sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

No meu infinito interior:

Não sei se um dragão ou se uma bolha de sabão, mas há algo que incomoda.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Teaching and UNDERSTANDING teenagers.

- Julie, quantos anos você tem?

- Vinte e um.

Ela fez uma cara de alívio pensando que estaria mesmo livre da minha adolescência e, até então, eu também achei que estivesse. Respondi com um sorriso de quem entendia o motivo da pergunta. E assim foi.

Eu deveria me concentrar no treinamento como uma professora. Não era o primeiro e muito menos a primeira vez que tentávamos desvendar os mistérios da adolescência. Mas acontece que a todo o momento eu achava um pouquinho de mim em todas aquelas características da fase intermediária do desenvolvimento humano o que inevitavelmente fez com que eu me sentisse uma pessoa puramente medíocre.

Mais do que o tédio, me irrita não saber o motivo de ser por ele possuída frequentemente. Sim, eu já aprendi algumas artimanhas para acabar com ele, mas daí resta uma preguiça enorme, e um desespero para saber de onde vem tanto tédio. Honestamente acho que essa é uma das piores características daqueles meus dias femininos. Mas faz sentido que o tédio seja uma característica da adolescência.

Faz sentido também que, tomada por tédio, eu resolva me animar com qualquer novidade. Isso não é normal? Quem não se anima com a expectativa de um novo encontro, uma viagem, uma ligação misteriosa, a diferença no salário... Será mesmo só uma característica da adolescência? Claro que não. Ao menos acho que não.

Tirando aquela parte de controlar impulsos acho que o córtex pré-frontal vai bem. Eu sei controlar os impulsos, mas isso geralmente acontece só quando eu quero muito. E outra! Eu sou menina. Aquela tal carência afetiva me mata! E como se já não fosse o suficiente tem o desejo de liberdade e a rebeldia. Pode não parecer, mas meu sonho é dar um soco muito bem dado na cara de alguém. O motivo? Provavelmente englobará as três últimas características citadas.

Confesso que já estou começando a fazer graça, embora a vontade de socar alguém seja cada vez mais frequente no fim do mês. Todas as características da adolescência se encaixariam perfeitamente na personalidade de alguém; eu costumo ser cheia delas, então comigo não haveria de ser diferente. Ta aí! O tédio não me tira os objetivos e a vontade de fazer de tudo nesse mundo, mas por outro lado chego a ficar perdida nesse mundo de coisas para querer. Nem a atração pelo grupo consegue ser uma só dentro de mim. Será que é um problema gostar um pouquinho de cada um, muito de muitos e pouco de poucos grupos? Ixi... Penso nisso depois!

Estive pensando por esses dias foi nessa relação entre meninos e meninas. Falo, falo, mas por fim não canso de me falar (característica de menina!) que eu deveria ser um menino. Juro que a maioria das vezes isso é uma verdade. Sabe por quê? Cansei de bater boca com o Michel a respeito disso, mas cá com toda a minha autenticidade, confesso que eu tenho um monte das características chatas de ser menina. Tenho também neutras e legais. O engraçado é que ainda assim sou tão pouco feminista, quase nada feminina, mas o suficiente para de-tes-tar machismo em proporções gigantescas que sempre me fazem repensar a hipótese de eu não ser feminista ou feminina.

Ah! Mas para quê me importar tanto? Não quero mais falar sobre isso! Estou satisfeita por, ao menos, me sair bem como professora nesse quesito. Não sei bem como, mas entendo bem meninos, meninas e suas diferenças. Ocasionalmente me dou melhor com os meninos e o motivo nem me interessa saber.

