quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

SEMPRE

Hoje já virou amanhã e eu vou dormir mais tarde porque tem louça pra lavar. Eu não me perdoaria por perder nem mesmo esse momento. Pra mim faz toda a diferença lavar esses copos porque eu os comprei pensando nas muitas visitas que vou receber. E essas taças, comprei especialmente para o nosso brinde de SEMPRE. O Gerônimo, espremedor de laranjas novinho que acabo de batizar, ficou feliz em fazer o primeiro suco para vocês.
Hoje sei o quanto me comunico com vocês mesmo estando em silêncio. Já não me é mais tão urgente assim tomar a palavra ou esperar ansiosa até a minha vez chegar.
Hoje pizza foi o melhor jantar e lembrancinhas foram os melhores presentes.
Hoje a lágrima não caiu aqui, mas caiu ali. E quer saber? Dói do mesmo jeito. Só não dói mais porque temos umas as outras.
Hoje foi melhor ouvir. Sábia percepção!
Hoje dá pra perceber que a gente SEMPRE se atrai. E se completa. E soma. E modifica. E equilibra...
Hoje eu vou dormir com um quentinho bom no coração... Segura de que ele SEMPRE tem onde pousar. E se não for sempre, é quando mais precisa.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Tão forte! Tão frágil...

Tão forte! A grande verdade é que eu me sentia mesmo uma mulher indestrutível. A verdade é que eu sabia que não se tratava de um acidente e sim de uma providência. Mesmo assim, eu escutei a morte e tive muito medo, mas estava tão feliz por estar viva que o que veio antes perdeu a importância.
Sim, eu sentia dores, mas estava tão feliz por não ter sangrado que... Acho que nem o instantâneo diagnóstico de todas as minhas fraturas e complicações mudaria esse fato.
Eu estava tão feliz por estar sendo lembrada, por receber a energia de cada pensamento e oração que não conseguia largar do meu celular. Queria dar notícias para não deixar as pessoas aflitas. Eu estava viva! E... feliz!
Eu estava tão feliz e tão agradecida que desaprendi a praguejar ali, quando na maca do hospital ao receber a medicação na veia, quiquei três vezes fazendo vômito por sentir tanta dor e ainda assim disse, em tom de brincadeira, "Puta merda! Espero que essa enfermeira tenha trigêmeos!". Hoje, pensando bem, desejo mais. Desejo que ela se case com aquele ortopedista tosco que apertou o meu peito e acabou de estraçalhar o meu esterno. Isso! Que eles se casem e tenham trigêmeos. Eu continuo sendo uma pessoa capaz de desejar sofrimento a alguém.
Eu estava feliz por encontrar um médico atencioso a cada três que...
Eu não gostava da pressão do "você TEM que ficar boa LOGO!", mas estava feliz por saber que eu era uma funcionara importante. E eu sei que fiz falta.
De alguns veio só curiosidade, pena, mas ainda assim... Eles vieram. Agora, foco! Foco na felicidade! Eu estava tão feliz com os olhares atentos e preocupados que chegavam ao meu quarto. Eles eram tão cheios de carinho.
Eu estava tão feliz com a intimidade e a mútua preocupação que fazia de mim e dos meus irmãos parecer uma família inseparável de novo. Ele, cozinhando pra mim. Ela (assim como a amiga Karine), me dando colheradas na boca. E os dois falando baixinho quando saiam do quarto. Eu tentando ouvir pra saber se era um papo de irmãos mais velhos do tipo "ela está de frescura tentando nos enganar" ou se era um papo de irmãos mais velhos do tipo "somos responsáveis e precisamos cuidar dela". Não importa! Eu me sentia feliz só por estarem ali por mim, verdadeiramente por perto.
Eu não me sentia feliz por ter que tomar banho, mas me sentia feliz por ter titia e uma das minhas amigas sempre dispostas a ajudar.
Eu me sentia feliz por estar sendo lembrada, por me sentir querida e por não estar vendo tudo isso de uma dimensão diferente. Porque eu não gosto nem de pensar no cheiro de flores para uma ocasião tão agradável. Foi um velório de sorte esse meu. Viva! Quantas pessoas são boas o suficiente para terem a sorte de estar viva no próprio velório, heim? De ganhar uma nova data de aniversário? Quantas pessoas ganham a chance de renascer em uma versão melhorada e consciente de si mesma? Heim? Eu devo ser mesmo uma pessoa muito boa para merecer.
Eu me sentia feliz com o SEMPRE e também com a presença masculina dos amigos da época do colégio. Eu me sentia feliz até com todo aquele drama. E depois com o mistério. Com o romance então!
Eu estava tão feliz com os corações que foram se amolecendo...
Eu estava feliz não por ter me apaixonado novamente, mas por estar namorando.

