro o que falei. Nada de importante, I guess. Queria que ele estivesse lá, queria a companhia dele, sentia saudade... Ele deveria estar aqui! Devia estar dormindo, isso sim. Era mesmo hora de dormir.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O Olhar

O garotinho morreu e os pais estavam desesperados. Era mais os menos assim a reportagem que eu assisti hoje no telejornal. Vendo a mãe chorar lembrei-me daquele dia. Estávamos colocando as roupas no varal. Como era de costume, pendurávamos as peças íntimas juntas. Eu pegava os prendedores e ela ia prendendo uma a uma.
- Mãe, se eu e os meninos estivessemos à beira da morte dependurados em um abismo, os três. Quem você salvaria? - Perguntei após um curto silêncio.
- Os três. - Respondeu ela sem nem me olhar.
- É sério mãe... Quem?
- Os três! Já respondi.
- Não. Se você pudesse salvar só a um?
- Que história de morte é essa menina! Não gosto nem de pensar nisso. Credo! Não deve ter coisa pior nesse mundo do que perder um filho.
- Não salvaria ninguém? - Insisti por teimosia, pois já estava satisfeita com a resposta.
- Salvaria primeiro o que estivesse mais próximo. Mas...
Ela não tinha mais o que falar. Acho que ela ficou imaginando o quão ruim seria a situação. E eu fiquei ali olhando o jeito dela de prender as calçinhas, apavorada só de pensar naquilo. Pensei o quanto realmente seria ruim perder um filho.
Fiz essa pergunta algumas outras vezes, mas nunca tive uma resposta concreta. E nem queria... Lembrei-me da reportagem que continuava passando na TV. Voltei a assisti-la. Agora o pai chorava muito.
Voltei a me lembrar daquela época. Tentei me lembrar se por acaso eu já teria feito a mesma pergunta ao meu pai. Nunca. Sei lá o motivo. Acho que eu já tinha a resposta ou tinha medo de ouvi-la. Não sei mesmo...
Não sei também o que foi feito com os pobres pais da reportagem, tampouco sei porque o menino morreu. Quando pensei no meu pai lembrei-me do sonho que tive na noite anterior.
Eu tinha "perdido" praticamente todo o sábado dormindo. Mais uma vez minha irmã não veio dormir em casa e eu que já estava sem sono, não tive o mínimo de disposição (entenda como coragem nesse momento) para ir dormir. Meu irmão chegou e foi direto checar e-mails. Enquanto isso eu aproveitei para jogar video game. Quando ele foi se deitar, mal eu tive tempo de ver o led ficar vermelho. Dormiu. Bisguila então... Roncava! Assim sendo tomei a TV como companhia. Por sorte pude contar com o "Altas Horas" e depois com um cartoon que foi ficando meio chato com as minhas "pescadas". Acabei por tirar o terço da gaveta.
Consegui dormir não sei por quanto tempo. Acordei assustada, com o medo que fazia doer as trompas.
Estava sonhando com meu pai. Ele estava com diabetes e teve que amputar as duas pernas na altura dos joelhos. Não andava mais. Vivia rastejando-se por lá. Um dia todos resolveram fugir. Ele foi pisoteado. Todas esses cenas passaram por minha mente e no tape seguinte o ex-vizinho Euller me encontra na rua. Ele também trajava a roupa vermelha e trazia desajeitadamente o meu pai nos braços. Ele estava todo sujo, sangrando e sem as pernas. Eu não tive reação nenhuma. Achei que estivesse morto. Ele estava um caco. Eu não tive forças para sair do lugar, dizer algo ou sequer desviar o olhar do nariz dele que estava dependurado, todo estourado. O Euller se aproximou e parou ao meu lado aproximando-o de mim. Meu sangue não corria mais nas veias, eu não tinha mais oxigênio no cérebro. Eu não pensava. Eu não agia. Percebi que ele não olhava para mim, mesmo estando tão próximo. De repente ele piscou os olhos como se estivesse juntando forças. Olhou-me. O olhar me fez ter a certeza de que algo ruim estava por vir. Aquele olhar... fez trincar o coração que estava congelado como um criança brincando de estátua. O olhar. O olhar me fez acordar num pulo. Assustada. Insegura e ansiosa. Queria ver o sol nascer.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Enfim, a Luana.