No final do dia, dei-me por satisfeita por conseguir, ainda que com certa dificuldade, estabelecer bom relacionamento com todos (salvo algumas raridades). Talvez essas minhas características sejam sim resquícios de adolescência, afinal... Embora seja como um mamão verde embrulhado no jornal, tenho apenas vinte e um. Talvez não. Pode ser que isso seja típico do meu jeito estranho de ser LuAna. E por fim confesso que pode ser tudo uma simples frescura de menina. Mas pensando bem, além de capacitação, interesse e coração tranquilo, pode ser que o segredo para dar aulas seja ser mais humano e sensível às diferentes experiências que a vida nos proporciona. Posso dizer? Eu já conhecia a benevolência.

domingo, 25 de janeiro de 2009

A fábrica fechou.

"O céu já foi azul, mas agora é cinza.

O que era verde aqui já não existe mais.

Quem me dera acreditar."

Trecho da música “Fábrica” de Renato Russo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

PROCURA-SE: dinheiro, força física e coragem.

Não me lembrava mais qual tinha sido a última vez que eu tinha tomado aquela limonada suíça que eu mesma preparava como o papai me ensinou. “Não importa!” – pensei. Ela era forte e azeda como sempre. Uma delícia! Tomei-a numa xícara própria para chocolate quente, aquela que minha amiga Vanessa me deu de presente no último aniversário. Mais uma vez nem me importei. Eu precisava comemorar toda a alegria que veio com a boa notícia. Finalmente meu bebê estava por vir! Era a primeira vez que 2009 correspondia com todas as expectativas que eu nele havia depositado. Viva Iemanjá!

Todas as expectativas me exigiam esforço, nesse primeiro caso o esforço era puramente financeiro. Mas esforço físico e muita coragem também estavam na lista.

O esforço físico eu já estava me acostumando a ter. Não fossem os três últimos dias de chuva eu estaria completando duas semanas de caminhadas matinais (nas férias!). E olha que cada caminhada é seguida de uma pequena sessão de preguiços alongamentos e pseudo-abdominais, os quais faço sim com muito esforço.

A coragem ainda está por conta de Iemanjá. A cada vez que me lembro dos grandes desafios do próximo mês sinto um frio na barriga, uma vontade de me calar e correr para o abraço mais próximo. Preciso de coragem para aquentar o que fazem comigo.

Precisei de muita coragem. Foram alguns anos pensando em como fazer para herdar a loirisse da mamãe. Consegui com a ajuda da minha amiga Karine, mas já percebi que mulheres loiras têm por natureza maior facilidade de chamar atenção e, logo, de arrumar confusão. Deus me ajude!

Ter coragem não é para qualquer um não e leva tempo; mas quer saber? Pode ser que amanhã eu fure o nariz. Será?

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

"We are one!"

Há oito anos lembro-me de ter perguntado ao meu pai o porquê de recebermos tantas notícias sobre as eleições nos Estados Unidos. Achava que pelo fato de nós brasileiros nos importarmos mais com o capítulo final da novela do que com as eleições os outros países mal se importassem também. Achava inclusive que as eleições brasileiras não eram notícias internacionais. Quem se importaria se nós não nos importávamos?

Eu tinha treze anos e não me importava. No máximo fiquei surpresa e curiosa para entender o motivo pelo qual as eleições nos Estados Unidos eram assim tão importantes. Meu pai não era muito de falar sobre política. Falava mais de futebol. E não por acaso me importo mais com futebol embora até goste de política. Sei que por fim ele deve ter me explicado mais ou menos que aquele país era mais importante por ser mais rico e que o que acontecesse lá teria efeito no resto do mundo. Decerto eu também devo ter perguntado algo à minha irmã. E a resposta não deve ter sido muito diferente.

Metida a revoltada como era, me lembro que de pronto tomei birra do presidente eleito e também daquele país que era de longe mais importante que o meu. Não achava isso certo!

Hoje continuo sem entender muito sobre política. Mas entendendo de dinheiro e principalmente de dificuldades financeiras. Entendo bem e até aceito que os Estados Unidos tenham destaque em todos os noticiários. Não me revolto mais com qualquer coisa, pelo contrário! Acho até graça ao ver em meio às notícias importantes o tititi a respeito da barriguinha de tanquinho do Obama ou os detalhes sobre os vestidos me Michelle.

