sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mais uma sessão.

Tempo até que eu tive esta semana, mas não o suficiente para conseguir colocar tantos pensamentos em ordem. Cabeça fértil que insiste em pensar com carinho em tudo, observar, analisar, concluir, planejar... Nossa! Quanta coisa se passou por aqui estes últimos dias. E tem um bocado de coisa que eu ainda não me lembro do domingo. Coisas que estou louca para saber por sinal! Falo mais sobre isto depois.

O curioso é que fiquei bastante irritada para que chegasse hoje. Para que eu pudesse ter tempo de juntar aqui cada uma das anotações em locais mais variados, gravações no mp3 e pensamentos que ainda não foram registrados. Imagino que os leitores do blog também se irritem um pouco. Esta semana parecia que algo estava escrito na minha testa. Uma vontade imensa de ficar de prosa com alguém de chorar um bocado, de desabafar, de ter um número especial salvo nas chamadas recentes do meu celular... Algumas pessoas reconheceram isto e cobraram meus textos. Mas o tempo nem sempre nos permite fazer o que queremos. No máximo me permitiu abrir o vidro da janela do carro para conversar com o vento enquanto sentia a brisa no rosto ao ir para o trabalho. Não costumo abrir a janela, tenho um pouco de medo de trânsito e vento forte assim de frente me tira a ar (que estranho!).

Bem o fato que este será um daqueles posts que dá preguiça de ler. Será um apanhado de tudo o que aconteceu já que não tive tempo o suficiente durante a semana para ir por partes. Agora acho que vai ser melhor assim. Quem tiver paciência comigo que leia!

Sexta-feira foi aquela super festa a fantasia. O aniversário da Taty! Estava super empolgada para a festa, disposta a me divertir e a festa foi mesmo ótima, mas depois descobri que esta foi uma daquelas festas que tudo acontece. Tudo aconteceu! De menos comigo, claro! Primeiro a idéia de concorrer à fantasia mais nonsense falhou. Não teve graça eu ficar explicando que eu era uma hippie Green And Peace. E eu não fumei insenço para ficar lesada daquele jeito! Acho que foi culpa da Alanis que me pegou na saída do banheiro para falar de coisas e pessoas da vida. Ah! Estava preocupada porque não sabia como voltar para a casa e também com as aulas de sábado.

Fiquei tão cismada que no sábado seguinte acordei mais cedo do que de costume. Depois de passar uma semana mal humorada e toda inchada, reparei ainda no espelho do banheiro, que meu rosto está mais fino. Eu emagreci mesmo! Satisfeita comecei uma daquelas conversas para quem quiser ouvir. Comecei a falar sozinha como se eu estivesse explicando sabe-se lá Deus para quem os meus planos. Meus movimentos são todos friamente calculados. Na sexta-feira reparei que além de separar as peças de roupa por categorias antes de pendurá-las eu também separava por cores. Calçinhas para cá, cuecas para lá. Todas em uma escala decrescente de cor. Acho que isto foi só mais uma daquelas coincidências suspeitas, mas aconteceu de verdade!

Não é para tanto, mas eu sou sim uma dessas pessoas que se importa com os mínimos detalhes e, além disso, que gosta de ter o controle da situação, seja ela qual for. Às vezes é uma chatice, às vezes ajuda... Esta semana acabou com minha paciência, isso sim!

Tentando me explicar, acabei me enrolando um pouquinho, mas confessei que no fundo, no fundo essa tal coisa de emagrecer, bem como os demais planos atuais fazem parte do longo processo até chegar à maternidade. Sei que é estranho, mas para quem calcula as cores das calçinhas antes de pendurá-las... É claro que eu ia calcular isso também! Foi a primeira vez que contei para alguém (Que alguém? Estava falando sozinha!) minha real motivação.

Depois de ter sido embrulhada no jornal como um mamão para que amadurecesse mais rápido, tornei-me ainda mais forte, mais segura e assim mais cautelosa. Com o hábito de observar tudo e todos me tornei uma pessoa mais seletiva, pouco exigente com os outros e comigo mesma. Vai demorar um pouquinho até que eu possa ser mãe, mas o sonho de ter uma super família de novo tem sido planejado com todo o rigor.