Pronto! Agora elas não estavam mais sozinhas. Lua, A e Ana viraram Luana. Luana era o resultado inacabado da fusão entre uma menina medrosa, uma moça inquieta e uma mulher sábia, que dava um jeito em tudo, portanto Luana nunca sabia quem ela era de verdade. Luana deixou toda aquela "fantasia" de lado e como uma pessoa real que acaba de acordar ela resolveu assistir o finalzinho do Jornal da Globo para depois voltar a dormir antes que os joelhos tornassem a doer.

Ana, a mulher.

"Céus! Será possível que ninguém vai chegar." - Pensou Ana. Ana era o resultado de uma menina medrosa e uma moça inquieta, ansiosa como ela só. Era difícil pra ela lidar com isto. Ana também não gosta de ficar sozinha, mas ela se vira. O que ela não gosta mesmo é de ficar à toa, se sentir inútil. Peso morto. Quando está sozinha então... Lua já tinha chorado, A já tinha se aquietado com suas intimidades e Ana resolveu também fazer alguma coisa. Ela saiu debaixo do edredon e com alguma dificuldade caminhou até a sala. Antes de mais nada ela acendeu a luz, Ana também detestava o escuro. Ela pegou alguns livros, sua agenda de compromissos e o caderninho de anotações. Ia trabalhar! Ana é uma profissional o exemplar. Tinha que preparar as surpresas para o primeiro dia de aula. Ela voltou para a cama e começou a estudar. Nunca tinha usado aquele livro. Belo desafio! Ana lia, falava, anotava, desenhava... Divertia-se muito com as novidades do material, tanto que nem parecia que estava trabalhando. Ana adora o emprego e era uma p
professora séria, dedicada. Ela preparou a revisão de quatro unidades, o que lhe rendeu três aulas recheadas de surpresas, de games e de alegria. Ela estava certa de que as crianças adorariam tudo, inclusive a nova teacher. Ana estava tão concentrada que as dores foram diminuindo e ela até se assustou quando viu o irmão chegar. (...)

A, a mistura de mim.

Ela mal tinha terminado a oração e já se sentia outra pessoa. As costas doiam menos porque estava deitada talvez. Mas era um dia estranho. Os joelhos, sem propósito algum começaram a doer. Saco! A, como se chama, é uma moça. Uma moça tão esquisita quanto a menina Lua. Cheia de vontades e que por ironia é "de lua". Pensa demais nas coisas do mundo, rodopia no mesmo lugar feito um parafuso sem eixo, pensando e repensando, mas ainda assim fala e faz coisas sem pensar como qualquer adolescente. Nunca conseguia escolher nem decidir. Insegurança? Também. Ela estava sempre no meio do caminho. Sem saber se ia ou se voltava. Se arriscava ou poupava. Se ria ou se chorava. Tinha medo de errar e perder chances. E pior! Se importava imensamente com o que iriam pensar ou dizer.   A é sincera, doce, inteligente... Uma daquelas adolescentes dispostas a fazer de tudo para mudar o mundo e salvar a humanidade. Queria ser importante. Uma cientista. E até sonhava em ganhar prêmios. Mas enfim... A ficou ali mesmo, deitada e pensando em tudo o que tinha acabado de acontecer. Ao seu estilo pouco revoltada, decidiu que não ia nem ligar para tudo aquilo. Bobagem! A começou a fingir que nada doía, revirava-se na cama, abraçava os travesseiros com o desespero de estar tão sozinha. Bem... A era sozinha. Cantarolava e trocava os canais da TV sem prestar a menor atenção. Sabiamente como quem estava simplesmente esperando o momento certo de fazer alguma coisa. Os pensamentos fervilhavam. Hormônios típicos do período da ovulação também. A mocinha estava inquieta. Esperta A transformou todo o sofrimento de minutos atrás, juntou os travesseiros e resolveu aproveitar a solidão, a escuridão e o silêncio que dominava a cidade naquela terça de Carnaval. (...)