Entendi que existem pessoas mais importantes que eu, mas entendo que elas não são importantes sozinhas. Fiquei surpresa ao perceber que desta vez o Brasil era notícia. Várias vezes eu ouvi o Brasil sendo citado na lista de exemplo de desenvolvimento ou quando falavam dos países que manteriam relações mais estreitas com o tal poder norte americano. Há oito anos acharia tudo uma senhora hipocrisia. Hoje entendo que seja tudo interesse; mas o que nessa vida não é por interesse?

E se quer saber, me emocionei com tudo. Havia uma mulher no meio da disputa e, sem querer parecer feminista, isso me chamou muito a atenção. E por falar em emoção... Não perguntei nada ao meu pai, à minha irmã, nem a ninguém, mas aprendi por mim mesma que o poder da política tem muito de sentimento. É humano. Humanos são um só.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Medo

Tem gente que não acredita no medo dos outros.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Sensatez.

Estava entre a arrogância e a tolerância.

-Você é a pessoa mais sensata que eu conheço.

No momento eu não sabia se isso se tratava de um elogio ou não. Mas, de fato, eu sou sim uma pessoa muito sensata. Acontece que pessoas sensatas não gostam de briga. Pessoas sensatas ignoram o que não querem ouvir, mas ouvem. E sentem. Sentem muito. Eu sinto muito.

Pudera eu um dia ir para a roça e deixar o cérebro em casa!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Adeus ano velho!

Ontem resolvi me desfazer da agenda de 2008. Nunca gostei de guardar as agendas antigas. Elas costumam ter tantos detalhes. São anotações e rabiscos por toda parte. No entanto, antes de jogá-las fora é preciso ter uma nova. Página por página transcrevo o que é necessário e no mais salvo as páginas que me deixarão boas lembranças.

Do mês de JANEIRO a boa lembrança de ter ido à Pampulha com a Doris. Ao que parece nada de mais, mas era uma tarde que tinha tudo para ser super chata, não fosse o agradável convite. No dia seguinte consegui me divertir indo ao médico. Na verdade eu só fiz companhia para o Jonathan, mas acabei conhecendo lugares de BH que ainda não conhecia. Além disso, aprendi muito sobre ônibus, tirei fotos, tomei chá de maçã e assisti a um aquário gigante por horas. O mês teve um sabor simples, mas muito saboroso!

Em FEVEREIRO comecei a experimentar a terapia de novo. Desta vez achei que pudesse ser mais eficaz e, como parte do tratamento, me apeguei ao blog.

Em MARÇO pude reviver um pouco as experiências com o teatro e me diverti muito a cada ensaio, a cada música decorada e a cada nova coreografia. Tudo era piada!

A chave da casa abriu o meu ABRIL. Tão nova e eu já tinha minha casa... Não que isso fosse uma questão de escolha, mas na ocasião eu me alegrava pela conquista. Minha casa era (e ainda é) para mim o conforto de que "há males que vêm para o bem", como mamãe dizia. É quando eu tenho a certeza de que tudo está mudando, mas que nem tudo é só sofrimento.

E não bastasse a nova casa, a nova vida também ficou recheada de novos bons amigos. Em MAIO: a primeira visita em massa. Meus amigos do TFLA vieram trazer alegria para a casa.

E por falar em amigos... Esse foi o mês do chá de panela que eu jamais poderia ter perdido, mas que infelizmente coincidiu de ser no mesmo dia da festa semestral do TFLA e a apresentação final do grupo de teatro com o qual eu estava imensamente envolvida.

Mais chato ainda foi que este mês me levou de vez minha irmã. Sem ouvir se quer um até logo eu descobri que, ainda que de forma sutil, eu sei sim guardar rancor. Mas aprendi também que "gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar". Eu tinha que concordar com Saramango.