Eu estava TÃO feliz que acho razoável a minha ideia de me jogar embaixo de um caminhão. Por sorte sou medrosa! Sou também cautelosa e sei que isso poderia me doer um bocado. Por sorte a psicoterapeuta, o endocrinologista e o psiquiatra entendem o que digo. Um amigo ou outro. E eu. Eu, no fundo, no fundo me entendo. Eu custo, mas até me aceito. E vez ou outra me perdoo. Não o suficiente pra me livrar de tanta culpa. Culpa por não saber ser melhor. Boa o suficiente pra ser feliz.

Agora eu não estou feliz. Não gosto dos insetos que me visitam. Não gosto dos quilos que ganhei. Não gosto do sabor dos remédios que me fazem companhia. Não gosto da verdade que os livros de autoajuda me dizem. Não gosto do nó que carrego na garganta, nem das cicatrizas que ficaram. Eu não gosto de ser assim. Não gosto do rumo que as coisas tomaram. Não gosto de ter a certeza que mereço ser feliz e não ser competente para isso. Não gosto quando a felicidade me escapole por entre os dedos quando tudo o que eu tentei fazer foi segurá-la com firmeza - e, confesso, com muito medo de que ela fosse embora. Não gosto quando as minhas histórias terminam assim. EU NÃO GOSTO DE SER ASSIM! Tão frágil...

domingo, 1 de dezembro de 2013

Nunca mais...

Isso pode levar toda a eternidade, mas eu vou arrumar a minha vida de um jeito que ninguém NUNCA MAIS vai conseguir me bagunçar. Nunca mais...


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Fisioterapia da alma

Quando estou apaixonada e feliz fico sorrindo, como se alguém fosse bater uma foto minha a qualquer momento. Sinto vontade de me arrumar, me perfumar... Muda a minha postura, o  meu comportamento, o meu olhar, o meu jeito de falar e até de ouvir. Fico otimista e atraente. É que eu me sinto segura, confiante. Bem.

Eu devia estar com um semblante não só sério, de quem estava pensando na vida, mas também triste, sofrido... Muito receosa uma doninha se aproximou, já pedindo desculpas por estar me incomodando, e me pediu para ler um endereço anotado em um pedaço de papel. Ela não sabia, ou não conseguia ler. Estava com o rosto cheio de hematomas, uma sacola que parecia estar muito pesada, sombrinha, unhas não feitas, cabelo mal penteado... Depois de ler o papel e dar-lhe o rumo eu quis perguntar se ela estava passando bem, se eu podia ajudar. Ela também não devia estar muito feliz, mas antes que eu perguntasse qualquer coisa ela me sorriu com seus dentes amarelados. Contente! Agradeceu e me desejou um bom dia depois de dizer "Muito obrigada, Fia! Agora eu consigo me achar. Que Deus também coloque muita alegria no seu caminho."

Eu fui alegria no caminho daquela Senhora. Fiquei contente também. Sorri. Ele tinha me livrado de um pensamento nostálgico e a tristeza com certeza estava estampada em meu rosto.

Quando estou apaixonada e triste eu me desanimo de tudo e de todos. Perco as forças e a esperança para fazer qualquer coisa. Muda a minha postura, o meu comportamento, o meu olhar, o meu jeito de falar e até de ouvir. Fico pessimista, entediante e... doente. É que me sinto injustiçada, largada. Mal.

É assim que eu tenho passado os últimos dias. Eu sei que não esses pensamentos virão para inquietar o meu coração e me trazer tristeza, mas decidi não estampá-la no meu rosto. Não vou irradiar sofrimento. Não vou me desapaixonar, nem parar de sofrer, fato. Não é mágica! Vou é tratar a minha alma. Assim como tenho tratado meu corpo. Fisioterapia da alma.

Hoje decidi que vou fazer o exercício de sorrir toda vez que esses pensamentos vierem. Vou sorrir toda vez que eu pensar em você, Homem! Não se trata de felicidade. É gratidão! É a cura chegando. E isso sim merece ser irradiado. E eu espero, de coração, que chegue aí.

domingo, 24 de novembro de 2013

Quem cala, não sente

Quem cala tem preguiça de dialogar. Te abandona num monólogo.
Quem cala está fraco.
Quem cala não tem argumentos.
Quem só cala não há de ser por sabedoria.
Quem cala não te dá atenção.
Quem cala não merece ouvir. Ou...
Quem só cala vai acabar só ouvindo. E acaba não sendo escutado.
Quem cala ignora.
Quem cala desdenha.
Quem só te cala, merece só o seu silêncio.
Quem cala, não sente.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Partilha

Na geladeira as bebidas que só você bebe. Eu comprei pra te agradar. Há também o que restou da comida que só você sabe preparar e as comidas em porções pra dois que escolhi pensando em momentos só nossos aqui, pra gente namorar.

