domingo, 23 de novembro de 2014

Sobre a culpa e o filho que ainda nem veio.

Um domingo qualquer com cara de solidão e tudo começa com a consciente e necessária repulsa à paixão.

Ronda mastigou um tubo de cola Super Bonder ao final do dia. O tubo pregou na sua pata e no edredom, lençol e protetor do colchão quando ela veio se aconchegar na minha cama pra pedir socorro. Achei que fosse só dengo porque tinha acabado de chegar e quando percebi a situação, primeiro fiquei um pouco brava por ser ela tão sapeca. Já a tinha nos braços após cortar sem dó alguma o edredom. Enquanto eu tentava ajudar com água morna e um jeitinho, me perguntava como aquilo teria parado ao alcance dela. "Eu devo ter derrubado da bancada quando coloquei a sacola de compras". Senti tanta culpa... Liguei para a Sandra quando vi que não estava dando nada certo. Eu ia precisar de ajuda. "Qual é o veterinário mais próximo à essa hora?" Desembestei a chorar quando minha pequenininha começou a demonstrar dor e impaciência. Eu não podia mais mexer em nada, mas ainda assim precisava fazer alguma coisa. Segurando a patinha dela para que não levasse à boca liguei pra Elisa e pra minha irmã. E a essa altura eu não sabia mais se chorava por culpa, pela estranheza de incomodar e ter que precisar de ajuda ou pelo sentimento de fracasso por não conseguir ajudar minha viralatinha.

Ela se acalmou, eu me acalmei e o éter do veterinário deu um jeito de evitar que algo pior acontecesse. De tudo isso, ficou um amor que eu nem sabia que já tinha, a certeza de que ainda não estou preparada para ser mãe de um bebê, a culpa e a tristeza por isso (e não só por isso). "Que tipo de mãe seria eu?" - era só o que eu pensava desde então.

A Ronda ficou ótima, eu destruída. Fomos à pracinha na segunda e eu continuei pensando naquilo. Dizem por aí que filhos de professores são os "piores". Pra isso eu até estava preparada. Envolvida em um caso de família bem complicado, desde a semana anterior eu já havia retomado o receoso pensamento de não saber ser mãe do meu filho pelo fato de ser educadora. E ainda conheci um homem que já no primeiro encontro revelou ter uma ideia que eu achava ser só minha. E uma ideia que eu achava egoísta e ridícula! Daniel também acha que ter filhos é uma forma de contribuir para ter um mundo melhor, para sermos melhores. Acha que é uma missão.

É claro que eu fiquei encucada com isso (e não só por isso!).
Eu não me perdoaria se falhasse nessa missão. Tanto que a dei por impossível por não ser capaz de, sequer!, começá-la. Não vou ter um filho se não puder dar a ele um bom pai e isso está resolvido.

Ronda vai fazer só cinco meses aqui comigo, mas... de tão satisfeita, desde que a adotei, não pensava mais nessas coisas. Essa semana, voltou tudo!


Não bastasse voltou também uma pseudo paixão mal resolvida que não ata, nem desata. Que envolve filhos, a falta deles e culpa, claro! Muita culpa! Eu não podia pensar em outra coisa que não fosse culpa por ter retomado esse envolvimento.

Existe a teoria de que as crianças chamam irmãos e Ronda cumpriu todos os quesitos durante essa semana. Pode ser que eu esteja inventando, mas... até a minha cartela te pilulas anticoncepcionais ela mastigou. Não pode ser só neura minha. Não pode! Não pode ser só coincidência que tenham me ligado da clínica do meu ginecologista, que bebês tenham vindo no meu colo, nem que a mãe de um aluno (grávida!), tenha vindo conversar comigo sobre como é a espera da gravidez, o amor que nasce com o parto, a culpa por não escolher um super pai...

Foi uma semana down. Perdi o ânimo pra ir malhar e estou com aquele típico sono da fuga. Com isso peso, preguiça e trabalho acumulados. A garganta deu sinais de que queria adoecer, o coração sinais de que ia amolecer.. e isso tudo só deu um up na culpa. Chateada quando vejo a patinha da Ronda dura, quando quero ficar de prosa no WhatsApp e sei que não devo. Culpa, culpa. Haja culpa!

Reconhecer os meus erros, aceitar as minhas fraquezas, ser intensa na minha tristeza até esgotá-la. A consciência foi feita pra reprovar o mal e apontar a culpa. Tive uma semana péssima por conta disso tudo. Mais por ser consciente. Agora já estou pronta para melhorar. "São tudo pequenas coisas. E tudo deve passar" - é assim para (os bons) meninos e meninas.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

