quinta-feira, 30 de julho de 2009

Só, somente só, sozinha, só ela!

“it was like having my own place, and I found myself reveling in the aloneness instead of being lonely.”


Twilight p.54 - by Stephenie Meyer



O novo dia começou me pedindo uma decisão. Mais uma decisão e consequentemente mais uma mudança. Há dois dias a mãe da minha melhor amiga me pediu notícias perguntando sobre meu ex-namorado e sobre como andava a vida romântica.

“Eu não tô acreditando que você está esse tempo todo sem namorar!” – disse ela surpresa. De fato eu estava. Disse que estava super bem e ainda fiz graça dizendo que namorava a mim mesma ou todo mundo ao mesmo tempo, que isso dependia da fase do mês.

Pensando bem era mais ou menos assim mesmo. Sozinha em casa eu botei tudo na minha balança. Uma semana eu só quero saber de mim, outra semana eu imploro por alguém ao meu lado para o que precisar e nas outras duas semanas eu quero qualquer coisa! Quero tudo e todos.

Acontece que topar qualquer coisa não tem dado muito certo, querer tudo ou todos é pretensão demais, querer uma pessoa que não existe acaba sendo sofrimento. Então disso tudo sobra eu! Eu, eu mesma e todas as misturas possíveis de mim.

Até aqui é fato o que segue são só hipóteses. Eu e meus planos mirabolantes!

Eu precisava encontrar coragem em algum lugar e passar a fazer as coisas sozinha. E era mesmo só uma questão de coragem.

Decidi que não vale mais a pena esperar uma companhia, por mais especial que ela seja. Não adianta muito querer que os seus planos sejam planos dos outros. A verdade era que eu já estava de saco cheio de insistir em sair com minhas amigas e ouvi-las dizendo que não podiam por causa dos respectivos namorados. Estava de saco cheio de querer sair com meus amigos, de esperar convites com medo de que os meus fossem mal interpretados parecendo-lhes mais pessoal do que deveria. Estava também de saco cheio de achar que o povo da faculdade ia fazer alguma coisa além de ir à padaria nos intervalos. Estava até de saco cheio do povo da escola que sai tanto para tantos lugares, mas sempre em um horário incompatível aos meus ou em grupos especialmente restritos.

Eu ia ter medo, ia passar por situações bizarras, ia chorar muito até me acostumar e com certeza ia ficar perdida na cidade por diversas vezes. Confesso que isso me parece uma decisão de uma mulher aos quarenta querendo decidir na raça se a vida continua ou se ela desiste de tudo ali mesmo. O meu caso não era tão grave assim, mas estava decido: agora eu ia ao Mineirão sozinha, escolheria as roupas e sapatos sozinha, aprenderia a dançar forró sozinha, malharia sozinha, sairia sozinha, comemoraria sozinha, afogaria as mágoas sozinhas.

O espelho, o travesseiro e o diário eram em disparado as melhores companhias dos últimos tempos. As mais fiéis as que nunca falhavam, mas com quem eu também não poderia arrastar o pé de casa. Isso sim é ser como uma mulher de quarenta anos.

Eu não sei se eu sou muito diferente do mundo ou se o mundo é muito diferente de mim. Talvez os dois! Ou talvez eu só espere muito de quem tem pouco a me oferecer. E a verdade é que eu espero muito de muita gente e quase nada de mim no que diz respeito a isso.

Estranhamente as pessoas se assustam quando falo da minha insegurança, do meu medo, das minhas carências. Acho que não acreditam que eu possa ser assim, mas sou.

Embora muito medrosa sou também super disposta a desafios e mudanças e me sinto mais do que preparada para qualquer decepção.

Eu vou tentar e está de-ci-di-do!


video

sábado, 25 de julho de 2009

Pais brilhantes. Professores fascinantes.

Depois de muita delonga para começar e quase um mês para ler, o livro está lido. Comecei, como de costume, fazendo algumas anotações que achava importante, mas antes que eu chegasse a metade fui deixando pra lá. Era tudo muito importante. O livro me fazia pensar em várias pessoas e não só pais ou professores. Meu irmão, meus primos, meus alunos, amigos e até nos filhos que ainda nem vieram.