No armário, os biscoitos que só você come. Eu queria tornar as suas "manhãs" menos difíceis.

No banheiro, eu evito me apoiar na pia, seja lá qual for a posição. Eu tento virar a sua escova de dentes para a parede, mas ela insiste em me encarar. Isso quando não se enrosca na minha!

Seus chinelos estão no mesmo lugar e os sapatos eu resolvi nem guardar.

O controle do portão da garagem nunca mais dormiu na janela. E os cães do vizinho nunca mais latiram com o seu barulho.

Juninho está sempre ligado. Beto nunca mais saiu da caixa.

O nosso pote de coisas a se conquistar eu não sei se vai ou se fica. Está empoeirado, no mesmo lugar esperando você o notar.

A sua gaveta agora está trancada. Eu quis me prevenir pra que nada saísse de lá.

Nas suas moedas, não toco mais.


No seu lado da cama, livros. São eles que agora fazem a Coruja a companhia que ela merece. Caneta coloridas e aquele mesmo caderno que é para eu escrever o que faltou falar e o que já não precisa mais de ouvidos. No mais, o remanescente remédio para dor, as gotas de sempre e de volta o antidepressivo que preciso engolir todas as manhãs para que a seguinte chegue.

É assim... Certas coisas a gente só engole! E por falar nisso, me comprei água de coco, mas ainda tenho um nó na garganta e não tive coragem de tomar.

sábado, 26 de outubro de 2013

Eu gosto é do estrago!

O Velho e o Moço
Los Hermanos


Deixo tudo assim
Não me importo em ver a idade em mim,
Ouço o que convém
Eu gosto é do gasto.

Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer, que eu preciso sim
De todo o cuidado

E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz,
Quem então agora eu seria?

Ah, tanto faz
Que o que não foi não é
Eu sei que ainda vou voltar...
Mas eu, quem será?

Deixo tudo assim,
Não me acanho em ver
Vaidade em mim
Eu digo o que condiz.
Eu gosto é do estrago.

Sei do escândalo
E eles têm razão
Quando vêm dizer
Que eu não sei medir
Nem tempo e nem medo

E se eu for
O primeiro a prever
E poder desistir
Do que for dar errado?

Ahhh
Ora, se não sou eu
Quem mais vai decidir
O que é bom pra mim?
Dispenso a previsão!

Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição

Vou levando assim
Que o acaso é amigo
Do meu coração
Quando fala comigo,
Quando eu sei ouvir


Gosto de ser menina ingênua e velha ranzinza.
Gosto da minha santa ignorância. De ser boba como Clarice ensinou.
Gosto de rotina e de aventura.
Gosto de cuidado. De todo o cuidado.

Tanto faz o que não foi.
Gosto mais do que é. 
E do que será...
Será?

Gosto de dizer o que não filtro.
Eu sei do estrago, mas eu não sei medir.
E não é só o tempo, nem o medo.
Não sei medir o que se sente.

Quem mais vai decidir se é bom ou ruim?
O que eu sou nem sempre é o que eu escolho ser, mas...
Aceito a condição.
E dispenso a previsão, porque eu gosto de surpresa,
De romance,
Do mistério e também do que se pode aprender.

Aceito a condição porque o acaso é amigo do meu coração.
Porque teimo, mas eu sei ouvir.
Por acaso,
O acaso eu sei ouvir.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Dia dos professores

Eu nunca gostei muito das aulas de literatura porque não gosto de formalidades e sendo uma exceção à moda brasileira, eu não funciono muito bem sob pressão. Não gosto de ter que escrever em versos perfeitos e nem de seguir falsas inspirações. Gosto mais de vírgulas do que o permitido e custo a chegar ao final porque não admito um que não seja feliz.

Tanto quando com as de matemática, química e física, eu não me dava bem com as aulas de literatura, mas era a primeira a me manifestar toda vez que era necessário montar uma peça de teatro, um texto de agradecimento, de despedida, de boas vindas... Tudo o que pudesse ser feito sem rédeas. Gostava de poder fazer essas coisas e ainda ter a falsa fama de salvadora da pátria. E quem mais gosta de escrever as falas do teatro? Fosse lá o da via sacra na paróquia do bairro ou aquele sobre as doenças sexualmente transmissíveis no ensino médio. 

E eu gostava! De escrever e de ser querida por isso. Gostava de poder criar e ver todo mundo se divertindo, se emocionando... E é assim que eu gosto da literatura. De um jeito que eu possa criar. Nos moldes confusos da minha cabeça, nas batidas inquietas e inseguras do meu coração que é pra me aliviar e pra agradar. Porque poucas coisas me deixam tão bem quanto me sentir querida.