Lua, a menina.

"Hahaha... Não acredito!" - Ouviu ela pelo telefone. Lua era uma menina confusa, às vezes pouco tímida com suas esquisitices. Não tinha vergonha de falar sobre elas, mas se irritava. Entristecia-se ao ver os outros debochando. Ela sabia que já não era assim mais tão menina, mas era assim que se sentia nessas horas. Meio abandonada. Esquecida. Lua pensava, falava e fazia coisas de menina. Tinha medo de escuro, medo de ficar sozinha, medo de dormir sozinha, medos, muitos medos. Naquela noite tudo estava indo bem, mas de repente a maldida dor nas costas voltou. De onde vinha aquela dor? Tudo o que a menina queria era que alguém estivesse ali. A dor latejava a medida que as horas passavam, já era quase meia noite e nada de ninguém aparecer ou ligar. Lua pegou o celular e ligou para a companhia mais certa, a que dormia e acordava ao seu lado: sua irmã. Pffff... Grande coisa! A irmã já não era mais a mesma. Atendeu o celular de uma festa qualquer e em meio a risos e som alto "Toma um remedinho. Eu não vou voltar pra casa não." Foi tudo o que a menina ouviu além das risadas de fundo. Ficou chateada. Pensando que a irmã comentou, antes de atender o telefone, que a irmãzinha estava ligando. Ora! Lua era uma menina medrosa, mas não era assim tão tola. Se remédio fosse mesmo a solução ela teria logo ligado para a farmácia. Estava doendo! Dor desconhecida. E como se não bastasse a dor, Lua começou a chorar. Triste. De fato, abandonada. Um pouco brava até. NNão entendia e, portanto, não aceitava esse descolamento. Não tinha culpa de ser daquele jeito e não podia controlar o sentimento, sequer sabia os esconder. Envergonhada e cheia de culpa a menina foi para a cama e como quem pede socorro fez suas orações. (...)

domingo, 3 de fevereiro de 2008

A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir - Rubem Alves

Não cobiço nem disputo os teus olhos nem estou sequer à espera que me deixes ver através dos teus olhos
nem sei tampouco se quero ver o que vêem e do modo como vêem os teus olhos
Nada do que possas ver me levará a ver e a pensar contigo
se eu não for capaz de aprender a ver pelos meus olhos e a pensar comigo
Não me digas como se caminha e por onde é o caminho
deixa-me simplesmente acompanhar-te quando eu quiser
Se o caminho dos teus passos estiver iluminado
pelas mais cintilantes das estrelas que espreitam as noites e os dias
mesmo que tu me percas e eu te perca
algures na caminhada certamente nos reencontraremos
Não me expliques como deveria ser
quando um dia as circunstâncias quiserem que eu me encontre
no espaço e no tempo de condições que tu entendes e dominas
Semeia-te como és e oferece-te simplesmente à colheita de todas as horas
Não me prendas as mãos
não faças delas instrumento dócil de inspiração que ainda não vivi
deixa-me arriscar o barro talvez impróprio
na oficina onde ganham forma e paixão todos os sonhos que antecipam o futuro
E não me obrigues a ler os livros que eu ainda não adivinhei
nem queiras que eu saiba o que ainda não sou capaz de interrogar
Protege-me das incursões obrigatórias que sufocam o prazer da descoberta
e com o silêncio (intimamente sábio) das tuas palavras e dos teus gestos
ajuda-me serenamente a ler e a escrever a minha própria vida.
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Embora mais pareça uma oração, li essas palavras na primeira página do livro "A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir" de Rubem Alves, um dos que eu deveria ter lido durante o semestre, mas só fui ler nas férias. Entediada li o livro por ler e no final até que achei interessante. A tal parte estava logo após os agradecimentos feitos por Ademar Ferreira dos Santos. Não sei quem assume a autoria do trexo citado, mas suponho que seja o segundo escritor, a quem desconheço plenamente.
Depois de ficar um tempo razuável chorando e escrevendo sobre a minha triste tristeza na biblioteca resolvi pegar alguns livros. Os folheei para lá e para cá, sem interesse algum. Ainda suspirava forte por causa do choro e acabava por me escoder dentre prateleira para que não fosse notada. Voltei para a mesa onde estava, olhei pela grande vidraça a mata da PUC Minas Coréu e pela última vez antes de entrega-los folheei os livros que deveria entregar. Lá estava o escrito. Nem me lembrava daquilo então tive a curiosidade de ler novamente. Tudo me fazia perfeito sentido. Todas as partes tinham alguma coisa a ver com o que eu estava pensando e sentindo segundos atrás. A angústia de querer desatar os nós e não saber o que fazer. Querer ter alguém por perto pra ajudar para tomar conselhos e não ter. Lembrar-me do quando é preciso o conselho e o quanto é bom ter o colo de mãe nessas horas. Ter medo de aceitar a opinião de pessoas e de aceitar o que elas dizem. E ao mesmo tempo, medo de "arriscar o impróprio". Saudade. Tristeza. Impotência. Medo. Vergonha. Ansiedade. Alívio.... Tudo ao mesmo tempo. E o que me ficou disso tudo foram algumas lágrimas a mais e a certeza de saber o quanto é difícil ser Luana.