26

Aos 26 eu me desapaixonei. E fiz bem. Passei por mais um processo de... de... RENOVAÇÃO! Aos 26 eu voltei às aulas de pilates porque foi necessário. E acabei descobrindo que malhar na piscina é melhor. Até eu começar a frequentar o grupo que malha na praça.
Aos 26 eu li livros de autoajuda que ampliaram e elevaram os horizontes.
Aos 26 eu pensei em começar a ter uma casa. Plano a longuíssimo prazo! Mas pensei bem e resolvi ficar por aqui mesmo.
Aos 26 eu resolvi delimitar o meu espaço e, ao mesmo tempo, aos 26 eu quis estreitar os laços familiares. Só que, dessa vez, eu fui mais seletiva e insistente.
Aos 26 eu conheci a Seicho-No-Ie e o grupo Fraternidade Espírita Irmã Scheila. Aos 26 eu fui criando novas estratégias para cuidar da minha espiritualidade.
Aos 26 a minha cozinha começou a funcionar. Junto, as minhas comidas mais saudáveis, as dietas, as visitas mais frequentes que eu quis atrair, uma segurança maior, uma (auto) afirmação. Comer é uma coisa que me faz muito feliz. Eu precisava de uma cozinha!
Aos 26 eu estabeleci regras de convivência na minha casa, pra mim mesma e só para mim. Preparar as minhas próprias refeições, comer só sentada à mesa, trabalhar/estudar só na classroom... Essas coisas! Funcionou. Um pouco... O suficiente, eu acho.
Aos 26 o meu emprego novo me trouxe frio na barriga por causa dos ups and downs.
Aos 26 eu comecei a pensar em financiar um carro novo. Acabei optando por um novo carro e estou satisfeita!
Aos 26 eu decidi que uma casinha num lugar sossegado do interior é mais a minha cara. Nada de viagens ao exterior nem apartamentos luxuosos.
Aos 26 eu comecei a me interessar em fazer uma previdência privada e em jogar na Mega Sena esporadicamente. A primeira opção saiu do papel. A segunda não.
Aos 26 eu entendi melhor a vida, aboli de vez todas as ideias suicidas que já tive e não tenho mais medo da morte. Não mesmo. O que eu tenho vez ou outra é uma vontade de ver a vida passar rápido para ver até onde, como, quando e com quem ela vai. Life drags!
Aos 26 eu comecei a domar o subconsciente. Aprendi que não sou só boa. O que há de ruim em mim também precisa existir. Eu aceitei que era medrosa, insegura, invejosa, dependente, solitária e mais um monte de coisas ruins e foi criando essa consciência que (acredite!) eu me tornei uma pessoa ainda melhor.
Aos 26 eu conheci Atibaia, Extrema e Bragança Paulista...
Aos 26 eu conheci o Acervo do Tuzzi e lá, um dos bateristas mais charmosos dos últimos tempos. E foi observando (podem ler ba-bando mesmo!) esse batera que descobri que o meu “Ele perfeito” é só uma parte de mim que não tem coragem nem oportunidade de ser. Eu entendi que as coisas que mais admiro em um homem são as características que eu mesma gostaria de ter. Entendendo isso, aceitei que não posso esperar que uma pessoa seja assim tão exatamente o que eu desejo se nem eu mesma, consciente disso tudo, consigo ser essa pessoa. Ou seja... Durante os 26 nenhum “ele” conseguiu ser nada perto de “perfeito”.
Aos 26 eu decidi adotar uma criança se a minha não vier em tempo. Aos 26 eu acabei adotando uma vira-latinha linda que me fez descansar desses pensamentos.
Aos 26 eu decidi que teria um (ou mais!) filho e o ensinaria a ser positivo e agradecido. A ser justo e a entender a relatividade da justiça. A amar meus pais (sim, meu pai também!) mesmo sem nunca os terem conhecido porque devemos amar, agradecer e honrar os nossos antepassados.
Aos 26 eu comecei a entender os recados do Universo com mais facilidade. E talvez eu tenha entendido melhor os meus sofrimentos, medos e missões nessa vida. Talvez não...
Aos 26 eu percebi que eu era inconstante demais para me tatuar e tive um empurrãozinho das providências divinas para me fazer desistir da Saduh. Bem... pelo menos por enquanto.
Ainda aos 26 eu insisti em me tatuar. Que fique registrada a minha inconstância então. Sábio é que se permite mudar de ideia.
Aos 26 eu decidi decorar a minha casa. E mais! Decidi que aqui seria mesmo a minha casa e já coloquei uma simples reforma nos planos para 2015.
Aos 26 eu quis ter uma planta e cozinhar com mais frequência para mim mesma. Feito!
Aos 26 eu decidi que iria a uma cachoeira ao menos uma vez por ano.
Aos 26 eu inventei a simpatia das unhas cor-de-rosa.
Aos 26 eu emprestei o Gulim ao meu irmão por uns tempos e após muitos ônibus (mais o tempo “perdido” no ponto) e caminhadas eu passei a dar ainda mais valor ao meu carro. Grata sou!
Aos 26 eu experimentei a dieta do Dr. Dukan meio que a contra gosto. Do meu médico endocrinologista, é claro! E, ainda na primeira fase, ao passar mal, eu tive que concordar com ele de que isso era uma péssima ideia!
Aos 26 eu tive o prazer de me sentir madrinha de verdade e colocar a mão na massa. Eu já havia casado tantos casais. Nenhum como Karine e Warley.
Aos 26 eu decidi dar nome a todas as coisas que fazem parte da minha vida. Talvez assim eu estivesse acompanhada por mais tempo.
Aos 26 eu voltei ao Jack Rock Bar em sua nova edição. Sucesso!
Aos 26 eu decidi, de fato, me preparar para o mestrado-2015. Acho que isso faz parte do meu projeto mãe-20??. Depois, dando preferência à mudança profissional, achei melhor começar pela pós mesmo. Mas o retorno à vida acadêmica não está longe!
Aos 26 eu tive a certeza de que uma criança bem pequenininha é capaz de ocupar um espaço vazio, por maior que ele seja, no meu coração.
Aos 26 eu aprendi a usar sombra preta. Yeah!
Aos 26 eu comprei um espremedor de laranjas que chamei de Gerônimo. Ele fez a nostalgia ter um sabor bom. E fez também o presente ficar mais saudável!
Aos 26 eu experimentei uma aula sensual de pole e chair dance. Ficava imaginando se algum dia eu entraria na camisa social de um homem e se teria oportunidade de fazer aquelas coisas. Puf!
Aos 26 me tornei coordenadora, professora de música, contadora de histórias...
Aos 26 me comprei um karaokê. :D
Aos 26 eu li: Viagens da Alma, Controles Imperfeitos, Perdas Necessárias, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Para Viver Bem, O Catador de Conchas, The Interpreter...
Aos 26 eu reencontrei aquele cristal que um dos anjos mais queridos que já tive me deu com tanto carinho e me apeguei a mais um amuleto, na tentativa de não me afastar da fé e proteção. Querendo me blindar com boas energias.
Aos 26 eu fui a Brumadinho, ao bar do Mandico, em Marinho e em Aranha.
Aos 26 eu aprendi a tocar berrante e a fazer pizza com pão sírio.
Aos 26 Tia Luana se (re)apaixonou reciprocamente por Sofia, Luca, Rafael, João Pedro e Clara. É que aos 26 Luana resolveu dar uma nova chance a instituição família. E as crianças... Ah! As crianças não têm culpa de nada. Elas estavam na seleta lista. É uma pena que a insistência não tenha funcionado muito bem com elas.
Aos 26 meu primo Fred me ensinou que bons investimentos trazem retorno.
Aos 26 entendi que não era nada santa, mas mesmo assim vou na cara dura e muitas vezes ajo com candura pra conquistar.
Aos 26 eu descobri o Tinder e conheci o Renato, o Eduardo, o Marcos, o Leandro, o Fábio e aí eu parei tudo. Parei! Parei mesmo!
Aos 26 eu perdi a voz. Tive uma baita faringite/laringite/sinusite e sabe-se mais o quê. Depois apareceram outros sintomas, diagnósticos e tratamentos. Mas sem voz, não só bastasse a derrota de não conseguir trabalhar eu tive que fazer sessão de psicoterapia por escrito. A que ponto todos os meios me levam ao mesmo fim? Justifica?
Aos 26 eu comecei aprender a tocar bateria. Muito mais legal do que socar o volante.
Aos 26 me desencontrei mais uma vez com o Dr. Joel e acabei encontrando o Dr. Evandro. Comecei tudo de novo e dessa vez não tenho dúvida de que a meta será alcançada!
Bem, com tantas enfermidades durante os 26, eu não consegui malhar, comer, trabalhar, dormir, emagrecer e... mudei de ideia, claro!
Aos 26 eu bati o Gulim em uma maldita caçamba, mal posicionada de frente à minha garagem. Unf!
Aos 26, dar um rumo mais certo a minha vida profissional tornou-se mais do que prioridade. Urgência! O que faz uma professora sem voz? Uma escritora que não tem tempo para escrever as ideias? Uma ótima aluna que não decide o que estudar?
Aos 26 eu perdi a aliança da minha mamãe. Eu perdi...
Aos 26 eu fiquei com tanto, mas tanto medo de tentar novamente.
Aos 26 eu tive que arriscar. Tive que arriscar a gostar de alguém de novo. E eu tentei TODAS as vezes que encontrei alguém gostável. Ainda bem!
Aos 26 eu pensei melhor e deixei de arriscar. Não dá mais.
Aos 26 eu ouvi o que precisava ouvir e entendi que era culpa.
Aos 26 eu decidi largar o TFLA sem me apartar, sem desfazer os laços. É muito amor!
Aos 26 eu dei uma nova chance às leituras previsíveis de Augusto Cury. Sem sucesso!
Aos 26 eu voltei a usar o Pantoprazol, voltei a me consultar com a otorrino Ana Paula, às sessões de fonoterapia e à dieta antirrefluxo. Isso sem falar da absoluta regra de comer pouca quantidade, vária vezes ao dia e NUNCA ficar em jejum.
Aos 26 eu virei carateca – ou quase isso.
Aos 26 eu (re)aprendi a falar com a ajuda da fono.
Aos 26 eu tive a certeza de que é mais fácil ter amigos do que família, mas que de qualquer forma eu precisava reconstruir tanto os meus laços de amizade quanto os familiares.
Aos 26 eu, que adoro futebol, assisti a Copa do Mundo menos interessante da minha vida até então.
Aos 26 eu tive a certeza de que não tenho sorte no amor.
Aos 26 eu decidi me envolver, mesmo não tendo sorte.
Aos 26 eu adotei a Ronda e com ela me senti mãe, querida e bem acompanhada o suficiente.
Aos 26 meus olhos tornaram-se ainda mais míopes. Eu fiz novos óculos, comprei novas lentes...
Aos 26 eu decidi trocar de carro. Obrigada por tudo Gulim!
Aos 26 eu vi o Brasil não ganhar a Copa e achei justo. Achei sim.
Aos 26 eu fui fazendo o que estava ao meu alcance (e o que estava à fim de fazer!) para desfragmentar a minha família.
Aos 26 eu troquei de carro. Enfim! Mas o Gulim ainda faz parte da família. E aos poucos Augusto vai tomando o seu lugar.
Aos 26 eu tive várias funções no meu emprego novo e aprendi muito com isso.
Aos 26 eu tirei meu piercing do nariz por causa do novo emprego. E o do tragus por causa do karate. Sinto falta dos dois. Muita! Acredite.
Aos 26 eu tive uma suspeita de pneumonia. E uma dolorida pleurite.
Aos 26 eu parei de comer a borda da pizza.
Aos 26 me afastei de das companhias indesejadas e dos amigos que desconhecem reciprocidade.
Aos 26 eu fiz cotações de seguro veicular.
Aos 26 eu conheci pastilhas de freio, vi como se troca limpadores de para brisa e também pneus.
Aos 26 eu comecei a aprender o santin. Comecei a gostar da fono...
Ah... Aconteceram tantas coisas nesse ano. Muitas boas e outras nem tanto, mas fato é que tudo isso me preparou melhor para começar um ano novo.

Obrigada, 26. Seja muito bem-vindo, 27. Vamos ser mais saudáveis, sábios e felizes juntos? Vamos!


Para começar os 27 eu quero:


- Uma lancheira. Sim! Daquelas de criança pra eu levar pra escola! :)
- Uma bolsa bem grande. Porque eu vou ter uma lancheira, mas continuo sendo professora. :p
- Uma escova rotativa. Porque dá pra dormir mais se o cabelo já estiver arrumado ;)
- Um aspirador de pó e água. A moderna Amélia aqui agradece.
- Um mixer. Sabe? Aquele negócio de fazer suco de frutas.
- Um Mp4.
- Um vaporizador novo. O meu estragou. Usei demais!
- Óleo corporal. Tenho usado o de ameixa da Boticário. Gosto do de jabuticaba também.
- Havaianas! Por favor! Ronda comeu tudo. Tenho só um par agora. :/
- Eu adoro anéis e tornozeleiras. Preciso também de brincos pequeninos que não me cocem.
- Aceito uma capa para o celular Samsung Galaxy Trend.
- E o tanto que eu gosto de pijamas? Quero um de cada tipo! Tô precisando!
- Insisto em dizer que palmito é um ótimo presente pra mim.
- Sabe? Ando mesmo investindo nesse negócio de ser “atleta”. Quero um desses relógios que medem frequência. Pode ser?
- Tenho tido pouquíssimas oportunidades para me maquiar, mas batom/protetor labial, protetor solar, máscara, sombra... Isso é sempre um bom presente, não é?
- Preciso de um mouse wireless.
- Uma mochila grandona cai bem também. Pra dar conta da rotina aqui...
- Quero um kit churrasco. Facas, amolador, pregador... Nada chique. Eu gosto de ganhar coisas de casa.
- Não vou mentir... Ainda nem li os livros que ganhei no ano passado, mas se você quer mesmo me dar livros, procure esses aqui ó:

Eu Tinha Um Cão Negro Seu Nome Era Depressão - Matthew Johnstone;
A beleza está nos olhos de quem vê – Camila Cury;
Quem é você, Alaska – John Green;
Cidade de papel – John Green;
Para sempre – Alysson Noel;
O cérebro de Buda – Rick Hanson;
Osho

Enfim... Livros sobre as fases do desenvolvimento infantil, sobre cães, karate, filosofia, crianças, inglês, educação, psicologia, espiritismo, coaching, emagrecimento, autoestima, meditação, relacionamentos, desenvolvimento pessoal/espiritual... Livros! CD’s, DVD também são bem-vindos. 