Acabei escolhendo a literatura como parte da minha formação acadêmica. Mas ainda me sinto fora dos moldes. Hoje eu não recebi nenhum presente, mas quer saber... Nem precisa! Ser professora me permite criar, agradar, estar fora dos moldes e me sentir querida. Tudo ao mesmo tempo. Além de tudo isso sei que faço todos aqueles milagres da profissão e que encanto muitos alunos por aí.

Agradeço o incentivo dos meus pais e irmãos, meus primeiros mestres. Desde as tias do prézinho aos mestres da graduação. Muito obrigada a todos vocês que com sabedoria, carinho e dedicação me colocaram no mais amplo dos eixos. No melhor deles. 

Feliz dia dos professores para todos nós!

domingo, 13 de outubro de 2013

Códigos do amor

Há muito eu reparo que todo casal tem um jeito único de demonstrar o amor mútuo. Às vezes trocam apelidos carinhoso ou engraçados. Às vezes se chamam por genitivos que se não no diminutivo, são a pura definição do dengo. Meus pais se chamavam de "Bem". Hoje a moda parece ser "Amor". Fico feliz quando vejo um casal que sai da mesmice. "Dum", "Tê", "Trenzim"...  Também sempre há um código para o que não pode ser dito, ou para o que preferem deixar subentendido. E deixar subentendido não é deixar pra depois, nem ter vergonha de dizer o que se sente. Trata-se de não se correr o risco de perder o significado das coisas mais lindas. Gus, por exemplo, não precisava dizer mais do que um "OK". Isso era tudo. E isso era puro amor!


Eu acho lindo quando me chamam pelo meu nome, simplesmente porque acho o meu nome lindo. E a gente se acostuma tanto com os apelidos, com as reduções e comparações que... Eu acho lindo quando conseguem me chamar pelo nome sem perder a intimidade. Mas acho lindo também quando ganho um apelido novo e, literalmente, exclusivo. Acho lindo que eu não tenha caído na mesmice e que o nosso dengo tome a nossa forma. Lindo... Eu acho lindo que você complete as minhas frases e eu as suas. E acho mais lindo ainda quando não é preciso completá-las. 


Eu acho o amor lindo. Eu acho que...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

25

Andam dizendo por aí que minha festa de aniversário foi maravilhosa. Eu não posso deixar de concordar. Festa maravilhosa pra fechar com chave de ouro um ano maravilhoso e começar outro que promete ser ainda melhor. Recapitulando....

Aos 25 eu tive a impressão de que a terapia ia acabar comigo e depois de que ia salvar a minha vida.

Aos 25 eu me apaixonei por crianças banguelas e tomei birra de adolescentes mal educados. Aos 25 eu tive meu desempenho profissional meio prejudicado por ter alunos amigos, por ser compreensiva, preocupada e criar expectativas demais. Aos 25 eu arrumei um emprego novo e aprendi que "a galinha usa saia e o galo paletó" e que pra encontrar o príncipe a gente tem que ser princesa. Aprendi tanta coisa...

Aos 25 fui pra balada sozinha, fiz body piercing sozinha. Decidi que gosto de ter furos. Pode parecer uma rebeldia tardia, mas acho que é mais um feminismo desajeitado, escondido, perdido... mas querendo se manifestar. Cheguei a pensar que era até uma tentativa de aprender a ser mais vaidosa. Pode ser que seja uma tentativa de não me importar tanto com os outros. Mas talvez seja só uma tentativa de me importar mais comigo mesma.

Aos 25 fui tomar sorvete sozinha. Fui à missa sozinha. Fui comer japonês sozinha. Fui correr na Lagoa sozinha. Fui ao Rio de Janeiro sozinha. Fui à oficina sozinha. Sozinha... Aos 25 eu aprendi a aceitar que eu era sozinha. E foi TÃO mais fácil.

Aos 25 eu fiz programas diferentes. Assisti monobloco, banda de jazz, bebi vodka e outras coisinhas coloridas. Experimentei vários cachorro quentes, chás, sucos... caminhos diferentes. Jeitos diferentes de fazer escolhas e desistir de escolhas.

Aos 25 eu visitei o limbo. Tive crises de ansiedade. Pânico! Solidão. É só questão de entender que não, eu não são tão importante assim na vida de muita gente. É só baixar expectativa. É só... “let it be”.

