domingo, 16 de junho de 2013

Sobre o atual manifesto

Quer saber... Eu não entendo de Política. E nem de Economia. Sim... Deveria. Se quisesse dar algum pitaco. E é justamente por isso que não dou. Pra parecer ainda mais absurdo devo dizer que... Eu nem ando de ônibus mais! Poderia só dar de ombros para toda essa coisa de manifestar contra o aumento. Correndo o risco de parecer ridículo o que vou dizer então, eu AMO futebol! O Galo é uma das minhas maiores paixões, o Mineirão uma das minhas lembranças mais gostosas da infância, a tradição mineira do tropeiro é a uma das quais mais sigo, só que agora no Horto, sempre que possível. E jogo da seleção... Posso falar? Eu acho o máximo só de ter a oportunidade de cantarmos o hino e vermos a nossa linda bandeira ao vento. Quanto a eu discordar com a escalação, xingar a mãe do juiz e todas essas coisas... Não. Não vem ao caso!

O que quero dizer é que não manifesto o valor da passagem, nem os eventos esportivos sediados pelo nosso país por agora, nem o governo atual, nem a oposição. Não defendo a direita, nem a esquerda. Me dou o direito de ser sabiamente ignorante. Quero ficar no centro! E antes me imagine sentada encima do muro em posição de Buda, adianto que o equilíbrio combina bem mais comigo. Eu não levo mesmo o menor jeito para manifestar, embora seja bem forte (para bater e principalmente para apanhar!), embora esteja consideravelmente em forma pra correr, embora... Eu sou calma, falo como uma menina mimada de cinco anos, me incomodo com qualquer alteração violenta na voz das pessoas e definitivamente ODEIO discussões, brigas, tumultos... 



Ah! E eu tenho medo de policiais. Algum tipo de trauma que eu não sei de onde vem. Talvez seja porque eu cresci no Pindorama. E no morro, meu amigo... O que a gente mais tem é motivo pra não gostar da Polícia. 

Eu também não me dou bem com sangue. Gente o suficiente já sabe o porquê. 

Recapitulando... Eu não ando de ônibus e portanto não deveria me sentir atingida pelo aumento da passagem, certo? Não entendo de Política nem de Economia então não posso dar pitaco, certo? Não defendo nem ataco nenhum partido político. Sou ignorante mesmo, posso? Mas nem por nada disso não faço parte da geração Coca-Cola que quer sair do Facebook, fazer parte da história e dizer GENTILMENTE "Desculpe o transtorno. Estamos mudando o Brasil". 

Eu sou só mais uma órfã da classe média, uma professora que como quase todas as outras de sua classe trabalha os três turnos para se dar bem. E olha que eu tenho as regalias por ser graduada, poliglota, extremamente dedicada e competente pra Ca..."piiiiiii"! O que me incomoda... O que me incomoda, E MUITO, agora é dar aula de idiomas há anos e ter ouvido, desde o dia daquele sorteio que elegeu o Brasil como país sede, os alunos citarem a Copa na lista de objetivos. Seriam esses mesmos alunos os voluntários de agora? Bem... Eu me sentiria menos lesada se sim.

O que me incomoda, Brasil é eu estar muito ocupada com os meus três turnos e não poder trabalhar na Copa e ganhar grana porque o Sindicato dos Professores não aprova a Lei da Copa. Mas eu digo trabalhar mesmo! De verdade! Porque eu não tenho medo de trabalho não! E não vou trabalhar em troca de um kit Adidas e vale lanche no McDonald's. É isso que me incomoda! Me incomoda ser fã de carteirinha de futebol e ter que me ocupar de coisas mais importantes bem...  Bem na hora do gol, caramba! Sim, Brasil. Você é importante pra mim. E é assim o meu jeito de manifestar contra TUDO o que está de errado em você:

Voluntário,
Eu não gosto da sua atitude. Meus amigos profissionais de Letras, os turismólogos, historiadores, sociólogos e toda essa gente que pena pra achar um estágio (NÃO REMUNERADO!) pra fazer e poder se formar antes de "mendigar" um emprego na área de atuação. Todos igualmente capacitados e, no mínimos, bilíngues também não gostam da sua atitude, voluntário!

Sindicato dos Professores,
Eu não gosto de não poder aproveitar (em todos os sentidos) a Copa por suas causas injustas. Não aceito interromper parcialmente as aulas em dias de jogos pra repor porcamente em sábados letivos. E, NÃO!, eu não quero trabalhar aos sábados em função das estúpidas mudanças no calendário escolar de 2013, 2014 e vai saber se também em 2016. Eu não gosto das suas atitudes, sindicato subordinado!

Ônibus,
Sim... Eu gosto de você. Isso vale pra você também metrô - embora não sejamos nada íntimos. E... não é preciso ser nada expert em Política, Economia, transporte público, pra saber que até eu preferiria pegar um busão aqui no Caiçara que me levasse ao Castelo e ao Santa Terezinha em menos de uma hora e meia. Mas, devido ao tamanho esforço, tenho orgulho de dizer que o meu carro está ali na garagem e eu gasto no máximo quinze minutos em um dia ruim! Eu não gosto de não poder usar o transporte público de forma eficiente.

Foi pensando melhor em tudo isso hoje que percebi que na verdade nem a mim faltam motivos pra manifestar. Motivos pra querer mudança. Pra SER mudança. Melhor dizendo, muito menos a mim.

O que eu quero é ter o direito de ser Atleticana e não ser anti-cruzeirense. De ser hétero e ser anti-homofobia. De ter um carro e poder usar com praticidade o transporte público. De não gritar e ser ouvida. De gostar muito de futebol e também querer que o transporte, a educação e a saúde pública funcionem nesse país. O que eu quero é o equilíbrio, a paz. Quero vestir a camisa de "mais amor, por favor" todos os dias... E, se for necessário, quero ser vadia e defender o aborto, adoto o V de vinagre, faço a revolução acontecer!

Luana Damasceno, 
Escritora, Educadora, Atleticana, Brasileira e muito dedicada as causas que defende.