quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010


Depois de um dois mil bastante "inove", acho que mereço um dois mil bem "dez".

Desejo um ótimo ano novo a todos que estiveram e estarão por perto a cada sorriso meu.


domingo, 27 de dezembro de 2009

Ai, que calor!


Com um estranho tipo de raiva eu fechei o livro. Como era de costume, não tinha terminado um capítulo, sequer terminei a página, mas pus o livro de lado. Eu nem tinha percebido, mas havia lágrimas em meus olhos. Quando me dei conta disso me permiti chorar de verdade.

Eu estava incomodada com o calor que fazia às quatro da manhã. “Não estava tão quente assim antes, estava?” Eu me perguntei temendo a própria resposta. Eu não sentia sono algum embora estivesse cansada. Tinha passado o dia liberando algumas caixas. Acabei comprando um guarda roupas para o eu quarto e só agora ele começa a tomar forma de quarto. Eu até gosto de me organizar.

Eu estava incomodada comigo mesma. Com a minha fissura por “gastar” tanto tempo analisando as coincidências e sempre concluir que não eram coincidências porcaria nenhuma. Tinha algo de muito perfeito acontecendo. Algo mágico que me fazia dar sentido a tudo e eu devia isso à minha amizade com a Cris que tanto me faz pensar; às palavras encantadoras do Rod e principalmente à paciência que eu tenho tido comigo mesma, sobretudo nos momentos difíceis.

Ainda assim eu estava incomodada. Incomodada por perceber o quanto o meu humor varia. Isso me fez lembrar o olhar duro e as palavras ríspidas do meu primo. As palavras dele não têm muito crédito comigo, nunca tiveram, mas desta vez eu resolvi por bem considerá-las. Estranho porque a pouco eu tinha me lembrado das palavras do meu primo príncipe me comparando à Bella com carinho, como sempre. Achei estranho, mas ele me conhece tão bem que fazia sentido eu admitir que toda aquela semelhança não era coisa da minha cabeça como eu estava supondo. Nisso nós não éramos parecidas. Não tinha voz nenhuma na minha cabeça. Pelo menos por enquanto... Eu não vivia em um livro/filme, tinha com o que mais me preocupar. O meu queijo suíço era maior, mais furado e cheirava. Às vezes tão forte que incomodava. E não só a mim... Eu adoro queijo, mas acho que o trocaria por outra coisa se ele fosse parecido mesmo com o meu coração.

Eu tinha acabado de receber um elogio, sabia que ele era sincero e eu estava pensando no quão especial eu era. Ontem uma tia me deu um beijo ao dizer que eu era “ponto de referência”. Isso também me incomodava um pouco, mas de certa forma era até bom ouvir aquilo. É que às vezes eu queria poder ser de novo a caçula da família. Paparicada por todos. De fato, eu acho que eu sempre tive algo de especial. Hoje disse a mim mesma que eu era a melhor companhia que eu poderia me dar. Eu não estava mesmo incomodada por estar sozinha. Foi uma escolha minha passar o Natal sossegada aqui. E foi bom!

Algumas horas depois e eu já estava esbravejando. Às vezes é tão forte que eu desejo não existir para não ter que suportar. Não suportar a mim mesma. “Como pode?”

Tudo aquilo era lindo! Boa parte da inclinação que tenho a ser uma pessoa especial se deve ao fato de eu ter uma boa imaginação. Com cautela eu vivia todas as minhas fantasias. Uma a uma, sem ter medo já que a maioria do que me acontece de bom é resultado de um grande esforço mental, da paciência que eu tenho comigo e da fé de ter bons motivos para me alegrar. A minha imaginação deixa as coisas mais bonitas, mais divertidas. Eu sou capaz de encontrar a fada do dente qualquer dia desses.

Loucura? Não, não... Mas é que se eu paro de imaginar... Puft! Vai tudo embora. Vão me restar as coisas do jeito que elas são. Quase nada de divertido. Meio insano, eu sei...

