sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

"Eu ouvi um amém?"

Decidida a desistir e a deixar me abater deixando a vida para depois, vem a vida e me alerta mais uma vez que isso não é mais para mim. Desde tal decisão valeu-se a discussão com o irmão, a noite mal dormida, o celular despertando às 6:00, o trânsito matinal, uma longa leitura no ônibus e uma hora de atraso no atendimento da nutricionista.

A começar pela preocupação e carinho da profissional e também amiga que notou minha tristeza meu bico foi se desfazendo. Não valia à pena estar tão de mal com a vida assim. Quando ela perguntou se estava realmente bem tive vontade de contar tudo, chorar reclamar, xingar... Não suportaria deixar para depois. Era coisa demais acontecendo ao mesmo tempo, mas eu não podia fugir de nenhuma delas dessa vez. Mas me lembrei que estávamos em um consultório. Depois da preocupação me alegraram os quatro quilos perdidos na minha primeira chance e a prática mudança na dieta.

Era muito simples. Era apenas mais uma visita à nutricionista, mas era o agrado que justamente eu esperava de volta da vida após tanto esforço.

Consulta terminada, conversamos. Muito. A próxima consulta era só às 13:30. Fizemos barbeiragem no trânsito, almoçamos e fizemos compras juntas. Foram sorrisos a mais na minha manhã. Um bem estar que eu merecia sim ter. Graças a Deus! Sentia falta dos meus sorrisos. As últimas semanas foram difíceis como há muito não eram. Deus sabe o que faz e na hora certa põe pessoas certas no nosso caminho. Não é assim. Hoje foram duas. Pessoas treinadas para ajudar a resolver problema. Impressionante como alguém possa se ocupar do problema dos outros e ainda fazer graça disso. A nutricionista brincou com o aparelho de medir pressão na minha frente. E aquilo me divertiu muito. Não sei como, mas me divertiu. Foi engraçado ele apertando aquela bombinha sem saber como funcionava o aparelho. Na verdade estava estragado. “Ninguém tem a preção 4/2. Nem morta eu estou mais!” – gracejou ela.

Os atendentes do PROCON além de me ouvirem com atenção (o que para mim não tem preço!) me ajudaram a resolver (acho que vai resolver sim...) os problemas com a FIAT. Riram, conversaram, foram educados, simpáticos, prestativos e ainda brincaram com o meu aparelho MP7. Também não me perguntem o motivo de isso ter me alegrado tanto.

Só existem pessoas certas nas horas certas, meu Anjo. E hoje eu descobri que existem mais anjos por aí. A resposta e a solução podem não vir do Anjo que você espera responder quando precisa.

Meus anjos de hoje me arrancaram sorrisos, me ajudaram a resolver problemas e em troca receberam sorrisos de volta. Aquele sorriso de volta. Que desta vez tudo dê realmente certo e que os anjos digam amém. Um amém bem gordo como diria Cris Guerra.

AMÉM!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Depois!

Agora sim eu quero deixar a vida pra depois.

Depois eu penso.

Depois eu resolvo.

Depois eu conto.

Depois eu como.

Depois eu durmo.

Depois eu acordo.

Depois eu pago.

Depois eu ligo.

Depois eu desligo.

Depois eu vou.

Depois eu volto.

Agora estou ocupada demais deixando tudo pra depois.

Julie and Friends.

Once upon a time, there was a little girl.

She was calm and sweet.

She lived in a beautiful city.

She used to sleep in a tree house with her friends.

Sleep and just sleep.

No thoughts, no argues, no fear,

No money, no bills, no tear.

Just sleep!

Until a kind group of friend say: wake up, Julie!

She was lazy but as a girl she also wanted to play, to talk, to swim and scream.

She wonders besides sleeping having some fun.

She had kind friends.

She had a tree house.

She was in a beautiful city.

There she would live happily ever and after.

She was. I’m not.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Sangue de barata diluído em água e açúcar.

Não só por isso, mas a vida me deu provas de que intolerância é doença e pode ser grave. Faz mal... Pior do que não conseguir resolver um problema é não resolvê-lo e estar sob pressão.

