quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Sobre as expectativas e o querer

Eu estou certa de que ainda não sei bem como fazer isso, mas estou igualmente convencida de que aprendi que é preciso sim controlar as expectativas. Aprendi que não posso sufocar as pessoas exigindo que supram carências. Que as relações não são só minhas, não são só para mim. Que tenho que evitar frustrações e aceitar que imprevistos acontecem.

Este ano eu planejei fazer tudo diferente. Bem... Eu já tenho o dia dos sonhos todo montado. A lista de convidados, lista de presentes... Já tinha pensado até em qual roupa vestir. Mas imprevistos acontecem. Estamos a exatamente um mês do meu aniversário e eu sei que vai ser tudo diferente. E que bom que eu esteja aprendendo a lidar com isso.

Se você convive ou conviveu comigo sabe bem que eu vou ficar extremamente chateada se, por descuido ou por maldade, esquecer o meu aniversário. Mas esse ano eu achei que fosse melhor arriscar. Achei que fosse melhor não publicar a lista de presentes, não fazer contagem regressiva, não insistir em não permitir que um amigo ou outro se esqueça ou não possa estar comigo no meu dia. Achei que fosse melhor não esperar tanto das pessoas. Achei mesmo.



A lista continua basicamente a mesma. Roupas novas para uma Luana que está aprendendo a mostrar o seu discreto, elegante e ainda assim confortável estilo de garota do rock, jovem professora de idiomas e (pseudo) intelectual. Calçados para os pés que deveriam ser 35, mas que foram tão "de-moleque" quando criança que viraram 36. O fato de eu estar numa de querer usar botas elegantes e salto alto não elimina de forma alguma as cômodas sapatilhas e Havaianas. Romances para ler e para ver, porque acho que dessa vez acertei no de viver. Cupido me achou - literalmente! Perfumes, óleo corporal, maquiagem... Eu ainda tenho me dedicado muito à fase de aprender a ser mais feminina. E a verdade é que aprendi a gostar disso, porque aprendi que ser feminina não me deixa mais nem menos feminista (é que talvez eu só seja uma pessoa normal, de bom senso e contra o machismo). Dá pra ser menininha e ainda ser desleixada, usar o cabelo bagunçado, não desfazer das suas roupas favoritas... Eu continuo escolhendo as cores fortes (bonina, roxo, verde) e as fragrâncias marcantes. Mas gosto também do basicão. Do cheiro cítrico de frutas, de preto, de branco, de tons de cinza... Gosto da praticidade de bolsas grandes, do conforto e do quentinho de lenços no pescoço, de pijamas de criança. De anéis, brincos, pulseiras, relógios.... Gosto de travesseiros novos, e da minha cama sempre com roupas limpas e cheirosas. É que aprendi a gostar de ser dona de casa. Sabe como é?! Roupa de cama, roupa de banho... Eu concordo que isso pareça uma coisa meio de... Dona! Mas eu também resolvi aproveitar mais a juventude. Não fiquei só na superficialidade do salto alto, da maquiagem, do cabelo bem escovado com uma moderna escova giratória, da lingerie, da tequila, da Heineken, do MaracuJack, e da balada rock 'n roll na minha tão desejada blusa de "I prefer the drummer". Quero aprender a tocar gaita e teclado, para um dia ter um piano em casa. Quero livros que não sejam só de romance água com açúcar, quero um mochilão pra ir conhecer o mundo comigo, quero aprender a cuidar do meu carro e a ler mapas. 

Eu continuo não gostando de vinho, flores e preferindo um pote de palmito a chocolate. Claro! Eu ainda quero decorar a minha vida com canetas coloridas, carimbos, adesivos, post-its... E continuo muito Atleticana, não vou mentir! Quero uma camisa branca igual a do Cuca . Quero dinheiro pra tatuar o meu Galinho. Não se trata de uma Libertadora promessa. É que eu estava mesmo esperando 2013. Tem também a outra custosa tattoo que sequer vai para o papel. E já que estou falando de grana... Na situação em que me encontro, até que eu possa voltar a trabalhar normalmente, qualquer envelope com uma moedinha e um valioso cartão com sinceras palavras será muito bem vindo. 

É isso! No final das contas eu aprendi também que não preciso me culpar tanto assim quando uma coisa dá errada e aprendi que não é feio querer. Nada nem ninguém. A gente pode querer. E é essa consciência que deixam as expectativas para o dia mais feliz da minha vida não muito diferentes de antes, mesmo com tanto contratempo. Ah... A gente pode querer. Querer muito! Só é insano exigir que tudo nos seja dado. E tolo esperar que tudo vai ser como desejado.


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Dor

A dor não se comove. Ela não quer saber quem você é, nem o que já viveu.
A dor é oportunista, sapeca e ambulante. Ela engana.
A dor é autoritária e carente. Mostra o seu poder e exige atenção.
A dor estraga. Ela simplesmente não se importa.
A dor não pede permissão.
A dor arde.
A dor queima.
A dor aperta.
A dor briga com o sono.
A dor faz chorar.
Irrita!
Enfraquece...
Enlouquece.
A dor (NÃO) só dói.
Se só doesse... A dor seria só dor.