Eu estava incomodada também com o que a minha imaginação me proporcionaria. Era bom, mas eu precisava manter isso sob controle. Na minha cabeça os meus amigos ainda eram os meus amigos. E de repente me ocorreu que pudesse ser só na minha cabeça mesmo. Afinal, eu não tinha ligado, não tinha procurado e o que aconteceu? Puft! Eles nem deviam se lembrar mais de mim...

Fechei o livro porque me incomodava aquele amor estranho de Bella por Jacob. Era natural que agora eu pensasse muito em Jacob, ou melhor, no figura Jacob na minha vida. Ou figuras... Sei lá! Eu tentava disfarçar, mas vários dos meus amigos eram homens e hoje, pela primeira vez, isso me incomodou. Era estranho que eu me sentisse mais protegida com eles já que eles parecem se lembrar de mim só por uma espécie de conveniência. No fundo, no fundo eu deveria ser uma boa amiga, mas nem tanto, caso... Ah! Eu também não podia reclamar tanto assim. Eu era, sem querer, muito egoísta por escolher ter amizade com homens. Mas percebi que de certa forma eu era extremamente vulnerável na relação. Em todas elas. Me incomodou e me incomodou muito! Eu lia, parava, pensava, lia, parava e desejava com muita vontade que Edward voltasse às narrações. Ele me confortava, embora a situação me remetesse a uma igualmente nada casual. Eu sentia saudade... Me incomodava menos entender a fantasia. O que eu posso fazer com a realidade?

Eu estava incomodada com o paralelo entre o real e o imaginário e pensando assim não fazia muita diferença entre ler Edward ou Jacob. Me incomodava tanto quanto aquelas mudanças de humor e a dúvida entre ser, ou simplesmente não ser o que quer que eu fosse.

Ora especial, linda e sorrindo. Ora um lixo desejando não existir para não incomodar a ninguém. Isso tudo estava se misturando e eu já não sabia mais qual era a Luana inventada e qual era a Luana de verdade, se é que eu podia separar assim. Afinal, não seria mais adequado o equilíbrio. Seria justo e eu era até boa nisso. Mas já tinha me irritado o suficiente com aquela porção de pensamentos idiotas. Estava mesmo cansada. Após abandonar o livro ainda tinha começado a escrever letras grandes e contorcidas que serviam basicamente para aliviar a tensão que explodia de um ouvido ao outro e dava um nó na garganta. Já era quase cinco da manhã e eu não tinha ninguém para me dar um abraço de urso ao notar a minha cara de desespero, nem ninguém para me empurrar suavemente em direção à cama. Tudo isso estava lá no plano da imaginação e em mais lugar nenhum. Por mais longe que eu procurasse, por maior o tempo que eu esperasse... Simplesmente não estava. Era só a minha imaginação tentando me fazer mais feliz.

De qualquer forma eu não estava em Forks, nem em La Push, nem em D... Ah! De verdade não funcionada como na Terra do Nunca. Aqui fazia calor e como eu sou real eu tive que parar de pensar naquilo tudo, deixar o caderno de lado, apagar a luz e dar um jeito naquilo sozinha. Fazia muito calor e isso era real, eu podia sentir por mais que tivesse brotado da minha imaginação. Eu não tenho jeito mesmo... Já estava tudo misturado de novo!



quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O despertar


“O tempo passa. Mesmo quando isso parece impossível. Mesmo quando cada batida do ponteiro dos segundos dói como o sangue pulsando sob um hematoma. Passa de modo inconstante, com guinadas estranhas e calmarias arrastadas, mas passa. Até para mim.”


(p. 73, Lua Nova by Stephenie Meyer)


Eu mal tinha começado a ler e chorava sem parar. Estava no meio do parágrafo e já podia sentir o efeito que aquelas palavras teriam.