Pensava a todo o momento o quanto tinha aprendido desde que passei a ensinar e no quanto mais aprendia ensinando. Pensava também no quanto ainda tinha a aprender e eternamente. Está decidido: a vida é um eterno perguntar e responder, aprender e ensinar. Estou mesmo disposta a isso. A emoção de Cury me emocionou ainda mais, talvez porque eu já tenha mesmo as portas da memória escancaradas no que diz respeito à emoção. Por vezes discordei de algumas coisas, outras eu achava viagem demais, mas não há como negar: falta uma magia na educação, falta sermos mais humanos, falta sermos mais educados e menos adestrados, falta termos lembranças e não só memórias, falta sentir ao agir, falta tanta coisa...

Para que entendam falo de “Pais Brilhantes. Professores fascinantes”*, um livro que não foi muito além de tudo o que já sabia, simplesmente confortou as idéias que eu já tinha. É bom saber que cientificamente você tem razão, ainda que as pessoas olhem para você com aquela cara de que estão ouvindo qualquer lorota.

É sobre isso que falo toda vez que tento explicar a minha decepção com o curso de Pedagogia, é sobre isso que falo quando tento explicar a minha relação com os alunos e é isso que tento fazer. É assim que tento ensinar e é assim que aprendo. É assim que pretendo ter filhos (sim no plural!) ainda que eu não tenha maridos ou dinheiros (têm que ser no singular, eu sei, mas não agora!). É assim que tento conquistar a confiança de pessoas e é assim que eu gostaria que tudo acontecesse. É por isso que eu gostaria que não ignorassem as minhas demonstrações de carinho ou ao menos que não se envergonhassem delas. É assim que eu gostaria que entendessem o meu sorriso, a minha paciência, a minha doçura, a minha afetividade, a minha eloquência (palavra bastante usada neste livro), enfim, a minha emoção. Mas é da mesma forma que eu preciso que entendam as minhas limitações, os meus nãos, o meu poder de abstração e ignorância. Que entendam a minha singela firmeza, as minhas “tiradas” e até o meu mau humor. Que me respeitem e que eu aprenda a respeitar mais. É assim que nos fazemos mais humanos. É assim que a gente chega mais perto de ser divino. Quer coisa melhor?

Então, como diria Pasquale: é isso! Espero que leiam se for de interesse. Abaixo alguns exemplos das palavras de Cury que me chamaram a atenção e em itálico meus inevitáveis comentários.


Educar é ter esperança no futuro, mesmo que os jovens nos decepcionem no presente. (p.9)


Há um mundo a ser descoberto dentro de cada criança e de cada jovem (de cada um de todos nós, eu diria). Só não consegue descobri-lo quem está encarcerado dentro do seu próprio mundo. (p. 11)


Mas as pessoas não aprendem a falar de si mesmas, têm medo de se expor, vivem represadas em seu próprio mundo. Pais e filhos (e não só eles) vivem ilhados, raramente choram juntos e comentam sobre seus sonhos, mágoas, alegrias, frustrações (tirando eu e alguns bêbados da minha vida eu, infelizmente, só vejo as pessoas fazendo isso em velórios.). Vivem juntos mais são estranhos uns para os outros. Aprendem a resolver cálculos matemáticos, mas não sabem resolver seus conflitos existenciais. (p. 12)


Os jovens são preparados para lidar com as decepções? O sofrimento nos constrói ou nos destrói.

Você faz coisas fora da sua agenda que lhe dão prazer? Você procura administrar seus pensamentos para ter uma mente mais tranquila? (As pessoas me dizem que não sabem como eu consigo usar agenda. Me perguntam porque tenho tantos papéis. Ora! É o que faço pra me organizar. E eu sempre digo: “é tudo uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”.) (p. 13)


Os jovens conhecem cada vez mais o mundo em que estão, mas quase nada sobre o mundo que são. (p. 15)


Um excelente educador não é um ser humano perfeito, mas alguém que tem serenidade para se esvaziar e sensibilidade para aprender. (p.17)


Você quer ser um pai ou uma mãe brilhante? Tenha coragem de falar sobre os dias mais tristes da sua vida com seus filhos. Tenham ousadia de contar sobre suas dificuldades do passado. Fale das suas aventuras, dos seus sonhos e dos momentos mais alegres de sua existência. Humanize-se! (E apesar de tudo, não duvidem quando eu disser que tive pais brilhantes. Talvez por isso meus irmãos e eu tenhamos sido três filhos brilhantes e tenhamos conquistado mais que o amor, mas também a amizade e o respeito de nossos pais. Bem, falo o que penso e digo isso ao menos por mim.) (p. 21/22)


