sábado, 26 de outubro de 2013

Eu gosto é do estrago!

O Velho e o Moço
Los Hermanos


Deixo tudo assim
Não me importo em ver a idade em mim,
Ouço o que convém
Eu gosto é do gasto.

Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer, que eu preciso sim
De todo o cuidado

E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz,
Quem então agora eu seria?

Ah, tanto faz
Que o que não foi não é
Eu sei que ainda vou voltar...
Mas eu, quem será?

Deixo tudo assim,
Não me acanho em ver
Vaidade em mim
Eu digo o que condiz.
Eu gosto é do estrago.

Sei do escândalo
E eles têm razão
Quando vêm dizer
Que eu não sei medir
Nem tempo e nem medo

E se eu for
O primeiro a prever
E poder desistir
Do que for dar errado?

Ahhh
Ora, se não sou eu
Quem mais vai decidir
O que é bom pra mim?
Dispenso a previsão!

Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição

Vou levando assim
Que o acaso é amigo
Do meu coração
Quando fala comigo,
Quando eu sei ouvir


Gosto de ser menina ingênua e velha ranzinza.
Gosto da minha santa ignorância. De ser boba como Clarice ensinou.
Gosto de rotina e de aventura.
Gosto de cuidado. De todo o cuidado.

Tanto faz o que não foi.
Gosto mais do que é. 
E do que será...
Será?

Gosto de dizer o que não filtro.
Eu sei do estrago, mas eu não sei medir.
E não é só o tempo, nem o medo.
Não sei medir o que se sente.

Quem mais vai decidir se é bom ou ruim?
O que eu sou nem sempre é o que eu escolho ser, mas...
Aceito a condição.
E dispenso a previsão, porque eu gosto de surpresa,
De romance,
Do mistério e também do que se pode aprender.

Aceito a condição porque o acaso é amigo do meu coração.
Porque teimo, mas eu sei ouvir.
Por acaso,
O acaso eu sei ouvir.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Dia dos professores

Eu nunca gostei muito das aulas de literatura porque não gosto de formalidades e sendo uma exceção à moda brasileira, eu não funciono muito bem sob pressão. Não gosto de ter que escrever em versos perfeitos e nem de seguir falsas inspirações. Gosto mais de vírgulas do que o permitido e custo a chegar ao final porque não admito um que não seja feliz.

Tanto quando com as de matemática, química e física, eu não me dava bem com as aulas de literatura, mas era a primeira a me manifestar toda vez que era necessário montar uma peça de teatro, um texto de agradecimento, de despedida, de boas vindas... Tudo o que pudesse ser feito sem rédeas. Gostava de poder fazer essas coisas e ainda ter a falsa fama de salvadora da pátria. E quem mais gosta de escrever as falas do teatro? Fosse lá o da via sacra na paróquia do bairro ou aquele sobre as doenças sexualmente transmissíveis no ensino médio. 

E eu gostava! De escrever e de ser querida por isso. Gostava de poder criar e ver todo mundo se divertindo, se emocionando... E é assim que eu gosto da literatura. De um jeito que eu possa criar. Nos moldes confusos da minha cabeça, nas batidas inquietas e inseguras do meu coração que é pra me aliviar e pra agradar. Porque poucas coisas me deixam tão bem quanto me sentir querida.

Acabei escolhendo a literatura como parte da minha formação acadêmica. Mas ainda me sinto fora dos moldes. Hoje eu não recebi nenhum presente, mas quer saber... Nem precisa! Ser professora me permite criar, agradar, estar fora dos moldes e me sentir querida. Tudo ao mesmo tempo. Além de tudo isso sei que faço todos aqueles milagres da profissão e que encanto muitos alunos por aí.

Agradeço o incentivo dos meus pais e irmãos, meus primeiros mestres. Desde as tias do prézinho aos mestres da graduação. Muito obrigada a todos vocês que com sabedoria, carinho e dedicação me colocaram no mais amplo dos eixos. No melhor deles. 

