domingo, 31 de maio de 2009

Súbta e sutil carência de abraço.


Sutilmente

Samuel Rosa / Nando Reis


E quando eu estiver triste

Simplesmente me abrace

Quando eu estiver louco

Subitamente se afaste

Quando eu estiver fogo

Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste

Simplesmente me abrace

E quando eu estiver louco

Subitamente se afaste

E quando eu estiver bobo

Sutilmente disfarce

Mas quando eu estiver morto

Suplico que não me mate, não

Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim

Dentro de tudo que cabe em ti





sábado, 30 de maio de 2009

Lisbela



Lisbela

Los Hermanos


Eu quero a cena de um artista de cinema

Eu quero a cena onde eu possa brilhar

Um brilho intenso, um desejo, eu quero um beijo,

Um beijo imenso onde eu possa me afogar

Eu quero ser o matador das cinco estrelas

Eu quero ser o Bruce-Lee do Maranhão

A patativa do norte, eu quero a sorte

Eu quero a sorte do chofer de caminhão

Pra me danar por essa estrada mundo afora, ir embora, sem sair do meu lugar

Pra me danar por essa estrada mundo afora, ir embora, sem sair do meu lugar

Ser o primeiro, ser o rei, eu quero um sonho

Moça donzela, mulher dama, ilusão

Na minha vida tudo vira brincadeira

A matina é verdadeira, domingo e televisão

Eu quero um beijo de cinema americano

Fechar os olhos, fugir do perigo

Matar bandido, prender ladrão

A minha vida vai virar novela

Eu quero amor, eu quero amar

Eu quero o amor de Lisbela, eu quero o mar e o sertão

Eu quero amor, eu quero amar

Eu quero o amor de Lisbela, eu quero o mar e o sertão.



sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sorte de hoje.

Às vezes o Oráculo do Orkut até ajuda:

Sorte de hoje: Sorria. Isso basta!

Como diria Lula: "estou convencida de que meus companheiros têm razão". Acontece que eu não pedi a Deus que roubassem o meu sorriso. Gostaria que as pessoas que se sentem ofendidas entendessem que não desejei estar de mau humor. Não quis me render a tristezas e saudades, mas às vezes eu também sou fraca. Também sou chata. Também sou grossa e raramente isso me é uma questão de opção. O bom é que isso tudo passa rápido. E com um abraço tudo fica melhor.

Cumpridas todas as boas expectativas da última sexta o dia de sábado ficou mesmo por conta do cansaço e a noite tomada por tensão. No domingo quis intensamente que o telefone tocasse. Alguém deveria estar se preocupando comigo, não? Não.

Sim! O telefone até tocou domingo. Domingo de manhã. Antes de atender eu pensei: uai, ele não tinha apagado meu número? E aquela ligação só fez a tristeza aumentar. Eu tentei controlar, mas agora ela realmente me tirava do sério. Ela e ele também! Ups! Eles, devo dizer.

E por falar em eles onde estavam na segunda? A única pessoa que não precisava me ver naquele estado notou. Notou e comentou. Definitivamente eu preciso aprender a assistir filmes e a acreditar que o que aparece na tela não é real. Aquilo não vai acontecer... Aquilo não acontece. Acontece? Johnny era um cara legal. Pessoas legais também fazem coisas erradas. Pessoas legais também são presas e daí em diante fica difícil acreditar que possa existir algo mais de legal.

Chorei mesmo! Eu que não gosto mais de chorar perto de outras pessoas tentei me esconder no escuro da blusa de frio e ser o mais discreta possível entre soluções e lágrimas. Desejei um abraço, mas sequer tive resposta.

Na terça a sensação de que tudo estava perdido então. Tudo era ruim, tudo era triste e tudo dava errado. Tudo mesmo! Até a palha italiana que ganhei dos meus alunos me fez mal. Depois de comê-la, pela primeira vez, tive forte medo de que a bulimia voltasse. Não sabia se voltava à dieta eu se voltava a comer normalmente. Quis nunca mais comer ou ao menos nunca mais me preocupar com isso (o que me faz comer bem mais).

Não quis dividir essa tristeza. Por que motivo eu assustaria alguém. Sei que ao contrário do meu sorriso bonito, meus defeitos são extremamente assustadores. Nos conhecíamos há poucos dias. Era mesmo melhor assim, penso. Se o papo com meu amigo de infância ia mal... E outra se ele estivesse mesmo preocupado em saber ou muito a fim de falar comigo não teria passado quase três dias sem se manifestar. Teria? Eu não teria.