A emoção define a qualidade do registro. Todas as experiências que possuem um alto volume emocional provocam um registro privilegiado. (Um teste:) O amor e o ódio, a alegria e angústia provocam um registro intenso. (Cury fala com a propriedade de ser um psiquiatra e não só um educador. Ele fala um pouco como funciona a nossa memória. Fantástico!) (p. 23)


Nossa memória tornou-se assim uma lata de lixo. Não é à toa que o homem moderno é um ser intranquilo, que sofre por antecipação e tem medo do amanhã. (p. 24)


Mesmo que você trabalhe muito, faça do pouco tempo disponível grandes momentos de convívio com seus filhos. Role no tapete. Faça poesias. Brinque, sorria, solte-se. Perturbe-os prazerosamente. (Ótimas lembranças!) (p. 25)


Qualquer animal só consegue escapar das garras de um predador se tiver grandes habilidades. Preparem seus filhos para sobreviverem nas águas turbulentas da emoção e desenvolverem capacidade crítica. (Alguém duvida que meus pais tenham feito isso?) (p. 29)


Não seja um perito em criticar comportamentos inadequados, seja um perito em fazer seus filhos refletirem. Quando você abre a boca para repetir as mesmas coisas, detona um gatilho inconsciente que abre determinados arquivos da memória que contêm as velhas críticas. Quando seu filho erra, ele já espera uma atitude sua. (Já dizia minha coordenadora: eles pedem limite a todo o momento. Ficam te testando.) Se o que disser não causar um impacto na sua emoção, o fenômeno RAM (Registro Automático da Memória) não produzirá um registro inteligente, e, consequentemente, não haverá crescimento, mas sofrimento. (p. 33)


Uma pessoa emocionalmente superficial precisa de grandes eventos para ter prazer, uma pessoa profunda encontra prazer nas coisas ocultas. (p. 41)


Para educar precisamos aprender sempre e conhecer na plenitude a palavra paciência. Quem não tem paciência desiste, quem não consegue aprender não encontra caminhos inteligentes. (p. 53)


(Sobre a Síndrome do Pensamento Acelerado, a SPA:) Os educadores perdem a capacidade de influenciar o mundo psíquico dos jovens. Seus gestos e palavras não têm impactos emocionais e, consequentemente, não sofrem um arquivamento privilegiado capaz de produzir milhares de outras emoções e pensamentos que estimulem o desenvolvimento da inteligência. (p.58/59)


Pensar é excelente, pensar muito é péssimo. (p.60)


As pessoas hipersensíveis costumam ser excelentes para os outros, mas péssimas para si mesmas. (p. 67)


Pensar é uma aventura que me encanta. (Tomei a liberdade de usar a frase no presente, ao contrário da edição original.) (p. 70)


O afeto e a inteligência curam as feridas da alma, reescrevem as páginas fechadas do inconsciente. (Será mesmo?) (p. 78)


Quando uma pessoa para de perguntar, ela para de aprender, para de crescer. (Eu ainda acho muito estranho não acentuar o verbo parar, mas disseram-me que não existem mais acentos diferenciais e eu acreditei. Será mesmo? Vou procurar saber.) (p. 130)


Quem é capaz de fazer este autodiálogo reedita o filme do inconsciente mais rápida e eficientemente. Não basta um paciente fazer psicoterapia. Ele tem de ser autor da sua história, tem de aprender a intervir em seu próprio mundo. (p. 131)


Para contar histórias é necessário exercitar uma voz flutuante, teatralizada, que muda de tom durante a exposição. É preciso produzir gestos e reações capazes de expressar o que as informações lógicas não conseguem. (Eu me divirto!) (p. 132/133)


(Para quem torce o nariz cada vez que não hesito em dizer que sou professora:) Quais são meus alicerces intelectuais? Meus alicerces são as dores que passei, as inseguranças que vivenciei, as angústias que sofri, a superação do meu caos... Por trás de cada informação dada com tanta simplicidade em sala de aula existem lágrimas, as aventuras e a coragem dos cientistas. A ciência sem rosto paralisa a inteligência, descaracteriza o ser, o aproxima do nada (Sartre, 1997). Gera homens arrogantes e não homens que pensam. Raramente um cientista causou danos à humanidade. Quem causou os danos foram os que utilizaram a ciência sem consciência crítica. (p. 136)


Leiam!


CURY Augusto. Pais brilhantes. Professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.


A amiga Gramática.

