segunda-feira, 19 de maio de 2014

Relacionamentos são evolução?

Na agenda, exatamente nessa data, está um recado de mim para eu mesma ler. Anotado logo após a sessão de psicoterapia que Juliana me disse algo mais ou menos assim: "Você precisa tornar as suas relações mais fáceis. Não exigir muito dos outros. Isso pode te ajudar a evitar perdas".

É o tipo de mensagem que vai continuar pulando de agenda com o passar dos anos. Será que um dia eu aprendo?

A noite anterior me fez ter a certeza de que ainda não aprendi. Não na prática! Foi uma longa noite. Bastante coisa a ser (re)pensada.

Será que um dia eu vou conseguir me relacionar (bem) com alguém?

Dormi. Acordei! E não tinha resposta. Se eu não tenho respostas para as minhas perguntas... não é justo que eu espere que alguém as tenha.

Gosto de perguntas! Não gosto de ficar sem respostas. Odeio injustiça!

Hoje foi mais um daqueles dias que eu acordei com a minha urgência de família. E logo, lá no quintal, começou a reinar aquele cheirinho perfeito da mistura entre carvão e álcool ao encontrarem uma faísca. Parecia um daqueles dias em que meu pai resolvia matar um dos nossos galos. Churrasco de frango!

Eu tentei desviar o foco como o meu amigo Panda me ensinou. Mantive a rotina e preguiça de domingo. Mas como eu tinha um encontro, estava toda empolgada. Ansiosa como nunca consigo deixar de ser. Fui intercalando as minhas atividades com espiadas no celular e esticadas na cama para pensar melhor.

Pensei:

- Tá tudo errado! Eu faço tudo errado! Eu tenho defeitos. Muitos!
- Ninguém é obrigado a lidar com os meus defeitos. Então...
- A minha urgência familiar é um problema meu. Então...
- Trabalhar não é terapia.
- Sexo é escolha. Amor é sorte! (escutando Rita Lee)
- Já preciso reler "Controles Imperfeitos" novamente! Afinal, recomendação médica é pra ser seguida a risca!
- Eu nasci pra morrer de amor! Devo ser uma encarnação de Julieta!



O encontro de hoje ficou para outro dia. Ou não ficou. Vai saber! Eu saí da agonia da espera e fui para a cozinha! Enquanto picava alho para o feijão escutada as músicas altas do meu tio. Bem como ele fazia na casa da vovó. Eram as mesmas músicas... A carência de família bateu forte de novo. Eu até me lembrei do dia em que um cara me achou uma idiota porque eu disse que Deep Purple era música para dormir. Mal sabia ele a minha razão pra falar isso. É que Deep Purple, Pink Floyd, The Rolling Stones... músicas que eu escutava quando criança e que me soavam como "você está em casa! está tudo bem!"

Eu estranhei que meu tio também estivesse tendo uma viagem nostálgica ao passado de porta fechada. Coincidência? Eu pude reconhecer a seleção de músicas. Minha favorita talvez! Entre outras aquela do barulho de dinheiro, a da bateria (insight! sou apaixonada por bateristas desde criança!), a da mosca - que já era quando eu estava querendo me acalmar. Bem como eu falava quando era criança. Ainda não sabia falar inglês, ainda não conhecia as bandas... Minhas canções de ninar e é isso! Eu, eu mesma, gosto é de rock moderninho. Pense bem, era final da década de 90 quando eu comecei a entender das coisas. Talvez explique. 

Ainda escutando as músicas (pensei: daqui a pouco ele fica com sono e tem Mutantes!) e mexendo o feijão eu me lembrei de uma amiga dizendo para outra que estava em crise pré casamento que "a Luana é a única de nós que está preparada para se casar. Porque sabe como é morar sozinha, cozinha, não tem nada a perder, está acostumada, já decidiu que quer ter filho..." Ironia que as três amigas presentes nessa conversa já tenham se casado e eu não. Em seguida lembrei-me de Juliana exemplificando e falando algo do tipo: "depois que você aprendeu a dirigir, quis ter seu carro. Depois que teve seu carro, não quis mais ficar caminhando nem andando de ônibus, mas você não deixou de saber como é andar de ônibus e nem esqueceu dos dias em que precisou dele. Somos gratas, por isso, não é mesmo?! E ponto! O conforto de se ter um carro nos faz querer evoluir e aprender mais. Andar de ônibus pode ser um lazer (as viagens que você faz, por exemplo), opção (quando você diz que vai ao Centro e prefere ir de ônibus porque se sente mais segura) ou uma eventualidade.