Hoje eu acordei cedo e furei mais uma vez com a nutricionista. Sim, mais uma vez. Há uma semana ela me deu um bolo, mas o tempo gasto no ônibus acabou me sendo útil. Na volta peguei o fantástico teachers’ booklet. Quis ler de novo o “Personal thoughts on teaching and learning” de Carl R. Rogers. De repente a leitura ficou vaga. Estava pensando na nova turma de KIDS e no quanto é significativo para mim tê-la de volta. O desafio às vezes me é mais pessoal do que profissional. Lembrei-me da tal hierarquia de atitudes e fiquei lá pensando (exatamente como imagino que Rogers pensava quando escrevia) o quando aquilo tudo era pessoal. Era uma experiência a mais. Não era só uma teaching experience. Tem sido assim comigo também.

Veja bem. Enquanto me lembrava da hierarquia das atitudes, pensava em todas as dicas que a coordenadora me deu. Botei em prática! Nunca tinha dado tão certo a minha relação de autoridade na sala de aula com os alunos. Na frente do espelho eu trocava o tom de voz, a feição, a postura e ia imaginando as diferentes reações dos pequenos. À noite, já na faculdade percebi que isso daria mesmo certo e não só com os pequenos. Levantei a sobrancelha e não arredei o pé para a mulher que já ia furando a fila enquanto conversava com a senhora que me atendia. Quando a atendente parou o serviço no meio do caminho para pegar o cafezinho que a outra pediu eu levantei a voz e disse na frente das duas: “meu suco primeiro, por favor!” A senhora da cantina com a qual eu (e acho que só eu) tratava com delicadeza se assustou e mais que depressa pegou o meu suco. E ai dela se tivesse pegado o café primeiro!

Além da neura de sempre achar que estou incomodando e que, portanto devo me virar e fazer tudo sozinha. Sou uma pessoa que respeita as regras. Entendo as hierarquias, os prazos e respeito limites. Sinto-me mau ao desrespeitar algo e o fato de isso ser normal para a maioria das pessoas não muda nada para mim. Aliás, muda sim. Tenho aquela habitual sensação de ser esquisita afinal eu respeito filas, não trato mau os atendentes de call center, não xingo ninguém no trânsito, não falo auto e quase nunca grito. E o que recebo em troca me faz questionar se o fato de ser tão calma e correta não me faz também uma idiota.

Acontece que aquela historinha de não fazer com os outros o que não gostaria que fizessem com você funcionou muito bem comigo. Tanto que até hoje me sinto incomodada de perguntar os preços ao vendedor ou ficar experimentando trocentas roupas quando tenho a certeza de que não quero levar nenhuma. Sei que quase ninguém pensa no quanto isso deve ser chato. E para muitos, (talvez até mesmo para o vendedor) isso seja só obrigação. Para mim não.

Fato é que hoje nada disso aconteceu. Uma coisa é ser tolerante e gentil, mas será que só eu respeito as regras nesse planeta? Por que as pessoas não cumprem com os combinados? Por que se irritam com quem não deveriam pensando “se eu me estressei todos vão se estressar”? E por que eu não consigo resolver problemas burocráticos? Tudo bem... Eu sou calma além da conta, mas se quer saber? Continuarei sendo enquanto puder e conseguir. Sangue de barata diluído em água com açúcar. Para conseguir o que quero não vou gritar ou desrespeitar alguém. Vou no máximo chorar de raiva pela delonga e pela pressão caso eu não seja a única envolvida. Para conseguir o que quero não quero desejar mal a alguém, não quero perturbar ninguém, não quero ser chata e muito menos perder um dia e muitas noites de sono tranquilo fazendo tudo isso. Não consigo imaginar que alguém queira fazer isso.

Se eu fosse tivesse essa dor de cabeça toda com os meus (e só) meus problemas todas as vezes já teria enlouquecido. É uma pena que esse mundo do jeito que é para mim e do jeito que desejo que seja só exista entre a tela do computador ou uma folha em branco e eu. E lá no meu quarto, comigo e meus travesseiros. Espanta-me, na mesma medida que me irrita ver outras pessoas rançando os cabelos, mentindo, transferindo ligações infinitamente e fazendo a pessoa errada se sentir culpada pelo que não deveria. Se bem que a culpa vem me perseguindo há anos. Deveria me acostumar...

