quinta-feira, 8 de julho de 2010

Soneto à Lua

Enfim tipo tempo para ler o meu presente do aniversário passado. Um livro de sonetos do Vinicius de Moraes que minha querida amiga Cris me deu com uma daquelas dedicatórias ligeiras e sinceramente profundas.

O livro é lindo! Marquei várias coisas, senti muitas outras, tive boas lembranças e ótimos planos. Soneto à Lua me parece especial e me veio mesmo como um presente.

Obrigada, Cris. Como sempre, você é linda! Amo você!


Meus olhos leram, meu coração sentiu e meus ouvidos desejaram um dia ouvir.


Por que tens, por que tens olhos escuros

E mãos lânguidas, loucas e sem fim

Quem és, que és tu, não eu, e estás em mim

Impuro, como o bem que está nos puros?


Que paixão fez-te os lábios tão maduros

Num rosto como o teu criança assim

Quem te criou tão boa para o ruim

E tão fatal para os meus versos duros?


Fugaz, com que direito tens-me presa

A alma que por ti soluça nua

E não és Tatiana e nem Teresa:


E és tão pouco a mulher que anda na rua

Vagabunda, patética, indefesa

Ó minha branca e pequenina Lua!

Vinicius de Moraes.

Rio, 1938