Aos 25 eu ouvi dizer que os anéis têm poderes. E sendo fã do passo da honra eu tive certeza de que isso era verdade. Aos 25 eu decidi colecionar anéis! Decidi me conhecer melhor, ser mais dedicada à mim e me afastei das relações exigentes, oportunistas, incompletas, inconvenientes... Muita gente sentiu minha falta. E eu, confesso, senti falta de muita gente. Mas é que eu estava precisando de mim. O preço que paguei por mim mesma foi caro. Muito! Mas aos 25 eu aprendi a fazer as minhas próprias farras, curar ressacas e tristezas, carências. Descobri que sou uma ótima companhia. Companheira e tranquila! E fui curtir o meu descanso realmente em paz. Tudo do meu jeito. E foi assim que aos 25 eu tive mais paz porque aprendi a me respeitar. Fiz muitas das minhas vontades.

Aos 25 eu me acostumei a ouvir, sem culpa (satisfeita até!), as pessoas dizerem “você sumiu!”. E essa reação calhou de vir com um “nossa! Você está bonita!” E eu sei que isso era fruto do tanto que eu estava acreditando. Acreditando em mim. Acreditando que é possível ser melhor.

Aos 25 eu aprendi a meditar. Aprendi a importância da liberdade do ser e reafirmei a excelência da serenidade em minha vida. Aos 25 eu aprendi a deixar o tempo agir. A acreditar no Mistério. Pratiquei o desapego. De verdade.

Aos 25 eu fiz amigos novos. Amigos mais novos. Amigos que apareceram tipo... do Suvaco. Ou de um passado distaaaante. Aos 25 eu refiz amigos antigos. Bem antigos. E 10 anos depois... quem diria!

Aos 25 eu me apaixonei e me desapaixonei, me apaixonei e me desapaixonei, me apaixonei e... Puxa vida, como me apaixonei aos 25! Aos 25 eu adotei uma tartaruga e escolhi as boas lembranças ao rancor de uma paixão não correspondida e, coincidentemente, ao pesar de não poder corresponder a uma outra.

Aos 25 eu vi o meu time ser campeão da América. Haja coração! Aos 25 eu gritei, bati no peito e cantei “eu acredito!” e não... não foi só quando quis ver o meu time campeão. Eu realmente acredito.

Aos 25 vi a história acontecendo de pertinho. Vi o país tentar mudar. Me vi mudar... Eu quis aprender política eu gostei da ideia.

Aos 25 eu casei o meu irmão e tive a chance de refazer a amizade com minha irmã. E dessa vez parece até que ganhei uma de bônus :) 

Aos 25 eu sofri além da média com os tratamentos ginecológicos. Aos 25 venci crises e mais crises de –ites com antibióticos e muita oração. Mas eu até fiz amizade com a mulher da farmácia, uma antiga amiga da minha mãe. E se tem uma coisa que eu valorizo bem é o fato de existirem pessoas que se importam com o próximo.

Aos 25 eu comprei um peixe e ganhei outros. Minhas crianças!

Aos 25 eu pratiquei "bedezupo", "saduh", “você é uma pessoa muito querida”, “santo anjo do Senhor” e peço "licença e proteção" diariamente. É que aos 25 eu quis me dar ouvidos. Quis mais intimidade. E isso aconteceu de todos os jeitos possíveis. Eu quis aprender!

Aos 25 eu vivi (mais um) romance com drama de novela. Soube como era ser "a desgraçada" na vida de alguém e não gostei. Soube também como era ser "a princesa" na vida de outro alguém. E tampouco gostei. Aos 25 fui “lá” e voltei. Porque eu me permiti tentar tudo o que quis. E foi de tanto tentar que consegui. Faltava mesmo era saber o que querer.

Aos 25 eu conheci o Donna Margherita lá no Rancho do Boi. E o Amsterdam Pub.

Aos 25 eu sofri um grave acidente. Nasci de novo e fiquei ainda mais íntima da dor, mas também da gratidão e da humildade. E foi com o acidente, e com muito sofrimento, que mudei de ideia. Sim (!) eu sou uma pessoa de muita sorte e sou uma pessoa muito querida. Meu medo da morte e o medo de ficar sozinha reduziram significativamente depois dessa experiência. Difícil achar alguma coisa que me bote medo agora.

Aos 25 eu mudei de ideia mesmo! Resolvi rever tudo. Recomeçar. Transformar!

Aos 25 eu criei o meu currículo lattes.

Aos 25 eu tive a certeza de que algumas pessoas são pra SEMPRE!

Aos 25 eu voltei a querer um filho. E entendendo as minhas condições, acho que o Deus ouviu as minhas preces mesmo assim. Aos 25 eu voltei também ao Mercado Central pra comer bife de fígado acebolado com jiló e, como era de se esperar, não foi com o meu pai. Não foi depois de sairmos pra peixes ornamentais, fumo, queijo... É o futuro acontecendo? Deve ser. Porque o meu novo ano já começou. Seja bem-vindo 26.



