quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

SEMPRE

Hoje já virou amanhã e eu vou dormir mais tarde porque tem louça pra lavar. Eu não me perdoaria por perder nem mesmo esse momento. Pra mim faz toda a diferença lavar esses copos porque eu os comprei pensando nas muitas visitas que vou receber. E essas taças, comprei especialmente para o nosso brinde de SEMPRE. O Gerônimo, espremedor de laranjas novinho que acabo de batizar, ficou feliz em fazer o primeiro suco para vocês.
Hoje sei o quanto me comunico com vocês mesmo estando em silêncio. Já não me é mais tão urgente assim tomar a palavra ou esperar ansiosa até a minha vez chegar.
Hoje pizza foi o melhor jantar e lembrancinhas foram os melhores presentes.
Hoje a lágrima não caiu aqui, mas caiu ali. E quer saber? Dói do mesmo jeito. Só não dói mais porque temos umas as outras.
Hoje foi melhor ouvir. Sábia percepção!
Hoje dá pra perceber que a gente SEMPRE se atrai. E se completa. E soma. E modifica. E equilibra...
Hoje eu vou dormir com um quentinho bom no coração... Segura de que ele SEMPRE tem onde pousar. E se não for sempre, é quando mais precisa.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Tão forte! Tão frágil...

Tão forte! A grande verdade é que eu me sentia mesmo uma mulher indestrutível. A verdade é que eu sabia que não se tratava de um acidente e sim de uma providência. Mesmo assim, eu escutei a morte e tive muito medo, mas estava tão feliz por estar viva que o que veio antes perdeu a importância.
Sim, eu sentia dores, mas estava tão feliz por não ter sangrado que... Acho que nem o instantâneo diagnóstico de todas as minhas fraturas e complicações mudaria esse fato.
Eu estava tão feliz por estar sendo lembrada, por receber a energia de cada pensamento e oração que não conseguia largar do meu celular. Queria dar notícias para não deixar as pessoas aflitas. Eu estava viva! E... feliz!
Eu estava tão feliz e tão agradecida que desaprendi a praguejar ali, quando na maca do hospital ao receber a medicação na veia, quiquei três vezes fazendo vômito por sentir tanta dor e ainda assim disse, em tom de brincadeira, "Puta merda! Espero que essa enfermeira tenha trigêmeos!". Hoje, pensando bem, desejo mais. Desejo que ela se case com aquele ortopedista tosco que apertou o meu peito e acabou de estraçalhar o meu esterno. Isso! Que eles se casem e tenham trigêmeos. Eu continuo sendo uma pessoa capaz de desejar sofrimento a alguém.
Eu estava feliz por encontrar um médico atencioso a cada três que...
Eu não gostava da pressão do "você TEM que ficar boa LOGO!", mas estava feliz por saber que eu era uma funcionara importante. E eu sei que fiz falta.
De alguns veio só curiosidade, pena, mas ainda assim... Eles vieram. Agora, foco! Foco na felicidade! Eu estava tão feliz com os olhares atentos e preocupados que chegavam ao meu quarto. Eles eram tão cheios de carinho.
Eu estava tão feliz com a intimidade e a mútua preocupação que fazia de mim e dos meus irmãos parecer uma família inseparável de novo. Ele, cozinhando pra mim. Ela (assim como a amiga Karine), me dando colheradas na boca. E os dois falando baixinho quando saiam do quarto. Eu tentando ouvir pra saber se era um papo de irmãos mais velhos do tipo "ela está de frescura tentando nos enganar" ou se era um papo de irmãos mais velhos do tipo "somos responsáveis e precisamos cuidar dela". Não importa! Eu me sentia feliz só por estarem ali por mim, verdadeiramente por perto.
Eu não me sentia feliz por ter que tomar banho, mas me sentia feliz por ter titia e uma das minhas amigas sempre dispostas a ajudar.
Eu me sentia feliz por estar sendo lembrada, por me sentir querida e por não estar vendo tudo isso de uma dimensão diferente. Porque eu não gosto nem de pensar no cheiro de flores para uma ocasião tão agradável. Foi um velório de sorte esse meu. Viva! Quantas pessoas são boas o suficiente para terem a sorte de estar viva no próprio velório, heim? De ganhar uma nova data de aniversário? Quantas pessoas ganham a chance de renascer em uma versão melhorada e consciente de si mesma? Heim? Eu devo ser mesmo uma pessoa muito boa para merecer.
Eu me sentia feliz com o SEMPRE e também com a presença masculina dos amigos da época do colégio. Eu me sentia feliz até com todo aquele drama. E depois com o mistério. Com o romance então!
Eu estava tão feliz com os corações que foram se amolecendo...
Eu estava feliz não por ter me apaixonado novamente, mas por estar namorando.

Eu estava TÃO feliz que acho razoável a minha ideia de me jogar embaixo de um caminhão. Por sorte sou medrosa! Sou também cautelosa e sei que isso poderia me doer um bocado. Por sorte a psicoterapeuta, o endocrinologista e o psiquiatra entendem o que digo. Um amigo ou outro. E eu. Eu, no fundo, no fundo me entendo. Eu custo, mas até me aceito. E vez ou outra me perdoo. Não o suficiente pra me livrar de tanta culpa. Culpa por não saber ser melhor. Boa o suficiente pra ser feliz.

Agora eu não estou feliz. Não gosto dos insetos que me visitam. Não gosto dos quilos que ganhei. Não gosto do sabor dos remédios que me fazem companhia. Não gosto da verdade que os livros de autoajuda me dizem. Não gosto do nó que carrego na garganta, nem das cicatrizas que ficaram. Eu não gosto de ser assim. Não gosto do rumo que as coisas tomaram. Não gosto de ter a certeza que mereço ser feliz e não ser competente para isso. Não gosto quando a felicidade me escapole por entre os dedos quando tudo o que eu tentei fazer foi segurá-la com firmeza - e, confesso, com muito medo de que ela fosse embora. Não gosto quando as minhas histórias terminam assim. EU NÃO GOSTO DE SER ASSIM! Tão frágil...

domingo, 1 de dezembro de 2013

Nunca mais...

Isso pode levar toda a eternidade, mas eu vou arrumar a minha vida de um jeito que ninguém NUNCA MAIS vai conseguir me bagunçar. Nunca mais...