Chega! Para comemorar e para eu começar os meus 27, já está mais do que bom.

sábado, 23 de agosto de 2014

Let it be... me!

Hoje eu acordei desejando abrir os olhos e ter alguém aqui dividindo a cama comigo. Alguém que dividisse a cama não só para "dormir", mas para acordar. Abraçando a Ronda (que agora dorme na minha cama sim), eu fechei os olhos e quis dormir novamente porque sabia que não havia opção melhor.

Quietinha ali eu pensei no quanto é improvável que isso aconteça e decidi respeitar o ditado que diz que "querer não é poder". Você me faz sofrer de querência e a carência só aumenta. Aumenta a medida em que diminui a sua atenção e as minhas expectativas.

Eu me irritei com a vontade que senti da sua mão tão parecida com a do meu pai. Amoleci com a vontade do seu beijo bom e do seu cheiro de perigo e diversão. E com o jeito que você arrumou de achar um atalho para chegar à alma. Lembrei da sua voz sensual e do seu jeito carinhoso e irônico de me chamar a atenção. Lembrei-me do que ouvi, do que falei, do que conversamos, do que fizemos... E notei que havia pouco arrependimento nisso tudo. Havia mesmo era uma ânsia idiota de continuar!

Fiquei pensando no quanto nada disso fazia sentido e que, portanto, já era hora. Com você confirmei a minha má sorte com o amor (e nem por isso decidi jogar!). So please, don't toy me! Confirmei que músicos são uma ótima e também uma péssima opção. E que a minha tara por bateristas talvez tenha terminado aqui. Decidi que não tenho paciência para solos de guitarra e final de música que se repete insistentemente. Talvez por isso eu não goste de samba nem chorinho. "Ouço o que convém." Quando alguém me perguntar de que tipo de música eu gosto, já sei responder que não gosto de músicas com letras que não entendo. Gosto mesmo é das palavras. É do que a música me diz. Seja pra rir ou pra chorar. Mas se não me diz nada... Com você, eu confirmei que não suporto indiferença.

Aprendi que tenho clavículas e covinhas bonitas. E um cheiro doce. Providenciei um novo isqueiro Bic azul para não sentir saudade também de dois homens que amei muito. 

Apreciei por ser um pai que fala das filhas com amor e desejei que ainda exista um homem assim para construir comigo a família que prometi ter. Encantei-me porque usava bem as palavras e entendia bem as minhas. Não há como negar que somos de uma geração de relacionamentos intensos e fugazes. Construídos no Tinder, mantidos via Whatsapp e destruídos pelo Facebook.

Com você confirmei que coincidências não existem, mas que nem tudo é armação, muito menos milagre! É só o Universo agindo por si só e nos envolvendo. Aprendi que se não sou a mocinha, também não preciso entrar de cabeça no papel de vilã. E que ser coadjuvante é de muita sabedoria. Com você, eu me mantive envolvida e treinei arduamente a minha resistência, a minha capacidade de não reagir aos impulsos. Errei, mas foi tentando assim tão fortemente (porque.. usando as mesma palavras que você usou para me conquistar: eu tinha certeza de que "você vale a pena") que posso dizer ter um melhor autocontrole. Aprendi a calar, a desligar o celular, a não convidar mais do que uma vez. Duas, mas não mais que três! E agora estou aprendendo a... "let it be". Porque no muito o controle vai ser auto e imperfeito. E só.

De você fica a vontade que não matei por completo. MUITA vontade! Mas fica também um bom caso pra contar. Sabedoria, simplicidade e, portanto, gratidão.

Agora... Let it be me?

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A incrível geração das mulheres que aceitam a impermanência

Primeiro eu li "A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que o homem NÃO quer" e pensei: "Uau! Incrível! Por que eu não escrevi isso antes?". Mandei o link a duas amigas que me ajudavam a achar o motivo para eu estar solteira.

Eu sou uma daquelas mulheres independentes. Trabalho muito, construí uma carreira e estou em uma posição confortável, disposta a melhorar. Falo três línguas e estou estudando uma quarta. Aliás, estou sempre estudando. Não entendo de mecânica, não tenho bom senso de direção, mas dirijo muito bem e consigo programar e entender o GPS em seja lá qual for o idioma que ele esteja falando. Malho, nado, treino karatê, bebo, viajo, faço acampamentos...

Sim, eu cozinho bem. Um pouco sem prática porque acabo me rendendo às facilidades da modernidade e não vejo muita graça em cozinhar só para mim. Sim! Eu me depilo, uso maquiagem, perfume e unhas bem feitas. Quer saber? Gosto dos meus domingos de Amélia tanto quanto gosto dos meus sábados no bar.

O que meus pais esperavam de mim? Eu não sei. O que eu espero de mim? Eu também não sei... O que eles (homens) esperam de mim? Eu, definitivamente, não sei!

Fui sim incentivada a estudar, mas não me davam muita importância por ser destaque da turma. Não olhavam o meu caderno para conferir se a lição estava feita, não checavam o que eu carregava na mochila, não iam a reuniões... Meus pais diziam que sabiam que eu era muito responsável e que eles não precisavam se importar com isso. O que eles não sabiam é que eu me importava MUITO com isso. Importava-me em ser destaque na turma, em aprender a cozinhar, lavar, cuidar da casa... Em aprender a cuidar de um bebê, em melhorar a caligrafia, em não falar palavrões, em não esquecer de pentear os cabelo ao sair ou lavar os pés ao dormir. Eu me importava sim! Mas nunca foi o suficiente para competir com os gols que minha irmã, atleta marcava, nem com as engenhocas feitas de sucata pelo meu irmão. Ela cinco e ele três anos mais velhos que eu. Acho que não restou muita paciência dos meus pais para mim.

Eu sou da geração treinada para ser independente, competente e "não faz mais do que a sua obrigação!". Mas continuei sendo da geração que tinha que limpar a casa, cruzar as pernas, se arrumar, ter boa postura. Assim como foi a geração da minha irmã, da minha mãe, da minha avó. E será da minha filha, das minhas netas...

Fracassei por não ter aprendido nenhum esporte, por nunca ter sido a rainha da pipoca na festa junina da escola, por pesar oitenta quilos aos treze anos, por não ter tido um primeiro namorado exemplar, por ter dado trabalho envergonhando meus pais e irmãos por ser a gordinha - dentuça - descabelada - desengonçada - de pernas tortas - de óculos... Não era isso que a minha geração esperava que eu fosse, não é?


Esqueceram de avisar aos meninos que as meninas que eram parceiras deles também podiam ser meninas bonitas e interessantes. Esqueceram de avisá-los para não reagir mal nem se sentirem acuados quando vissem uma mulher fazendo baliza e descendo do carro de salto alto. Quando vissem uma mulher falando do esquema tático do time, xingando o juiz, comemorando o gol. Escolhendo a própria bebida com propriedade de quem sabe o que quer, não o que é melhor. Jogando sinuca. Cantando rock'n roll. Que essa mulher colocaria o nome da cadelinha de Ronda Rousey e não Cinderela. Que ela prefere Las Vegas a Disney. Que mata barata. Enfim... Esqueceram de avisar-lhes que era possível existir uma mulher linda, forte, inteligente, interessante e legal ao mesmo tempo. 



É... Esqueceram também de nos avisar que estaríamos incompletas mesmo sendo inteiramente independentes. Que trocaríamos um bom bocado de nossas conquistar por poder deitar no peito dele, repousar e dormir tranquila. Por um carinho, por uma barriga de grávida, por um almoço de família no domingo.

Por fim eu li "A incrível geração das mulheres chatas" e fiquei arrasada. Fiquei me sentindo uma chatona. Até que a primeira das amigas acima citadas disse "você é mais do que legal!". Isso fez com que eu me sentisse melhor, mas ainda assim fora do padrão. Se não é bom ser chata, não é bom ser mais do que legal. Pensamento de uma libriana. Então erro por ser legal demais?

A segunda amiga me libertou do sofrimento dizendo "tá na hora de alguém escrever: A incrível geração das mulheres que estão de saco cheio de rótulos!"

