domingo, 27 de abril de 2014

Esperando a primavera

Aluna dedicada que sou, cheguei mais cedo, arrumei eu mesma o que consegui arrumar e comecei. Estava tudo errado! Esteira solta, baquetas sem inverter, beat errado. Tudo errado! O dia só começou mesmo quando o meu professor de bateria disse "direito! faça todas as viradas, termine com bumbo e os dois pratos. Você é level high!"

Olhos arregalados! Pronto... Acordei! Fiz mais uma breve sessão do exercício que estava praticando e terminei como ele mandou. Foi... Mas todo mundo sabe que eu não sou do tipo que funciona bem sob pressão. Tava lerda por ter passado uma péssima noite. Febre, dor e aquela chatice de estar toda congestionada e sem voz mais uma vez. Pensando nos dois amigos tão queridos que não vejo há tempo e que naquela manhã estranha tive a oportunidade de ver. Ruti "fantasiado" de terno e Ton dirigindo um carro que não é mais aquele (Corsa?) de sempre. Só pudemos trocar sorrisos e abanar a mão um para o outro. Suficiente. Algumas pessoas não precisam de muito para serem queridas.

Após a aula de bateria, coloquei a música que tenho que ensaiar pra tocar no celular e tomei meu rumo, meio prestando atenção na música e fazendo movimentos no ar quando o sinal fechava e meio repassando a listinha de prioridades sobre o que conversaria com a terapeuta naquela sessão.

Nossa Senhora das Vagas não tinha reservado a minha, como de costume. Algumas coisas tão bobas me irritam tanto! Sobretudo as relacionadas a carro. Em primeiro lugar: gente que não dá seta! Buzinas sem necessidade, falta de gentileza, de vaga, de segurança e problemas mecânicos, é claro! Tive todos nesse dia.

Na terapia, a dificuldade de falar e ser compreendida só me chatearam mais um pouco. Mesmo com a Juliana, que já está acostumada a ouvir e entender até o que eu não digo foi difícil. imagina com os outros. Têm sido dias difíceis, sabe... Sentamos lado a lado dessa vez, ela semicerrou a janela, desligou o ventilador. Atenciosa como sempre, mas até ela tinha dificuldades em me entender. Essa é a pior parte de estar totalmente sem voz: não ser compreendida. Eu posso fazer mímicas muito bem, relembrar as aulas de LIBRAS da faculdade, deixar a garganta doer e me esforçar pra gritar enquanto quem (pouco escuta) acha que estou só sussurrando. Há um idiota ou outro que acha que estou fazendo graça e fica me pedindo pra repetir. Alguns sem noção que percebem que estou sem voz e querem conversar. Começam a questionar como se a necessidade de responder a uma pergunta resolvesse a afonia. E os que sussurram ou se calam, não por serem solícitos e sim por se esquecerem que eu continuo ouvindo e prestando atenção em tudo. Típico! Essa última situação chega a ser até engraçada se o meu humor não está destruído.

De tão atenciosa, Juliana sugeriu que eu escrevesse se não melhorasse. Como fiz mês passado, mas que não deixasse de ir. E mais! Reduziu o tempo da sessão sem deixar escapar nada. Eu falei o que precisava falar. Assuntos já recorrentes e por isso eu não tive que me explicar demais. Eu adoro quando ela se adianta e vai dando os seus "palpites", por mais sofridos que eles sejam. E foram! Eu não gosto de pressão, mas sei que as dificuldades me fazem mais fortes. E é quando ela me fala com firmeza me ajudando a entender e aceitar o que está errado que as coisas se ajeitam. É nesse momento que costuma vir um bate boca e minha enxurrada de perguntas, insegurança e ansiedade pra fazer as coisas darem certo. Dessa vez, não sei se pela falta de voz ou de ânimo, veio só o meu olhar que deveria estar tão perdido quando o resto do meu eu e o choro. Atitudes que que pelo visto ela também já conhece bem. Eu estou aprendendo dar o braço a torcer, porque sei que ela vai me falar algo libertador logo em seguida. Não que eu não questione, discorde, discuta,. Sou a mesma Luana de sempre, mas estou aprendendo... Sei que ela vai me fazer me falar com a firmeza e ternura de quem realmente está lá para me ajudar a ser melhor. Ou que só vai fazer aquela pergunta desconsertante. 

