segunda-feira, 12 de março de 2012

E o vento levou...

Puxei a cordinha e vi tecidos de todas as cores secando no varal. Minha mãe estava sentada ali no murinho da horta observando o vento fazer o seu trabalho. Ela estava extremamente satisfeita com os seus novos lençois e toalhas. Isso era uma coisa que ela indiscutivelmente amava poder fazer - comprar coisas para a nossa casa.

Quando me assentei ao seu lado ela me mostrou que havia comprado um novo conjunto daquele que havia sido o meu
favorito quando criança. Aquele com listras cor de rosa que formavam quadrados e algumas flores. Ela disse que foi difícil achar mas que o preço
estava bom e que era "um bom corte". Eu não fazia ideia do que isso significava.

Ela me falou de um por um. O preço, o nome do tecido, onde comprou, como foi negociar... Depois segurou a minha mão e disse que precisaria fazer uma viagem e que já havia comprado tudo. Naquele momento eu podia jurar que ela estava ficando louca, mas ela estava feliz! Satisfeita com as compras. A casa estava arrumada e perfumada. O pratinho e o vaso de todas as flores estavam limpos e secos. Ela fumava um cigarro e tentava me explicar melhor o que estava acontecendo, mas eu não entendi nada. Ainda não entendi nada... Só entendi que minha mãe finalmente estava feliz, deixou o que conseguiu deixar, foi embora e nunca mais pode voltar.