Quer saber o que me irrita mesmo? Pessoas resmungando. Pessoas se desgastando tanto e se entristecendo com as burocracias ainda sabendo que reclamar, gritar ou ser mal educado não resolve se a solução do problema não está ao seu alcance. Na fila de banco. Gente, de que vale tanta reclamação na fila? Reclame quando chegar ao caixa, procure o gerente ou escreva uma carta ao Para! Vai resolver resmungar na minha orelha? E outra! Todos estão lá pelo mesmo motivo, querendo fazer a mesma coisa. Se você achou ruim, certamente não é o único. Não se apresse! Não seja desonesto com os outros tentando ser esperto além da conta! Vai lá que é chato, que poderíamos ter mais atendentes, terminais eletrônicos o que for para agilizar o processo, mas você está na fila do banco porque escolheu estar, por necessidade de fazer algo que não vai se resolver mais rápido se você xingar o presidente a cada trinta segundos. Espere! Se for urgente tome providencias. Alguém há de ser responsável pelo problema. Alguém. Não a pessoa da frente ou a de trás na fila.

Por outro lado esse meu carinho com a vida não se confunde com descaso. Ainda mais quando ainda assim, com todo o carinho e tolerância do mundo, tomando as providências cabíveis não consigo resolver o que preciso. O que disse vale para os atendentes também. Não usem de desonestidade, por favor! Prestar um serviço, não é fazer um favor. Se você não é responsável por tal procedimento, alguém há de ser!

Estava ao meu alcance exigir o meu suco, está ao meu alcance por limite nos meus alunos quando necessário, mas não está ao meu alcance uma porção de coisas. Não está ao meu alcance mudar o passado, fazer com que meu chefe me pague o salário das férias só por que eu quero agora, fazer com que a TIM cumpra o prazo prometido para enviar o aparelho ou que a FIAT faça o pagamento com precisão agora!

Tenho cá as minhas críticas e minhas idéias revolucionárias, mas todas elas têm jeitinho de LuAna. Não gosto de resolver nada no grito, e vou evitar esbravejar até que seja necessário. Ignorar o passado, desistir da viajem de carnaval, abrir mão do novo aparelho que tinha prometido de presente de natal para meu adorado irmão e ficar sem o carro por tempo indeterminado não é tudo o que sempre sonhei, mas é melhor que qualquer dor de cabeça, grito e desavença.

Aliás, se quer mesmo ser meu amigo e ter meu respeito. Jamais grite comigo, bata a porta ou tente se impor a todo custo. Com isso o máximo que pode conseguir, com muita sorte, é com que eu termine o dia chorando de raiva, de medo ou por me sentir incapaz de resolver um problema. Quando muito, se for insistente e intolerante você pode conseguir o meu desprezo. E isso, eu garanto com toda delicadeza, que é mesmo melhor não ter!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Blue Would Still Be Blue

Blue Would Still Be Blue

Guillemots

It's not raining cats, it's not raining dogs

And pigs are not flying, or turning the cogs

The sun has no hat on, whenever it shines

And I've never seen a cat with nine lives

I'm not in a film, I'm not in a play

I saw no aliens today

I just saw you, and thought of me

And if I had you, all the stars wouldn't fall from the sky, and the moon wouldn't start to cry

There'd be no earthquakes

I'd still make mistakes

If I had you

Oh there'd still be day and night, and I'd still do wrong and right

Ooh

Blue would still be blue

But things would be easier with you

And this is no palace, the place that I live

And I am no king, but I've got things to give

And I waste so much time, thinking of time

And I should be out there, claiming what's mine

Any day I could die, just like I was born

And this bit in the middle is what I'm here for

And I just want to fill it all with joy

And if I had you, all the stars wouldn't fall from the sky, and the moon wouldn't start to cry

There'd be no earthquakes

I'd still make mistakes

If I had you

Oh there'd still be night and day, and we'd all still have to pay

Ooh

Blue would still be blue

But things would just be easier with you

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Aos amigos,

A próxima quarta-feira (dia 18/02/09) é um dia que eu realmente gostaria que não existisse, mas infelizmente...

É o dia do julgamento do meu pai e a aflição é grande. Estou ansiosa, mas bem. Não me perguntem como estou! Estou um monte de coisas. Inclusive, estou muito confusa, pois não sei o que vai acontecer ao certo. Disseram-me que é como num filme, só que ainda não sei se a intenção de quem me disse isso era ajudar.

