domingo, 31 de agosto de 2008

Em meu lugar

Na última sexta-feira decidi não ir à terapia. Além das diversas insatisfações, estava com preguiça e sem o cartão do ônibus. Lembrei-me da Cris dizendo que eu preciso de uma ajuda profissional, mas mesmo assim resolvi não ir. Não aceitar opiniões voltou a fazer parte de mim. Até então acho que foi uma boa escolha.
Não tenho mais caso algum, festa de casamento, de formatura, despedidas em botecos, banda de amigos tocando, viagens programadas, saídas repentinas nem encontro de amigas. As férias acabaram e surpreendentemente voltar à rotina de dona de casa me fez bem.
Hoje acordei bem disposta a ir dar aulas. Gosto das aulas de sábado! No caminho uma ex-aluna me ofereceu carona. Muito simpática! Depois das aulas fui almoçar na casa dos meus tios como de costume. Comi frango assado. Logo após o almoço dormi no sofá. Um climão de domingo que só vendo. Apaguei! Sonhei com minha mãe. Com um final de semana normal em casa. Nossa casa, nosso sofá. Nós três assistíamos a um filme enquanto eu pintava as unhas da mamãe. Meu irmão chegou com o Hugo trazendo pão de queijo. Comi um pedaço e logo acordei. Ele estava azedo, mas na verdade era o azedo de ter dormido sem antes escovar os dentes.
Acordei e lá estava meu irmão, ao meu lado, para me fazer lembrar que ele era mesmo o que tinha restado do sonho. Que bom!
Nem peteca no sítio do Tio Ira com os Corneteiros, nem samba de aniversário do Simil. Para uma boa dona de casa o sábado serve mesmo é para fazer as compras. Já era combinado que meu irmão e eu iríamos às compras. Aproveitamos a carona da titia e fomos. Era inadiável, precisava comprar todas aquelas coisinhas receitadas pela nutricionista. Minha primeira compra verificando a quantidade de calorias nas embalagens. Não teria sido nada divertido sem meu irmão fazendo graça a todo o momento.
Chegamos tarde, já tinha perdido a peteca e agora também o samba do Simil. A chuva veio para garantir mais um sábado à noite em casa. Boa pedida para um filme. O que? Luana querendo assistir a um filme? Bem... A casa já estava arrumada e meu irmão ia para a casa da namorada.
O plano B era beber as cervejas que já estão aqui faz tempo, do jeito que a Courtney deixou. Nunca mais tive companhia alguma para bebê-las e tampouco tive coragem de bebê-las sozinha. Hoje não estava a fim de beber. Na verdade ficou uma estranha vontade de reviver o sonho de hoje à tarde. A vontade de assistir a um filme, de comer pão de queijo e de pintar as unhas de cor de rosa.
Foi o que fiz. Assim que meu irmão saiu, fui tomar aquele banho de sábado. Super banho. Lavei os cabelos e tudo. Depois fui fazer as unhas enquanto assistia à novela. De certo pintaria as unhas de rosa, mas fiz um teste antes. Escolhi um novo. Um rosa mais escuro, parecido com o da Sharon. Talvez não fosse o preferido da minha mãe, mas era cor de rosa. Ela sempre escolhia esses.
Lembrei-me do dia do enterro. Ela estava usando um rosa clarinho, o mais singelo de todos. Eu mesma tinha passado, no nosso último sábado juntas, como no sonho.
Bem... Pão de queijo não tinha. Mas fiquei surpresa quando a Globo anunciou um dos meus filmes preferidos aquele do meu poema preferido. Agora sei o nome em português: "Em seu lugar".
Já não me lembrava mais do filme todo, dos detalhes. Sabia que gostava e que chegaria a hora do poema. De certo agora é meu filme preferido. A história das irmãs, a mãe que se foi, o pai esquisito, a avó que eu gostaria de ter e tive tão pouco, o noivo que me ache e um casamento exatamente como quero que o meu seja.
Chorei bastante no final. Tentei descobri qual das irmãs eu seria. É claro que quero ser a que tem um casamento lindo no final, mas resolvi aceitar que eu tenho muito da irmã toda descontrolada. Coisas boas e ruins, um pouco de cada. Fiquei pensando na minha irmã e por onde ela estaria. Não fazia sentindo eu pensar nas duas irmãs do filme se não pensasse nela também.
No filme faltou só meu irmão perfeito. Curtis Hanson (o diretor) deve ter pensando em mim quando fez isso. Eu que costumo confundir os filmes com a realidade e vice-versa. Tenho sempre um pouco de medo da reação.
O dia estava mesmo para as surpresas. Como se já não tivesse me surpreendido o bastante com a vontade de assistir filme, com a coincidência e com as reações causadas por ele a Globo me faz propaganda de um outro filme "Era uma vez". Só que este ainda está no cinema para me complicar. Quero ver.
Fiquei pensando, na terapia que estou pensando em deixar de lado. Ter vontade de ir ao cinema é meio anormal. Na verdade não deveria ser. Ir ao cinema sim seria um trauma a menos.
Será mesmo que teria coragem de ir ao cinema sozinha? O filme não é de terror, mas é no Rio, para morrer alguém e aparecer sangue não custa. Pensei em chamar a Karine, mas tem o Warley. Não quero ir com ele. Meu irmão? Ah! Tem a Wanda. O Davidson? Muito ocupado. O Jojô? Ah... Não sei. Já sei! O Thiago e a Gra. Aí eles me adotam de vez. Ou não... Escolha difícil! Tenho um monte de amigos que adorariam ir ao cinema comigo.
Voltei a pensar na terapia e em todas essas mudanças. A ver as últimas postagens do blog que são todas tão felizes. Claro, me entristeço com a falta de comentários. Acho que meus textos melancólicos fazem mais sucesso. O fato é que está tudo bem estou chegando em meu lugar. E isso felizmente me surpreende.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Nutricionista