Triste Tristeza

Então. Agora estou eu aqui na biblioteca. Um dos meus lugares preferidos dessa universidade. Satisfeita por ter resolvido meu problema e ao mesmo tempo triste. O curto período de tempo que passei por aqui foi o suficiente para dar mais uma porção de nós na minha cabeça. Como se não me bastassem os que já tenho.
Eu tinha passado no vestibular. Uau! Quarto lugar. Logo me empolguei, claro. Ia realizar então um dos meus maiores sonhos. Ia, não vou mais. Não desta vez e sabe-se lá Deus quando.
Estou triste por ter que acordar no meio, ou melhor, logo no início do meu sonho. Há quem diga que faculdade é um pesadelo. Sim... também partilhei dessa opinião, mas nada é pior comparado à triste tristeza que sinto agora. Desde o pré eu sempre quis ser uma aluna universitária, rodeada de livros, dicionários, lanches e instrumentos de pesquisa. Hoje é sexta-feira, véspera de Carnaval o que faz minha tristeza parecer ainda mais triste, mas isso não vem ao caso. O que me impreciona tanto é ver que mesmo estando prestes a festejar a mais estúpidamente conhecida festa brasileira têm pessoas aqui. São pessoas novas e velhas, homens e mulheres, feios e bonitos, muitos bem vestidos e outros nem tanto. Pessoas normais como eu e não cdf's trajando macacão jeans, com um óculos fundo de garrafa, uma luneta nas costas e todos sem exceção roendo compulsivamente o lápis. Vixi... Será então que nós somos a nova geração de anormais? Bem, confesso que não acho mesmo muito normal ir a biblioteca durante as férias, pricipalmente na sexta de Carnaval. Mas não vou entrar nesse detalhe senão minha tristeza vai ser um triste sem fim.
Porque será que a alegria que eu senti quando passei no vestibular e a satisfação de ter aprendido alguma coisa aqui estão tão ofuscados diante a tristeza de ter desistido hoje. Lembro-me bem do dia que vim fazer a matrícula. As pessoas me tratavam diferente, me olhavam diferente. É verdade! Mas com certeza também não vou me esquecer do dia que vim desistir e desse dia ficarão lembranças tristes e a imagem de uma menina cheia de dúvidas. Agora mais do que nunca.
Acho que minha preocupação maior é o receio de me acostumar com essa idéia de ir levando a vida do jeito que der. E outra eu preciso descobrir o que eu quero ser quando crescer para eu ter a certeza de que os sacrifícios de voltar para aquela salinha valerão a pena não somente porque eu gosto de estudar. Tá aí! Porque será que eu sempre quis ser uma mulher de rabo de cavalo, óculos, que carreca uma biblioteca nos braços e anda apressada para não perder a hora do próximo compromisso? Putz! Porque será que eu estou contando isso? E porque será que estou tão triste assim. Coisa boba... Eu nem gostava tanto assim de estudar Pedagogia. É só o tempo de eu descobrir o que eu quero ser quando eu crescer.
Alguma sugestão?