Resolvi sair do banheiro e parar de conversar com quem alí nem estava. Fui me arrumar e como de costume: uma aula de inglês, uma de espanhol e depois fui para a casa dos meus tios almoçar. Titio ficou encantado com minhas trançinhas. Pediu que eu as fizesse mais vezes. Subimos juntos, como assim também preparamos o almoço. Enquanto almoçávamos assistimos a um comercial da National Geografic que fala que com um beijo apaixonado pode se perder 6,4 calorias. Eu brinquei dizendo: “puxa é quase minha fruta!”. Como se eu já não tivesse motivos suficiente para não acreditar em acaso ele começou do nada a contar suas estórias de pescador. Os beijos na boa, as mulheres do aeroporto, as mulheres do queijo. Quando me dei conta estávamos meu tio e eu lá trocando intimidades. Estava indo tudo bem até que ele disse que eu estava precisando de dar muitos beijos na boca. Um buraco se abriu e eu não sabia se pulava ou se ficava. Será possível que meus quilos a mais incomodam tanto assim? Bem... Não era nada disso. Ele continuou dizendo que eu precisava ter um namorado, por que eu estava na idade de ter um namorado de dar muitos beijos na boca e "arrumar um menino para nós". Foi assim mesmo que ele disse! Então o buraco que já tinha sido aberto ficou ainda mais fundo.

Puxa, tio. Não dava para falar sobre isto outro dia? Desgraça de coincidência! Thiago tinha me ligado chamando para ir para a casa dele. Apesar do desânimo resolvi ir e não pensar mais naquelas coisas. Às vezes tenho mesmo que controlar meus pensamentos e meus planos. Esta minha preocupação com a vida futura me faz ser como uma mulher de 35 que ainda não tem nem marido. Preciso me lembrar mais vezes que eu sou apenas uma moça de 21. Pensar nisso às vezes é mais útil. Ou quem seja mais fútil!

Lá fui eu. Tinha me esquecido que o clima de lua-de-mel do Thiago e da Gra quase sempre me faz despertar uma pessoa invejosa que fica escondida aqui dentro de mim. Ah! Pelo menos eu tenho amigos que me deixam dormir na cama deles sábado à tarde e ainda me levam para passear à noite. Bonitinhos! Isto e a festa da Taty já teriam me rendido um bom final de semana não fosse a pulga que ficou atrás da orelha.

Domingo acordei tarde. Fiquei um tempão na cama pensando. Meu irmão estava arrumando a casa e logo percebi que teríamos visita. Resolvi me levantar. Tomei café e fui corrigir algumas provas e exercícios. Depois peguei um informativo sobre como incentivar a leitura em crianças, “Brincar de ler”. Achei que pudesse ajudar com o pré-projeto da faculdade, mas a todo o momento me pegava pensando em como criaria meu filho. Ora como professora, ora como uma super mãe mesmo. Acho que meu filho será um bom leitor! Ai, ai...

Era dia de eleição. Estava só esperando a carona do meu irmão. Chegando lá, Michel e eu resolvemos mesmo ir para a casa do Pacu. Está é a parte que eu disse não me lembrar de muitas coisas. Lembro-me de ter ficado muito enciumada e brava! Brava não de ciúme, mas por ter o sentido de tal forma. Ciúmes mas sem propósito! Lembro-me do funk, da garrafa de cachaça que era igualzinha a de cerveja, de ter dormido, acordado, te ter falado muito no meu irmão porque ele tinha me ligado e eu fiquei com um medo... Lembro-me também de ter ficado meio desesperada por não saber como voltar para a casa e de alguém falando "hoje é o dia das mulheres de verde". Não poderia me esquecer do Pacuzinho ao meu lado dizendo que era para eu ficar tranquila que já éramos amigos. Ele também não estava muito bem ou então é definitivamente muito fofo! Eu o disse a mesma coisa em Belo Vale. Dependendo do meu apreço por você, viramos mesmo amigos, viu rapaz! E por falar em apreço teve também a gentileza da irmã dele de ter me emprestado um vestido depois de eu ter me molhado toda em água fria. Não consegui entender essa parte ainda. Ah! Deixa... Nada disso tinha acontecido antes, tirando alguns gritos em Lavras Novas sempre me comportei muito bem bêbada.