Geralmente as mulheres ficam sabendo que estão gordas quando a calça jeans já não fecha mais. Eu há muito desisti de usar calças jeans, primeiro por recomendação da ginecologista, segundo por causa do umbigo que inflamava devido ao contato com o botão de metal e terceiro porque elas já não me serviam mais mesmo. Existem também aquelas que vivem sobre a balança. Nem de longe este é o meu caso. Longe fica a balança! Radical é quando alguém lhe diz "você está gorda", sem fazer nenhuma cerimônia. Mais um motivo para eu sentir tanta falta das minhas companhias femininas. Mamãe, Tatá, Karine, Vanessa, Bruninha... Singelas há ponto que eu mesma não conseguiria ser. Comigo ficou meu irmão, meu companheiro nada singelo no que diz respeito a isso.
Mas para não fugir ao costume de minhas esquisitices... Ter que pegar ônibus me fez entender. Poxa! Não é justo incomodar os outros com o seu defeito não é verdade? Ser gorda, ou melhor, ter um baixo nível de obesidade (como disse a nutricionista) não me dá o direito de incomodar os outros no ônibus. Já não basta a bolsa gigante e a pilha de livros que sempre trago comigo?
Mas a verdade é que nem eu mais me suporto. A falta de horários para comer, a preguiça, as porcarias, as espinhas, as dores, o cansaço, a vergonha de usar biquíni, as roupas desperdiçadas, as lojas que nunca vendem as roupas que quero no tamanho que preciso, a certeza de poder ser mais bonita, o peso na consciência (literalmente!), o arrependimento...
Antes que eu volte aquele estágio chamado de bulimia depressiva, resolvi mudar e assim já me dou por satisfeita. Querer fazer isso tudo de novo, querer mudar é um trauma a mais superado.
A nutricionista mais simpática não poderia ser (obrigada, Fá), ficamos mais de uma hora resolvendo o que seria feito. E eu sem aquele medo de não dar conta, sem medo de sofrer mais que o necessário e com a certeza de que a vida mudaria de agora em diante. Empolgadíssima!
Subi na balança, tirei medidas, liguei para a academia.
Agora eu quero ver alguém falar que esse trem não vai dar certo! Tenho um final de semana para me despedir do churrasco, da cerveja e da pizza em abundância. Segunda-feira estarei de vida nova!