Eu estava adorando estar de férias para ler aqueles livros. Parecia estranho ao meu irmão que, de férias, eu me dedicasse tanto à leitura. Há anos atrás estaríamos brigando para ver com quem ficava o controle da tevê. Nunca era comigo já que ele sempre foi mais forte. Mas eu sempre fui muito engenhosa. O castigo dele me rendia tranquilidade com o controle o resto da semana era só chorar e contar para meus pais. Hoje qualquer preocupação que ele tenha comigo nunca me parece tola. Afinal, era ele que estava ao meu lado dia após dia. Não tinha mais forte ou mais fraco. Nem castigo, por mais que eu chorasse. Eu o amava cada vez mais. Aprendíamos, os dois, a nos amarmos e a convivermos bem. Eu tinha certeza que tudo era igualmente estranho para ele. Talvez fosse até mais.

O tempo tinha mudado muito as nossas vidas. Frenético, de um lado ao outro, às vezes até parecendo sem rumo, mas sempre atando nós. Laços cuidados que me fazem ter certeza de que... Nada era... Ou melhor, tudo era... Ah! Não sei bem se era, mas tudo parecia estar cuidadosamente interligado. Quando estou assim: calma, tudo faz tanto sentido. No entanto, o tempo me faz confusa.


Estou perdida com os pensamentos de Bella. Quando a leitura é em voz alta chego a trocar o tom quando ela troca. Imito seus gestos à medida que leio ansiosa notando o quanto somos parecidas. Além disso, eu pareço ser a única por aqui a preferir Edward a Jacob. Exatamente como ela. Com as mesmas condições, talvez não com as mesmas palavras. Isso deve estar ligado ao fato de que a figura de Edward também se faz assustadoramente presente, ainda que loooonge. Ainda assim é incrivelmente bom e como ele: indescritível.


Muitas de minhas crises estão relacionadas estão relacionadas aos meus amigos. Me confundo muito com eles. A conversa com a amiga Amanda no último sábado ajudou a deixar as coisas mais claras. O problema não estava com os amigos antigos e não estava no fato de eu tanto sofrer por naturalmente me afastar deles. Também não estava com os amigos novos. Nem com minha empolgação por tê-los, por mais que isso também me parecesse, por fim, desafiador.

Bem, fato é que pela importância que eu dou às minhas amizades sempre foi difícil ter amigos. Não fazer amizades, mas tê-los. Eu não conseguia desvincular o “ter” amigos de uma relação injusta de posse, de fidelidade e muito amor. Quero sempre ter. TER mesmo!

Eu era sim muito cuidadosa e organizada, mas era ridículo dividir amigos, situações e épocas do ano. Dentro de mim amigos que falavam só Português eram tão amados quanto os bilíngues, trilingues ou zilingues. O frango frito de domingo era tão saboroso quanto aquele strogonoff com suculentos mushrooms. O meu carro era tão importante quando a necessidade de eu estudar um pouco mais os mapas da minha cidade para não me perder, inclusive quando estivesse de ônibus.

Mas como dizia, o problema não está com os amigos. Nem com os que tive, nem com os que tenho ou com os que terei. Não está com a família. Não com a família que tive, nem com a que tenho e queira Deus não com a que terei. O problema não está nas perdas, na distância traçada pela linha do equador, no casamento da minha irmã, com o choro dos meus alunos, com as teorias de Rogers, com os professores da faculdade... Nem no meu carro, nem nas contas a pagar, nem com cabelo desobediente ou nos meus quilos sempre a mais. O problema nem era comigo! O problema era o tempo.

O problema era o tempo que passava. Até para mim que esperava ter o passado mais presente e o futuro sob controle. Até para mim...

Era tempo demais... ou tempo de menos? Demais para que tanta coisa acontecesse e de menos para que eu soubesse lidar com tanta mudança Na verdade era tempo o suficiente e como me disse Amanda eu precisava primeiro me cobrar menos. Eu não poderia ter sempre o controle de tudo. Não que isso seja motivo para me descontrolar. Depois tinha quer aceitar as mudanças, as diferenças.