A determinação do meu tio de acreditar que eu serei a próxima mãe da família, os quilos a serem perdidos, os beijos que não tenho em quem dar o pré-projeto, o calor infernal, o ciúme dos amigos, os comentários no TFLA e os deslizes de domingo renderam-me algumas horas a menos de sono e a certeza de que, embora a vontade de me tornar escritora seja cada vez mais forte, escrever é, de fato, minha melhor terapia.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O gigolô das palavras.

Luís Fernando Veríssimo

Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão !"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.

Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua, mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.

Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.

Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa ! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.

domingo, 19 de outubro de 2008

Missa

Algumas coisas estão demorando mais do que eu imaginava para voltarem ao normal. Acabei de voltar da missa. De lá eu já não saio mais com aquela alegria, sequer disposição. Senti-me até pouco mal. Aquela dormência na boca que há tempos não sentia. Frio e calor, calor e frio. Vontade e vergonha de chorar. Uma enorme saudade.

Saudade de acordar cedo, botar a camisa da Crisma ou do Louvarte (que por sinal, não seu por onde anda) ir caminhando para a missa das 9:00. Saudade do Padrinho, da Ju, das músicas e crianças que eu conhecia uma a uma. Saudade de sair de lá e ir para a casa do Sérgio. Saudade da alegria que Sr. Zito demonstrava a me ver. Saudade de ficar namorando na varanda. Do almoço da Dona Antônia e até do mau humor da Rose.

Saudade também de sair de casa depois do almoço, dos amigos da minha rua, dos ensaios antes da missa da 19:00. Saudade do Léo, da Bibil, do Waldeir da Isabel e de todos os outros amigos que fiz na São Miguel. Saudade dos dias 29, do mês de setembro, da Gincana Jovem, da preparação para a Via Sacra, das nossas "brigas" com o padre Jorge, dos retiros do J., daquele cineminha na ASKE e de tudo mais que acontecia depois.

Saudade dos Domingos como eram antes.

sábado, 18 de outubro de 2008

O emocionante livro de Cristiana Guerra para Francisco.

"Alegria e tristeza sublimes em mim. Aos poucos eu vou aprendendo a viver sem mãe, acomodando a saudade até que ela doa com costume, até que ela não me aterrorize mais. E a escrita vai abrandando.
A escrita encontrou eco – para algumas pessoas é espelho, para outras é consolo, para muitas é lição. Para mim, o tempo todo, é cura. Entender que a minha dor, aparentemente inédita, fala tanto para tantas pessoas. Entender que somos feitos do mesmo, todos nós, fora algumas desumanas exceções. Entender que estamos juntos".
Cristiana Guerra (adaptação).

Capitu

Capitu

Zélia Duncan

Composição: (Luiz Tatit)

De um lado vem você com seu jeitinho Hábil hábil, hábil.. e pronto! Me conquista com seu dom De outro esse seu site petulante WWW ponto poderosa ponto com É esse o seu modo de ser ambiguo Sábio, sábio E todo encanto, canto, canto Raposa e sereia da terra e do mar Na tela e no ar Você é virtualmente amada amante Você real é ainda mais tocante Não há quem não se encante Um método de agir que é tão astuto Com jeitinho alcança tudo, tudo, tudo É só se entregar, é só te seguir, é capitular Capitu A ressaca dos mares A sereia do sul Captando os olhares Nosso totem tabu A mulher em milhares Capitu De um lado vem você com seu jeitinho Hábil hábil, hábil... e pronto! Me conquista com seu dom De outro esse seu site petulante WWW ponto poderosa ponto com É esse o seu modo de ser ambiguo Sábio, sábio E todo encanto, canto, canto Raposa e sereia da terra e do mar Na tela e no ar Você é virtualmente amada amante Você real é ainda mais tocante Não há quem não se encante No site o seu poder provoca o ócio, o ócio Um passo para o vício, o vício, o vício É só navegar, é só te seguir, e então naufragar Capitu A ressaca dos mares A sereia do sul Captando os olhares Nosso totem tabu A mulher em milhares Capitu De um lado você vem com seu jeitinho Hábil, hábil, hábil... e pronto! Me conquista com seu dom De outro esse seu site petulante WWW ponto poderosa ponto com É esse o seu modo de ser ambíguo Sábio, sábio E todo encanto, canto, canto Raposa e sereia da terra e do mar Na tela e no ar Você é virtualmente amada amante Você real é ainda mais tocante Não há quem não se encante No site o seu poder provoca o ócio, o ócio Um passo para o vício, o vício, o vício É só navegar, é só te seguir, e então naufragar Capitu A ressaca dos mares A sereia do sul Captando os olhares Nosso totem tabu A mulher em milhares Capitu Feminino com arte A traição atraente Um capitulo a parte Quase vírus ardente Imperando no site Capitu Capitu A ressaca dos mares A sereia do sul Captando os olhares Nosso totem tabu A mulher em milhares Capitu!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Webwriters