Feliz dia dos professores para todos nós!

domingo, 13 de outubro de 2013

Códigos do amor

Há muito eu reparo que todo casal tem um jeito único de demonstrar o amor mútuo. Às vezes trocam apelidos carinhoso ou engraçados. Às vezes se chamam por genitivos que se não no diminutivo, são a pura definição do dengo. Meus pais se chamavam de "Bem". Hoje a moda parece ser "Amor". Fico feliz quando vejo um casal que sai da mesmice. "Dum", "Tê", "Trenzim"...  Também sempre há um código para o que não pode ser dito, ou para o que preferem deixar subentendido. E deixar subentendido não é deixar pra depois, nem ter vergonha de dizer o que se sente. Trata-se de não se correr o risco de perder o significado das coisas mais lindas. Gus, por exemplo, não precisava dizer mais do que um "OK". Isso era tudo. E isso era puro amor!


Eu acho lindo quando me chamam pelo meu nome, simplesmente porque acho o meu nome lindo. E a gente se acostuma tanto com os apelidos, com as reduções e comparações que... Eu acho lindo quando conseguem me chamar pelo nome sem perder a intimidade. Mas acho lindo também quando ganho um apelido novo e, literalmente, exclusivo. Acho lindo que eu não tenha caído na mesmice e que o nosso dengo tome a nossa forma. Lindo... Eu acho lindo que você complete as minhas frases e eu as suas. E acho mais lindo ainda quando não é preciso completá-las. 


Eu acho o amor lindo. Eu acho que...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

25

Andam dizendo por aí que minha festa de aniversário foi maravilhosa. Eu não posso deixar de concordar. Festa maravilhosa pra fechar com chave de ouro um ano maravilhoso e começar outro que promete ser ainda melhor. Recapitulando....

Aos 25 eu tive a impressão de que a terapia ia acabar comigo e depois de que ia salvar a minha vida.

Aos 25 eu me apaixonei por crianças banguelas e tomei birra de adolescentes mal educados. Aos 25 eu tive meu desempenho profissional meio prejudicado por ter alunos amigos, por ser compreensiva, preocupada e criar expectativas demais. Aos 25 eu arrumei um emprego novo e aprendi que "a galinha usa saia e o galo paletó" e que pra encontrar o príncipe a gente tem que ser princesa. Aprendi tanta coisa...

Aos 25 fui pra balada sozinha, fiz body piercing sozinha. Decidi que gosto de ter furos. Pode parecer uma rebeldia tardia, mas acho que é mais um feminismo desajeitado, escondido, perdido... mas querendo se manifestar. Cheguei a pensar que era até uma tentativa de aprender a ser mais vaidosa. Pode ser que seja uma tentativa de não me importar tanto com os outros. Mas talvez seja só uma tentativa de me importar mais comigo mesma.

Aos 25 fui tomar sorvete sozinha. Fui à missa sozinha. Fui comer japonês sozinha. Fui correr na Lagoa sozinha. Fui ao Rio de Janeiro sozinha. Fui à oficina sozinha. Sozinha... Aos 25 eu aprendi a aceitar que eu era sozinha. E foi TÃO mais fácil.

Aos 25 eu fiz programas diferentes. Assisti monobloco, banda de jazz, bebi vodka e outras coisinhas coloridas. Experimentei vários cachorro quentes, chás, sucos... caminhos diferentes. Jeitos diferentes de fazer escolhas e desistir de escolhas.

Aos 25 eu visitei o limbo. Tive crises de ansiedade. Pânico! Solidão. É só questão de entender que não, eu não são tão importante assim na vida de muita gente. É só baixar expectativa. É só... “let it be”.

Aos 25 eu ouvi dizer que os anéis têm poderes. E sendo fã do passo da honra eu tive certeza de que isso era verdade. Aos 25 eu decidi colecionar anéis! Decidi me conhecer melhor, ser mais dedicada à mim e me afastei das relações exigentes, oportunistas, incompletas, inconvenientes... Muita gente sentiu minha falta. E eu, confesso, senti falta de muita gente. Mas é que eu estava precisando de mim. O preço que paguei por mim mesma foi caro. Muito! Mas aos 25 eu aprendi a fazer as minhas próprias farras, curar ressacas e tristezas, carências. Descobri que sou uma ótima companhia. Companheira e tranquila! E fui curtir o meu descanso realmente em paz. Tudo do meu jeito. E foi assim que aos 25 eu tive mais paz porque aprendi a me respeitar. Fiz muitas das minhas vontades.