Como já disse não sei de muita coisa, mas nos filmes as pessoas podem entrar, gritar e chorar. Não fosse isso nunca teria "ordem no tribunal!".

Por ironia ou por pura injustiça, soube que nesse dia a prisioneira serei eu. Vou ficar presa numa salinha, sem ver e ouvir ninguém até que peçam o meu depoimento. Só de pensar dá medo.

Sei que todos estarão trabalhando, mas o convite é para que estejam comigo ao menos em pensamento, fazendo orações, desejando que tudo dê certo (se é que tem alguma coisa para dar certo nessa história) e que acabe bem rapidinho, o mais rápido possível!

Sérgio, Jojô, Bia, Carla, Thiago, Gra, Deid, Cris, Harry, Max, Elvis, Beautiful Míriam, Sharon, Tia Sinara e suas meninas que desde sempre estiveram envolvidos nessa história chata, conto com vocês mais uma vez. Aos outros agradeço a discrição e o apoio que por mais tímido que tenha sido, foi também precioso.

A todos agradeço o sorriso lindo que nunca deixei de ter, salvo os momentos de tamanho desespero.

Quando: Quarta-Feira, 18/02/09 às 13:00.

Onde: Av. Augusto de Lima, 1549, Térreo, I Tribunal do Júri, Fórum Lafayette, Barro Preto.

Porquê: Porque a vida quis assim.

Gifts. Do they mean anything?

Há seis anos... Uma caixa de bombons. Daí então um relógio para marcar o início de novos tempos. Uma blusa de frio para aquecer o amor, A de Lucrécia, A do Che também. Um chaveiro fofo. Um celular para o contato diário. Um vestido colorido, Uma bolsa pequena, Brinco e um colar singelos. Há cinco anos... Flores para festejar o dia 19. Um coração Titanic. Há quatro anos... Uma bolsa da feira do Mineirinho. Uma saia colorida, Uma blusa verdinha. Uma caixa do Mercado Central. Uma blusa da grande Feira Hippie. Um óleo, um perfume e inúmeros cheiro no cangote daí em diante. Copos enfeitados de meninos e meninas. Uma caneta especial. Um CD do Cordel e Um par de meias que nem me lembro de um dia terem existido. Há três anos... Um mouse da Multilaser. Uma Sandália YEPP. Uma camisa do Galo versão 2006. Uma carta gigante. Um "Nunca desista de seus sonhos". E para ser mais brasileiro: uma camiseta. Há dois anos... Uma, duas jaquetas! Era uma tentativa de nos aquecermos. Um incensário, uma pedra, um par de anéis e um par de colares. Kit Outro Preto. A pensilcase mais linda que já tive. Um fichário para mudar tudo. Um boné. Uma cueca de seda. Um perfume. E outro CD. Mas era só um CD. O Teatro não podia mais ser Mágico. Em 2008, não por acaso, um preto par de chinelos e só.
Fim.

Para sempre menina.

Adoro quando titia encontra um amigo das antigas e nos apresenta dizendo: "esses são os meninos da Rogéria". A sensação de que mamãe faria o mesmo é muito gostosa.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

João e o caixão.

Hoje eu fiquei pensando se seria uma pessoa muito diferente se fosse menos ansiosa. Às vezes sou impaciente demais, quase intolerante. O medo me deixa assim.

Ao invés de me adiantar tentei me distrair. Passei um pouco do tempo conversando com a Bonitinha e com a Gatona (fazer o que se todas as minhas amigas são lindas!). Eu precisava de um estímulo maior para sair de casa hoje e resolvi que o estímulo seria o tempo, ou melhor: a falta dele. Eu que não costumo gostar de fazer coisas sob pressão, calcei os sapatos e fui. Não almocei e como de costume nem conferi se tudo estava na bolsa.

Embora eu já tenha aceitado que é necessário (e às vezes até legal) fazer as coisas sozinha, muitas vezes isso ainda me incomoda. Caminhando até o ponto do ônibus pensava nas pessoas que gostaria que estivessem comigo naquele momento. Na verdade eu tentava achar motivos para tamanho nervosismo ao passo que me lembrava de um abraço ou de outro, daquele sorriso ou que fosse daquele olhar. Cada amigo meu tem um truque mágico. O da Cris é me fazer pensar que as piores e mais estranhas coisas são também boas. “Você é nervosa como uma vaca” – disse ela. Sim. Eu sou quase uma vaca! No máximo masco alguma coisa para fingir não estar tão nervosa.