JUNHO começou docemente amargo com a festa junina da Construir. Tudo lá me faz lembrar minha mãe. É duro ver aqueles menininhos lindos sem ela por perto. Ela ia adorar ver como a Catarina cresceu! Ao contrário, a festa do IEGL me trouxe ótimas lembranças e esperanças. O casório que veio em JULHO era uma delas. Jamais me empolguei tanto com um casamento! Esse sim significava muito para mim. Depois de tantos desencontros eu tinha os meus amigos de novo. E agora eu podia mesmo dizer meus, pois já tinha aprendido a desvincular o que há de possessivo no pronome.

A viagem à Mariana / Ouro Preto, apesar de tudo, teve um final feliz. É por isso que digo que "valeu a pena". Vale a pena também lembrar que naquele dia eu tinha acordado "com uma vontade danada de mandar flores ao delegado..." Por alguns dias eu achei que a vida pudesse voltar a ser a mesma (e se quer saber se quero outra vida: não, não"), mas seria impossível.

AGOSTO me trouxe o desgosto do desprezo. Conheci um homem assustador que eu ainda teimo em dizer que não é meu pai e sim uma outra pessoa no lugar dele. Mas nem só de desgosto se fez agosto. Eu estava de volta à faculdade para experimentar um novo curso, uma nova instituição. O primeiro dia de aula sempre é pra lá de legal (por mais chato que seja). Sempre foi...

Legal também é ter as minhas amigas de colégio por perto depois de 10 anos. No entanto, agosto também teve um novo gosto. Experimentei uma amizade diferente. Uma amizade que tomou o caminho avesso naquele dia. Além disso, dei fim a um caso e de ali em diante me permiti novos outros, não sem antes perguntar a Deus se eu realmente deveria.

Belo Vale é muito mais que uma roça. É lugar para coisa boa acontecer!

Duas semanas depois... Decidida, eu sabia que o primeiro passo era procurar uma nutricionista. Depois disso, SETEMBRO passou rápido. Ou fui eu que nem percebi? As expectativas eram todas em OUTUBRO.

Os domingos de eleição costumavam ser bem divertidos na casa da vovó, mas nenhum tão divertido quanto o desse ano. Era o meu aniversário, minha casa, meus amigos, meus presentes, meu churrasco, meu bolo, meus cartões, meu brigadeiro... E desta vez era tudo meu mesmo, eu tinha o direito de posse.

Seria menos embaraçoso se não tivéssemos segundo turno. Poderia ser melhor. Eu me arrependeria menos. Mas sentiria menos também. E quem foi que disse que eu não deveria? É mesmo melhor que a gente se arrependa do que já foi feito. Agora já foi.

Ainda assim eu continuava em ritmo de festa. E eu não era a única! NOVEMBRO foi mês de festa e que fique claro que é melhor a gente se arrepender daquilo que faz! Mas que às vezes é melhor pensar um pouquinho mais antes de fazer alguma besteira, ah... Isso é!

No mesmo mês aprendi direito o que é delicadeza. A delicadeza da Cris comigo. Do Gui com a Cris Guerra e dela para Francisco. A delicadeza trouxe muita coisa bonita para minha vida, principalmente o consolo de não ser a única a sentir demais, a lembrar demais, a amar e demonstrar amor demais.

Sem delicadeza alguma, portanto, a Bisguila se foi. E com isso aprendi que uma perda nunca é só uma perda. Perdendo alguém se perde várias coisas e se ganha também. Não que se tenha que perder para ganhar, mas é que Deus sabe o que faz e desta vez não foi diferente.

Na faculdade foi mês de sarau e da apresentação do projeto de monografia. Tudo um ensaio, mas tudo muito divertido. Sabe, me sinto bem melhor num lugar onde se é permitido ensaiar, tentar, testar, errar e acertar sem muitas formalidades.