- Julie, you rock! – She said.

“Well” - I thought with a puzzled face. “It’s not that difficult to play capture flags listening to Hannah Montana with a group of eight girls”.

Right away she completed:

- You should be a journalist.

- Hãn… Should I?

Apesar do embaraço, me senti muito satisfeita. Não era o primeiro elogio. The happy Birthday project “is bombing”!

“Credo! Jijó com doce de leite?” – Alguém disse. É muito divertido presenciar as reações. “Ah! Entendi... Ele gosta de tudo”.

Às vezes as pessoas têm exatamente a reação que eu queria que tivessem. “Xéres?” – disse a outra assustada. É fantástico conseguir através de uma única palavra transmitir tanta coisa. É gratificante!

Os alunos de Kim também estavam impossible! Ninguém queria estudar. Fui eu para o computador da sala dos professores ler artigos, aqueles que eu já deveria ter ledo há tempo.

-I should be much more intelligent to be a journalist. Been a journalist is not only writing. That’s what I do. I only write…- I answered.

Lembrei-me do meu amigo Ton dizendo que o “eu jornalista” era quem pagava as contas. O artigo já estava na tela do computador para eu ler, mas por alguns segundos tentei imaginar o meu “eu escritora” pagando alguma coisa. Pff...Essa nunca tinha sido a intenção. Meu “eu” gosta de ter atenção, gosta de ocupar o tempo, gosta de ver o sorriso no rosto de pessoas queridas, gosta de internet, de aniversários e coincidentemente (embora eu não acredite tanto assim em coincidências) de escrever. Meu “eu escritora” nasceu por acaso, é só uma consequência.

Falando em acaso... Os artigos (que ando lendo para esboçar o pré-projeto de monografia) tratavam muito disso. A começar pelo título “Escrever é pensar e criar” fiquei envolvida de tal forma com a leitura que até me esqueci que estava na sala dos professores. Aquele entra e sai, os meninos que comemoravam o dia das crianças lá fora gritando, a cantoria da Tia Sinara na cantina... Nada me perturbava. Comecei a ler os artigos em voz alta. Com este primeiro artigo de Ana Amélia Erthal descobri o quanto sou criativa e que tenho muito a falar. Aprendi também que, mesmo sem saber de sua existência, eu dominava as técnicas de escrita descritas por James Webb (um dos primeiros redatores de propaganda do mundo). Entendi que escrever com tal facilidade e também com a tal sequência de técnicas é uma bela arte.

“Ok! I do not only write.” - Consertaria se Kylie ainda estivesse por lá.

O artigo começa dizendo que em grande parte escrever é aprender a pensar de forma organizada. “Escreve realmente mal aquele que não tem o que dizer por que não aprendeu a por em ordem seu pensamento”. Com base nos pensamentos de Othon Garcia, Erthal acrescenta dizendo que “A fonte principal de nossas idéias é a nossa experiência.” O que está de acordo com a primeira técnica de James, o desejo.

Ao passo que me encantava com tudo isso, lembrei-me também da Remi (minha professora de Teoria Lingüística I) falando a respeito da gramática internalizada e outras coisinhas mais. “Tudo aquilo que conhecemos e guardamos forma nossa base de entendimento e serve para nutrir nossa criatividade. Se você acha que a sua experiência não é suficiente, valha-se da experiência alheia através de conversa, de leitura e de convívio.” – Continuou a autora, descrevendo, em uma frase, algumas das técnicas seguintes de James Webb (preparação, manipulação e incubação).