Bem, o fato é que, enquanto eu pensava naquelas pessoas e no poder que elas tinham em me deixar mais calma eu tentava fazer aquilo por mim mesma. Simulava uma conversa com um deles, depois com outro. “Por que diabos esses meninos estão tão longe e sempre tão perto?” – parei a conversa e me lembrei daqueles papos de psicólogo dizendo que “você entende melhor que todo mundo as suas dificuldades”. Para mim isso é alguém sugerindo que não pode te ajudar em nada. Com aquela tensão toda e ainda que estivesse pensando nos outros eu tentava me ajudar. Eu tentava sim ser um pouco diferente sem tanto nervosismo. Aliás, nervosismo mais sem propósito! (É assim que costumo fazer para enganar o tico e o teco!).

É... Ponto de ônibus é uma desgraça! Tentava me distrair pensando no monte de coisas boas que têm acontecido e nos meus planos mais íntimos. Quando eu começo a tramar alguma coisa... Meus desejos costumam me tirar o sono. É tanta estratégia para prepara. Assim eu fiquei no ponto de ônibus. Pensava no FCE, na nova turma de espanhol, nos novos professores, no trabalho sobre o Trovadorismo já para a próxima segunda, no carro, na casa, na nova turma de KIDS e até no caminhão que Jojô, por engano, mandou para o Espírito Santo.

Lá no fundinho de tanto pensamento vinha uma voz. De repente um jovem senhor ia se aproximado. Ele falava sozinho como eu. Mas ele falava mesmo! Estava bêbado. Com os olhos muito vermelhos e eu posso jurar que eram sim por tanto chorar. Ele me parecia muito familiar e, portanto, não tive como não olhar para ele mais de uma vez. Estava há dois passos de um homem bêbado numa rua vazia à espera de um ônibus e não sentia medo. Era sim incrível, mas senti quase que um alívio por ter sido notada por alguém. Eu não entedia muito bem o que ele falava, mas sorria e balançava a cabeça. Achei que ele estivesse chorando porque alguém quis levar o seu cachorro. “O cão tava indo, aí eu falei com eles...” Eu não entendia bem.

Voltei a suar frio quando entendi direito. Ele dizia caixão e não cão. Ele estava perto e pediram ajuda para que ele colocasse a tampa. Ele não quis. Ele pediu para deixar. Não queria ajudar. Só queria ficar ali. Ele falou e repetiu a palavra caixão um monte de vezes e só assim comecei a me assustar. Eu não podia acreditar que aquele homem que me parecia tão familiar tinha aparecido ali por acaso naquele momento e muito menos que ele estava me dizendo aquelas coisas cabulosas. Eu não conseguia entender o motivo. “Tem coisa que só acontece, Luana!” – pensei. Acontece que estava no ritmo de programar, explicar, entender, planejar... Aliás, sou quase sempre assim. Para mim poucas coisas “só acontecem”. Nesse momento o homem era só uma boca se mexendo. Alguém gritava “João!”. Ele ia se afastando, mas continuou a falar.

- Eu tentei não deixar! Aqui... que eu ia pegar aquela tampa e fechar ele lá dentro? Eu? Oh... Será que ele vai ficar bravo comigo?

- Não sei.

- Agora ele está lá dentro. E eu deixei.

- : /

- Se ele ficar bravo comigo ele volta pra puxar o meu pé, né?

- ...

Chorando ele desapareceu atrás do caminhão que tinha acabado de parar em frente à floricultura. O ônibus finalmente veio e só então pude dar algum motivo para estranho acontecimento. Na verdade foram vários e estou certa de que aquele homem não estava ali à toa.

Entendi que sentimento é algo muito difícil de compartilhar, mas que em algum lugar, em situações mais bizarras o possível existe alguém para te entender e existe alguém que sente também.

O dia tenso acabou. Deu tudo certo. Melhor do que eu imaginava. E hoje eu aprendi que até o medo vale à pena.

