segunda-feira, 5 de outubro de 2015

27

Aos 27 eu tive coragem de voltar ao Tinder. Daniel, Thiago, Bruno, José, o Sandro... Depois outros dois Danieis e o Matheus. E andei mexendo em umas gavetas também. Só que passado não é coisa pra se reviver.
Aos 27 comecei as aulas de canto e técnica vocal a fim de fugir das exaustivas sessões de fonoterapia.
Aos 27 malhar definitivamente parou de ser um sofrimento e passou a ser algo que eu gostava de fazer. E agora, algo que eu sinto muita falta de fazer. Acredite.
Aos 27 eu comecei a carregar garrafas de um litro ou um litro e meio pra facilitar. Sinto muita sede!
Ao que parece, aos 27, meu corpo se acostumou a dormir rápido. Acordar e dormir mais cedo. Estou adquirindo hábitos de uma pessoa mais velha. Baladas? Foram poucas.
Aos 27 eu pensei em virar atleta. Assim... como quem quer fazer as coisas de uma forma séria e não profissionalmente.
Aos 27 eu pensei em mudar de ideia. Reconheci que estou muito bem sozinha e que estar com alguém (sempre e em definitivo) pode não ser uma boa mudança. Bem... pode ser que não seja a grande mudança que espero.
Aos 27 eu descobri que gostava de espinafre.
Aos 27 eu comecei a usar mini mouse óptico sem fio.
Aos 27 eu fui a mestre de cerimônias na formatura da Educação Infantil.
Aos 27 eu assisti (com o Google) uma noite inteira de combate do UFC com somente um episódio daquele asco que se confunde com misericórdia e compaixão.
Aos 27 passei a noite de Natal com Ronda. Praticando aquela tal SIMPLICIDADE que me dei de presente no ano anterior.
Aos 27 eu aprendi a dançar quadradinho em uma festa de aniversário gay. E foi ótimo! Bem... me ensinaram. Não sei se aprendi mesmo.
Aos 27 eu cortei o cabelo beeeem curto apostando no poder da mudança que vem junto ao réveillon.
Aos 27 eu ganhei de presente uma sessão de calatonia encorajadora.
Aos 27 eu cozinhei o meu próprio cachorro quente de réveillon porque era isso que eu estava querendo comer.
Aos 27 conheci o RunKeeper. Porque nem só de Tinder se vive.
Aos 27 eu iniciei o projeto “pular corda” todos os dias por conta própria. Comecei com 10 minutos cheios de intervalos. Foi! Até a prioridade total ser trabalho e dinheiro. Dinheiro e trabalho.
Aos 27 eu aprendi que maçã é Gala, manga é Palmer, banana é Prata, Laranja Pera Rio, mamão Havaí e uva Rubi ou Itália. E que saco de lixo é o de 30 litros!
Aos 27 eu fiz a minha primeira viagem dirigindo. Sozinha! Bem... Ronda e eu. Conheci Itabira. Conversei com todas as estátuas de Carlos Drummond que havia na cidade!
Aos 27 eu vi as contas bancárias ficarem tão vermelhas quanto uma bandeira do PT. Vivi uma crise financeira que instalou o caos em todos os outros setores. Foi assim que parei de malhar, de cantar, de receber massagem, de sair sem rumo, de comprar as coisas... Difícil! Mas estou superando.
Aos 27 ei fui ao SENSACIONAL show do Foo Fighters. Sozinha mesmo! E lá eu conheci o Vinícius que comprou água pra mim enquanto eu guardava o lugar conversando com o amigo dele – o Edgar. José Edgar. Que, sendo mais alto que eu, me deixou ficar à sua frente para ter uma melhor visão. Mas logo a frente estava o Ricardo. Ricardo Luciano! Rsrs... Que também era mais alto que eu e também me cedeu o lugar. O Ricardo, por sinal. Pura gentileza! Sim! Eu acabei contando à eles que eu sou a Luana Márcia. Coisa estranha!
Aos 27 eu conheci o % dia. E comecei a comprar só o mais barato de tudo. Quase tudo.
Aos 27 eu fui promovida e aprendi muito com o novo cargo. Isso depois de uma baita indecisão! Daquelas de me fazer pensar em mudar de ideia totalmente.
Aos 27 eu me tornei oficialmente carateca.
Aos 27 eu pensei em desistir de ser mãe, mas pensei também no quão bom seria ter a minha família. Fato é que pensei menos. Nisso e naquilo.
Aos 27 eu coloquei a profissão como prioridade. Não só porque preciso de grana, mas porque a minha profissão, de fato, me enobrece. E um pouco mais tarde descobri que nem a nobreza da minha profissão, nem o dinheiro que ela me dá, nem o status das promoções tapavam o buraco. E eu fui aos poucos tentando parar de tapar o buraco com o trabalho.
Aos 27 eu voltei a não descartar a hipótese de me mudar. De carreira, de país, de religião, de ideias. De todas as ideias. Repensei... dos meus tempos no mosteiro budista aos tempos em Barretos. Dos tempos em que andava de ônibus todos os dias à época em que cismava de pegar um avião no final de semana para visitar um amigo em outro estado. Da vontade de ir estudar na Escócia à vontade de me mudar para o meio do nada e escrever um livro deitada na rede. Acho que repensei tudo! Tudo mesmo. Vidas passadas até. E Luanas que se foram. Tudo isso querendo imaginar qual seria o melhor futuro. Querendo uma saída.
Aos 27, no centro da cidade, eu esbarrei com uma jovem usando a blusa de uniforme do colégio onde estudei. E me ocorreu que talvez eu tenha virado professora devido a vontade de nunca deixar de usar o uniforme, uma mochila nas costas ou um bolsa bem grande, um monte de livros e anotações com as tarefas. Da vontade de nunca deixar a escola. E é verdade! Voltar a estudar tomou uma certa urgência na lista de afazeres.
Aos 27 eu me vesti de coelha da páscoa mais uma vez.
Aos 27 eu fiz a travessia da Lapinha ao Tabuleiro. Andei, andei, andei... E ainda não cheguei lá. Porque o lá é no interior de mim. Longe pra caramba!
Aos 27 eu fumei charuto.
Aos 27 eu masquei favo de mel.
Aos 27 eu fraquejei.
Aos 27 eu andei de MOVE por toda a cidade e conheci todas as estações.
Aos 27 eu comi o cachorro quente do Baiano.
Aos 27 eu, enfim, fiz a cirurgia nos olhos para corrigir a miopia e o astigmatismo.
Aos 27 eu fiz pipoca de panela pela primeira vez.
Aos 27 eu que não gosto de café experimentei comprar Cappuccino Chocolate. Porque me lembrava o sabor de um beijo bom.
Aos 27 eu me vacinei contra a gripe.
Aos 27 eu quis morrer, mas não de verdade.
Aos 27 eu dirigi de salto pela primeira vez.
Aos 27 de tanto repensar objetivos profissionais, acadêmicos e financeiros deixei as metas pessoais em segundo plano.
Aos 27 eu aprendi que paixão está intimamente ligada ao apego, à dependência. E que não tem nada a ver com você gostar MUITO de uma pessoa. Aos 27 eu aprendi!
Aos 27 eu comecei a perceber que a palavra “Google” está em todos os lugares e que eu a lia, aparentemente, zilhões de vezes por dia. Então:

Lose.
Love.
Make together loose’ve.
Which means, in my language, that I’ve been loose in a whole model of how romances should be.
Loose and lost.
Not finding connection between os.
Been loose in love so lost I am.
Lost I’ll always be.
Webbed in the ridiculous invisible line I have drawn myself between love and lose.
‘Cause if they remain apart, they’ll never mean endless.
They’ll only be forever double OS lying on a bed.

Aos 27 baixei o Adote e o Kickoff. E logo desinstalei! Tudo!
Aos 27 eu fui ao pico da bandeira e o atravessei de um estado a outro andando madrugada afora.
Aos 27 me despedi do Daniel.
Aos 27 conheci o Dê(ntista).
Aos 27 voltei a dar aulas no TFLA.
Aos 27 não comemorei os meus 2 anos no dia 30 de julho.
Aos 27 eu descobri que não dá pra ter mais de uma prioridade em tempo de crise. Ou se trabalha, ou se malha, ou se diverte.
Aos 27 eu conheci São Roque de Minas e tive a quase certeza de já ter estado lá antes.
Aos 27 eu assisti a Data Limite, sobre Capela, sobre o Chico... e tantas outras coisas que vêm me perseguindo de tantas formas e eu só procrastinando...
Aos 27 eu pensei tanto em mudanças. Tanto, mas tanto! Aos 27 eu desejei profundamente cruzar os braços e deixar tudo acontecer. O que vier é lucro! E ao mesmo tempo pensava em como mudar tudo, tudo o que eu pudesse e que me fosse permitido. Ê, 27! Agora entendo o porquê você matou tanto rock star por aí.
Aos 27 pensei em tentar ser escritora, secretária, policial, faxineira, babá... De um tudo! Mas estava tão decidida a ficar bem com essa indecisão logo.
Aos 27 eu conheci Pedro Leopoldo em uma madrugada.
Aos 27 eu aprendi o que é o comando Asthar e vi um eclipse lunar no mesmo dia.
Aos 27 decidi passar o meu aniversário a paisana. Coisa que nunca fiz. Acabei recebendo minha família e amigos em casa. Surpresa! Porque alguém sempre se lembra! E eles sabem que o quão importante é pra mim.