Já disse e repito. Terapia salva!

Devo ter saído da clínica mais lerda do que estava no começo do dia. Depois do choro sempre vem fome, sono e dor de cabeça. Certo? Não necessariamente nessa ordem, mas... Não ia dar pra comprar os legumes e vir pra casa prepará-los junto com frango, do jeito que minha mãe fazia. Porque se tem uma coisa que incomoda mais do que não ter mãe, essa coisa é estar doente e não ter mãe. E ninguém viria fazer isso por mim. Eu estava quase certa de que não viria. Não agora. E foi assim que a pergunta desconsertante já começou a ser respondida.

Fui resolver a fome em um restaurante com a companhia que eu já nem sei mais se é mesmo boa, nem porquê está ruim. Mas que por algum motivo essa companhia estava lá. Quase fui abraçar um moço qualquer porque vi nele o Jojô. E eu não ia resistir atravessar o restaurante pra abraçá-lo, mesmo estando ambos acompanhados. Mas observei bem e não era ele não. Era só um moço qualquer que me fez sentir saudade do amigo que, ainda mais que os outros que já citei, não precisa nem aparecer para ser especial.

Depois do desagradável almoço eu fui à Araújo comprar o tal complexo vitamínico. Resolvi fazer hora porque de lá eu teria que ir à oficina fazer o Melão, o mecânico, dar um jeito naquela fumaça, naquele barulho, naquele ponteiro... Já me sentia arrependida por não ter trocado de carro ainda. Enquanto verificava as prateleiras (ai, como é bom quando não vem nenhum vendedor ficar te enchendo, né?!) eu comecei a pensar nas vantagens de se almoçar fora e depois fui fuçar produtos de beleza para o casamento da amiga Karine. Peguei cílios e unhas postiças, um par daqueles estranhos sutiãs de adesivos, esmaltes... e de tanto pensar no tamanho do meu amor por ela, resolvi ir com a cara mais limpa o possível. Que era para chorar mais a vontade... Peguei um pacote grande de lenços de papel, um esmalte só e foi tudo, além do que já estava na sesta. Eu estaria lá. Linda e sorridente de qualquer jeito. E como nosso relicário!

Preciso admitir que estar casando a última e uma das mais queridas amigas de infância não é uma coisa assim tão feliz. Eu sabia que não seguraria o choro.

Bom mesmo não comprar coisas demais na farmácia porque ainda tinha a ida a oficina e as despesas com o Gulim. Tadinho, tá ficando velho o meu carro... Tô judiando! Mudei o foco da preocupação. Parei de pensar no casamento pra pensar nas despesas, na vontade de ter um carro novo achando que isso evitaria o meu chateamento com oficina, mas pensando nas dificuldades e desvantagens de bancar um carro novinho. Pensei até em não ter carro mais! Porque logo comecei a fritar com a necessidade de manter a receita, a saúde, o bom sono, a sanidade, a espinha ereta e o coração tranquilo. E também na necessidade de diminuir a carga horária, a excessiva dedicação ao trabalho... A necessidade de fazer a vida ir pra frente!

Fui pensando, pensando, pensando...

Na oficina a dificuldade de comunicação novamente. Lugar barulhento! E Breno nada de chegar do seu horário de almoço! Tive que chegar perto demais pra conversar, pedir água que não estivesse gelada... Aí foi uma cantada atrás da outra. Acho que nem isso me animou muito. Aliás, tudo parecia só me deixar mais chateada.