Eu mesma já me questionei diversas vezes sobre essa minha mania de tanto escrever. Isso não é de hoje. O hábito de contar e inventar casos carrego comigo desde o meu primeiro diário. Aliás, suponho que mamãe tenha escolhido tal presente de Natal por já ter notado que eu escrevia em todos os lugares desde que tinha aprendido a rascunhar algumas palavras. Lembro-me de já ter apanhado por escrever na antiga porta da cozinha e nas paredes da casa. Por fim meus pais foram se rendendo a esse costume.

A porta da oficina do papai eu fiz de quadro negro até que no Natal seguinte mamãe resolveu me dar um daqueles bonitinhos. Foi o Natal em que eu resolvi não mais acreditar em Papai Noel. Vi quando ela entrou com a desculpa de pegar um batom e passou em direção ao nosso quarto com uma coisa nas mãos. Quando voltei estava lá um quadro e o apagador. Só então parei de rabiscar as paredes.

Os alunos ainda eram imaginários e isso encantava meus pais. Eu dizia que queria ser cientista, eles não duvidavam e me davam o maior apoio. Um dia meu pai disse que eu levava jeito pra estudar direito porque gostava de resolver problemas e mandar nos outros. Disse que eu parecia uma juíza. Bobagem! Mamãe continuava gostando da “professorinha” mesmo depois de eu querer salvar o mundo com a água que vinha da geladeira a descongelar.

Por mais idiota que possa parecer me lembrei de tudo isso e fui fazendo anotações no cantinho da apostila sobre Gramática Tradicional* enquanto a lia. De acordo com Aristóteles existe uma forte relação entre linguagem e lógica e daí a tendência de considerar a gramática um estudo relacionado à disciplina filosófica da lógica. Trata-se da elaboração do raciocínio.

Acredito mesmo que a linguagem seja um reflexo da organização interna do pensamento humano e daí a necessidade universal de estabelecer regras para expressá-las já que é uma necessidade inerente a qualquer um de nós: manifestarmos-nos de forma que algumas pessoas entendam (ou não). A língua possui uma maneira peculiar de interpretar a realidade (assim, entendo que a interpretação pode ou não ser fiel ao que se vive). A linguagem é fundamental para a organização de nosso pensamento. De acordo com Saussure, o homem seria incapaz de pensar sem o auxílio dos signos. Eu não sei se chega a tanto, mas me tomem todas as canetas para ver se eu não enlouqueço. Seria o meu caos!

Nesse dia encontrei a resposta para as minhas perguntas. Escrevo para organizar o meu raciocínio. Para que chegue aos outros o que quero compartilhar ou para guardar para mim mesma o que quero lembrar. De forma mais poética é mesmo dizer que são pensamentos e sentimentos soltos traduzidos em palavras. Para eu tentar entender o que na maioria das vezes eu também não entendo.

Ainda de acordo com a percepção aristotélica da linguagem nós conhecemos o mundo exterior pelas impressões que provoca em nossos sentimentos, a linguagem é o que nos permite representar isto, é um instrumento para nomear idéias preexistentes. Não necessariamente através da escrita. E assim eu descubro sem a ajuda de psicólogo algum porque eu passo o maior tempão conversando com o espelho esperando que ele entenda tudo o que falo. Hipotetizando e esquematizando fatos ou ilusões enquanto converso comigo mesma ou com uma presença imaginária. Meus amigos nem sonham com que frequência e o quanto converso com eles noites por aí. Dentro do ônibus então era uma beleza! Passar quarenta e cinco minutos na esteira tem sido fácil! Principalmente quando a sala está vazia e eu posso ficar conversando com qualquer um sem me preocupar com a aparente loucura. Cada dia escolho um amigo para caminhar comigo e isso me diverte.

Não é de se estranhar que eu confunda tanto o que foi só pensado, com o que foi escrito ou simplesmente inventado. Fantasias e realidade estão bem próximas. Assim vou tirando minhas conclusões, retalhado pensamentos, construindo sentimentos, estudando atitudes, calculando e criando estratégias para a vida.

Por fim a apostila tinha rabiscos para todos os lados. Dar emoção ao que se aprende para mim é a melhor forma de aprender e eu ficaria feliz se a professora tivesse perguntado sobre isto na prova.

* MARTELOTTA, Mário Eduardo. Conceitos de gramática e Gramática Tradicional. In: ______. Manual de Linguística. São Paulo: Contexto, 2008. p. 45, 46, 56.

Lentes

Testado:


Dá pra malhar com as lentes.

Dá pra comer maçã com as lentes.