Tá na hora do bom senso e do equilíbrio. Tá na hora de aceitar a impermanência e transformação dos seres. De homens, de mulheres, da sociedade, das nossas vontades, das nossas fraquezas e fortalezas. Eu, por exemplo, vou continuar matando baratas com as unhas do pé que tem unhas pintadas de rosa. Vou continuar sendo a professora maluca que ensina "hi five!" ao invés de pedir "da um beijo na tia", mas que pega no colo quando chora, que se derrete com um desenho rabiscado, que não dá estrelinha, mas pisca um olho, sorri e faz um game quando merecem e olhar severo e voz firme quando precisam. Eu vou continuar sendo assim até que... Até que eu mude! Porque a gente muda! Hoje eu treino karatê, mas amanhã posso querer entrar no balé. Basta eu me sentir magra o bastante! Queria aprender piano e surgiu a oportunidade de aprender bateria. Por que não? Entende? É disso que eu falo. Porque eu sei cozinhar, mas também sei fazer um pedido de uma comida muito gostosa pelo celular. Sei estacionar o carro em um restaurante e jantar e como qualquer cachorro quente de pé mesmo, na rua! Sem reclamar. Aliás é uma das minhas atividades favoritas. Cachorro quente na rua. Pós balada então... E ainda assim me reservo o direito de achar um charme homens que também saibam cozinhar, mesmo que eu tenha que lavar as louças e ouvir ele falar para todo mundo "fui eu que fiz!" E daí! Porque no final das contas ser, seja lá que tipo de mulher ou homem você for, você é humano. Humanos gostam de ser! Ser humano é preciso! Humanos gostam de amor e sexo, gostam de viajar e de voltar pra casa, de independência e da segurança de um abraço. E gostam de porcaria nenhuma quando estão irritados!

#prontofalei

Fim!

PS.:  e ela viveu feliz. Não sempre. Não para sempre!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Pessoas que cuidam

Hoje é dia de aniversário!

Aniversário do meu querido professor Fernando. Um professor que é puro cuidado! Fala demais, é irônico e agitado, mas transborda bom humor e atenção. Eu gosto de gente que cuida da gente. Gosto de ser cuidada! E o Fernando vai além... Ele realmente se importa. Cuidar, não é só a sua profissão. Importa-lhe que eu emagreça, que esteja saudável e feliz. Importa-lhe (menos do que falar de si) ouvir meus casos e dizer "corre que você chega lá!". Com o Fernando eu estou sempre chegando lá. Lá onde é bom estar. Lá onde eu sou querida e bem cuidada. Lá onde se importam - e de verdade!

É também aniversário da Liz. A Liz que dentre indas e vindas, na saúde e na doença, na alegria e na raiva, na dor e no sono que não me deixa sentir quase nada... A Liz que faz massagem por recomendação médica e fisioterapêutica. Liz que cuida! Que cuidou da má circulação, da tendinite nos joelhos, das dores de cabeça, das dores de alma, dos meus chakras... Que faz limpeza de pele, sobrancelha, que me depila, me cobre, me perfuma, me hidrata, me limpa... Liz que ouve (bem menos do que fala), mas que é atenta a detalhes. Que cozinha, que me faz um drinque, que fecha a cortina para fazer um escurinho ideal, que escolhe a música certa quando eu não quero escolher. Que sabe qual é a música de céu, de chuva e que tem a trilha sonora de "Beatles for babies" que acaba me fazendo prestar mais atenção aos barulhos e gemidos do Arthur do que em qualquer outra coisa.

Fernando e Liz que cuidam. Que cuidam de sonhos de vida. Que cuidam da vida! Gosto um tanto de cuidado, gosto mais ainda de vocês! Porque são especiais. Porque com vocês eu definitivamente me sinto bem cuidada.

Hoje também será aniversário da Ronda - uma cachorrinha linda que acabei de adotar. Porque há algum tempo eu deixei de acreditar no acaso para dar uma chance às tantas coisas estranhas que acontecem. Vai saber se não é ela mais uma que vai me tratar com cuidado. 

Eu também sou uma dessas pessoas que cuidam. Cuido, geralmente com palavras e abraços. Porque acredito que o bem é mais forte e que o amor sobrevivera. Eu cuido porque gosto de cuidado. Simples!

Muito obrigada ao educador físico, mais divertido e companheiro de todos. Muito obrigada à amiga multitarefas. Que a nova idade de vocês seja linda. Tão linda quanto o reconhecimento e gratidão que tentei demonstrar ou mais! Linda como o cuidado de pessoas que cuidam.

Sejam(os) felizes!


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Relacionamentos são evolução?

Na agenda, exatamente nessa data, está um recado de mim para eu mesma ler. Anotado logo após a sessão de psicoterapia que Juliana me disse algo mais ou menos assim: "Você precisa tornar as suas relações mais fáceis. Não exigir muito dos outros. Isso pode te ajudar a evitar perdas".

É o tipo de mensagem que vai continuar pulando de agenda com o passar dos anos. Será que um dia eu aprendo?

A noite anterior me fez ter a certeza de que ainda não aprendi. Não na prática! Foi uma longa noite. Bastante coisa a ser (re)pensada.

Será que um dia eu vou conseguir me relacionar (bem) com alguém?

Dormi. Acordei! E não tinha resposta. Se eu não tenho respostas para as minhas perguntas... não é justo que eu espere que alguém as tenha.

Gosto de perguntas! Não gosto de ficar sem respostas. Odeio injustiça!

Hoje foi mais um daqueles dias que eu acordei com a minha urgência de família. E logo, lá no quintal, começou a reinar aquele cheirinho perfeito da mistura entre carvão e álcool ao encontrarem uma faísca. Parecia um daqueles dias em que meu pai resolvia matar um dos nossos galos. Churrasco de frango!

Eu tentei desviar o foco como o meu amigo Panda me ensinou. Mantive a rotina e preguiça de domingo. Mas como eu tinha um encontro, estava toda empolgada. Ansiosa como nunca consigo deixar de ser. Fui intercalando as minhas atividades com espiadas no celular e esticadas na cama para pensar melhor.

Pensei:

- Tá tudo errado! Eu faço tudo errado! Eu tenho defeitos. Muitos!
- Ninguém é obrigado a lidar com os meus defeitos. Então...
- A minha urgência familiar é um problema meu. Então...
- Trabalhar não é terapia.
- Sexo é escolha. Amor é sorte! (escutando Rita Lee)
- Já preciso reler "Controles Imperfeitos" novamente! Afinal, recomendação médica é pra ser seguida a risca!
- Eu nasci pra morrer de amor! Devo ser uma encarnação de Julieta!



O encontro de hoje ficou para outro dia. Ou não ficou. Vai saber! Eu saí da agonia da espera e fui para a cozinha! Enquanto picava alho para o feijão escutada as músicas altas do meu tio. Bem como ele fazia na casa da vovó. Eram as mesmas músicas... A carência de família bateu forte de novo. Eu até me lembrei do dia em que um cara me achou uma idiota porque eu disse que Deep Purple era música para dormir. Mal sabia ele a minha razão pra falar isso. É que Deep Purple, Pink Floyd, The Rolling Stones... músicas que eu escutava quando criança e que me soavam como "você está em casa! está tudo bem!"

Eu estranhei que meu tio também estivesse tendo uma viagem nostálgica ao passado de porta fechada. Coincidência? Eu pude reconhecer a seleção de músicas. Minha favorita talvez! Entre outras aquela do barulho de dinheiro, a da bateria (insight! sou apaixonada por bateristas desde criança!), a da mosca - que já era quando eu estava querendo me acalmar. Bem como eu falava quando era criança. Ainda não sabia falar inglês, ainda não conhecia as bandas... Minhas canções de ninar e é isso! Eu, eu mesma, gosto é de rock moderninho. Pense bem, era final da década de 90 quando eu comecei a entender das coisas. Talvez explique. 

Ainda escutando as músicas (pensei: daqui a pouco ele fica com sono e tem Mutantes!) e mexendo o feijão eu me lembrei de uma amiga dizendo para outra que estava em crise pré casamento que "a Luana é a única de nós que está preparada para se casar. Porque sabe como é morar sozinha, cozinha, não tem nada a perder, está acostumada, já decidiu que quer ter filho..." Ironia que as três amigas presentes nessa conversa já tenham se casado e eu não. Em seguida lembrei-me de Juliana exemplificando e falando algo do tipo: "depois que você aprendeu a dirigir, quis ter seu carro. Depois que teve seu carro, não quis mais ficar caminhando nem andando de ônibus, mas você não deixou de saber como é andar de ônibus e nem esqueceu dos dias em que precisou dele. Somos gratas, por isso, não é mesmo?! E ponto! O conforto de se ter um carro nos faz querer evoluir e aprender mais. Andar de ônibus pode ser um lazer (as viagens que você faz, por exemplo), opção (quando você diz que vai ao Centro e prefere ir de ônibus porque se sente mais segura) ou uma eventualidade.

Pensei:

- Depois que se tem carro, não queremos mais ônibus! Caminhada, bicicleta, moto... são opções remotas. E só opções.
- Depois que aprendemos, aceitamos e nos acostumamos a morar só, ser só e estar só...

... continuei o pensamento e, claro!, não o conclui. Murchei como balão sem nó. Eu não sei mais se relacionamentos são evolução. De fato são necessários, inevitáveis e são um desafio. Eu não sei mais se, depois de tanto tempo sendo e me sentindo sozinha eu presto para estar com alguém. Filho, família, amigos... pessoas! Fica cada vez mais difícil. Mais assustador!

Pensei:

- Não é normal que seja assim!

É?

quinta-feira, 8 de maio de 2014

É culpa

Se eu fiquei chateada? Fiquei sim. Muito! Não que eu tenha me magoado com o que você disse. Não que eu tenha me ofendido. O que já é válido.