Aos 26 eu escolhi ser feliz.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Sobre as expectativas e o querer

Eu estou certa de que ainda não sei bem como fazer isso, mas estou igualmente convencida de que aprendi que é preciso sim controlar as expectativas. Aprendi que não posso sufocar as pessoas exigindo que supram carências. Que as relações não são só minhas, não são só para mim. Que tenho que evitar frustrações e aceitar que imprevistos acontecem.

Este ano eu planejei fazer tudo diferente. Bem... Eu já tenho o dia dos sonhos todo montado. A lista de convidados, lista de presentes... Já tinha pensado até em qual roupa vestir. Mas imprevistos acontecem. Estamos a exatamente um mês do meu aniversário e eu sei que vai ser tudo diferente. E que bom que eu esteja aprendendo a lidar com isso.

Se você convive ou conviveu comigo sabe bem que eu vou ficar extremamente chateada se, por descuido ou por maldade, esquecer o meu aniversário. Mas esse ano eu achei que fosse melhor arriscar. Achei que fosse melhor não publicar a lista de presentes, não fazer contagem regressiva, não insistir em não permitir que um amigo ou outro se esqueça ou não possa estar comigo no meu dia. Achei que fosse melhor não esperar tanto das pessoas. Achei mesmo.



A lista continua basicamente a mesma. Roupas novas para uma Luana que está aprendendo a mostrar o seu discreto, elegante e ainda assim confortável estilo de garota do rock, jovem professora de idiomas e (pseudo) intelectual. Calçados para os pés que deveriam ser 35, mas que foram tão "de-moleque" quando criança que viraram 36. O fato de eu estar numa de querer usar botas elegantes e salto alto não elimina de forma alguma as cômodas sapatilhas e Havaianas. Romances para ler e para ver, porque acho que dessa vez acertei no de viver. Cupido me achou - literalmente! Perfumes, óleo corporal, maquiagem... Eu ainda tenho me dedicado muito à fase de aprender a ser mais feminina. E a verdade é que aprendi a gostar disso, porque aprendi que ser feminina não me deixa mais nem menos feminista (é que talvez eu só seja uma pessoa normal, de bom senso e contra o machismo). Dá pra ser menininha e ainda ser desleixada, usar o cabelo bagunçado, não desfazer das suas roupas favoritas... Eu continuo escolhendo as cores fortes (bonina, roxo, verde) e as fragrâncias marcantes. Mas gosto também do basicão. Do cheiro cítrico de frutas, de preto, de branco, de tons de cinza... Gosto da praticidade de bolsas grandes, do conforto e do quentinho de lenços no pescoço, de pijamas de criança. De anéis, brincos, pulseiras, relógios.... Gosto de travesseiros novos, e da minha cama sempre com roupas limpas e cheirosas. É que aprendi a gostar de ser dona de casa. Sabe como é?! Roupa de cama, roupa de banho... Eu concordo que isso pareça uma coisa meio de... Dona! Mas eu também resolvi aproveitar mais a juventude. Não fiquei só na superficialidade do salto alto, da maquiagem, do cabelo bem escovado com uma moderna escova giratória, da lingerie, da tequila, da Heineken, do MaracuJack, e da balada rock 'n roll na minha tão desejada blusa de "I prefer the drummer". Quero aprender a tocar gaita e teclado, para um dia ter um piano em casa. Quero livros que não sejam só de romance água com açúcar, quero um mochilão pra ir conhecer o mundo comigo, quero aprender a cuidar do meu carro e a ler mapas. 

Eu continuo não gostando de vinho, flores e preferindo um pote de palmito a chocolate. Claro! Eu ainda quero decorar a minha vida com canetas coloridas, carimbos, adesivos, post-its... E continuo muito Atleticana, não vou mentir! Quero uma camisa branca igual a do Cuca . Quero dinheiro pra tatuar o meu Galinho. Não se trata de uma Libertadora promessa. É que eu estava mesmo esperando 2013. Tem também a outra custosa tattoo que sequer vai para o papel. E já que estou falando de grana... Na situação em que me encontro, até que eu possa voltar a trabalhar normalmente, qualquer envelope com uma moedinha e um valioso cartão com sinceras palavras será muito bem vindo. 

É isso! No final das contas eu aprendi também que não preciso me culpar tanto assim quando uma coisa dá errada e aprendi que não é feio querer. Nada nem ninguém. A gente pode querer. E é essa consciência que deixam as expectativas para o dia mais feliz da minha vida não muito diferentes de antes, mesmo com tanto contratempo. Ah... A gente pode querer. Querer muito! Só é insano exigir que tudo nos seja dado. E tolo esperar que tudo vai ser como desejado.