Dá pra usar o secador com as lentes.

Dá pra tomar banho com as lentes.

Dá pra fazer as sobrancelhas com as lentes.

Dá pra me maquiar com as lentes.

Dá pra brindar, comemorar e beber com as lentes.

Dá pra perder a lente e achar!

Dá até pra dormir com as lentes!


Mas tenho mais testes a fazer.


quinta-feira, 23 de julho de 2009

Libra.

Às vezes eu até gosto desse negócio de signo.


LIBRA - O Harmonizador. Agradável a todo o mundo. Indeciso. Tem uma atração própria sem igual. Criativo, enérgico e muito social. Odeia estar só. Calmo, generoso. Muito amoroso e bonito. Gosta de flertar. Cede muito facilmente. Tende a deixar para depois. Muito crédulo.



segunda-feira, 20 de julho de 2009

Todas elas juntas num só ser.


Aí uma boa razão para ainda não existir uma canção de Luana. Agora já não faço mais tanta questão assim, desde que um dia ainda escute tudo o que tenho direito dentro de uma canção.


Todas Elas juntas Num Só Ser

Lenine / Carlos Rennó


Não canto mais Babete nem Domingas

Nem Xica nem Tereza, de Ben jor;

Nem Drão nem Flora, do baiano Gil;

Nem Ana nem Luiza, do maior;

Já não homenageio Januária,

Joana, Ana, Bárbara, de Chico;

Nem Yoko, a nipônica de Lennon;

Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico;

Nem a tigreza nem a vera gata

Nem a branquinha, de Caetano;

Nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga,

Rosinha, do sertão pernambucano;

Nem Risoflora, a flor de Chico Science,

Nenhuma continua nos meus planos.

Nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcett;

Nem Anna Júlia do Los Hermanos.

Só você,

Hoje eu canto só você;

Só você,

Que eu quero porque quero, por querer.

Não canto de Melô pérola negra;

De Brown e Hebert, uma brasileira;

De Ari, nem a baiana nem Maria,

Nem a Iaiá também, nem minha faceira;

De Dorival, nem Dora nem Marina

Nem a morena de Itapoã;

Divina garota de Ipanema,

Nem Iracema, de Adoniran.

De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;

De Michael Jackson, nem a Billie Jean;

De Jimi Hendrix, nem a doce Angel;

Nem Ângela nem Lígia, de Jobim;

Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz,

Das doze deusas de Edu e Chico;

Até das trinta Leilas de Donato,

E de Layla, de Clapton, eu abdico.

Só você,

Canto e toco só você;

Só você,

Que nem você ninguém mais pode haver.

Nem a namoradinha de um amigo

E nem a amada amante de Roberto;

E nem Michelle-me-belle, do beattle Paul;

Nem Isabel - Bebel - de João Gilberto;

E nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg;

Nem, de Totó, na malafemmená;

Nem a Iaiá de Zeca Pagodinho;

Nem a mulata mulatinha de Lalá;

E nem a carioca de Vinícius

E nem a tropicana de Alceu

E nem a escurinha de Geraldo

E nem a pastorinha de Noel

E nem a namorada de Carlinhos

E nem a superstar do Tremendão

E nem a malaguenha de Lecuona

E nem a popozuda do Tigrão

Só você,

Hoje elejo e elogio só você,

Só você,

Que nem você não há nem quem nem quê.

De Haroldo Lobo com Wilson Batista,

De Mário Lago e Ataulfo Alves,

Não canto nem Emília nem Amélia,

Nenhuma tem meus vivas! E meus salves!

E nem Angie, do stone Mick Jagger;

E nem Roxanne, de Sting, do Police;

E nem a mina do mamona Dinho

E nem as mina – pá! - do mano Xiz!

Loira de Hervê e loira do É O Tchan,

Lôra de Gabriel, o Pensador;

Laura de Mercer, Laura de Braguinha,

Laura de Daniel, o trovador;

Ana do Rei e Ana de Djavan,

Ana do outro rei, o do baião

Nenhuma delas hoje cantarei:

Só outra reina no meu coração.

Só você,

Rainha aqui é só você,

Só você,

A musa dentre as musas de A a Z.

Se um dia me surgisse uma moça

Dessas que com seus dotes e seus dons,

Inspira parte dos compositores

Na arte das palavras e dos sons,

Tal como Madallene, de Jacques Brel,

Ou como Madalena, de Martinho;

Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry,

E a manequim do tímido Paulinho;

Ou como, de Caymmi, a moça prosa

E a musa inspiradora Doralice;

Se me surgisse uma moça dessas.