Quando a chuva forte de final de tarde caiu, passou pela minha cabeça que não ter carro era uma péssima ideia. E, por falar em péssima ideia, foi nesse momento que notei que a aliança da minha mãe não estava mais no meu dedo.

Procurei até! E antes de voltar pra casa pra resolver o sono e a dor de cabeça, já deixei o Melão avisado. Parei o carro por causa da chuva muito forte e porque estava mesmo desorientada. Chateada de um tanto! Olhei todos os compartimentos do carro, bolsas, sacolas, estojo, necessaire, carteira, caixinha de chiclete, retirei tapetes... E nada!

Vim pra casa verificar se não havia ficado no banheiro porque me lembrei que na noite anterior eu havia mudado a aliança de dedo. Estava frouxa no dedo de costume. Achei uma desvantagem em emagrecer dez quilos. Mas na manhã seguinte, já pensando no efeito do corticoide que tomo para tratar da garganta, eu preveni para não deixar a aliança presa e voltei para o dedo de costume após lavar o rosto. Certeza que saí de casa com ela! E não voltei.

Revirei o banheiro, os lixos, a louça suja na pia da cozinha, o carro mais uma vez, a garagem... E quando sosseguei, pensei "perdi a minha mãe de vez". Aí veio todo aquele chororô de novo porque eu não havia muito a ser feito. E ironicamente, mas com um verdadeiro alívio eu também pensei "ainda restou meu pai".

Acho que está mesmo na hora de deixar minha mãe ir. Aceitar e não sofrer. Ignorar a dor. Assim como a aliança que se foi e não havia muito que eu pudesse fazer além de me sentir culpada por perdê-la. Também não há o que fazer sobre não ter minha mãe aqui e me sentir culpada por isso. É ignorar a dor. Eu tenho certeza que ela se agonia com o tanto que desejo que ela esteja de volta quando estou doente ou triste. Não deve ser muito menos difícil  para o espírito dela querer e não poder.

Os pensamentos foram se acalmando e os ensinamentos lá da constelação familiar, do mosteiro budista, da aspiração à mediunidade, da Seicho No Ie e do grupo espírita foram anulando o insano e enraizado sofrimento do aprendizado católico de "minha culpa, minha máxima culpa". Eu comecei a me lembrar da lógica que faz a teoria dos espíritos amigos, almas irmãs, estrelas, forças do Universo ou seja lá qual for o nome mais apropriado... A lógica que que faz com que vida após vida a gente sofra tanto para estar próximo de quem amamos. Dos amores e afeições que não se explicam. Das afinidades, da admiração, da sina, do karma, da missão! Não deve ser a toa que todas as teorias, cada uma a seu modo, fala sobre essas conexões.

Eu respirei fundo e consegui dormir quando olhei para a aliança do meu pai que ainda estava em seu lugar. É ela que precisa ficar! A missão dos mais fortes é ajudar os mais fracos e os loucos que sofrem do mesmo mal que se entendam. E relaxei mais um pouquinho quando usei da mesma teoria acima, usando a metáfora de pessoas/alianças. A aliança da minha mãe foi embora, mas amanhã uma outra pessoa que é muito amada, uma dessas pessoas que faz com que eu tenha certeza que existe uma força maior organizando tudo. Uma outra pessoa que não é da família, mas que está sempre presente, que entende o olhar, respeita as diferenças, que ama, cuida... E que muito amada, respeitada e muito admirada também. Essa pessoa ia colocar uma aliança no dedo no dia seguinte e eu tinha que estar inteira para testemunhar. Testemunhar que o amor se ajeita nas dificuldades, que o amor transforma, que o amor é um bom exemplo e que o amor sim deve ser sempre lembrado.