Aos 25 eu me acostumei a ouvir, sem culpa (satisfeita até!), as pessoas dizerem “você sumiu!”. E essa reação calhou de vir com um “nossa! Você está bonita!” E eu sei que isso era fruto do tanto que eu estava acreditando. Acreditando em mim. Acreditando que é possível ser melhor.

Aos 25 eu aprendi a meditar. Aprendi a importância da liberdade do ser e reafirmei a excelência da serenidade em minha vida. Aos 25 eu aprendi a deixar o tempo agir. A acreditar no Mistério. Pratiquei o desapego. De verdade.

Aos 25 eu fiz amigos novos. Amigos mais novos. Amigos que apareceram tipo... do Suvaco. Ou de um passado distaaaante. Aos 25 eu refiz amigos antigos. Bem antigos. E 10 anos depois... quem diria!

Aos 25 eu me apaixonei e me desapaixonei, me apaixonei e me desapaixonei, me apaixonei e... Puxa vida, como me apaixonei aos 25! Aos 25 eu adotei uma tartaruga e escolhi as boas lembranças ao rancor de uma paixão não correspondida e, coincidentemente, ao pesar de não poder corresponder a uma outra.

Aos 25 eu vi o meu time ser campeão da América. Haja coração! Aos 25 eu gritei, bati no peito e cantei “eu acredito!” e não... não foi só quando quis ver o meu time campeão. Eu realmente acredito.

Aos 25 vi a história acontecendo de pertinho. Vi o país tentar mudar. Me vi mudar... Eu quis aprender política eu gostei da ideia.

Aos 25 eu casei o meu irmão e tive a chance de refazer a amizade com minha irmã. E dessa vez parece até que ganhei uma de bônus :) 

Aos 25 eu sofri além da média com os tratamentos ginecológicos. Aos 25 venci crises e mais crises de –ites com antibióticos e muita oração. Mas eu até fiz amizade com a mulher da farmácia, uma antiga amiga da minha mãe. E se tem uma coisa que eu valorizo bem é o fato de existirem pessoas que se importam com o próximo.

Aos 25 eu comprei um peixe e ganhei outros. Minhas crianças!

Aos 25 eu pratiquei "bedezupo", "saduh", “você é uma pessoa muito querida”, “santo anjo do Senhor” e peço "licença e proteção" diariamente. É que aos 25 eu quis me dar ouvidos. Quis mais intimidade. E isso aconteceu de todos os jeitos possíveis. Eu quis aprender!

Aos 25 eu vivi (mais um) romance com drama de novela. Soube como era ser "a desgraçada" na vida de alguém e não gostei. Soube também como era ser "a princesa" na vida de outro alguém. E tampouco gostei. Aos 25 fui “lá” e voltei. Porque eu me permiti tentar tudo o que quis. E foi de tanto tentar que consegui. Faltava mesmo era saber o que querer.

Aos 25 eu conheci o Donna Margherita lá no Rancho do Boi. E o Amsterdam Pub.

Aos 25 eu sofri um grave acidente. Nasci de novo e fiquei ainda mais íntima da dor, mas também da gratidão e da humildade. E foi com o acidente, e com muito sofrimento, que mudei de ideia. Sim (!) eu sou uma pessoa de muita sorte e sou uma pessoa muito querida. Meu medo da morte e o medo de ficar sozinha reduziram significativamente depois dessa experiência. Difícil achar alguma coisa que me bote medo agora.

Aos 25 eu mudei de ideia mesmo! Resolvi rever tudo. Recomeçar. Transformar!

Aos 25 eu criei o meu currículo lattes.

Aos 25 eu tive a certeza de que algumas pessoas são pra SEMPRE!

Aos 25 eu voltei a querer um filho. E entendendo as minhas condições, acho que o Deus ouviu as minhas preces mesmo assim. Aos 25 eu voltei também ao Mercado Central pra comer bife de fígado acebolado com jiló e, como era de se esperar, não foi com o meu pai. Não foi depois de sairmos pra peixes ornamentais, fumo, queijo... É o futuro acontecendo? Deve ser. Porque o meu novo ano já começou. Seja bem-vindo 26.



Aos 26 eu escolhi ser feliz.