Ao ler sobre a incubação tamanha foi minha surpresa com o exemplo que eu tive que dividir com alguém. Mari, a secretária que estava lá fazendo a chamada me salvou.

- Mari, deixa eu ler para você: “Einstein tocava violino como recurso para desviar a atenção do problema principal e provocar a incubação.” – Li com a maior empolgação.

- Ahan... - Ela disse sem entender nada.

Nem me importei. Passei para o parágrafo seguinte que tinha uma citação de Einstein. “A imaginação é mais importante que o conhecimento”. Não é que é mesmo a cara de Einstein falar uma coisa dessas!

O segundo artigo eu já tinha lido para fazer um fichamento. Muito interessante! Tratava dos novos hábitos de leitura e escrita de um ponto de vista bastante cibernético. O terceiro era um entrevista com Marcelo Ferraz, publicitário e Léo Paiva, jornalista; ambos webwriters. Eles falavam sobre a diferença entre escrever para a imprensa e para o meio digital, tratavam das dificuldades e facilidades do emprego, sobre a adaptação da língua portuguesa na profissão, as aventuras e também dicas para quem se interessa em ingressar na carreira.

Peraí! Ser um webwriter é uma profissão? – Pensei.

Marcelo Ferraz atualmente escreve para o blog da Selulloid AG e em redes sociais em nome da BFGoodrich. Ele acompanha o mercado desde o tempo em que os blogs funcionavam como um diário, uma época em que se buscava resgatar a individualidade perdida com a era da cultura de massa. Léo Paiva trabalha como redator para a intranet da Coca-Cola Brasil, produzindo notícias e organizando o conteúdo para ser difundido para o público interno via ambiente digital. Ele também mantém o seu blog que é sucesso no Brasil e em Portugal, desde 2003. Sem querer, Léo entrou para a história da internet, ao criar, em 1997, uma das primeiras revistas acadêmicas digitais, a "Utopia", que ainda é relembrada em eventos e palestras.

É me parece que sim! O quarto artigo tentava de forma bem divertida demonstrar que escrever não é tão difícil assim, “é como contar um caso ao amigo!” Por fim notei que os quarto artigos terminavam com uma discreta frase no final, como se fosse um código, ou uma saudação: Up the webwriters! Legal, muito legal mesmo! Então, seja lá o que for finalizarei como Ana.

Up the webwriters!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Política Educacional e Organização da Educação Básica

Minha mania de prestar atenção em tudo que o professor diz e ir colocando frases feitas em balõezinhos de pensamento é perfeita! Hoje pela manhã fui estudar Política Educacional e Organização da Educação Básica. Comecei estudando a constituição das leis e o Contrato Social. Lá estava o primeiro balãozinho: “Construir o que foi destruído. Entender o que não foi entendido” (não sei de onde veio).

Pensando no homem como um animal cheio de instintos (sejam eles primários ou secundários) é às vezes meio estranho para mim, imaginar toda essa organização política sendo criada. Logo depois veio uma das perguntas chave de todo o semestre, eu diria: “O homem busca segurança ou liberdade?” A verdade é que toda essa organização existe porque o homem tem medo do homem. Segundo Thomas Hobbes o homem é mau por natureza, mas ao mesmo tempo ele necessita do outro para ter expressões significativas do seu próprio eu. O homem é egoísta, busca sua sobrevivência através do outro, mas por intenções próprias. O grande barato da ordem social é que ela nunca vai dar certo como se planeja. Eu ousaria dizer que a tal ordem social não serve para nada se não fosse o sistema penal para contenção do caos.

O hedonismo (Tendência a considerar que o prazer individual e imediato é a finalidade da vida – mini Aurélio Escolar) estará sempre presente em qualquer governo. É extremamente natural que seja assim! Aliás, citando o hedonismo, o divertido professor disse que o único animal que não buscava o prazer imediato é a mulher. Disse ele: “Fim da reunião na empresa, todos decidem sair para comer uma pizza. A única mulher do grupo, toda cheia de charme, diz que não quer pizza, prefere comida japonesa. Todos aceitam exceto o tal por quem ela se apaixonará em breve”. É por isso que se tratando de história, política, filosofia ou qualquer outra coisa complicada do tipo estudamos sempre o homem e nunca a mulher. Mulheres são complicadas além do que a natureza as permitiu ser.