A agitação de final de ano sempre começa no dia 5 de outubro. Daí em diante é só alegria! Ou quase isso... Em DEZEMRO eu fiz um pouco de tudo. Era amigo oculto e festa de natal que não acabavam mais! Tentei até aprender como se joga pôquer, mas isso ficou para o ano seguinte. Jogo mais difícil! O papai Noel me trouxe poucos presentes, mas há tempos presente não é mais um item de natal para mim. Deveria me envergonhar, mas preciso dizer que não fosse por ser uma semana antes de começar um novo ano o Natal me traria quase nada de esperança. Natal virou época de festejar. Beber, comer, gastar e aproveitar as pessoas amadas tudo sem medo do exagero.

A verdade é que o Natal me deixa confusa! Assim foi... “Me deixa que hoje eu tô de bobeira!” Eu merecia me importar menos. É uma pena que isso gere incômodo alheio. “Tem problema não!”

Antes das férias, sempre muito merecidas, tive os bons resultados da Faculdade, do Inglês e do Espanhol. Eita menina que estuda! E a modéstia que vá pra longe, mas sou uma ótima aluna! E olha que isso tem pouco a ver com inteligência.

Ganhei férias para arrumar o quarto, os armários, os cabelos, os olhos, os joelhos, as costas, o útero, os ovários, o intestino, a pele, as unhas... Depois de tanto descuido e dos exageros de verão é o mínimo que o meu juízo pode fazer por mim.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Era uma vez...

Um passado.

Uma viagem. Um sentimento novo.

Uma festa. Um deslize.

Um abraço.

Uns amigos. Muitos amigos.

Uns remédios.

Uma, duas ligações. Um medo!

Uma outra ligação não feita. Um desespero!

Uma visita. Um carinho.

Uma cortina.

Uma conta não paga.

Um CD. Muitas lembranças.

Um livro. Uma vontade de chorar.

Um monte de pensamento. Uma preocupação.

Uma saudade. Um desafio. Uma repulsa. Uma surpresa.

Uma confusão.

Uma vontade de ligar. Outra vontade de chorar.

Um calendário. Um desespero.

Um despertador. Um dia novo!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Orkut Curioso!

Quem sou eu? Sou Luli, sou Prima, sou Irmã. Sou Julie Andrews, sou Teacher. Sou Meu Bem, Minha Princesa. Sou Menina. Sou Lu, sou Lulu, sou Amiga. Sou Cara, Prezada e Senhorita. Sou Ow, Hei e até Psiu! Sou Dama. Sou a LuA, a A e a Ana. Sou LuAna! Sou eu, eu mesma e a mistura de mim. "E tenho dito!" Já basta, seu Orkut curioso!

sábado, 10 de janeiro de 2009

367 quilos a menos na consciência!

Aprendi que fazer amigos é um processo constante e gostoso.

Descobri que as pessoas falam demais mesmo e que eu sempre vou me importar com isso.

Reconheci os erros.

Decidi ser mais cautelosa.

Resolvi não duvidar dos meus medos.

Percebi que não suporto correr o risco de perder os amigos que conquistei.

Aprendi que dividir segredos faz bem para a saúde, por mais arriscado que isso possa parecer.

Achei melhor deixar pra lá, mas no fundo, no fundo, sabia que não ia desistir.

Analisei a gigantesca diferença entre amigos homem e mulher.

Percebi que ter alguém por perto é essencial.

Vi que, de certa forma, as paixões são incontroláveis, mas ceder estrelinhas a alguém é sempre uma opção de quem o faz.

Aprendi que ciúme nunca é sem propósito,

E que sexto sentido de mulher é foda!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Donada.

Entre tantas outras bobagens a preocupação quase que sem propósito, não fosse o medo de não ser a dona da razão desta vez. Embora não tivesse razão alguma (muito pelo contrário!) ainda assim me sentia vítima de uma história confusa. "Que parte da história eu perdi?" - disse surpresa, já em ritmo de choro ao amigo que também jurava não saber de nada. Além do medo e da insegurança de quem pisa em terra desconhecida, cheia de casca de ovo eu estava ansiosa. E isso até o banheiro percebeu!