Assim foi a última sexta-feira. Resolvi atrasar o a publicação dessas bobagens porque não queria minha amiga com olheiras, toda deformada. Hoje antes de publicar de vez, resolvi editar alguns detalhes. E te agradecer mais uma vez, minha amiga. Muito! Eu não fiquei com vergonha de ser a única madrinha solteira. Tanto que me levantei e fui lá. Isso por acaso estava ensaiado? Fiquei foi toda orgulhosa de carregar seu buquê durante a cerimônia. Um pouquinho mais quando ouvi o Padre Jorge falar quase isso o que havia concluído sobre o amor. E mais ainda quando, ao final do casamento, fui conversar com ele, que salvo os seus defeitos de humano e todas aquelas complicações que tínhamos na época do meu trabalho na pastoral, é o Padre que mais me conhece, o que acompanhou um bom bocado das nossas vidas. E inevitavelmente, mais querido pela franqueza. Ele não me reconheceu de pronto. Percebi logo por não ter feito nenhuma piadinha quando fui pegar o seu buquê no altar. Foi a primeira vez que conversamos sem piadinhas, sem alfinetadas, sem ironia. Eu tive que citar aquele meu tão amado primeiro namorado, meu irmão, meu padrinho... E aí segurando forte a minha mão, já sem batina, ele quis se informar. Eu sem voz alguma, porque contive o choro pra não borrar toda a maquiagem e isso fez a minha garganta se estropear de vez, mas... Ele me ouviu pacientemente agradecer os votos de que eu seja a próxima por ter segurado o buquê. Disse saber das dificuldades. Finalizou dizendo "tenha fé, menina. Paciência! Você precisa disso tudo para ser mais forte e para estar preparada. Tudo vai se encaminhar e logo a sua vida estará tão florida e alegre quanto aquele buquê!"

O que ele talvez não saiba é que eu nunca deixo de esperar a primavera.















domingo, 20 de abril de 2014

Em cima do muro

Resolvi colocar eu mesma a mão nas baquetas e tentar aprender a tocar bateria quando concluí que aquele meu ele perfeito é o homem que eu gostaria de poder ser. O que me atraí em um homem não são necessariamente os opostos. É o que ficou reprimido. É o que me faz insegura. É a minha falta de coragem se expressando no outro até virar admiração, respeito, paixão...

Estou percebendo que preferências como cheiro, barba, estatura, profissão... são, não irrelevantes, mas tão relativas. Por exemplo: 

Já não sei mais a que ponto anda a minha atração por homens que se são bons com números. Que são canhotos, barbudos, atléticos... Quero que ele seja bom com números porque eu não sou. Nem sou canhota, muito menos barbuda e atlética. Quero que ele seja o que não posso ser para que no auge do conto de fadas ele me complete. Mas agora quero também que ele entenda os meus poemas e que, entendendo a importância disso, vez ou outra se aventure me escrevendo algo. Não só porque ele acha que vai me agradar, mas porque... Ele não é só números, barba, mão grande, corpo suado... Ele é mais! E se não tirar a armadura e aquela cara de homem mal que eu adoro... Também não vai ser bom. Não precisa ser com poemas, nem com metáforas, nem só com músicas... Mas de alguma forma a gente vai precisar se comunicar.

Eu desejo que ele não adormeça logo, que fale de si e converse sempre que pudermos, mas entendo que às vezes é suficiente que ele só me escute. Porque se desconfio da teoria de que "os opostos se atraem", da que diz que "semelhantes se aproximam" então... Percebi que é chato me relacionar com um homem que apresenta as mesmas dificuldades que eu. "Vamos ficar disputando então?" - eu penso. Onde está a diversão, a segurança, o sossego? Talvez eu esteja meio sem paciência, menos altruísta e quase nada benevolente, mas longe ainda de ser a vilã da relação.

Se ele dirige, pilota, cozinha... Nem sei mais o quão importante isso é. Afinal... Posso fazer isso tudo se eu quiser. O que me atrai em um homem, nem sempre é o que me falta. Às vezes é também o que reconheço de bom em mim e gostaria que ele também tivesse. Por que não?