Quando foi mesmo que um homem não fez isso? Ou, melhor, não pareceu "só" fazer isso? Que magoou. Ofendeu. Quando?

Quando foi mesmo que um homem, recebendo o que queria, não ficou insistindo em conquistar? E conquistou!

O menos bonito, menos alto, menos barbudo, menos tradicional, menos, menos, menos... Quais são mesmo todas aquelas características que constam na lista de bons-moços-para-boas-moças- da boa sociedade contemporânea? Não se ofenda, mas aparentemente você era o menos da lista. Seja lá como ela for! Era o que diziam. Ou diriam. Pra mim... o mais. Encantador! Diferente. Atencioso. Compreensivo. Educado. Verdadeiro. Carinhoso. Que gosta de animais e casas na roça!


"...uma alma especial reconhece de imediato a outra", não é verdade? Bem disse Caio Fernando Abreu. Ain... Quando foi que um homem deixou de me conquistar assim? E quando foi que eu não teimei? Não fui insistente? Arredia?! Rebeldezinha? Quando foi que eu, mesmo sem não conseguir simplesmente ignorar a opinião dos outros como manda a teoria, não ouvi com veemência aquela vozinha perdida lá dentro de mim? Quando?

Você deve ter notado que não tinha forças para continuar a nossa conversa. Chorando, eu me encolhi debaixo do cobertor e pensei no quanto você deveria estar quentinho. No quanto me abraçaria forte se me visse chorando daquele jeito. Porque enquanto eles tentam dar um abraço de urso e dar falsos conselhos, você, senhor Panda, tem O abraço. O abraço DO Urso. E você, diz o que tem que ser dito.

Foi justamente por considerar o que havia acabado de dizer que me senti envergonhada. Envergonhada por estar desejando ir chorar aí com você. Cara estranho! Cara desconhecido... Cara que já deixou claro que não quer (dessa vez não é aquela balela de "não posso" ou "agora não dá") nada demais comigo. Você só não quer. Sem mentira, sem ofensas... E por maldade, conspiração (de Murphy ou do Universo) eu talvez seja a pessoa perfeita pra entender isso. Eu sou boa de entender! De aceitar. Sou melhor em dar do que em receber. Tendo mais ao altruísmo do que ao egoísmo, embora como todos os humanos, no fundo, no fundo eu seja só mais um ser individualista. Capitalista, workaholic, sistemática, solitária, calculista e trapaceira.

Alguém tinha que dizer o que eu não queria ouvir. Sem metáfora, sem fábula, sem rodear demais com exemplos, sem "era uma vez" ou "foram felizes para sempre". E que também não fosse com a intolerância de quem não me quer bem. Nem com a ignorância de quem ergue a voz. Muito menos com perguntas nunca respondidas. Tampouco com a ausência infinita e dolorosa de reticências.

Alguém precisava dizer. E em algum momento eu ia entender. E aceitar! Não sem me assustar, chorar, chorar, esbravejar... Chorar, chorar, chorar... Comer. Ansiar. Chorar, chorar...

Tomei nota do que me disse. De pronto! Tomei tento. Por fim, mas não finalmente. E é por continuar querendo, com todo o meu drama, ir chorar aí no seu peito que boto toda a fé de que há algo de muito errado com as minhas escolhas. Como você sugeriu.

E está certo. Certinho.

Há muito não era tão bem entendida. Sinto-me literalmente descoberta e pejorativamente culpada. Mais uma vez.

É culpa!

Desculpa.

É culpa.

domingo, 27 de abril de 2014

Esperando a primavera

Aluna dedicada que sou, cheguei mais cedo, arrumei eu mesma o que consegui arrumar e comecei. Estava tudo errado! Esteira solta, baquetas sem inverter, beat errado. Tudo errado! O dia só começou mesmo quando o meu professor de bateria disse "direito! faça todas as viradas, termine com bumbo e os dois pratos. Você é level high!"

Olhos arregalados! Pronto... Acordei! Fiz mais uma breve sessão do exercício que estava praticando e terminei como ele mandou. Foi... Mas todo mundo sabe que eu não sou do tipo que funciona bem sob pressão. Tava lerda por ter passado uma péssima noite. Febre, dor e aquela chatice de estar toda congestionada e sem voz mais uma vez. Pensando nos dois amigos tão queridos que não vejo há tempo e que naquela manhã estranha tive a oportunidade de ver. Ruti "fantasiado" de terno e Ton dirigindo um carro que não é mais aquele (Corsa?) de sempre. Só pudemos trocar sorrisos e abanar a mão um para o outro. Suficiente. Algumas pessoas não precisam de muito para serem queridas.

Após a aula de bateria, coloquei a música que tenho que ensaiar pra tocar no celular e tomei meu rumo, meio prestando atenção na música e fazendo movimentos no ar quando o sinal fechava e meio repassando a listinha de prioridades sobre o que conversaria com a terapeuta naquela sessão.

Nossa Senhora das Vagas não tinha reservado a minha, como de costume. Algumas coisas tão bobas me irritam tanto! Sobretudo as relacionadas a carro. Em primeiro lugar: gente que não dá seta! Buzinas sem necessidade, falta de gentileza, de vaga, de segurança e problemas mecânicos, é claro! Tive todos nesse dia.

Na terapia, a dificuldade de falar e ser compreendida só me chatearam mais um pouco. Mesmo com a Juliana, que já está acostumada a ouvir e entender até o que eu não digo foi difícil. imagina com os outros. Têm sido dias difíceis, sabe... Sentamos lado a lado dessa vez, ela semicerrou a janela, desligou o ventilador. Atenciosa como sempre, mas até ela tinha dificuldades em me entender. Essa é a pior parte de estar totalmente sem voz: não ser compreendida. Eu posso fazer mímicas muito bem, relembrar as aulas de LIBRAS da faculdade, deixar a garganta doer e me esforçar pra gritar enquanto quem (pouco escuta) acha que estou só sussurrando. Há um idiota ou outro que acha que estou fazendo graça e fica me pedindo pra repetir. Alguns sem noção que percebem que estou sem voz e querem conversar. Começam a questionar como se a necessidade de responder a uma pergunta resolvesse a afonia. E os que sussurram ou se calam, não por serem solícitos e sim por se esquecerem que eu continuo ouvindo e prestando atenção em tudo. Típico! Essa última situação chega a ser até engraçada se o meu humor não está destruído.

De tão atenciosa, Juliana sugeriu que eu escrevesse se não melhorasse. Como fiz mês passado, mas que não deixasse de ir. E mais! Reduziu o tempo da sessão sem deixar escapar nada. Eu falei o que precisava falar. Assuntos já recorrentes e por isso eu não tive que me explicar demais. Eu adoro quando ela se adianta e vai dando os seus "palpites", por mais sofridos que eles sejam. E foram! Eu não gosto de pressão, mas sei que as dificuldades me fazem mais fortes. E é quando ela me fala com firmeza me ajudando a entender e aceitar o que está errado que as coisas se ajeitam. É nesse momento que costuma vir um bate boca e minha enxurrada de perguntas, insegurança e ansiedade pra fazer as coisas darem certo. Dessa vez, não sei se pela falta de voz ou de ânimo, veio só o meu olhar que deveria estar tão perdido quando o resto do meu eu e o choro. Atitudes que que pelo visto ela também já conhece bem. Eu estou aprendendo dar o braço a torcer, porque sei que ela vai me falar algo libertador logo em seguida. Não que eu não questione, discorde, discuta,. Sou a mesma Luana de sempre, mas estou aprendendo... Sei que ela vai me fazer me falar com a firmeza e ternura de quem realmente está lá para me ajudar a ser melhor. Ou que só vai fazer aquela pergunta desconsertante. 

Já disse e repito. Terapia salva!

Devo ter saído da clínica mais lerda do que estava no começo do dia. Depois do choro sempre vem fome, sono e dor de cabeça. Certo? Não necessariamente nessa ordem, mas... Não ia dar pra comprar os legumes e vir pra casa prepará-los junto com frango, do jeito que minha mãe fazia. Porque se tem uma coisa que incomoda mais do que não ter mãe, essa coisa é estar doente e não ter mãe. E ninguém viria fazer isso por mim. Eu estava quase certa de que não viria. Não agora. E foi assim que a pergunta desconsertante já começou a ser respondida.

Fui resolver a fome em um restaurante com a companhia que eu já nem sei mais se é mesmo boa, nem porquê está ruim. Mas que por algum motivo essa companhia estava lá. Quase fui abraçar um moço qualquer porque vi nele o Jojô. E eu não ia resistir atravessar o restaurante pra abraçá-lo, mesmo estando ambos acompanhados. Mas observei bem e não era ele não. Era só um moço qualquer que me fez sentir saudade do amigo que, ainda mais que os outros que já citei, não precisa nem aparecer para ser especial.