Embora eu soubesse que não estava no direito de me chatear com nada que fizesse, foi mais forte do que eu. E a culpa de tal sentimento era mesmo só minha, eu sei. Como não me sentir ainda mais triste depois de tudo isso? Como fazer alguém entender isso? E para piorar a situação “um tal” Vitor e Léo começam a cantar músicas tristes no meu carro. Quem deixou? Quem os pôs lá? Maldita coincidência! E agora, fato é que não deixo de ouvir.

Quis relevar tudo e antes de sair da cama pedi a Deus que me fizesse um pouco mais feliz naquele dia. Deu tudo certo com Johnny, não deu? Ele ia voltar não ia? O outro já atinha prometido não me encher mais o saco, não tinha? Ela já não conversava mais comigo, não é? A atenção dela era só minha, não era? Meu irmão não ia mais se casar, não é verdade? O que mais poderia me entristecer?

A resposta é: muita coisa! Aluno problema, mãe de aluno, titia doente, trânsito de cruzeirenses, pessoas que não me deixavam ler, a tampa da garrafa que caiu, o cocô do passarinho e até os elogios me deixavam furiosa... Tudo sempre é um grande motivo para me irritar quando já estou irritada. Ainda me veio aquela mulher mal educada falando aquelas coisas comigo. Mau humor, por mau humor eu sou muito mais o meu. Nunca a tratei com indelicadeza (nem em dias de mau humor) para ela me tratar daquele jeito! Abusada! Só não fiquei lá batendo boca com ela porque Josi não deixou. E por falar em Josi, bendita seja sua companhia nos últimos dias!

Depois de uma noite mal dormida, pensando no que era melhor fazer resolvi ficar doente. Quase sem voz pela manhã consegui me atrasar e esquecer o material em casa. Por sorte o dia tinha começado bem. Boas notícias são sempre bem vindas. O dia tinha mesmo cara de que ia ser melhor e de fato foi. Bem... A prova desaparecida tive que trocar por um vídeo, mas os alunos bem que gostaram. A voz tive que forçar para ter até o final do dia. Os combinados com a turma de KIDS voltaram a funcionar e melhor: “Teacher, você está linda hoje.” - era o que eu precisava ouvir. E não foi só isso! Uma se importou com a minha pulseira e ficou fazendo carinho no meu braço quando me assentei ao sei lado. Outra fez questão de me dar um abraço e dizer que adorou o game e a aula toda. E até ele disse gostar quando veio me perguntar: “E hoje, teacher, eu me comportei bem?”. Certamente percebeu que eu não precisei chamar sua atenção muitas vezes, como de costume. Ele é tão lindo...

O texto de Literatura Inglesa ficou para outro dia e eu me decepcionei em saber que Hamlet não é um cara tão legal assim. No carro aquelas músicas já não eram mais tão tristes.

Mas na verdade, a verdade mais verdadeira é que: saber que alguém se importa em me dar conselhos, se importa até mesmo em ficar chateado com algo que fiz alivia meu coração. Sei que nada do que fiz foi com más intenções, muito pelo contrário e isso me basta. O que talvez não tenham notado é que um carinho durante a aula, um beijo no final dela, um recadinho no Orkut e até mesmo um “te desculpo” forçado podem fazer a diferença. Isso sim me basta!

domingo, 24 de maio de 2009

Uma LuAna incomoda muita gente, todas as LuAnas agradam muito mais :)

Eu sabia que provoco à e na medida em que sou provocada. Conto com uma balança interna que sabe muito bem ponderar atitudes. Aliás, desconheço outra razão por ser do signo de Libra. Até que seja assim, está tudo bem.

O que eu ainda não sabia é que um olhar pode provocar uma atitude bem além da esperada. Sabia, contudo que eu sei me controlar; mas não sabia que sentiria isso mesmo com tantos olhares curiosos e maldosos por perto.

Sabia que ia ter vontade de contar para todo mundo sobre a noite anterior; mas não sabia que as pessoas se divertiriam tanto com a expectativa de ouvir.

Sei o que sinto e sei também que finjo muito bem. Sei, portanto que em algumas situações não vale a pena fingir. O que não sabia é que ele ficaria chocado com o que faço. O que sabia é que ela se incomodaria. Digo, elas.

Não sabia que uma LuAna incomodava tanta gente. O que sabia era que as LuAnas agradavam muito mais.

Eu sei que os meus segredos não precisam ser guardados, mas percebi que os segredos dos outros precisam ser guardados sim, inclusive por mim.

Eu sei que o que escrevo é sempre muito confuso o que pouca gente sabe é que isso é de propósito.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A hora da Estrela


"E não esquecer que a estrutura do átomo não é vista, mas sabe-se dela. Sei de muita coisa que não vi. E vós também. Não se pode dar uma prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando. "



Daí surge toda a minha afinidade por Clarisse Lispector. Tenho até hoje guardado na agenda um pedaço do convite da peça Coisas Invisíveis que trás no verso esse trecho de Clarisse. Já nem sei há quanto tempo esse pensamento anda comigo. Sei que até hoje isso diz muito sobre mim. Sobre minha fé rara, minha coragem e meu medo surpreendentes.