Chegando a um denominador comum, sendo homem ou mulher, criança ou adulto, letrado ou analfabeto verdade é que todo e qualquer esquema de organização serve basicamente para sustentar a necessidade primária de qualquer ser vivo: a lutar pela vida. A meu ver parte daí o fracasso de todas as organizações. Já não foi dito que o homem lutará sempre por seus interesses pessoais? Lei alguma, pena nenhuma impediria um homem viver ou de buscar seus interesses pessoais.

Por sorte, nasceu a educação! Homem é o único animal que precisa de educação social. O único animal capaz de criar e respeitar as leis feitas, de se organizar em grupo por interesses individuais, de fazer revoluções, criar e recriar governos, reformular sempre o pensar, evoluir. É estranhamente difícil pensar na família, por exemplo, como uma regra social, achando que os laços de fidelidade criados entre os membros são puramente para manter uma relação de segurança e prazer. Mas, de fato, é assim que é! Pensar nisso me fez entender o poder da educação. Hoje em dia, somente pessoas loucas, literalmente sem educação não são capazes de entender o valor de uma família ou de qualquer outro grupo social criado por afinidades. Ser educado faz toda a diferença, sobretudo quando se é mulher há já visto o exemplo da pizza!

Liberal, neoliberal, para o trabalho, positivista, inglesa, francesa, jesuíta ou niilista. Seja lá qual for o tipo de sistema educacional adotado pelo governo, educação é a melhor ordem e a pior pena social.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

97,5 %

Os momentos de felicidade têm (será que esse acento ainda existe depois da reforma ortográfica?) sido tão constantes que eu nem me dei conta, demorei a reparar as sutis mudanças. Boas mudanças e de relevâncias não tão sutis assim.

A esquisita vontade de ir ao cinema não passou. Ainda não fui e a vontade tem sido estranhamente mais forte. Já não fico mais pensando coisas estranhas ao tomar banho, não tenho mais medo do escuro do meu quarto e já estou até incomodada com o poste da esquina! Queria ter uma cortina... Já me acostumei com as escadas da minha casa, desço e subo com confiança. Confiança tal que resolve se espalhar pela casa toda. Já não sinto mais falta de ninguém no meu quarto à noite e, como de costume, dou Graças a Deus por estar ali tranquila (tranquila agora é sem trema, essa eu tenho certeza!), fazendo seja lá o que for.

Tenho ficado tão à vontade no meu quarto que cismei de dormir sem roupa e para tanto fecho sempre a porta. Fecho com a certeza de que meu irmão vai estar bem quando eu a abrir. Ele e todo o resto do universo. Já não durmo e acordo me preparando para algo de ruim que possa acontecer em alguns instantes. Acidentes esperam a hora certa para acontecer. Eu não pensava assim antes, mas viver acreditando nisso é bem melhor. Portanto, já não tenho mais problemas ao abrir portas, descer escada, permanecer no escuro ou estar sozinha no banheiro dando assas à minha fértil imaginação enquanto tomo banho.

Ainda tenho muitos medos para superar. Muitos. Muitos mesmo. Mas já me sinto bem menos esquisita por eliminar os mais idiotas, mais segura, menos tola, mais Ana.

Estar à vontade no meu quarto me permitiu resgatar boas lembranças, bons sentimentos. Enfim me adaptei a ser gente grande, ter uma casa e um quarto só para mim. Sinto a paz que há muito não tinha. Paz que não tive no desconforto do segundo andar. Paz que o tempo não me permitiu ter na casa azul. Lembrei-me da paz do meu quarto com estrelas no teto, resquícios de duas pato fã por todo lado. Lembrei-me até do meu antigo quatro! A redinha de ursinhos que mamãe fez minha foto com um deles no porta retrato ao lado e as revistas dos Backstreet Boys e Spice Girls em baixo da cama.