Sim... Eu continuo tendo a minha preferência por homens alto, atléticos, barbudos, meio intelectuais, meio malandros, tatuados, bateristas, de cores e expressões fortes... Percebi, porém, que mais vale estar em segurança de uma forma mais íntima, mais verdadeira e menos ostentadora. É daquela segurança que vem com um abraço apertado que preciso mais. Aquele abraço que te dá nó na garganta e ao mesmo tempo te faz engolir o choro. É da segurança de um olhar profundo, de expressões diárias que te fazem sorrir ao vento, dos códigos e das metáforas que inventamos e que são só nossos. Da segurança que vem com aquele jeito peculiar de fazer carinho. Para ele, o melhor que consegue dar. Para mim o melhor que consigo receber. É da prosa sincera e desembolada, da sinceridade e cumplicidade que confortam que preciso mais.

Não me importo que ele não tenha carro, afinal eu já tenho o meu! Não me importo que não dirija ou que não entenda de carros, como eu não entendo. Pode ser o copiloto. Ou... Podemos aprender tudo juntos. Talvez essa opção seja até melhor do que aquela que condiz com o tradicional machismo do "vai pelo MEU caminho!", "faça assim!". Ele tem que entender que a linha entre admiração e repúdio é muito tênue quando se trata de alguma característica que eu procuro no outro de tanto que gostaria de ter e não tenho. Mas ele tem o direito de não ser sempre o meu porto seguro. É justo que também tenha as suas fraquezas. Porque eu tenho as minhas e estou descobrindo que não é muito bom cutucá-las. "I've got the right to be wrong" e me reservo no direito de ser sim essa mulher independente, decidida, determinada, cabeça dura e... sobretudo, mulher que não gosta de se perder. Que não gosta de perder o rumo e que não aceita não ter, mesmo que parcialmente, o controle da situação. Não porque eu sou do tipo mulher avassaladora. Sou só uma menina sistemática que exige respeito e compreensão. E que ele entenda: essa não é uma opção que tomo por gosto e sim por precaução. Eu vou entender que não me entenda, mas não vou aceitar que não queira me entender. Entende? É melhor já nem me aceitar de cara.
Certas coisas não dá pra aceitar mais! 

Outras são aceitáveis. Negociáveis! Algumas diferenças podem ser boas sim! Ou simplesmente irrelevantes. Acho que o videogame não me incomoda mais tanto assim, nem o que ele faz, o que estuda, onde mora... Por agora, me interessa mais saber se ele sabe carregar bebês, se topa aprender falar inglês, da forma como ele fala da própria família, do tom de voz que usa quando quer discordar e das suas estratégias para me agradar. E se agrada mesmo, ESPONTANEAMENTE!

Fato é: ainda não caibo nos padrões de princesa e sei que estou longe de ser uma. Só que agora respeito mais a teoria de que "o verdadeiro príncipe só aparece para quem é princesa". Eu gosto dessa metáfora real. Mesmo sendo ridícula! Agora é colocar a teoria em prática e praticar, praticar, praticar... Porque eu que, assim como Cazuza, "adoro um amor inventado", também desisto daquela solteirice juvenil. Eu estrago todas me apaixonando! Cansei.

Então? Em cima do muro, não é isso? Bem... Pelo menos daqui, a gente sente a perna tremendo e vai controlando. É que a gente sabe que vai tremer e se prepara pra pular pro lado que estiver mais fácil. Em cima do muro é melhor pra analisar, aprender e ser franca. Em cima do muro eu continuo sozinha, mas pelo menos estou treinando o meu equilíbrio. Ser sozinha não é tão ruim assim quando é uma opção e não falta dela. Daqui é mais difícil de me derrubar e por isso, por mais que as pernas tremam, me sinto mais forte. Só vai me fazer descer quem me fizer confiar, quem me der a mão e for me segurar, porque o muro é alto e posso me estrepar, portanto posso não querer descer. Ou posso! Porque sou boa de trepar, mas por enquanto é lá em cima que a princesa vai ficar.

sábado, 19 de abril de 2014

Na contramão

Por que não fui? Não estou comendo muito, nem bebendo álcool. E estou bem, obrigada! Preferi ficar em casa mesmo.

