sábado, 23 de agosto de 2014

Let it be... me!

Hoje eu acordei desejando abrir os olhos e ter alguém aqui dividindo a cama comigo. Alguém que dividisse a cama não só para "dormir", mas para acordar. Abraçando a Ronda (que agora dorme na minha cama sim), eu fechei os olhos e quis dormir novamente porque sabia que não havia opção melhor.

Quietinha ali eu pensei no quanto é improvável que isso aconteça e decidi respeitar o ditado que diz que "querer não é poder". Você me faz sofrer de querência e a carência só aumenta. Aumenta a medida em que diminui a sua atenção e as minhas expectativas.

Eu me irritei com a vontade que senti da sua mão tão parecida com a do meu pai. Amoleci com a vontade do seu beijo bom e do seu cheiro de perigo e diversão. E com o jeito que você arrumou de achar um atalho para chegar à alma. Lembrei da sua voz sensual e do seu jeito carinhoso e irônico de me chamar a atenção. Lembrei-me do que ouvi, do que falei, do que conversamos, do que fizemos... E notei que havia pouco arrependimento nisso tudo. Havia mesmo era uma ânsia idiota de continuar!

Fiquei pensando no quanto nada disso fazia sentido e que, portanto, já era hora. Com você confirmei a minha má sorte com o amor (e nem por isso decidi jogar!). So please, don't toy me! Confirmei que músicos são uma ótima e também uma péssima opção. E que a minha tara por bateristas talvez tenha terminado aqui. Decidi que não tenho paciência para solos de guitarra e final de música que se repete insistentemente. Talvez por isso eu não goste de samba nem chorinho. "Ouço o que convém." Quando alguém me perguntar de que tipo de música eu gosto, já sei responder que não gosto de músicas com letras que não entendo. Gosto mesmo é das palavras. É do que a música me diz. Seja pra rir ou pra chorar. Mas se não me diz nada... Com você, eu confirmei que não suporto indiferença.

Aprendi que tenho clavículas e covinhas bonitas. E um cheiro doce. Providenciei um novo isqueiro Bic azul para não sentir saudade também de dois homens que amei muito. 

Apreciei por ser um pai que fala das filhas com amor e desejei que ainda exista um homem assim para construir comigo a família que prometi ter. Encantei-me porque usava bem as palavras e entendia bem as minhas. Não há como negar que somos de uma geração de relacionamentos intensos e fugazes. Construídos no Tinder, mantidos via Whatsapp e destruídos pelo Facebook.

Com você confirmei que coincidências não existem, mas que nem tudo é armação, muito menos milagre! É só o Universo agindo por si só e nos envolvendo. Aprendi que se não sou a mocinha, também não preciso entrar de cabeça no papel de vilã. E que ser coadjuvante é de muita sabedoria. Com você, eu me mantive envolvida e treinei arduamente a minha resistência, a minha capacidade de não reagir aos impulsos. Errei, mas foi tentando assim tão fortemente (porque.. usando as mesma palavras que você usou para me conquistar: eu tinha certeza de que "você vale a pena") que posso dizer ter um melhor autocontrole. Aprendi a calar, a desligar o celular, a não convidar mais do que uma vez. Duas, mas não mais que três! E agora estou aprendendo a... "let it be". Porque no muito o controle vai ser auto e imperfeito. E só.

De você fica a vontade que não matei por completo. MUITA vontade! Mas fica também um bom caso pra contar. Sabedoria, simplicidade e, portanto, gratidão.

Agora... Let it be me?