"Friday I'm in love"

Friday I'm In Love The Cure
I don't care if Monday's blue
Tuesday's grey and Wednesday too
Thursday I don't care about you
It's Friday I'm in love
Monday you can fall apart
Tuesday, Wednesday break my heart
Thursday doesn't even start
It's Friday I'm in love
Saturday wait
And Sunday always comes too late
But Friday never hesitate
I don't care if Monday's black
Tuesday, Wednesday heart attack
Thursday never looking back
It's Friday I'm in love
Monday you can hold your head
Tuesday, Wednesday stay in bed
Oh Thursday watch the walls instead
It's Friday I'm in love
Saturday wait
And Sunday always comes too late
But Friday never hesitate
Dressed up to the eyes
It's a wonderful surprise
To see your shoes and your spirits rise
Throwing out your frown
And just smiling at the sound
And as sleek as a shriek
Spinning round and round
Always take a big bite
It's such a gorgeous sight
To see you eat in the middle of the night
You can never get enough
Enough of this stuff
It's Friday
I'm in love

sábado, 23 de agosto de 2008

Oposto. Certo. Errado. Incompleto.

Sou uma menin, tiste, iteligênte, traquila, egoita, ansiosssa, espeta, corona, peguiçosa, crinhosa, atllleticana, ateciosa, manosa, chamosa, pesistente, alege, curioooosa... Não sou loira nem morena. Uso óculos ou não. Tenho cabelos lisos ou cacheados. Sou otimista quando não sou pessimista e bela aos olhos de quem vê. Eu sou assim. Uma coisa cheia de adjetivos, mas sempre incompleta. Às vezes demais. Uma coisa às vezes isso, às vezes aquilo e nunca diferente do oposto de ser humana. Muita coisa e poucas coisas. Oposto. Certo. Errado. Incompleto. A verdade é que eu nunca sou. Eu apenas estou sendo.

O "Sobre Luana" está atualizado. Esse é o antigo. Para quem, depois de tanto tempo, ainda não entendeu os "erros" de português na primeira frase o título explica. Não explica?

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

"Deixo livre as pessoas que amo, se elas não voltarem é porque nunca as possuí. "

Hoje o Juan veio aqui em casa pegar a máquina dele. Ainda ontem meu irmão e eu falávamos dela. Ele entrou, conversamos um pouquinho e logo depois fomos levar a máquina para o carro. Ele me deu dois pacotes de macarrão de presente enquanto comentávamos a respeito da bagunça já feita no porta-malas do seu carro novo. Estávamos no portão que dá para a rua e reparei que a portaria tinha ficado aberta. Perguntei se ele tinha visto a Bisguila. "Ela ficou lá dentro" - disse ele. Não me preocupei muito. Se ela tivesse saído eu a teria visto já que estávamos no portão. No entanto, assim que entrei a chamei pelo nome várias vezes e como de costume assoviei. Nada! Imediatamente fui às ruas procurá-la. Nada... Voltei para casa, liguei para o meu irmão, calcei meus chinelos e sai novamente. A procurar andei pelas ruas lembrando-me da última segunda-feira. Passeamos juntas, fomos ao pet. Lembre-me também da ração que tinha comprado e lá ficaria e do laçinho que tirei ainda hoje pela manhã da orelha dela e que estava lá do lado da minha cama. Meu irmão tinha falado que ela ia mesmo fugir porque fica sozinha em casa o dia inteiro. Com uns vinte minutos desisti. Tomei o caminho de casa e pensei: se ela gostar mesmo da gente ela volta. Lembrei-me de uma frase que já há algum tempo vi no Orkut. Era mais ou menos assim: "deixo livre as pessoas que amo, se elas não voltarem é porque nunca as possuí.”. Cheguei em casa e fui dependurar as roupas que estava lavando. De repente, ouvi um chorinho do lado de fora. Ela tinha voltado! Passados uns dez minutos e lá estava minha orelhuda querendo entrar. Fiquei tão feliz! Ela entrou bebeu água e agora está aqui ao meu lado, tomando um solzinho. Linda! Minha linda.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Foto feliz!