Fazer tudo do seu jeito é bom demais, sentir-se a vontade é às vezes inexplicável. Agora tenho mais que uma casa, tenho um lar e me sinto bem acolhida por ele. Não falta nada, não falta ninguém. Faltar, até que falta, mas não tem feito tanta falta assim. Sei bem como viver com o que tenho, disso não tenho dúvidas. Embora eu goste das coisas do meu jeito acho que está longe de eu ser assim uma menina mesquinha que quer por que quer o que quer que seja. No máximo sou um pouco ambiciosa, mas não vejo nada de mau nisso.

Está tudo muito bem, Graças a Deus. Ah! Está aí outra coisa que notei. Estranhamente eu digo mais “Graças a Deus” do que “Pelo Amor de Deus” ou coisas que o valham. Acho que Deus é ocupado demais para me ajudar e que se isso ou aquilo de ruim aconteceu foi porque ele achou melhor que fosse assim não sem antes ter a certeza de que eu fosse capaz de superar. Mas quando está tudo bem é a Ele que tenho que agradecer. Contrária ao obvio busco a Deus mais nos momentos de felicidade do que nos de tristeza. Tristeza não se divide. Com ninguém!

Sempre fui bem mineira. Mania de observar tudo e todas quieta no meu canto. Ouvidos afiados. Atitudes calculadas e calculistas. Observadora até mandar parar. Não sei se a terapia, o curso de Letras, a amizade da Cris e da Bia ou se o passar do tempo, mas estou cada vez melhor nisso. Sei ler e interpretar melhor a vida e isso é fundamental para tomar a próxima atitude, começar o próximo parágrafo ou abrir os olhos no dia seguinte. Isso traz mais confiança, segurança, menos medos e incertezas. Momentos mais frequentes de felicidade, paz, alegrias, auto-estima (esse hífen também me bagunça, maldita reforma!), boa fé. Se falta alguma coisa eu nem quero saber o que é. Por ora, está tudo bom demais.

domingo, 12 de outubro de 2008

Felicidade de quinta à domingo.

Agora tenho 21 e esta primeira postagem será bem apropriada à mudança. Dediquei-me tanto ao aniversário que senti saudades do meu amigo blog. Vontade de poder escrever as peripécias no próprio dia. Vontade de mostrar para todo mundo o quão boas foram as últimas semanas.

Quinta-feira dia 02/10. A idéia da Anna de irmos comemorar no Bar do Véio deu certo mesmo. Saí da faculdade mais cedo para chegar a tempo. Fomos Alisson, o outro aniversáriante, e eu. Senti falta de muitas pessoas queridas (Rebecca, Juan, Thom, John, Míriam, Alanis, Whoopi...), mas fiquei surpresa e devidamente feliz com quem estava lá me esperando (Scott, Vic, Harry, Ana, Jack e por aí vai). A noite foi muito divertida. Anna foi muito gentil por providenciar um bolo as pressas, Steven pelo barquinho, Harry por notar que estou mais magra e fazer elogios e Jack por me deixar em casa depois.

Ao contrário do que a minha foto de Monalisa aparenta, não deu tempo de ficar bêbada. Esses dias foram tão cheios de expectativas, tão corridos... Na hora do almoço tinha começado a lavar roupas, mas não deu tempo de terminar. Desliguei a máquina e lá as roupas ficaram de molho no amaciante. Mais tarde ao falar com meu irmão tinha pedido que ele ligasse a máquina. Quando cheguei só faltava pendurar. Nem me importei por já ser mais de uma hora. Pendurei tudo feliz, peça por peça e depois fui para meu quarto dormir toda à vontade.

Assim terminou a quinta. Na sexta acordei tarde, mas logo me pus a arrumar a casa enquanto os combinados ainda eram feitos via cornetódromo. O Thiago já tinha me ligado na quarta para dizer que eu poderia contar com sua ajuda e isso me fez perder o medo de me decepcionar. Sabia que com ele me ajudando todos animariam, a carne seria bem temperada, não faltaria cerveja, tudo daria certo e ficaria ainda mais divertido. Por fim pude contar com a ajuda de todos que vieram. Foi melhor ainda!