Depois do desagradável almoço eu fui à Araújo comprar o tal complexo vitamínico. Resolvi fazer hora porque de lá eu teria que ir à oficina fazer o Melão, o mecânico, dar um jeito naquela fumaça, naquele barulho, naquele ponteiro... Já me sentia arrependida por não ter trocado de carro ainda. Enquanto verificava as prateleiras (ai, como é bom quando não vem nenhum vendedor ficar te enchendo, né?!) eu comecei a pensar nas vantagens de se almoçar fora e depois fui fuçar produtos de beleza para o casamento da amiga Karine. Peguei cílios e unhas postiças, um par daqueles estranhos sutiãs de adesivos, esmaltes... e de tanto pensar no tamanho do meu amor por ela, resolvi ir com a cara mais limpa o possível. Que era para chorar mais a vontade... Peguei um pacote grande de lenços de papel, um esmalte só e foi tudo, além do que já estava na sesta. Eu estaria lá. Linda e sorridente de qualquer jeito. E como nosso relicário!

Preciso admitir que estar casando a última e uma das mais queridas amigas de infância não é uma coisa assim tão feliz. Eu sabia que não seguraria o choro.

Bom mesmo não comprar coisas demais na farmácia porque ainda tinha a ida a oficina e as despesas com o Gulim. Tadinho, tá ficando velho o meu carro... Tô judiando! Mudei o foco da preocupação. Parei de pensar no casamento pra pensar nas despesas, na vontade de ter um carro novo achando que isso evitaria o meu chateamento com oficina, mas pensando nas dificuldades e desvantagens de bancar um carro novinho. Pensei até em não ter carro mais! Porque logo comecei a fritar com a necessidade de manter a receita, a saúde, o bom sono, a sanidade, a espinha ereta e o coração tranquilo. E também na necessidade de diminuir a carga horária, a excessiva dedicação ao trabalho... A necessidade de fazer a vida ir pra frente!

Fui pensando, pensando, pensando...

Na oficina a dificuldade de comunicação novamente. Lugar barulhento! E Breno nada de chegar do seu horário de almoço! Tive que chegar perto demais pra conversar, pedir água que não estivesse gelada... Aí foi uma cantada atrás da outra. Acho que nem isso me animou muito. Aliás, tudo parecia só me deixar mais chateada.

Quando a chuva forte de final de tarde caiu, passou pela minha cabeça que não ter carro era uma péssima ideia. E, por falar em péssima ideia, foi nesse momento que notei que a aliança da minha mãe não estava mais no meu dedo.

Procurei até! E antes de voltar pra casa pra resolver o sono e a dor de cabeça, já deixei o Melão avisado. Parei o carro por causa da chuva muito forte e porque estava mesmo desorientada. Chateada de um tanto! Olhei todos os compartimentos do carro, bolsas, sacolas, estojo, necessaire, carteira, caixinha de chiclete, retirei tapetes... E nada!

Vim pra casa verificar se não havia ficado no banheiro porque me lembrei que na noite anterior eu havia mudado a aliança de dedo. Estava frouxa no dedo de costume. Achei uma desvantagem em emagrecer dez quilos. Mas na manhã seguinte, já pensando no efeito do corticoide que tomo para tratar da garganta, eu preveni para não deixar a aliança presa e voltei para o dedo de costume após lavar o rosto. Certeza que saí de casa com ela! E não voltei.

Revirei o banheiro, os lixos, a louça suja na pia da cozinha, o carro mais uma vez, a garagem... E quando sosseguei, pensei "perdi a minha mãe de vez". Aí veio todo aquele chororô de novo porque eu não havia muito a ser feito. E ironicamente, mas com um verdadeiro alívio eu também pensei "ainda restou meu pai".

Acho que está mesmo na hora de deixar minha mãe ir. Aceitar e não sofrer. Ignorar a dor. Assim como a aliança que se foi e não havia muito que eu pudesse fazer além de me sentir culpada por perdê-la. Também não há o que fazer sobre não ter minha mãe aqui e me sentir culpada por isso. É ignorar a dor. Eu tenho certeza que ela se agonia com o tanto que desejo que ela esteja de volta quando estou doente ou triste. Não deve ser muito menos difícil  para o espírito dela querer e não poder.

Os pensamentos foram se acalmando e os ensinamentos lá da constelação familiar, do mosteiro budista, da aspiração à mediunidade, da Seicho No Ie e do grupo espírita foram anulando o insano e enraizado sofrimento do aprendizado católico de "minha culpa, minha máxima culpa". Eu comecei a me lembrar da lógica que faz a teoria dos espíritos amigos, almas irmãs, estrelas, forças do Universo ou seja lá qual for o nome mais apropriado... A lógica que que faz com que vida após vida a gente sofra tanto para estar próximo de quem amamos. Dos amores e afeições que não se explicam. Das afinidades, da admiração, da sina, do karma, da missão! Não deve ser a toa que todas as teorias, cada uma a seu modo, fala sobre essas conexões.

Eu respirei fundo e consegui dormir quando olhei para a aliança do meu pai que ainda estava em seu lugar. É ela que precisa ficar! A missão dos mais fortes é ajudar os mais fracos e os loucos que sofrem do mesmo mal que se entendam. E relaxei mais um pouquinho quando usei da mesma teoria acima, usando a metáfora de pessoas/alianças. A aliança da minha mãe foi embora, mas amanhã uma outra pessoa que é muito amada, uma dessas pessoas que faz com que eu tenha certeza que existe uma força maior organizando tudo. Uma outra pessoa que não é da família, mas que está sempre presente, que entende o olhar, respeita as diferenças, que ama, cuida... E que muito amada, respeitada e muito admirada também. Essa pessoa ia colocar uma aliança no dedo no dia seguinte e eu tinha que estar inteira para testemunhar. Testemunhar que o amor se ajeita nas dificuldades, que o amor transforma, que o amor é um bom exemplo e que o amor sim deve ser sempre lembrado.

Assim foi a última sexta-feira. Resolvi atrasar o a publicação dessas bobagens porque não queria minha amiga com olheiras, toda deformada. Hoje antes de publicar de vez, resolvi editar alguns detalhes. E te agradecer mais uma vez, minha amiga. Muito! Eu não fiquei com vergonha de ser a única madrinha solteira. Tanto que me levantei e fui lá. Isso por acaso estava ensaiado? Fiquei foi toda orgulhosa de carregar seu buquê durante a cerimônia. Um pouquinho mais quando ouvi o Padre Jorge falar quase isso o que havia concluído sobre o amor. E mais ainda quando, ao final do casamento, fui conversar com ele, que salvo os seus defeitos de humano e todas aquelas complicações que tínhamos na época do meu trabalho na pastoral, é o Padre que mais me conhece, o que acompanhou um bom bocado das nossas vidas. E inevitavelmente, mais querido pela franqueza. Ele não me reconheceu de pronto. Percebi logo por não ter feito nenhuma piadinha quando fui pegar o seu buquê no altar. Foi a primeira vez que conversamos sem piadinhas, sem alfinetadas, sem ironia. Eu tive que citar aquele meu tão amado primeiro namorado, meu irmão, meu padrinho... E aí segurando forte a minha mão, já sem batina, ele quis se informar. Eu sem voz alguma, porque contive o choro pra não borrar toda a maquiagem e isso fez a minha garganta se estropear de vez, mas... Ele me ouviu pacientemente agradecer os votos de que eu seja a próxima por ter segurado o buquê. Disse saber das dificuldades. Finalizou dizendo "tenha fé, menina. Paciência! Você precisa disso tudo para ser mais forte e para estar preparada. Tudo vai se encaminhar e logo a sua vida estará tão florida e alegre quanto aquele buquê!"

O que ele talvez não saiba é que eu nunca deixo de esperar a primavera.















domingo, 20 de abril de 2014

Em cima do muro

Resolvi colocar eu mesma a mão nas baquetas e tentar aprender a tocar bateria quando concluí que aquele meu ele perfeito é o homem que eu gostaria de poder ser. O que me atraí em um homem não são necessariamente os opostos. É o que ficou reprimido. É o que me faz insegura. É a minha falta de coragem se expressando no outro até virar admiração, respeito, paixão...

Estou percebendo que preferências como cheiro, barba, estatura, profissão... são, não irrelevantes, mas tão relativas. Por exemplo: 

Já não sei mais a que ponto anda a minha atração por homens que se são bons com números. Que são canhotos, barbudos, atléticos... Quero que ele seja bom com números porque eu não sou. Nem sou canhota, muito menos barbuda e atlética. Quero que ele seja o que não posso ser para que no auge do conto de fadas ele me complete. Mas agora quero também que ele entenda os meus poemas e que, entendendo a importância disso, vez ou outra se aventure me escrevendo algo. Não só porque ele acha que vai me agradar, mas porque... Ele não é só números, barba, mão grande, corpo suado... Ele é mais! E se não tirar a armadura e aquela cara de homem mal que eu adoro... Também não vai ser bom. Não precisa ser com poemas, nem com metáforas, nem só com músicas... Mas de alguma forma a gente vai precisar se comunicar.

Eu desejo que ele não adormeça logo, que fale de si e converse sempre que pudermos, mas entendo que às vezes é suficiente que ele só me escute. Porque se desconfio da teoria de que "os opostos se atraem", da que diz que "semelhantes se aproximam" então... Percebi que é chato me relacionar com um homem que apresenta as mesmas dificuldades que eu. "Vamos ficar disputando então?" - eu penso. Onde está a diversão, a segurança, o sossego? Talvez eu esteja meio sem paciência, menos altruísta e quase nada benevolente, mas longe ainda de ser a vilã da relação.