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Dor

A dor não se comove. Ela não quer saber quem você é, nem o que já viveu.
A dor é oportunista, sapeca e ambulante. Ela engana.
A dor é autoritária e carente. Mostra o seu poder e exige atenção.
A dor estraga. Ela simplesmente não se importa.
A dor não pede permissão.
A dor arde.
A dor queima.
A dor aperta.
A dor briga com o sono.
A dor faz chorar.
Irrita!
Enfraquece...
Enlouquece.
A dor (NÃO) só dói.
Se só doesse... A dor seria só dor.



sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O admirável peso de eu não ser.

Eu sei que já passei da fase de pensar "o que quero ser quando crescer?", mas vez ou outra ainda tenho desses momentos de pensar no futuro quase que tentando evitar o fato de que o meu futuro já está acontecendo.
Talvez eu seja muito ambiciosa pra nunca sossegar. Talvez eu não preste pra nada direito. Talvez eu não consiga manter o foco. Talvez eu seja uma covarde. Talvez todas as boas oportunidades me escapem... Eu reconheço as minhas habilidades. Mas talvez eu seja só insegura, indecisa e humilde além da conta.
Eu me pego pensando nas pessoas que tanto admiro e vejo que ainda estou longe de chegar ao nível de uma delas. Estou longe de ter um super marido, alguns filhos e uma família tranquila. Longe de ser cult, viajada e saber falar bem sobre qualquer assunto que surja numa roda de amigos e, principalmente, fora dela. Longe de ter dons musicais. Longe de ser uma mulher linda, sexy, segura de si e imponente. Longe de tomar conta dos próprios negócios. Longe de não ceder ao capitalismo, ao consumismo, às futilidades. Longe de estar sempre se divertindo como se fosse uma pessoa inatingível. Longe da autoestima, da autoconfiança, da paz de espírito, da mente tranquila... Longe de tanta coisa que... O admirável peso de eu não ser. É isso! Quanta inquietude! Quais são os meus planos então? Onde está o futuro e o que vou fazer dele? Hum... Eu não sei. Não sei mesmo. É que talvez o futuro nem exista e eu fico esperando por ele.



quarta-feira, 31 de julho de 2013

Renascendo


Para quem tava precisando de mudança, um transformador na cabeça e a chance de renascer não me parece nada mal. Nasci de novo! Nasci, dessa vez, por opção. Ainda com medo. Mas por opção! Ainda mais generosa, mais companheira, mais forte e calma. Tá bom... Carente e dengosa. Oportunista na mesma medida. Mas dessa vez, livre de qualquer culpa. Nenhuma angústia. Muita dor (!), sim... Mas já me foi fácil alguma vez? Eu sou Mulher, Brasileira, Atleticana e, com certeza, estou naquela lista de "dura na queda!" Eu não ganharia uma nova chance se não fosse com sofrimento. Renasci gratidão total!

Eu que gosto tanto de comemorar meu aniversário. Agora tenho duas datas a para comemorar. Deus pensa ou não em todos os detalhes? Se me conhece bem, você deve se lembrar da frase "minha felicidade se chama 5 de outubro!" Não. Eu não vou dividir a alegria da data oficial com o 30 de julho. Vou somar! E ainda ganhei um irmão gêmeo! Porque nessa vida, todo mundo tem uma chance de ser melhor, meu amigo! E eu acho que já estou na minha terceira. Porque, como diria minha mãe "fardo pesado é pra quem aguenta!"
Muito obrigada a Deus, a todos os anjos, santos, espíritos, vibrações, mandingas... Ao Universo! Seja lá quem for o merecedor da minha gratidão, muito obrigada.

domingo, 16 de junho de 2013

Sobre o atual manifesto

Quer saber... Eu não entendo de Política. E nem de Economia. Sim... Deveria. Se quisesse dar algum pitaco. E é justamente por isso que não dou. Pra parecer ainda mais absurdo devo dizer que... Eu nem ando de ônibus mais! Poderia só dar de ombros para toda essa coisa de manifestar contra o aumento. Correndo o risco de parecer ridículo o que vou dizer então, eu AMO futebol! O Galo é uma das minhas maiores paixões, o Mineirão uma das minhas lembranças mais gostosas da infância, a tradição mineira do tropeiro é a uma das quais mais sigo, só que agora no Horto, sempre que possível. E jogo da seleção... Posso falar? Eu acho o máximo só de ter a oportunidade de cantarmos o hino e vermos a nossa linda bandeira ao vento. Quanto a eu discordar com a escalação, xingar a mãe do juiz e todas essas coisas... Não. Não vem ao caso!