Cega não! Míope. Tá bom... Astigmata também.

Depois de passar mais de uma semana tentando adivinhar as coisas na praia, resolvi levar meus óculos na ótica para que fizessem as novas lentes. Seriam mais dois dias sem os óculos e, na cidade, digo que é bastante diferente. Tive que pegar ônibus, ler as placas na rua... No caminho de volta para casa, depois de pedir ajuda ao moço da farmácia já estava a caminho do ponto de ônibus quando vi uma mulher com a cabeça entre as pernas abertas, os braços tortos e um barulho de água! Fui a sua direção achando que realmente ela estivesse vomitando. Quando cheguei mais perto (digo que é bem perto) percebi que era a vendedora da loja que apenas torcia um pano de chão na calçada. Que vergonha!

Até então a cena mais engraçada no que diz respeito à minha deficiência ocular era não ter nem reparado que um carinha me olhou a festa toda. Só fui mesmo reparar quando no final da festa ele veio se despedir com um olhar e um beijo que chegaram perto demais.

Ontem à noite fui à ótica ter meus óculos de volta. Nem pareciam meus. Dois fundos de garrafa e o mundo voltou a ter foco e cor. Decidi então que as lentes de contato entrariam no orçamento de 2009. Afinal este é um ano de vários casamentos, formaturas, festas e possivelmente muitos olhares.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Feliz 2009!

A

grande

graça

é gracejar

com a graça

de

uma grande

garça.

Imagem: Garça Real de Fátima Seehagen

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Lhe tenho amor. Lhe tenho horror!

Thiachas tinha acabado de comentar que para ele estava faltando alguma coisa naquela roda de amigos, churrasco e violão. "Ainda bem que é falta só do cigarro, meu amigo!" – Completei.

Fechei os olhos e por fim me permiti deixar que as lembranças viessem. Raul Seixas me faz lembrar muito o meu pai. Era uma pena que naquela bela ocasião fosse uma lembrança tão ruim.

Metamorfose Ambulante

Raul Seixas

(...)

Eu quero dizer Agora o oposto do que eu disse antes Eu prefiro ser Essa metamorfose ambulante Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo Sobre o que é o amor Sobre o que eu nem sei quem sou Se hoje eu sou estrela Amanhã já se apagou Se hoje eu te odeio Amanhã lhe tenho amor Lhe tenho amor Lhe tenho horror Lhe faço amor Eu sou um ator É chato chegar A um objetivo num instante Eu quero viver Nessa metamorfose ambulante

(...)

Ninguém e eu.

"Discrição é tudo!" – lembrei-me de quando ela disse. Além do mais eu estava com frio e passava mal de leve. Quando estou sozinha a sensação de que algo errado pode acontecer a qualquer momento é inevitável. Mesmo assim resolvi voltar sozinha para a casa. Uma semana depois eu já tinha aprendido o caminho da orla até o apartamento. Tudo bem que eram só dois quarteirões. Isso se eu acertasse mesmo a rua de entrada. Fazer o quê se sou uma típica mulher sem senso de direção. Ou seria excesso de distração? Coisa difícil! Ainda mais sem meus óculos.

Ainda tenho medo de estar sozinha e dessas sensações ruins incontroláveis. Mas tenho aprendido aperfeiçoar as características de ser uma vítima do medo. Sozinha naquele mundo de gente. É assim sempre. Primeiro a mãe, depois o namorado, a irmã e a cachorra também. Desde que “fiquei sozinha”, fui aprendendo a ficar no escuro, a dormir e a estar sempre na companhia de um tal Ninguém. Tanto que nem tinha me dado conta de que o medo já não é tão grande quanto eu às vezes insisto em dizer que é.

Quis ficar sozinha ainda que tivesse medo disso. Percebi então que esses meus momentos comigo mesma são fundamentais. Sabe, já nem sei se a palavra é mesmo medo. Muitas vezes é só dengo, frescura. Outras juro que não é!