Se ele dirige, pilota, cozinha... Nem sei mais o quão importante isso é. Afinal... Posso fazer isso tudo se eu quiser. O que me atrai em um homem, nem sempre é o que me falta. Às vezes é também o que reconheço de bom em mim e gostaria que ele também tivesse. Por que não?

Sim... Eu continuo tendo a minha preferência por homens alto, atléticos, barbudos, meio intelectuais, meio malandros, tatuados, bateristas, de cores e expressões fortes... Percebi, porém, que mais vale estar em segurança de uma forma mais íntima, mais verdadeira e menos ostentadora. É daquela segurança que vem com um abraço apertado que preciso mais. Aquele abraço que te dá nó na garganta e ao mesmo tempo te faz engolir o choro. É da segurança de um olhar profundo, de expressões diárias que te fazem sorrir ao vento, dos códigos e das metáforas que inventamos e que são só nossos. Da segurança que vem com aquele jeito peculiar de fazer carinho. Para ele, o melhor que consegue dar. Para mim o melhor que consigo receber. É da prosa sincera e desembolada, da sinceridade e cumplicidade que confortam que preciso mais.

Não me importo que ele não tenha carro, afinal eu já tenho o meu! Não me importo que não dirija ou que não entenda de carros, como eu não entendo. Pode ser o copiloto. Ou... Podemos aprender tudo juntos. Talvez essa opção seja até melhor do que aquela que condiz com o tradicional machismo do "vai pelo MEU caminho!", "faça assim!". Ele tem que entender que a linha entre admiração e repúdio é muito tênue quando se trata de alguma característica que eu procuro no outro de tanto que gostaria de ter e não tenho. Mas ele tem o direito de não ser sempre o meu porto seguro. É justo que também tenha as suas fraquezas. Porque eu tenho as minhas e estou descobrindo que não é muito bom cutucá-las. "I've got the right to be wrong" e me reservo no direito de ser sim essa mulher independente, decidida, determinada, cabeça dura e... sobretudo, mulher que não gosta de se perder. Que não gosta de perder o rumo e que não aceita não ter, mesmo que parcialmente, o controle da situação. Não porque eu sou do tipo mulher avassaladora. Sou só uma menina sistemática que exige respeito e compreensão. E que ele entenda: essa não é uma opção que tomo por gosto e sim por precaução. Eu vou entender que não me entenda, mas não vou aceitar que não queira me entender. Entende? É melhor já nem me aceitar de cara.
Certas coisas não dá pra aceitar mais! 

Outras são aceitáveis. Negociáveis! Algumas diferenças podem ser boas sim! Ou simplesmente irrelevantes. Acho que o videogame não me incomoda mais tanto assim, nem o que ele faz, o que estuda, onde mora... Por agora, me interessa mais saber se ele sabe carregar bebês, se topa aprender falar inglês, da forma como ele fala da própria família, do tom de voz que usa quando quer discordar e das suas estratégias para me agradar. E se agrada mesmo, ESPONTANEAMENTE!

Fato é: ainda não caibo nos padrões de princesa e sei que estou longe de ser uma. Só que agora respeito mais a teoria de que "o verdadeiro príncipe só aparece para quem é princesa". Eu gosto dessa metáfora real. Mesmo sendo ridícula! Agora é colocar a teoria em prática e praticar, praticar, praticar... Porque eu que, assim como Cazuza, "adoro um amor inventado", também desisto daquela solteirice juvenil. Eu estrago todas me apaixonando! Cansei.

Então? Em cima do muro, não é isso? Bem... Pelo menos daqui, a gente sente a perna tremendo e vai controlando. É que a gente sabe que vai tremer e se prepara pra pular pro lado que estiver mais fácil. Em cima do muro é melhor pra analisar, aprender e ser franca. Em cima do muro eu continuo sozinha, mas pelo menos estou treinando o meu equilíbrio. Ser sozinha não é tão ruim assim quando é uma opção e não falta dela. Daqui é mais difícil de me derrubar e por isso, por mais que as pernas tremam, me sinto mais forte. Só vai me fazer descer quem me fizer confiar, quem me der a mão e for me segurar, porque o muro é alto e posso me estrepar, portanto posso não querer descer. Ou posso! Porque sou boa de trepar, mas por enquanto é lá em cima que a princesa vai ficar.

sábado, 19 de abril de 2014

Na contramão

Por que não fui? Não estou comendo muito, nem bebendo álcool. E estou bem, obrigada! Preferi ficar em casa mesmo.

Por que eu não viajei? Porque também gosto de sossego. Porque coloquei o bumbum no chão sem ser pra fazer atividades físicas ou me alongar, como tenho feito diariamente. E também não foi pra fazer "circle, circle, circle" com meus alunos. Meditei!

Porque fiz as minhas orações e reflexões sem ser interrompida pelo despertador ou pelo cansaço. Aliás... Nada de despertador!

Porque, estando descansada, sem olheiras, cabelo limpo e com tempo para me olhar no espelho me achei mais bonita. Tive até vontade de me pesar.

Porque as roupas estão limpas, a casa arrumada, a cozinha organizada, as compras (quase) todas feitas, o banheiro branquiiiinho.

Porque as unhas estão feitas. O cabeleireiro, a dentista, o oftalmologista, o ginecologista marcados. E as pendengas nos bancos resolvidas.

Porque o blog está (quase) atualizado, os e-mails (quase) todos respondidos, o serviço (quase) em dia... Relaxa! Hoje ainda é sábado. Trabalho só na terça-feira! O sono, esse sim está em dia! Era prioridade!

Porque tive tempo para ver quem eu queria, inclusive a mim mesma.

Amor e liberdade

Liberdade é:

Quando você está descendo a escada rolante e vê um ex-namorado subindo. Você corresponde ao aceno dele, devolve o sorriso e pensa "Nossa! Como eu amei esse homem! Espero que ele esteja bem.". É quando o coração esquenta, o sorriso dura no rosto, mas você não olha para trás.

Isso é liberdade. Isso é amor. O amor é liberdade!


Inspirada pela Alcova Libertina.


Você É o presente!

Quando eu percebi que estava onde deveria estar, mesmo com tudo parecendo tão errado e tão injusto o meu coração começou a se acalmar. Não sem dor, claro. Percebi que estava onde deveria porque estava aos seus cuidados, porque podia correr para o seu abraço, porque podia chorar com você, e rir, e aprender...

Com você aprendi que o mundo é mesmo injusto. Que eu não sou e nem preciso ser só boa. Que existem opções. Que é preciso ter paciência e persistência pra conseguir o que a gente quer, mas que nem sempre vamos conseguir. Que a gente tem que ser esperta e escolher. E pedir com muita fé!

Com você aprendi que cloro é melhor do que água sanitária e que a mão não cai. Que ter marido não resolve tudo. Que filho só complica. Que dieta de sopa... nunca mais! Que eu não preciso ficar com medo dos meus sonhos, por mais bizarro que sejam. Que o universo está esperando a gente voltar pra gosma... :)

Com você aprendi a ser mais misteriosa, mais exigente, menos insegura. Ou pelo menos aprendi que é assim que devo ser. Aprendi palavras novas e um jeito de se importar com as pessoas que é admirável.

Você confirmou o que minha mãe sempre dizia: "há males que vêm para o bem." E por falar nisso, por opção sua, você foi meio minha mãe quando precisou ser. Você foi aquela amiga quando Cris estava ocupada com a mãe, Vanessa com a filha, Karine com o seu casamento... Foi terapeuta, benzedeira, cozinheira, costureira, conselheira... Bem, me pergunto o que mais precisaria ser depois de assumir a primeira função da lista. Minha mãe preta! <3 nbsp="" p="">

Com você metendo o dedo onde não deve, eu percebi que o melhor pra gente nem sempre é o mais gostoso, sequer o mais fácil e sim o mais necessário. Porque aprendemos mais na dor do que na alegria. Mais na prática do que na teoria. Mas... Mais com calma do que com agonia.

Você me ajudou a descobrir fraquezas que eu não sabia ter e esteve lá também pra eu saber que ao aceitar ser fraca, eu poderia ser mais forte. Que eu só precisava de um pouco mais de equilíbrio. Você é um bom exemplo. Nem sempre de como ser, às vezes, só um bom exemplo... Um bom exemplo de ser. Há muito não conhecia uma pessoa tão humana.

Você é divertida, é carinhosa, é interessante, é verdadeira... Você é uma ótima companhia! Principalmente quando está por inteiro só comigo. Não que eu seja egoísta. Ou talvez porque eu seja! Hum... Não sei. Foi quando me disse "você várias vezes foi embora frustrada porque não te dei a atenção que queria" que me fez perceber que essa minha frustração por não ter o que quero, como e quando quero existe. Que é mais forte do que eu imagino (ou que aceito que seja), mas que ela é aceitável porque.. Existe. Você me faz aceitar as coisas difíceis de um jeito mais fácil, mas me faz entender que não basta só aceitar. Que ser vil não é vantagem alguma. O mal, tem que ser controlado. E isso, você não disse. Eu digo! É que você me inspira a ser melhor.