Pensei:

- Depois que se tem carro, não queremos mais ônibus! Caminhada, bicicleta, moto... são opções remotas. E só opções.
- Depois que aprendemos, aceitamos e nos acostumamos a morar só, ser só e estar só...

... continuei o pensamento e, claro!, não o conclui. Murchei como balão sem nó. Eu não sei mais se relacionamentos são evolução. De fato são necessários, inevitáveis e são um desafio. Eu não sei mais se, depois de tanto tempo sendo e me sentindo sozinha eu presto para estar com alguém. Filho, família, amigos... pessoas! Fica cada vez mais difícil. Mais assustador!

Pensei:

- Não é normal que seja assim!

É?

quinta-feira, 8 de maio de 2014

É culpa

Se eu fiquei chateada? Fiquei sim. Muito! Não que eu tenha me magoado com o que você disse. Não que eu tenha me ofendido. O que já é válido.

Quando foi mesmo que um homem não fez isso? Ou, melhor, não pareceu "só" fazer isso? Que magoou. Ofendeu. Quando?

Quando foi mesmo que um homem, recebendo o que queria, não ficou insistindo em conquistar? E conquistou!

O menos bonito, menos alto, menos barbudo, menos tradicional, menos, menos, menos... Quais são mesmo todas aquelas características que constam na lista de bons-moços-para-boas-moças- da boa sociedade contemporânea? Não se ofenda, mas aparentemente você era o menos da lista. Seja lá como ela for! Era o que diziam. Ou diriam. Pra mim... o mais. Encantador! Diferente. Atencioso. Compreensivo. Educado. Verdadeiro. Carinhoso. Que gosta de animais e casas na roça!


"...uma alma especial reconhece de imediato a outra", não é verdade? Bem disse Caio Fernando Abreu. Ain... Quando foi que um homem deixou de me conquistar assim? E quando foi que eu não teimei? Não fui insistente? Arredia?! Rebeldezinha? Quando foi que eu, mesmo sem não conseguir simplesmente ignorar a opinião dos outros como manda a teoria, não ouvi com veemência aquela vozinha perdida lá dentro de mim? Quando?

Você deve ter notado que não tinha forças para continuar a nossa conversa. Chorando, eu me encolhi debaixo do cobertor e pensei no quanto você deveria estar quentinho. No quanto me abraçaria forte se me visse chorando daquele jeito. Porque enquanto eles tentam dar um abraço de urso e dar falsos conselhos, você, senhor Panda, tem O abraço. O abraço DO Urso. E você, diz o que tem que ser dito.

Foi justamente por considerar o que havia acabado de dizer que me senti envergonhada. Envergonhada por estar desejando ir chorar aí com você. Cara estranho! Cara desconhecido... Cara que já deixou claro que não quer (dessa vez não é aquela balela de "não posso" ou "agora não dá") nada demais comigo. Você só não quer. Sem mentira, sem ofensas... E por maldade, conspiração (de Murphy ou do Universo) eu talvez seja a pessoa perfeita pra entender isso. Eu sou boa de entender! De aceitar. Sou melhor em dar do que em receber. Tendo mais ao altruísmo do que ao egoísmo, embora como todos os humanos, no fundo, no fundo eu seja só mais um ser individualista. Capitalista, workaholic, sistemática, solitária, calculista e trapaceira.

Alguém tinha que dizer o que eu não queria ouvir. Sem metáfora, sem fábula, sem rodear demais com exemplos, sem "era uma vez" ou "foram felizes para sempre". E que também não fosse com a intolerância de quem não me quer bem. Nem com a ignorância de quem ergue a voz. Muito menos com perguntas nunca respondidas. Tampouco com a ausência infinita e dolorosa de reticências.

Alguém precisava dizer. E em algum momento eu ia entender. E aceitar! Não sem me assustar, chorar, chorar, esbravejar... Chorar, chorar, chorar... Comer. Ansiar. Chorar, chorar...

Tomei nota do que me disse. De pronto! Tomei tento. Por fim, mas não finalmente. E é por continuar querendo, com todo o meu drama, ir chorar aí no seu peito que boto toda a fé de que há algo de muito errado com as minhas escolhas. Como você sugeriu.

E está certo. Certinho.

Há muito não era tão bem entendida. Sinto-me literalmente descoberta e pejorativamente culpada. Mais uma vez.

É culpa!

Desculpa.

É culpa.