Por que eu não viajei? Porque também gosto de sossego. Porque coloquei o bumbum no chão sem ser pra fazer atividades físicas ou me alongar, como tenho feito diariamente. E também não foi pra fazer "circle, circle, circle" com meus alunos. Meditei!

Porque fiz as minhas orações e reflexões sem ser interrompida pelo despertador ou pelo cansaço. Aliás... Nada de despertador!

Porque, estando descansada, sem olheiras, cabelo limpo e com tempo para me olhar no espelho me achei mais bonita. Tive até vontade de me pesar.

Porque as roupas estão limpas, a casa arrumada, a cozinha organizada, as compras (quase) todas feitas, o banheiro branquiiiinho.

Porque as unhas estão feitas. O cabeleireiro, a dentista, o oftalmologista, o ginecologista marcados. E as pendengas nos bancos resolvidas.

Porque o blog está (quase) atualizado, os e-mails (quase) todos respondidos, o serviço (quase) em dia... Relaxa! Hoje ainda é sábado. Trabalho só na terça-feira! O sono, esse sim está em dia! Era prioridade!

Porque tive tempo para ver quem eu queria, inclusive a mim mesma.

Amor e liberdade

Liberdade é:

Quando você está descendo a escada rolante e vê um ex-namorado subindo. Você corresponde ao aceno dele, devolve o sorriso e pensa "Nossa! Como eu amei esse homem! Espero que ele esteja bem.". É quando o coração esquenta, o sorriso dura no rosto, mas você não olha para trás.

Isso é liberdade. Isso é amor. O amor é liberdade!


Inspirada pela Alcova Libertina.


Você É o presente!

Quando eu percebi que estava onde deveria estar, mesmo com tudo parecendo tão errado e tão injusto o meu coração começou a se acalmar. Não sem dor, claro. Percebi que estava onde deveria porque estava aos seus cuidados, porque podia correr para o seu abraço, porque podia chorar com você, e rir, e aprender...

Com você aprendi que o mundo é mesmo injusto. Que eu não sou e nem preciso ser só boa. Que existem opções. Que é preciso ter paciência e persistência pra conseguir o que a gente quer, mas que nem sempre vamos conseguir. Que a gente tem que ser esperta e escolher. E pedir com muita fé!

Com você aprendi que cloro é melhor do que água sanitária e que a mão não cai. Que ter marido não resolve tudo. Que filho só complica. Que dieta de sopa... nunca mais! Que eu não preciso ficar com medo dos meus sonhos, por mais bizarro que sejam. Que o universo está esperando a gente voltar pra gosma... :)

Com você aprendi a ser mais misteriosa, mais exigente, menos insegura. Ou pelo menos aprendi que é assim que devo ser. Aprendi palavras novas e um jeito de se importar com as pessoas que é admirável.

Você confirmou o que minha mãe sempre dizia: "há males que vêm para o bem." E por falar nisso, por opção sua, você foi meio minha mãe quando precisou ser. Você foi aquela amiga quando Cris estava ocupada com a mãe, Vanessa com a filha, Karine com o seu casamento... Foi terapeuta, benzedeira, cozinheira, costureira, conselheira... Bem, me pergunto o que mais precisaria ser depois de assumir a primeira função da lista. Minha mãe preta! <3 nbsp="" p="">

Com você metendo o dedo onde não deve, eu percebi que o melhor pra gente nem sempre é o mais gostoso, sequer o mais fácil e sim o mais necessário. Porque aprendemos mais na dor do que na alegria. Mais na prática do que na teoria. Mas... Mais com calma do que com agonia.

