segunda-feira, 7 de maio de 2012

De saco cheio

Eu tô de saco cheio de um monte de coisa das quais não consigo me livrar.


De saco cheio de comer e sentir culpa.
De saco cheio de nunca emagrecer.
De saco cheio de estar doente e ver o quanto os médicos são incapazes de combinar um diagnóstico.
De saco cheio de estar sempre rouca e engasgada.
De saco cheio de sentir muito sono.
De saco cheio de ter que, para os outros, estar bonita, mais do que ser bonita.
De saco cheio de viver em obras, de barulho, de poeira e de ir ao banheiro sempre com uma necessair.
De saco cheio de não ter espaço. De não ser bem vinda.
De saco cheio de ser menos importante do que gostaria ou merecia ser.
De saco cheio de não parar de pensar no que os outros pensam sobre mim e meus atos.
De saco cheio de me importar com as pessoas tentando achar razão para toda e qualquer loucura que eu me permito fazer, ainda que com medo de errar.
De saco cheio de errar!
De saco cheio de não saber o que fazer. De fazer. De não fazer...
De saco cheio de não ser correspondida. De esperar.
De saco cheio de não poder ter um cahorro.
De ser segundo plano. Inclusive nos meus por diversas vezes.
De saco cheio de fazer muitos planos.
De saco cheio de me decepcionar.
De saco cheio de ser ciumenta e sempre... controlar.
De saco cheio de ter muitas dívidas e muitas dúvidas.
De saco cheio das roupas apertadas que visto, dos sapatos que me incomodam, de usar sutiã...
De saco cheio de perder objetos pessoais entre uma casa e outra, uma escola e outra, uma sala e outra, um quarto e outro...
De saco cheio do barulho, bem... De saco cheio de me cobrar saber cuidar do meu carro e de não saber, de fato.
De saco cheio dos meus amores inventados e de todas as possibilidades impossíveis que insisto em levar em conta.
De saco cheio de me cobrar demais e de ver pouco resultado em tudo que faço.
De saco cheio!
De saco cheio.