sexta-feira, 27 de junho de 2014

A incrível geração das mulheres que aceitam a impermanência

Primeiro eu li "A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que o homem NÃO quer" e pensei: "Uau! Incrível! Por que eu não escrevi isso antes?". Mandei o link a duas amigas que me ajudavam a achar o motivo para eu estar solteira.

Eu sou uma daquelas mulheres independentes. Trabalho muito, construí uma carreira e estou em uma posição confortável, disposta a melhorar. Falo três línguas e estou estudando uma quarta. Aliás, estou sempre estudando. Não entendo de mecânica, não tenho bom senso de direção, mas dirijo muito bem e consigo programar e entender o GPS em seja lá qual for o idioma que ele esteja falando. Malho, nado, treino karatê, bebo, viajo, faço acampamentos...

Sim, eu cozinho bem. Um pouco sem prática porque acabo me rendendo às facilidades da modernidade e não vejo muita graça em cozinhar só para mim. Sim! Eu me depilo, uso maquiagem, perfume e unhas bem feitas. Quer saber? Gosto dos meus domingos de Amélia tanto quanto gosto dos meus sábados no bar.

O que meus pais esperavam de mim? Eu não sei. O que eu espero de mim? Eu também não sei... O que eles (homens) esperam de mim? Eu, definitivamente, não sei!

Fui sim incentivada a estudar, mas não me davam muita importância por ser destaque da turma. Não olhavam o meu caderno para conferir se a lição estava feita, não checavam o que eu carregava na mochila, não iam a reuniões... Meus pais diziam que sabiam que eu era muito responsável e que eles não precisavam se importar com isso. O que eles não sabiam é que eu me importava MUITO com isso. Importava-me em ser destaque na turma, em aprender a cozinhar, lavar, cuidar da casa... Em aprender a cuidar de um bebê, em melhorar a caligrafia, em não falar palavrões, em não esquecer de pentear os cabelo ao sair ou lavar os pés ao dormir. Eu me importava sim! Mas nunca foi o suficiente para competir com os gols que minha irmã, atleta marcava, nem com as engenhocas feitas de sucata pelo meu irmão. Ela cinco e ele três anos mais velhos que eu. Acho que não restou muita paciência dos meus pais para mim.

Eu sou da geração treinada para ser independente, competente e "não faz mais do que a sua obrigação!". Mas continuei sendo da geração que tinha que limpar a casa, cruzar as pernas, se arrumar, ter boa postura. Assim como foi a geração da minha irmã, da minha mãe, da minha avó. E será da minha filha, das minhas netas...

Fracassei por não ter aprendido nenhum esporte, por nunca ter sido a rainha da pipoca na festa junina da escola, por pesar oitenta quilos aos treze anos, por não ter tido um primeiro namorado exemplar, por ter dado trabalho envergonhando meus pais e irmãos por ser a gordinha - dentuça - descabelada - desengonçada - de pernas tortas - de óculos... Não era isso que a minha geração esperava que eu fosse, não é?


Esqueceram de avisar aos meninos que as meninas que eram parceiras deles também podiam ser meninas bonitas e interessantes. Esqueceram de avisá-los para não reagir mal nem se sentirem acuados quando vissem uma mulher fazendo baliza e descendo do carro de salto alto. Quando vissem uma mulher falando do esquema tático do time, xingando o juiz, comemorando o gol. Escolhendo a própria bebida com propriedade de quem sabe o que quer, não o que é melhor. Jogando sinuca. Cantando rock'n roll. Que essa mulher colocaria o nome da cadelinha de Ronda Rousey e não Cinderela. Que ela prefere Las Vegas a Disney. Que mata barata. Enfim... Esqueceram de avisar-lhes que era possível existir uma mulher linda, forte, inteligente, interessante e legal ao mesmo tempo. 



É... Esqueceram também de nos avisar que estaríamos incompletas mesmo sendo inteiramente independentes. Que trocaríamos um bom bocado de nossas conquistar por poder deitar no peito dele, repousar e dormir tranquila. Por um carinho, por uma barriga de grávida, por um almoço de família no domingo.

Por fim eu li "A incrível geração das mulheres chatas" e fiquei arrasada. Fiquei me sentindo uma chatona. Até que a primeira das amigas acima citadas disse "você é mais do que legal!". Isso fez com que eu me sentisse melhor, mas ainda assim fora do padrão. Se não é bom ser chata, não é bom ser mais do que legal. Pensamento de uma libriana. Então erro por ser legal demais?

A segunda amiga me libertou do sofrimento dizendo "tá na hora de alguém escrever: A incrível geração das mulheres que estão de saco cheio de rótulos!"