Você me ajudou a descobrir fraquezas que eu não sabia ter e esteve lá também pra eu saber que ao aceitar ser fraca, eu poderia ser mais forte. Que eu só precisava de um pouco mais de equilíbrio. Você é um bom exemplo. Nem sempre de como ser, às vezes, só um bom exemplo... Um bom exemplo de ser. Há muito não conhecia uma pessoa tão humana.

Você é divertida, é carinhosa, é interessante, é verdadeira... Você é uma ótima companhia! Principalmente quando está por inteiro só comigo. Não que eu seja egoísta. Ou talvez porque eu seja! Hum... Não sei. Foi quando me disse "você várias vezes foi embora frustrada porque não te dei a atenção que queria" que me fez perceber que essa minha frustração por não ter o que quero, como e quando quero existe. Que é mais forte do que eu imagino (ou que aceito que seja), mas que ela é aceitável porque.. Existe. Você me faz aceitar as coisas difíceis de um jeito mais fácil, mas me faz entender que não basta só aceitar. Que ser vil não é vantagem alguma. O mal, tem que ser controlado. E isso, você não disse. Eu digo! É que você me inspira a ser melhor.

Preciso dizer que a sua vida agitada, tão pública, me incomoda um pouco. E me preocupa perceber que não é só a mim. Queria que você pudesse não ter o "peso" de criar o faz de conta do Fernando para a infância dele ser melhor, de dar à Carla o amor e atenção que falta (ou que sobra. depende do referencial), de fazer ele virar homem de verdade, de domar o gênio da Thais, de salvar casamentos, de engravidar as amigas com dificuldade, de orientar mães, de quase tomar partido do sofrimento das mulheres, de cuidar dos sobrinhos, de proteger as filhas, de... De fazer tudo o que faz! Você faz muito! Mas enfim... Eu gosto mesmo é de quando temos aquela "qualidade de tempo" - como você gosta de dizer. Quando otimizamos o nosso pouco tempo juntas ou quando passamos um longo período tricotando como duas velhinhas na varanda daquela casinha na roça e juntas fazemos o tempo parecer diminuir.

Você tem cheiro de casa, café e cigarro, mas é também cheiro de sossego. De conforto. 

Conversando com você, observando você (e sempre sendo observada que eu sei) eu percebi que alguns sonhos foram aumentando, outros diminuindo... As minhas prioridades mudaram. A minha bondade mudou. O meu feminismo mudou. A minha vontade de ser mãe e mulher mudaram. A minha vida profissional, familiar, amorosa e pessoal mudou. O meu comportamento mudou. A Luana mudou! Não porque você tem uma varinha de condão, mas porque faz as coisas mais simples. Porque faz com amor! Porque escuta, porque tira espinhos, porque conversa com os animais, porque come pão com manteiga no final da tarde, porque toma banho de chuva pra lavar a alma, porque remenda aquelas roupas velhas que tanto gostamos, porque tem um abraço apertado, porque olha para as filhas com corações nos olhos e fala delas com mel na boca. Porque fala do místico, da realidade, do imaginário, de política, de religião, de economia, de música, das cores das linhas e até de nada quando acha que uma pessoa sem voz não pode escutar.

Você é mais especial ainda porque fala do passado, do futuro, mas está aqui no presente. Sempre presente... VOCÊ É O PRESENTE! 

Muito obrigada por ser. Feliz aniversário, Sandra!



segunda-feira, 14 de abril de 2014

Borboletas

"Ai!" - lá dentro.
Não era o coração,
Fígado, nem costela
Não dessa vez!
Achei que fosse
Fome de comer.
Carne!
Fui lá ver...
Era fome
De ser comida
Sem ser carne
"Uuuui!" - no estômago.
Eram borboletas!
Eu só havia me esquecido
Es que... sido como era:            (en español)
Esquecida,
Matei as borboletas.
Não porque sofro de gastrite
E sim de evite.