Confesso que eu talvez não resistisse;

Mas, veja bem, meu bem, minha querida;

Isso seria só por uma vez,

Uma vez só em toda a minha vida!

Ou talvez duas... mas não mais que três!

Só você...

Mais que tudo é só você;

Só você...

As coisas mais queridas você é:

Você pra mim é o sol da minha noite;

É como a rosa, luz de Pixinguinha;

É como a estrela pura aparecida,

A estrela a refulgir, do Poetinha;

Você, ó flor, é como a nuvem calma

No céu da alma de Luiz Vieira;

Você é como a luz do sol da vida

De Steve Wonder, ó minha parceira.

Você é pra mim e o meu amor,

Crescendo como mato em campos vastos,

Mais que a gatinha para Erasmo Carlos;

Mais que a cigana pra Ronaldo bastos;

Mais que a divina dama pra Cartola;

Que a domna pra Ventadorn, Bernart;

Que a honey baby pra Waly Salomão

E a funny valentine pra Lorenz Hart.

Só você,

Mais que tudo e todas, é só você;

Só você,

Que é todas elas juntas num só ser.





domingo, 19 de julho de 2009

CISV

A primeira experiência com o CISV serviu para matar a curiosidade ao passo que foi extremamente intrigante. But I still haven’t found what I’m looking for. Era mais ou menos por ali que eu queria que a vida caminhasse, mas não sabia se estava mesmo preparada para isso. Era um monte de gente pensando as coisas que eu achava que só eu pensava, mas era também um monte de gente que vivia de forma bastante diferente.

Eu não sabia se era ou o quanto era útil aquele grupo. Na verdade nem me sentia parte do grupo, por mais bem recebida que eu tenha sido. Eu me sentia diferente demais e por tanto não preparada para ser parte de fato.

Precisei do CISV para perceber que estou por fora de muita coisa. Sou pior que qualquer turista em Belo Horizonte, minha cidade natal. Por mais que eu ache importante, não me interesso por Política e fico boiando quando o assunto é atualidades. Sei no máximo o que meus alunos contam ou o que leio de passagem pela Internet. A atividade cultural sobre Direitos Humanos foi quase um soco no estômago. Só não foi porque o líder que conduzia a atividade era lindo e foi muito gentil frente a minha ignorância. É de dar vergonha, mas eu juro que não sabia quais eram os Direitos Humanos por mais que há muito já tivesse ouvido falar que isso existia.

Sempre disposta a aprender, dei uma fuçada em tudo. Agora tenho uma pequena noção do que vêm a ser os tais Direitos Humanos. Sei também de um tal Epicuro, que é sensacional! Aprendi o que é ser agnóstico e tenho certeza de que o CISV pode me ensinar muitas outras coisas. Igualmente sei que tenho muito a contribuir, mas ainda não sei como.

Isso não é pra qualquer um não. Sustentar a vontade de mudar o mundo é mais difícil do que eu imaginava.

Muito obrigada e parabéns ao CISV. Eu volto quando estiver melhor preparada.

Treinamento Nacional de Líderes CISV em Belo Horizonte.

De 1 à 3 de maio de 2009.

sábado, 18 de julho de 2009

Carrancas


Um bom tempo já se passou. Pouco mais de três meses, mas de acordo com minhas anotações ainda tenho muito a falar sobre a viagem a Carrancas. E outra! Eu tinha prometido. Enquanto eu puder cumprir as coisas que prometo, o farei.



Os momentos que passo com meus amigos são sempre muito especiais. Essa viagem por sinal tinha começado a ser especial desde o dia em que começamos a planejá-la. Quem diria que ele um dia ia fazer questão da minha presença em uma de nossas viagens? Ainda que com segundas intenções. Fiquei alegremente surpresa e não pude dizer não.

Lá, a primeira coisa que notei é que não conseguia beber como de costume. Cheguei a deixar pra lá esse trem. Sei bem que uma pessoa aqui em BH se preocupou para que fosse exatamente assim. Fato é que eu sabia que deveria me comportar. Tinha tanta coisa me incomodando que se eu fosse falar... Luana já fala demais. Luana bêbada então! Já viu, né?! Eu não podia dar trabalho desta vez. A viagem não estava pra isto.