Com os pés na água, vestindo um moletom quentinho, ainda sonolenta busquei uma música para ouvir. Não sabia qual. Abri a pata “Pato Fu” ando mesmo vendo a vida arrastada. Pensando no passado sem parar, passando pelo presente e esperando o futuro; tudo de forma confusa. Voltei a ter fortes lembranças do passado, a sentir saudades e ao mesmo tempo querer me divertir no presente sem pensar em muita coisa, lembrando só mesmo que eu ainda sou uma adolescente de 21 anos, querendo todo mundo por perto, querendo mais atenção, mais carinho e tudo isso numa pressa de que seja agora. O futuro que espere!

Primeiro ouvi “Vida Diet” e depois resolvi selecionar todas. Eu ainda não tinha escutado as novidades salvas no meu computador nas últimas férias. De repente, eu que ainda insisto em ignorar as coincidências por acreditar que nada de tudo o que me acontece é por acaso:

- Assim eu me apaixono... – disse a ele em tom de brincadeira.

- (...)

- Não! Não me apaixono nada não.

- Que pena!

- Hum... Até parece!

- Isso é bom.

- Não disse que leu o meu blog? Deveria saber que sou a pessoa que mais se apaixona nesse mundo.

- Li não. Isso é bom?

- Nem sempre. Não digo nem por ser retribuída ou não. Minhas paixões costumam ser inventadas. Tem que ser algo saudável, divertido, espontâneo.

- E tem sido assim comigo?

Então, eu não tive coragem para responder quando ouvi as duas primeiras estrofes da canção que rolava ao fundo. Quando percebi que era uma música desconhecida maximizei o Media Player para saber seu nome. “A hora da estrela”.

Susto.

Um filme foi feito automaticamente em minha cabecinha fértil. E em duas frases, pelo tom de voz de Fernanda e principalmente pelo momento eu senti de volta toda aquela afinidade com minha banda favorita da antiga adolescência.

Perdida, pensei no livro que fiz questão de dar a ele. Como de costume quis adivinhar o que John pensava ao escrever a canção, quis saber se pensou alguma daquelas tantas coisas que eu pensava para olhando para a tela do computador. Mais uma vez eu me sentia perdida. Já era um outro ele na minha vida e que também, não por acaso, enxergava uma LuAna muito mais Dama do que consigo imaginar nesses momentos tão A.

Assustada com todos esses pensamentos, com a música, com a conversa, com as lembranças eu quis mais uma vez acreditar. Voltei à conversa:

- Tô sim...

Em seguida agradeci por me tratar com tanto carinho e ouvi cheia de vergonha a bateria de elogios.

Quis dessa vez não ser Lua, A, Ana e muito menos Dama. Quis ser Estrela. Mais uma vez não consigo ter uma prova do que é mais verdadeiro. Perdida no que dizer, no que sentir, no que viver e até no que pensar; mas ainda assim eu acredito. Só que acredito chorando.



A Hora da Estrela

Pato Fu


Ela esta pronta

Pra mudar a sua vida pra sempre

Já imagina

Como tudo vai ser tão diferente

E aquele lugar la na frente

Vai ser seu

Mais um minuto

E tudo o que sonhou vai ser verdade

Não há no mundo

Quem não entenda a sua felicidade

Que possa dizer com certeza

Que o lugar é seu

Que é de quem nasceu pra brilhar

Uh, a hora da estrela vai chegar

Uh, agora ninguém vai duvidar

Não hoje, não mais

Nem nunca, jamais

Ela esta pronta

Pra mudar a sua vida pra sempre


segunda-feira, 11 de maio de 2009

Menino lindo!

Sonhei que eu tinha um filho e sei lá por que cargas d'água estávamos comemorando alguma coisa em nossa casa. Eu na cozinha abrindo a geladeira e me veio aquele pequenino. Devia ter uns dois anos, me sacudiu a perna e perguntou:

- Mamãe! O tio Thiago não vem não?

- Não sei meu filho.

- Então liga pra tia Gra!

- Daqui a pouco eu ligo.

- Liga agora? - resmungou com um pedido de por favor.

Meu vai ser mesmo lindo. Vejam só o que ele faz antes mesmo de existir. Me faz lembrar dos amigos e ter uma saudade que chega a ser boa.

Deve ter sido o meu presente de dia das mães. Cabecinha fértil essa minha, né?! Não me importo. Gostei! Um sonho lindo. Um menino lindo. Tios lindos. Mãe mais linda ainda :)