Tá na hora do bom senso e do equilíbrio. Tá na hora de aceitar a impermanência e transformação dos seres. De homens, de mulheres, da sociedade, das nossas vontades, das nossas fraquezas e fortalezas. Eu, por exemplo, vou continuar matando baratas com as unhas do pé que tem unhas pintadas de rosa. Vou continuar sendo a professora maluca que ensina "hi five!" ao invés de pedir "da um beijo na tia", mas que pega no colo quando chora, que se derrete com um desenho rabiscado, que não dá estrelinha, mas pisca um olho, sorri e faz um game quando merecem e olhar severo e voz firme quando precisam. Eu vou continuar sendo assim até que... Até que eu mude! Porque a gente muda! Hoje eu treino karatê, mas amanhã posso querer entrar no balé. Basta eu me sentir magra o bastante! Queria aprender piano e surgiu a oportunidade de aprender bateria. Por que não? Entende? É disso que eu falo. Porque eu sei cozinhar, mas também sei fazer um pedido de uma comida muito gostosa pelo celular. Sei estacionar o carro em um restaurante e jantar e como qualquer cachorro quente de pé mesmo, na rua! Sem reclamar. Aliás é uma das minhas atividades favoritas. Cachorro quente na rua. Pós balada então... E ainda assim me reservo o direito de achar um charme homens que também saibam cozinhar, mesmo que eu tenha que lavar as louças e ouvir ele falar para todo mundo "fui eu que fiz!" E daí! Porque no final das contas ser, seja lá que tipo de mulher ou homem você for, você é humano. Humanos gostam de ser! Ser humano é preciso! Humanos gostam de amor e sexo, gostam de viajar e de voltar pra casa, de independência e da segurança de um abraço. E gostam de porcaria nenhuma quando estão irritados!

#prontofalei

Fim!

PS.:  e ela viveu feliz. Não sempre. Não para sempre!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Pessoas que cuidam

Hoje é dia de aniversário!

Aniversário do meu querido professor Fernando. Um professor que é puro cuidado! Fala demais, é irônico e agitado, mas transborda bom humor e atenção. Eu gosto de gente que cuida da gente. Gosto de ser cuidada! E o Fernando vai além... Ele realmente se importa. Cuidar, não é só a sua profissão. Importa-lhe que eu emagreça, que esteja saudável e feliz. Importa-lhe (menos do que falar de si) ouvir meus casos e dizer "corre que você chega lá!". Com o Fernando eu estou sempre chegando lá. Lá onde é bom estar. Lá onde eu sou querida e bem cuidada. Lá onde se importam - e de verdade!

É também aniversário da Liz. A Liz que dentre indas e vindas, na saúde e na doença, na alegria e na raiva, na dor e no sono que não me deixa sentir quase nada... A Liz que faz massagem por recomendação médica e fisioterapêutica. Liz que cuida! Que cuidou da má circulação, da tendinite nos joelhos, das dores de cabeça, das dores de alma, dos meus chakras... Que faz limpeza de pele, sobrancelha, que me depila, me cobre, me perfuma, me hidrata, me limpa... Liz que ouve (bem menos do que fala), mas que é atenta a detalhes. Que cozinha, que me faz um drinque, que fecha a cortina para fazer um escurinho ideal, que escolhe a música certa quando eu não quero escolher. Que sabe qual é a música de céu, de chuva e que tem a trilha sonora de "Beatles for babies" que acaba me fazendo prestar mais atenção aos barulhos e gemidos do Arthur do que em qualquer outra coisa.

Fernando e Liz que cuidam. Que cuidam de sonhos de vida. Que cuidam da vida! Gosto um tanto de cuidado, gosto mais ainda de vocês! Porque são especiais. Porque com vocês eu definitivamente me sinto bem cuidada.

Hoje também será aniversário da Ronda - uma cachorrinha linda que acabei de adotar. Porque há algum tempo eu deixei de acreditar no acaso para dar uma chance às tantas coisas estranhas que acontecem. Vai saber se não é ela mais uma que vai me tratar com cuidado. 

Eu também sou uma dessas pessoas que cuidam. Cuido, geralmente com palavras e abraços. Porque acredito que o bem é mais forte e que o amor sobrevivera. Eu cuido porque gosto de cuidado. Simples!

Muito obrigada ao educador físico, mais divertido e companheiro de todos. Muito obrigada à amiga multitarefas. Que a nova idade de vocês seja linda. Tão linda quanto o reconhecimento e gratidão que tentei demonstrar ou mais! Linda como o cuidado de pessoas que cuidam.

Sejam(os) felizes!