Eu achei que depois do convite para ser madrinha de seu casamento não haveria nada de tão especial quanto. Mas não importa mais em qual ocasião, o amigão vai sempre me surpreender. Seja fazendo questão da minha presença, me chamando a atenção, partilhando as suas experiências ou simplesmente fazendo algo exatamente como meu pai fazia. O jeito que me olha quando está “bravo”, o que fala quando quer pedir um favor, o jeito quase nada carinhoso de demonstrar carinho, o cigarro Sabiá entre os dedos ou ora por cair no canto da boca, as músicas no carro, o jeito de fazer churrasco e até o jeito de usar a bermuda. Cada coisa!

Definitivamente a viagem estava para recordações, comparações, pensamentos de todos os tipos e muita saudade. Literalmente, viagem para o interior.

Jogo de baralho sempre me faz lembrar a infância. Os buracos com a mamãe de parceira e quem mais quisesse jogar. Eu sempre dando palpite nos jogos de paciência dela todo final de tarde. O jogo de mau mau com o papai sábado à noite. O truco com meu irmão ou o tapão com os primos. Da mesma forma Pink Floyd vai sempre me lembrar a família reunida para os almoços de domingo na casa da vovó. Fato! Algumas lembranças são tão boas que dá vontade de reviver o passado exatamente naquele momento, mas como não dá resta a boa esperança de poder (re)viver aquilo num futuro não muito distante. Lembranças assim me dão vontade de viver mais, mais intensamente, mais rápido. Como diria minha prima madrinha: dá uma vontade de ser feliz!

No entanto, nem sempre admirar o pássaro é criar esperança para o futuro. Definitivamente esperança é algo que não existe mais entre nós, ao menos da minha parte. Isso é bom! Mas é também sutilmente triste. Eu não gosto de chatear as pessoas queridas. E por falar nisso, acho que é melhor mesmo que eu me acostume com os atos de cavalheirismo ou vou continuar assustando aos montes homens gentis por aí.

É difícil mudar quando várias pessoas querem que você mude algo que não estava disposta a mudar (assim surge Dama). É difícil definir sentimentos quando se sente mais de uma coisa por mais de uma pessoa ou tudo junto, ou nenhum dos dois (mais de dois talvez), ou tudo misturado, ou nada disso... Sei lá!

Sabia exatamente dizer o que me incomoda em uma pessoa, por mais que gostasse dela. Sabia também dizer palavras bonitas e sinceras para falar o quando gosto de uma pessoa, mas com um tempo gostar ou não gostar vai ficando tão relativo que o hábito de descrever essas coisas fica demasiadamente chato. Chato e sem propósito, afinal, gosto e desgosto com uma rapidez enorme. Vale lembrar que sou de Lua. E que bom que hoje eu consigo notar que isso é relativo. Posso notar que as coisas mudam, que as pessoas mudam e que consequentemente os gostares mudam também. Ou não, afinal de contas é relativo... Bom mesmo é não perder a prática de gostar e ser sincera com meus sentimentos por mais confusa que eu fique ao tentar dar-lhes alguma razão.

Estranho também foi a saudade da Igreja. Era Semana Santa. E todas as manifestações em Carrancas eram bonitas, mas igualmente tristes. Sinto muito por ainda não ter me encontrado direito por mais religiosa que eu seja. Minha espiritualidade é só mais um mistério dentro de mim. Em algum lugar, não sei como, não sei onde, mas existe.

Por mais melancólica que fosse era gostosa cada lembrança, cada coisinha que se passava na minha cabeça. Era gostoso ver a alegria do outro amigão com a namorada nova. Aquilo me fazia feliz também. E por falar em amigão, faltava alguém em Carrancas. Alguém pra me fazer esquecer da minha vida enquanto ouvia sobre a vida alheia. Hum, não é qualquer um que me faz calar a boca. Daquele dia em diante sempre ia faltar alguém em nossas viagens se ele não estivesse por perto.

Se ele não está na cama ao lado pra bater uma prosa... Lá vou eu pra praça fazer amizade com o hippie. Meu brinco novo é lindo! E a “amizade” acabou sendo tamanho família: o hippie, a mulher hippie, o bebê hippie (ainda na barriga) e o cachorro hippie. Muito melhor do que ficar assistindo novela na pousada.

Em BH eu deixei minha família de mudança. Ia voltar para um novo mundo. Deixei minha casa às presas e ela nunca mais seria minha. Agora a minha casa era a casa dos meus tios de novo e isso só não me deixava mais triste quando eu pensava em cifrões. Eu precisava pensar nisso como nunca.