Eu sinto muito. E João também.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Alívio!

De repente, o que mais incomodava se resolve. E quando tudo se resolve não há muito o que eu possa escrever. Preciso respeitar o meu mistério. Sentir e só sentir às vezes é mais fácil... É melhor sorrir!
"É melhor ser alegre que ser triste.
Alegria é melhor coisa que existe."

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sem jeito com o hoje.

Esqueci de citar a Legião Urbana no post anterior. Ando resgatando muito coisa meio lado B. Música é uma coisa meio mágica, né? Acabei de ligar para a Anna, meio sem jeito. Estou sem jeito com o hoje. Eu que não gosto de ligar nem para pedir pizza. Que acho menos constrangedor ficar perdida do que pedir uma informação com medo do ridículo. "Ah! Ela não vai se importar" - pensei. Era só para perguntar uma coisinha, mas... Qualquer pessoa perguntaria aquilo para o pai, para o namorado. Para o visinho quem sabe? Por acaso ela também não sabia. Talvez não por acaso ela sugeriu que eu ligasse para outra pessoa.

Sem jeito mesmo! Não liguei, não vou ligar. Não quero mais ligar para mais ninguém! “É uma dor que dói no peito.” Vou esperar meu irmão chegar, mas “isso dói”. Eu não estou entendendo o que está acontecendo comigo hoje, mas seja lá o que for: “pode rir agora." Eu estou bem!

Angra dos Reis

Legião Urbana

(Renato Russo / Renato Rocha / Marcelo Bonfá)

Deixa, se fosse sempre assim

Quente, deita aqui perto de mim

Tem dias, que tudo está em paz

E agora os dias são iguais

Se fosse só sentir saudade

Mas tem sempre algo mais

Seja como for

É uma dor que dói no peito

Pode rir agora

Que estou sozinho

Mas não venha me roubar

Vamos brincar perto da usina

Deixa pra lá

A Angra é dos Reis

Por que se explicar

Se não existe perigo

Senti teu coração perfeito

Batendo à toa e isso dói

Seja como for

É uma dor que dói no peito

Pode rir agora

Que estou sozinho

Mas não venha me roubar

Vai ver que não é nada disso

Vai ver que já não sei quem sou

Vai ver que nunca fui o mesmo

A culpa é toda sua e nunca foi

Mesmo se as estrelas

Começassem a cair

A luz queimasse tudo ao redor

E fosse o fim chegando cedo

Você visse o nosso corpo

Em chamas!

Deixa, pra lá

Quando as estrelas

Começarem a cair

Me diz, me diz

Pr'onde é

Que a gente vai fugir?

Vida Diet

Nas férias que se passaram me lembro de ter passado um bom tempo ouvindo músicas. Aproveitei para descobrir coisas novas e matar curiosidades. Resolvi ter todos os álbuns do U2 por indicação do Max, acabei me embalando com Coldplay por causa das caronas da Mon, descobri mais sobre o Radiohead por causa de um speech e decidi conferir quem eram os Strokes sempre citados por Eva.

Dessa vez resolvi matar a saudade. Por causa das nostálgicas aulas do Thom fiquei tentando lembrar das coisas que ouvia sem ter tido indicações ou das coisas que eu costumava ouvir sempre porque gostava muito. Não foi tão à toa assim que aquele workshop sobre teenagers mexeu tanto comigo.

Gravei há alguns anos um cd para o meu ex-namorado. Cento e não sei quantas músicas que não me canso de ouvir. Todas me trazem uma lembrança importante e a maioria delas, claro, são boas. Um dia desses fiquei surpresa quando passando rápido os canais parei num vídeo clipe das Spice Girls. Eu ainda sabia cantar a música toda! Além delas, tirei do fundo do baú Backstreet Boys (o que acaba sendo novo por sempre me lembrar o laptop da Anna). A Bunitinha fez com que eu revivesse os meus dias de patofã. Ah, só as férias mesmo! Desde o dia em que Meg e eu encontrarmos o John no sinal que estou para fazer isto. Saudade...

O que nem de longe eu imaginava que fosse acontecer aconteceu. Consegui me lembrar de onde eu tirei a frase "a tudo a gente se habitua". Vivo repetindo isso. Ainda mais agora que estou aprendendo algo sobre carros. É até engraçado... Mas é verdade.