Lembrar que eu sou uma menina de 20 anos é bom demais. Fazer coisas que uma menina de 20 anos faz sem preocupação é melhor ainda! Bom também é contar com os bons e velhos amigos. Thiago, Gra, Davidson, Jojo. Melhor ainda é fazer novos amigos com a expectativa de que eles durem para sempre. Pacu, Rodrigo e Carla. Depois desse feriadão gostoso, o blog merece uma foto mais feliz.

domingo, 10 de agosto de 2008

Continuo nada...

Hoje eu resolvi voltar para a ignorância, para a indiferença. Esperança de ter dias melhores.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Eu me importo.

Hoje foi um dia daqueles... Não queria sequer sair da cama, talvez por causa d' A menina e o colchão, e não teria saído se não fosse a terapia. Pus um cobertor na janela (ainda não tenho cortina), deixei a TV com o volume mais baixo possível e fiquei ali. Queria ficar para sempre pensando em qual seria a melhor solução para tudo. Pensando em mim e no meu próprio mundo.
Queria não me importar tanto. Ser uma dessas pessoas que levam a vida como se viver não fosse algo difícil e como se as dificuldades fossem coisas normais. Conheço pessoas assim! Pessoas que se importam só quando não têm mesmo outra opção. Pessoas que vivem de uma infinita indiferença!
Tinha prometido que ficaria bem em dois dias. Aliás, alguém pode me explicar porque (Logo eu que sou cheia deles. Preciso estudar a regra dos porque's, não estou segura.) as coisas ruins insistem em durar mais que isso? Já não seria o suficiente? Para mim nunca é...
Fiquei horas comparando-me, tentando ser menos A. Tentando achar razões para tantas dúvidas, tantos desencontros, tanta ignorância, tantos sentimentos, enfim... Tanto sofrer.
Hoje tive a nítida impressão de que meu terapeuta quis chorar enquanto eu falava. Isso me fez tão mal... Ele que sempre entende minhas esquisitices e as trata com tamanha naturalidade. Quis também achar razões por eu me importar tanto com outras pessoas e suas opiniões. Quis não me importar. Quis não me comparar. Não lembrar. Não pensar! Não sofrer.
Com o passar do dia fui descobrindo que dentre esses outros, sou também um para mim. Sou meu primeiro outro e por isso me importo. E tanto... Com tudo. Com todos. Só não queria sofrer. Mas sofro...
Tô com sono, mas acho que esse texto tem mais coisas a me dizer. Depois continuo.

sábado, 2 de agosto de 2008

"Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite."

Hoje foi um daqueles dias que eu não quis fazer nada do que tinha para fazer, quis tudo diferente com exceção do bom dia da velhinha e da boa notícia do telefonema.
Acordei com aquela famosa bolinha abaixo do olho, bolinha que é sinônimo de ansiedade, de tensão. Pudera! Primeiro sábado de aula.
Sabe aquela vontade de dormir só para ver se o tempo passa mais rápido? Tinha que fazer alguma coisa para aliviar a tensão, mas o que se faz nesse planeta sem ter dinheiro? No máximo um sanduíche da padaria no começinho da noite. E isso porque meu irmão deixou o cartão. Dormi a tarde toda! Saco! E os visinhos, por que não me convidaram para a festa? Que chato ficar aqui!
Quando estou assim geralmente vou estudar alguma coisa ou então começo a arrumar a casa. É mesmo muito comum que eu arrume a casa aos sábados à noite ou aos domingo à tarde, pode acreditar. Mas hoje nem isso eu queria fazer com a desculpa de ter que poupar minhas energias para a primeira semana de Agosto.
Bisguila eu e três latinhas na geladeira. Nem isso eu queria... Mesmo porque as três cervejas só serviriam para me dar uma vontade imensa de chorar e dormir até amanhã. Aí eu resolvi arrumar a casa mesmo. Lavar as roupas e organizar os livros enquanto assisto novela. Super sábado à noite! :(