Eu precisava urgentemente aceitar que estava tudo diferente e que embora isso não fosse motivo para ignorar ou esquecer o passado eu preciso também ser diferente. Reconhecer era uma palavra tão forte na teoria que eu estudava. Estou feliz por estar sendo (auto)terapêutica. Eu precisava entender que o tempo estava agindo, respirar fundo e permitir que ele agisse.


Que me curasse.

Que me acalmasse.

Que me ensinasse.

Que me orientasse.

Que me preparasse...


Era isso! Eu não precisava ser assim tão forte. Nem o quanto esperavam que eu fosse e nem o quanto eu exigia ser. Também não precisava fingir, mas não precisava sofrer tanto. Nem de saudade (do passado), nem de medo (do futuro), nem com a distância. Eu só precisava me preparar. E assim, mesmo o que parece impossível...

Eu não precisava suportar aquilo tudo sozinha. Aliás, toda a mudança não precisava ser suportável. Tinha que, simplesmente, ser. O tempo estava ali. Ele queria ajudar. Eu só precisava permitir ser ajudada e aceitar que o controle não era só meu. Aliás, todas as últimas “coincidências” me fizeram ter certeza de que eu pouco controle tinha. Alguém que não eu estava no controle e eu tinha medo a quem atribuir isso tudo. Era coisa demais, mas tudo no seu tempo.

domingo, 13 de dezembro de 2009

You Belong With Me - Taylor Swift


Teaching teenagers has never been my favorite till I get how to deal with them.

Organizing all papers in my room today I've found a scrap written:


"Dreaming about the day when you wake up and find that what you're looking for has been here the whole time".


It was by Selena, one of my favorites this semester.

Nice song. Nice video and I belive it's also nice to be the strange nice friend. Like Bella I must say it again: "That's how I feel."

It's always the nicest love.



sábado, 5 de dezembro de 2009

Escolhas

Mesmo com todas as dúvidas e o consequente sofrimento, o alívio por ser humana. Alívio por poder fazer escolhas e por ter aprendido a respeitar atitudes, nem sempre a dor outros, mas com todo o carinho as minhas.

Sendo humana, porém, ganho o pesar da culpa. Culpa que seria a gigante número um se minha alma não conhecesse o Amor.

Frente tanta "coincidência" (acho que agora prefiro usar o termo connection), as perguntas já se misturam às respostas. Eu consigo entender o que é a alma e posso ver que dela não se tem notícia só de quatro sentimentos. Eram todos juntos esperando o momento certo para se conectarem uns aos outros como se esperassem o momento certo de ser e ganhar um nome.

Entendo também que estar sozinha quase nunca é uma questão de escolha, embora todo o resto me pareça ser. Agora até aceito o que me incomoda. Não é a idade, é "how I feel". Isso não basta, mas ajuda.

Algo que para todos parece idiota para mim continua sendo fundamental e igualmente difícil entender: O que é real? O que é estória? Deveria até ser normal para quem vê a vida acontecendo como uma estória de filme (ou livro, como queiram!) e ainda assim saber que se trata de uma História com H maiúsculo.

Ele disse que o segredo é ser terapêutica. Antes de dormir, pensei que isso é o que mais tenho sido nos últimos anos. Tentando cuidar de mim mesma. Eu tinha criado mil técnicas para ignorar o sofrimento e continuar sendo um doce de menina. Definitivamente, eu sou. Até que eu escolha não ser... Aprendi, no entanto que não se tratavam de técnicas. Eram atitudes.

O que falta eu aprender de verdade é que eu nunca terei todas as respostas. Estudar Rogers e assistir a filmes não me dá as respostas que eu preciso ou quero, muito pelo contrário. Tenho mais perguntas, mas isso, de certo, é uma questão de escolha.