Passei a sexta arrumando a casa e verificando as mensagens no computador. Parei um pouco na hora do almoço, fui à casa da minha tia almoçar e meu coração quase partiu quando o meu priminho de dois anos me perguntou:

- Hoje você vai ficar tantão?

- Não posso Luca, estou arrumando minha casa.

- Por quê?

- Porque está bagunçada.

- Quem bagunçou?

- O Celsinho.

- Por quê?

- Porque ele é muito bagunceiro. Você é bagunceiro?

- Não...

- E aquela almofada ali no chão?

Mais que depressa ele foi colocar a almofada no lugar, mas preferiu mudar de assunto. Ele insistiu que ficasse, brincamos de moto um pouquinho, mas eu voltei para arrumar a casa, satisfeita por ter o seu sincero carinho.

De fato voltei a arrumar a casa, às 18:00, quando parei para tomar um banho, me lembrei que tinha que digitar um pequeno trabalho. Tomei o banho primeiro, digitei-o e fui para a faculdade. Saí mais cedo aquela noite. Acreditem ou não, às 21:00 estava eu aqui removendo com uma espátula a cera da escada. Não terminei tudo. Fui dormir.

Sábado era dia de trabalhar e também de estudar. Cheguei em casa por volta das 17:00 e fui terminar a escada. Custou, mas arrumei a casa toda, fui dormir tarde, mal me dei conta de que já era meu aniversário. Tomei um banho e fui dormir super à vontade mais uma vez.

Tinha dormido pouco e estava cansada, no entanto acordei numa alegria que dava gosto. Fiz uma oração especial de aniversário naquela manhã, pedindo para que aquela alegria continuasse e para que tudo desse certo como esperava. Deus ouviu minhas preces. Desci para tomar o café da manhã, ainda aos moldes da nutricionista e arrumar alguns detalhes. Enquanto tomava banho escutei meu irmão montando a churrasqueira. Ele também estava visivelmente empolgado com a "festividade" - como ele disse.

Daí para frente foi tudo só alegria! Passamos na casa dos nossos tios e fomos de moto ao Pindorama para votarmos. Quando cheguei lá já estava Michel, Jojô e Bruna. Jojô tão empolgado quanto eu, "estou te esperando desde as oito da manhã" - ele disse. E Michel arrasado por ser mesário. Coitadinho...

Papo vai, papo vem e pessoas foram chegando. Muitas. Todo mundo sabia que era meu aniversário! Demoramos e sair de lá. Thiago, Gra, Davidson e eu fomos ao supermercado enquanto Jojô e Pacu providenciariam a cerveja. Nunca foi tão divertido escolher tomates.

Bem, a verdade é que tudo foi muito divertido. Eu não sabia que um aniversário poderia ser assim tão bom. Cris e companhia com o balde de brigadeiro. Os presentes. As presenças inesperadas (Gui, Léo e Tia). A visita das minhas irmãs. O companheirismo do meu irmão. Minhas amigas mais especiais (Karine, Vanessa, Bia e Gra). O cara no bolo que andava em extinção. O “parabéns para você” nada tradicional (com panderola e balde). O churrasco gostoso do Thiago e Marcelão. A ajuda da Simone na cozinha. Ton e minha irmã tocando e cantando juntos. O bom comportamento da Bisguila. Ah! Tanta coisa boa...

Assim foi meu domingo de aniversário, cheio de gente boa na minha casa. E eu me divertindo a beça embora tenha sentido falta de muita gente (Virgílio, Fá, ou alguém representando a boa classe dos primos, Vandinho, Padrinho, Jujú, Bruninha, Léo, Bibil e Mari representando os velhos amigos, Elvis, Míriam, Sharon e Courtney para diminuir a distância e a saudade). Faltou também AQUELA pessoa que ainda não existe, por isso não veio. Esse dia chegou muito perto da perfeição. Posso descrever o que ou quem faltou, mas vai ser difícil contar o quanto foi bom, o quanto estive feliz de quinta a domingo.

Dedicar-me tanto a fazer aniversário valeu muito a pena. Dedicar-me tanto a fazer amigos, vale muito a pena. Amar tanto minha família (inclusive os amigos que viraram família) sempre valerá.