Minha vontade de aproveitar a juventude fazendo isso ou aquilo é financeiramente restrita na maioria das vezes. É assim desde sempre. “Querer não é poder” - dizia mamãe. Meus movimentos são todos financeiramente calculados. Necessidades primeiro, vontades mais fortes e o resto vai ficando pra depois. Na lista das vontades, estava resolvido: quero fazer aula de canto!

Verdade seja dita: todos os cachorros de Carrancas são lindos! Ô vontade... Ô saudade! Queria de novo um cachorro para me abanar o rabo quando chegasse em casa, empinar a orelha quando escutasse minha voz, pular no meu colo quando eu me assentasse no sofá. Que cheirasse minha orelha, deitasse aos meus pés feito tapete e encarasse com carinho o meu olhar. Sem falar nada, sem pensar nada. Sem me deixar vontade, culpa, medo, rancor ou ciúmes algum. Só saudade.

Hoje, não só pela data, mas definitivamente o dia teve cara de lembrança.

Carrancas, 11 de abril de 2009.

22:30.


quarta-feira, 15 de julho de 2009

Why did I?


Why did I kiss your mouth

If I couldn’t?

Now I want more.

I even prayed I asked God before,

But He knew you had the kiss

I was looking for.


Is he wrong?

Maybe so.

You may go.

This is not supposed to be mine.

I guess,

But that night,

In a single night

Nothing seamed to last long.

Wrong!

A whole night,

You were by my side.


Was that just in case?

No sleep at all!

Asking myself about love

A day light came

A perfect smile and between us

There was no shame.

I knew nothing was in vain,

But why did I kiss your mouth

If I wanted it?

Now I want more.


Something is still between us,

Something unnamed.

I can’t,

But I want it.

Do you want it?

Oh! We just want it!


Every time I see your nose or

Feel you as a rose

I can remember passion exists

Doesn’t matter any love.

And it sometimes insists.


Now, looking at you the sensation that

Nothing and all is happening at the same time

Just as your first kiss made me feel

On the top of a hill

Or in the middle of nowhere.

Now I just wanna know:

Why did I kiss your mouth if I wanted it?

And why do I always want it more.




De um dia para outro

a espinha aparece,

a garganta adoece,

o corpo amolece,

a saudade enlouquece,

o sono prevalece,

coração não obedece,

e nada mais me apetece.


Daqui a uns dias

já se sabe o que acontece.



segunda-feira, 13 de julho de 2009

Red Sign!


You Gotta Be

Desree


Listen as your day unfolds

Challenge what the future holds

Try and keep your head up to the sky

Lovers, they may cause you tears

Go ahead release your fears

Stand up and be counted

Don't be ashamed to cry

You gotta be...

You gotta be bad, you gotta be bold, you gotta be wiser

You gotta be hard, you gotta be tough, you gotta be stronger

You gotta be cool, you gotta be calm, you gotta stay together

All I know, all I know, love will save the day

Herald what your mother said

Read the books your father read

Try to solve the puzzles in your own sweet time

Some may have more cash than you

Others take a different view

My oh my, yea, eh, ee

You gotta be bad, you gotta be bold, you gotta be wiser

You gotta be hard, you gotta be tough, you gotta be stronger

You gotta be cool, you gotta be calm, you gotta stay together

All I know, all I know, love will save the day

Time ask no questions, it goes on without you

Leaving you behind if you can't stand the pace

The world keeps on spinning

Can't stop it, if you tried to

This best part is danger staring you in the face

Listen as your day unfolds

Challenge what the future holds

Try and keep your head up to the sky

Lovers, they may cause you tears

Go ahead release your fears

My oh my yea, ye, ee

You gotta be bad, you gotta be bold, you gotta be wiser

You gotta be hard, you gotta be tough, you gotta be stronger

You gotta be cool, you gotta be calm, you gotta stay together

All I know, all I know, love will save the day

Yea, yea, yea!

You gotta be bad, you gotta be bold, you gotta be wiser

You gotta be hard, you gotta be tough, you gotta be stronger

You gotta be cool, you gotta be calm, you gotta stay together

All I know, all I know, love will save the day

Yea yea...

Got to be bold

Got to be bad

Got to be wise

Do what others say

Got to be hard

Not too too hard

All I know is love will save the day

You gotta be bad, you gotta be bold, you gotta be wiser

You gotta be hard, you gotta be tough, you gotta be stronger

You gotta be cool, you gotta be calm, you gotta stay together