Preciso dizer que a sua vida agitada, tão pública, me incomoda um pouco. E me preocupa perceber que não é só a mim. Queria que você pudesse não ter o "peso" de criar o faz de conta do Fernando para a infância dele ser melhor, de dar à Carla o amor e atenção que falta (ou que sobra. depende do referencial), de fazer ele virar homem de verdade, de domar o gênio da Thais, de salvar casamentos, de engravidar as amigas com dificuldade, de orientar mães, de quase tomar partido do sofrimento das mulheres, de cuidar dos sobrinhos, de proteger as filhas, de... De fazer tudo o que faz! Você faz muito! Mas enfim... Eu gosto mesmo é de quando temos aquela "qualidade de tempo" - como você gosta de dizer. Quando otimizamos o nosso pouco tempo juntas ou quando passamos um longo período tricotando como duas velhinhas na varanda daquela casinha na roça e juntas fazemos o tempo parecer diminuir.

Você tem cheiro de casa, café e cigarro, mas é também cheiro de sossego. De conforto. 

Conversando com você, observando você (e sempre sendo observada que eu sei) eu percebi que alguns sonhos foram aumentando, outros diminuindo... As minhas prioridades mudaram. A minha bondade mudou. O meu feminismo mudou. A minha vontade de ser mãe e mulher mudaram. A minha vida profissional, familiar, amorosa e pessoal mudou. O meu comportamento mudou. A Luana mudou! Não porque você tem uma varinha de condão, mas porque faz as coisas mais simples. Porque faz com amor! Porque escuta, porque tira espinhos, porque conversa com os animais, porque come pão com manteiga no final da tarde, porque toma banho de chuva pra lavar a alma, porque remenda aquelas roupas velhas que tanto gostamos, porque tem um abraço apertado, porque olha para as filhas com corações nos olhos e fala delas com mel na boca. Porque fala do místico, da realidade, do imaginário, de política, de religião, de economia, de música, das cores das linhas e até de nada quando acha que uma pessoa sem voz não pode escutar.

Você é mais especial ainda porque fala do passado, do futuro, mas está aqui no presente. Sempre presente... VOCÊ É O PRESENTE! 

Muito obrigada por ser. Feliz aniversário, Sandra!



segunda-feira, 14 de abril de 2014

Borboletas

"Ai!" - lá dentro.
Não era o coração,
Fígado, nem costela
Não dessa vez!
Achei que fosse
Fome de comer.
Carne!
Fui lá ver...
Era fome
De ser comida
Sem ser carne
"Uuuui!" - no estômago.
Eram borboletas!
Eu só havia me esquecido
Es que... sido como era:            (en español)
Esquecida,
Matei as borboletas.
Não porque sofro de gastrite
E sim de evite.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Carta ao ex-

O nosso aniversário é, tradicionalmente, uma data na qual as pessoas que nos querem bem demonstram sua lembrança e seus votos de felicidade. Devemos ser bem quistos para tal. Ao me lembrar da sua data e confirmá-la na minha agenda, me peguei avaliando se você gostaria de ser lembrado. Eu não quero ser um incômodo... Fato é que já lembrei! Talvez eu não seja para você uma boa lembrança, o que infelizmente(!), não anula o fato de você ser lembrado com tanta frequência.

Fique sabendo: eu me lembro de você (nem sempre) com carinho. Eu te desejo que seus amigos continuem sendo fieis como você merece que sejam e que os seus amores continuem sendo do seu jeito. Eu desejo que seu filho te sorria. Sempre e muito! Isso desejo mesmo, de coração! Eu vos desejo saúde, sabedoria e realizações. Desejo que não seja enganado, que não seja mal entendido, que não seja ignorado...

Entenda: por mais que eu seja adepta ao perdão, você deixou fortes marcas e eu carrego mágoas que você não se preocupou em reparar. Ferida aberta, sabe como? Quem não pede perdão não pode ser perdoado. Nem por isso te desejo o troco. Desejo que você seja feliz. Sem mágoas, sem ressentimentos, sem perdões entalados... Que seja amado por quem escolheu amar. Continue pensando que o seu orgulho é boa coisa se isso te faz mais forte. Cabeça dura! Que cuide bem de quem lhe é dependente, mas que não se deixe ser explorado. Que continue sonhando... Tão indeciso! E achando que isso é uma questão de determinação - se assim desejar. Que durma quando quiser, onde quiser, com quem quiser, por quanto tempo quiser! Só não seja ingrato e não se esqueça de quem vela seu sono sem que você peça, sem que você note. Que reavalie o seu conceito de liberdade e tenha certeza de que uma pena ao vento pode significar muito menos do que cultivar pessoas que o deixam ser livre com afeto.

Enfim... Que reconstrua por opção o que perdeu também por opção. E que aprenda a controlar melhor seus impulsos e suas palavras. Por mais imperfeitas que as suas mulheres sejam, elas não têm culpa por ser você tão volátil e ter metas tão fugazes. Que vá ao jantar com aquela, que visite a loira, que beije a vizinha, que entregue a chave e a aliança para a mulher.Que providencie a escola, os papeis, a aliança e tudo mais que elas cobram de mim. Sucesso pra vocês!

E por fim... Que a idade nova finalmente te faça CRESCER, no sentido mais nobre que cabe ao vocábulo.

Feliz aniversário! Seja feliz!

quarta-feira, 19 de março de 2014

A consequência do pouco caso:

O sorriso amarelo de otimismo vira insegurança.
A alergia vira rinite.
A gripe, sinusite.
A virose, faringite.
O coração partido, depressão.
A expectativa, ansiedade.
O cansaço, insônia...

Sabe... Pequenos problemas devem ser resolvidos prontamente!

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Friends até morrer!

"Hoje na aula com os pequenininhos estávamos falando o que faríamos no final de semana. Cada um falou de si e por fim uma aluna me perguntou:
- E você, Teacher?
- Eu vou visitar a minha friend que se chama Vanessa. É aniversário dela.
- Ela é da sua school?
- Hum... So-so. Ela é minha friend desde que gente era baby. Mais baby que vocês. Nós estudamos juntas desde que a gente tinha só seven years old atééé a gente sair da school.
- E ela ainda é sua friend agora que você é grande? (com cara de espanto!)
- Yes!
- Então vocês vão ser friends até morrer?
- Yes! Vamos ser friends até morrer!"


Há tempo sinto necessidade de te falar o quando você se tornou importante. Não é só o fato de nos conhecermos há anos... Desde que nossa consciência existe. É também a afinidade que fomos construindo. É da minha gratidão por, nas nossas esquisitices, termos nos aproximados. Eu a gorducha, de pernas tortas, cabelo ruim, óculos... Você a magricela, de pernas finas, pés grandes, olheiras... Nós duas as esquisitas que gostávamos de escutar Rock, proteger os animais e estudar. Você boa de matemática e física. Eu, boa de português, inglês, biologia. Ambas péssimas nas práticas esportivas e não tão boas assim em romances juvenis. Nós duas, filhas responsáveis. Muito amadas por nossa família, sem dúvida! Um pouco mais tarde, mas ainda assim cedo demais, nos tornamos responsáveis por elas e com as dificuldades em casa, só nos tornamos ainda mais amor e responsabilidade. Porque somos filhas mimadas, não é mesmo? Mimadas por Deus. Ele sabe bem quem coloca em nossas vidas. E sabe também o momento certo para todas as coisas.

Agradeço a Deus e a você, minha amiga. Agradeço a companhia que me fez em todos os momentos. Agradeço por me receber em sua casa, sem formalidades, mas sempre com muito carinho. Agradeço as conversas de ida e volta a caminho da escola. E as inesquecíveis conversas na esquina. Agradeço por ter cuidado da Frida. Agradeço por ter se casado com o Denner, por quem também tenho um grande carinho. Agradeço, aos dois, por terem feito a Alice e por serem, simplesmente por ser, uma grande inspiração.

Você, Vanessa, me ensinou que a gente vai ser amada se amarmos os outros como eles são. E que da mesma forma não precisamos mudar. Uma dose de adaptação, talvez. Você me ensinou que algumas pessoas têm que permanecer juntas, mesmo com a distância. Você me ensinou a não duvidar do amor, a não ter medo do casamento, da terapia, nem de ser uma mulher forte, independente, moderna... E tampouco de ser mãe e dona de casa. Você me ensinou que um silêncio sincero, vale mais do que palavras de carinho que soam falsas. Ensinou-me a ponderar o uso do verbo amar. Ensinou-me que talvez não seja necessário sempre demonstrar carinho a todo mundo. Algumas pessoas não se importam com isso e é melhor evitarmos a frustração.

Você me inspira com sua discrição, com sua determinação. Inspira-me o modo como você conversa com sua filha. Inspira-me quando fala apaixonada sobre seu marido. É bom pensar em você todas as noites, a cada oração e não precisar demonstrar que é assim. Admira-me a forma como você me ouve. Seus conselhos me fortalecem! E há também os nossos medos, nossa teimosa insegurança, nossas dificuldades, aquele vazio... Aquece meu o coração quando estamos desesperadas e começamos a chorar, mas num instante já estamos rindo novamente. E me enobrece a certeza de que tudo, sem tirar nem pôr, é recíproco.

Eu me sinto segura com você. Sinto-me amada, Sinto-me... "Em casa"! Muito obrigada, minha amiga. Porque eu sinto verdade nos seus olhos e conforto no seu abraço. Muito obrigada por ser parte da minha vida. Desde sempre. Para sempre!

Eu amo você! Feliz aniversário!