Só comigo sinto só os meus medos, me entendo comigo mesma sem perigo de dizer algo errado ou de incomodar a alguém sem que isso seja realmente necessário.

Eu tenho muito a aprender com Ninguém.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Amizade de Verão.

Acabei confessando que eu queria poder desejar um filho no ano novo. Eu sabia que não era a hora, tinha medo, mas ainda assim queria poder querer. Sabia que até que eu chegasse lá, deveria passar por algumas outras etapas. Acabei confessando então que a obsessão pelos muitos quilos a menos era uma parte de todo esse processo a caminho da maternidade. Bobagem eu sabia que era, mas acontece que quando eu encasqueto com alguma coisa... É difícil!

Mas até então ninguém tinha se mostrado tão interessado em ouvir tamanha bobagem. E, além disso, nunca alguém tinha sido tão convincente.

Carol, minha amiga de Verão me aconselhou, não sem antes me ouvir e tentar me entender. Feito isso ela falou, falou, falou. Incrível como algumas pessoas se tornam especiais em tão pouco tempo enquanto que com outras gastamos uma vida para conquistarmos ou que seja para nos adaptarmos.

Eu não desisti de ficar bonita e gostosa (entendam: magra!) e muito menos de ter um filho. Mas dei-me por satisfeita ali mesmo. Enquanto ela falava, as fichas caiam e os planos mudavam. Nada como uma amiga de verão para tornar tudo bastante diferente.

Iemanjá.

Eu que mal acreditava naquela história de cores para passar o réveillon estive toda de branco, descalça e pulando as sete ondas para Iemanjá. Experiência divertida. O difícil foi fazer os sete pedidos.

Ao trocar as agendas além de perceber uma porcentagem maior de alcance meta em 2008 (em relação a 2007), percebi que minha lista de objetivos era mais sucinta, mais objetiva.

Ligeiramente bêbada eu conseguia pular as ondas, mas não conseguir me concentrar nos pedidos. Quatro. Foi o máximo que consegui desejar. "Muito fácil para Iemanjá" - gracejei. Depois fiquei séria e com fé agradeci o bom ano velho. Naquele momento sim pensei em Iemanjá. Lembrei-me do trabalho sobre candomblé feito lá no primeiro período de Pedagogia na PUC. Tive certeza de que aqueles quatro pedidos não seriam nada difíceis para Iemanjá naquele momento que realmente pedi com fé. O problema era que eu deveria arrumar mais três, fosse ao menos para cumprir a tradição. Feito! (Uns vinte minutos, 18 segundos e alguns milésimos após voltar ao mar para pular as três ondas que restavam).

Eu sou Galo e ele? Ele também é Galo! Eu gargalhei sozinha olhando fixamente para o violão. Todas aquelas musiquinhas populares me faziam lembrar ele na última viagem que fizemos juntos.

Nosso réveillon terminou cedo. Não foi como o planejado. Eu voltei para a casa, mas não queria dormir. Era réveillon! A minha data preferida depois do meu aniversário. Eu pensava em várias coisas ao mesmo tempo. Inquieta, satisfeita, segura e apesar de estar sozinha num grupo de oito casais: feliz! De mais da conta!

Entre todos nós uma pessoa especialmente fazia questão de se agradar com tudo o que eu falava. Era a primeira vez que isso acontecia, mas aconteceu para confirmar toda a empatia que eu já sentia "de graça"- como costumamos dizer na turma. Carol era outra!

Réveillon. Eu sentada na varanda com meu caderninho, sentindo a brisa litorânea já de algumas horas da madrugada tive a certeza de que bebendo ou não, viajado ou não; estar com um caderno e caneta sempre por perto e fazer amigos é mesmo melhor do que fazer terapia. Queria ter contado isso ao Guga depois, mas acabei me esquecendo. Era isso! Estava decidido.