Há dois dias não durmo bem. Fico lá pensando na vida. No quanto as coisas mudam e no quanto muita coisa permanece do mesmo jeitinho. Ontem resolvi ficar mais calma e fingir que eu não sinto muito por tudo o que aconteceu. Na verdade sinto. Sinto até hoje. Estou sentindo coisas além do que deveria e isso me irrita. Queria também não sentir tanto e ser de fato tão calma quanto pareço ser. Mas de que adianta?

E quando eu achava que não... Em meio aquele monte de música e pensamentos eu ouvi a "minha" frase. Era perfeito! Uma fotografia do momento traduzida em palavras.

Vida Diet

Pato Fu (John Ulhoa)

A gente se acostuma com tudo

A tudo a gente se habitua

E até não ter um lugar

Dormir na rua

A tudo a gente se habitua

Me habituei ao pão light

À vida sem gás

O meu café tomo sem açúcar

E até ficar sem comer

Sem te ver

A gente custa, mas se habitua

Sem giz, sem água

Sem paz, sem nada

Não vai ser diferente

Se eu me for de repente

Se o céu cai sobre o mundo

E o mar se abrir

Em um inferno profundo

Se acostumou sem querer

Ao salto alto

Salário baixo, à vida dura

E até ficar sem TV

É bom pra você

Televisão ninguém mais atura

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Eu e minha língua afiada.

Menos mal enquanto eu puder confiar em mim mesma e nas dicas que minha intuição vive me dando. Não foi a primeira vez que a pureza dos meus sentimentos foi mal interpretada e no que depender da minha "ingenuidade" não vai ser a última. Maldita transparência! Infelizes dos ouvidos que ouvem sem sentir.

Às vezes acho que eu sinto demais, mas pensando bem, acho mesmo é que as pessoas sentem de menos. Ou melhor, fingem que não sentem e se perturbam com a possibilidade de haver alguém que realmente saiba dizer sem medo o que sente. Várias vezes eu já prometi a mim mesma que não faria mais essas coisas já que a parte do medo é mentira pura. A verdade dá medo sim. A incerteza de não ser correspondida e pior (!) de ser mal interpretada também. Ainda mais se tratando de sentimentos.

Meu pai sempre me dizia para eu tomar cuidado para não tropeçar na própria língua. Sempre achei que ele falasse isso porque falo demais até o dia em que, sério, ele disse que língua afiada cortar a garganta. É uma pena (ou uma bela de uma sorte) que a minha língua afiada não tenha feito meu pai cortar a minha própria garganta. Irônico, mas não há como não ser verdade o que ele me disse. A gente sempre aprende com os pais. Com o meu não foi diferente. Meu pai me ensinou muita coisa, ainda que muitas delas fossem pelo erro.

Meus erros sempre me mostram uma verdade, tanto que eu vivo me perguntando até que ponto errar é tão ruim quanto as pessoas dizem que é. Inclusive acho assustador o fato de eu saber me comportar tão bem com meus erros e aceitar que as coisas erradas acontecem para que aprendamos a fazer algo certo. Isso eu aprendi com minha mãe. “Há males que vêm para o bem” – ela dizia sempre para apartar minhas choradeiras.

O escuro, a incerteza e a insegurança me dão medo. Eu não sei ter medo. Medo é sempre muito assustador. É por isso que eu disse que fico satisfeita por confiar em mim mesma. Enquanto eu conseguir transformar o medo em coragem (que seja) para errar... ufa! Está ótimo! Do erro dá pra tirar algum proveito. O que não dá é se sentir culpada e ter medo sem motivo ou ter eterno medo de ter medo. Aliás, por falar em eternidade, quantas vezes os meus bons sentimentos e atitudes vão ser destruídos assim de forma tão cruel? Dá até vontade de começar a errar de verdade para merecer tanta culpa.

Luanamente impossível fazer algo errado com tanto propósito. Todo mundo pode ter sempre a certeza de que até pra errar eu sou muito sincera. Puramente transparente e “ingênua”. Com a raiva que estou hoje, não está custando fazer algo. Acho que... Ah! Não faz diferença, eu me dou melhor com a raiva do que com o medo.

"Let's make a BIG circle?!"