O que quero dizer é que não manifesto o valor da passagem, nem os eventos esportivos sediados pelo nosso país por agora, nem o governo atual, nem a oposição. Não defendo a direita, nem a esquerda. Me dou o direito de ser sabiamente ignorante. Quero ficar no centro! E antes me imagine sentada encima do muro em posição de Buda, adianto que o equilíbrio combina bem mais comigo. Eu não levo mesmo o menor jeito para manifestar, embora seja bem forte (para bater e principalmente para apanhar!), embora esteja consideravelmente em forma pra correr, embora... Eu sou calma, falo como uma menina mimada de cinco anos, me incomodo com qualquer alteração violenta na voz das pessoas e definitivamente ODEIO discussões, brigas, tumultos... 



Ah! E eu tenho medo de policiais. Algum tipo de trauma que eu não sei de onde vem. Talvez seja porque eu cresci no Pindorama. E no morro, meu amigo... O que a gente mais tem é motivo pra não gostar da Polícia. 

Eu também não me dou bem com sangue. Gente o suficiente já sabe o porquê. 

Recapitulando... Eu não ando de ônibus e portanto não deveria me sentir atingida pelo aumento da passagem, certo? Não entendo de Política nem de Economia então não posso dar pitaco, certo? Não defendo nem ataco nenhum partido político. Sou ignorante mesmo, posso? Mas nem por nada disso não faço parte da geração Coca-Cola que quer sair do Facebook, fazer parte da história e dizer GENTILMENTE "Desculpe o transtorno. Estamos mudando o Brasil". 

Eu sou só mais uma órfã da classe média, uma professora que como quase todas as outras de sua classe trabalha os três turnos para se dar bem. E olha que eu tenho as regalias por ser graduada, poliglota, extremamente dedicada e competente pra Ca..."piiiiiii"! O que me incomoda... O que me incomoda, E MUITO, agora é dar aula de idiomas há anos e ter ouvido, desde o dia daquele sorteio que elegeu o Brasil como país sede, os alunos citarem a Copa na lista de objetivos. Seriam esses mesmos alunos os voluntários de agora? Bem... Eu me sentiria menos lesada se sim.

O que me incomoda, Brasil é eu estar muito ocupada com os meus três turnos e não poder trabalhar na Copa e ganhar grana porque o Sindicato dos Professores não aprova a Lei da Copa. Mas eu digo trabalhar mesmo! De verdade! Porque eu não tenho medo de trabalho não! E não vou trabalhar em troca de um kit Adidas e vale lanche no McDonald's. É isso que me incomoda! Me incomoda ser fã de carteirinha de futebol e ter que me ocupar de coisas mais importantes bem...  Bem na hora do gol, caramba! Sim, Brasil. Você é importante pra mim. E é assim o meu jeito de manifestar contra TUDO o que está de errado em você:

Voluntário,
Eu não gosto da sua atitude. Meus amigos profissionais de Letras, os turismólogos, historiadores, sociólogos e toda essa gente que pena pra achar um estágio (NÃO REMUNERADO!) pra fazer e poder se formar antes de "mendigar" um emprego na área de atuação. Todos igualmente capacitados e, no mínimos, bilíngues também não gostam da sua atitude, voluntário!

Sindicato dos Professores,
Eu não gosto de não poder aproveitar (em todos os sentidos) a Copa por suas causas injustas. Não aceito interromper parcialmente as aulas em dias de jogos pra repor porcamente em sábados letivos. E, NÃO!, eu não quero trabalhar aos sábados em função das estúpidas mudanças no calendário escolar de 2013, 2014 e vai saber se também em 2016. Eu não gosto das suas atitudes, sindicato subordinado!

Ônibus,
Sim... Eu gosto de você. Isso vale pra você também metrô - embora não sejamos nada íntimos. E... não é preciso ser nada expert em Política, Economia, transporte público, pra saber que até eu preferiria pegar um busão aqui no Caiçara que me levasse ao Castelo e ao Santa Terezinha em menos de uma hora e meia. Mas, devido ao tamanho esforço, tenho orgulho de dizer que o meu carro está ali na garagem e eu gasto no máximo quinze minutos em um dia ruim! Eu não gosto de não poder usar o transporte público de forma eficiente.

Foi pensando melhor em tudo isso hoje que percebi que na verdade nem a mim faltam motivos pra manifestar. Motivos pra querer mudança. Pra SER mudança. Melhor dizendo, muito menos a mim.

O que eu quero é ter o direito de ser Atleticana e não ser anti-cruzeirense. De ser hétero e ser anti-homofobia. De ter um carro e poder usar com praticidade o transporte público. De não gritar e ser ouvida. De gostar muito de futebol e também querer que o transporte, a educação e a saúde pública funcionem nesse país. O que eu quero é o equilíbrio, a paz. Quero vestir a camisa de "mais amor, por favor" todos os dias... E, se for necessário, quero ser vadia e defender o aborto, adoto o V de vinagre, faço a revolução acontecer!

Luana Damasceno, 
Escritora, Educadora, Atleticana, Brasileira e muito dedicada as causas que defende.