Acabaram os 27. 28 vai ser melhor. Tenho certeza! Boa noite idade velha. Feliz ano novo!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Feliz aniversário, Ronda!

Era um dia desses que eu saio de casa por sanidade. Pra procurar alguém que me escute e que fale. Fale o que eu gostaria e também o que eu preciso ouvir. Com jeitinho... Sinto vergonha em dizer que um dia assim é um dia típico e que esse teria sido só mas um se eu não tivesse encontrado com uma vira latinha na rua.

Quando resolvi trazer Ronda para casa, achei que teria problemas, afinal... estou em um espaço que não é meu. A gente não pode dar o que não tem. Enquanto eu dava um banho e tirava os carrapatos dela pensei que... mesmo que não fosse muito, alguma coisa teríamos a dar uma à outra.

Ela veio pra me lembrar que o espaço não era e nunca seria meu se eu não tomasse posse. E com ela aqui, a casa tomou cara de lar. Pra me mostrar que eu podia brincar de ser família sozinha. Ops! Com ela!

Comeu, bebeu e banhou-se. Veio quieta. Gostou de andar de carro. Passou comigo no pet shop para escolher os seus potinhos, sua guia e um ossinho para roer. Não latia. Mal me olhava. Foi valente encarando a veterinária, os exames e vacinas.

Eu a levava e ainda a levo comigo para onde posso. Da primeira vez que saí e precisei deixá-la em casa sozinha, a encontrei dentro do cesto de roupas sujas quando voltei. E nesse dia tive certeza de que ela era mesmo como uma criança. Ela ficou ali para sentir o meu cheirinho e eu fui tão grata por me sentir querida. Ah, se ela soubesse... Por gostar do meu cheiro, claro, ela preferia a minha cama à dela. Mesmo eu tendo cedido a minha confortável almofada para meditar. Dois edredons e um sofá! Tudo só pra ela! Não tem jeito! É enroscada aqui comigo que ela fica bem. E eu também.

Quando eu adotei a Ronda eu me sentia na obrigação de levá-la para passear, sobretudo pelo o que ficou da culpa que carrego por ter perdido Bisguila. Acontece que Ronda é tão compreensiva e carinhosa que, com o tempo, foi me mostrando que eu só precisava chegar. Tem dia que eu não faço festa pra ela e nem ela pra mim. A gente só se encontra e se entende com um abraço. Mesmo que no cansaço de final de dia. Mas olha... tem dia que é uma festa só! Que eu posso estar toda estropeada que ela me chama para dar uma voltinha. Que se eu deitar ela deita em cima e me descabela! E temos também os dias que ela pede colo e se encolhe feito bolinha. Pergunta se eu também já não fiz o mesmo. Claro que já! E ela me deixou ficar na pancinha dela. Quietinha.

Vez ou outra os pelos me incomodam.Sobretudo em crises alérgicas. Vez ou outra sinto o cheiro do xixi no jornal e me irrito por ter que limpar imediatamente. Vez ou outra ela mastiga o que não deve, entra no cio, rouba comida, rasga o lixo... Mas sempre está aqui comigo. Sempre!

Quando adotei a Ronda estava salvando uma vida. A minha própria. Que, vez ou outra, está mais perdida, suja e faminta do que ela, uma cadelinha de rua, um dia pôde estar.

Um ano depois e... Hoje é mais um dia difícil.  Mas hoje eu não estou só.

Feliz aniversário, Ronda! Obrigada! Amo você!

sábado, 20 de junho de 2015

I'm becoming an oyster

De repente estava eu lá escrevendo ao ex-namorado que nunca foi namorado de verdade. Um eterno amigo ou só um cara qualquer... Tem gente que sabe ser especial!

- Have't heard from you for a while - Ele disse.
- You're not the only one - Eu respondi sendo sincera.

Ele: um britânico, bem mais velho, bem-sucedido profissionalmente e pra lá de fechado. Eu: uma brasileira, bem mais nova, nada bem-sucedida profissionalmente e pra lá de aberta. Foi assim que o nosso relacionamento começou, durou e terminou.

Ele insistiu para que eu desse notícias e eu acabei dizendo:

- I'm not happy. There is something that goes even worse then my financial life. The personal one. For me, it still seems I don't have a family anymore and never will. Can't get rid of the guilty and this lack of power. I'm not a good friend anymore. I don't go out, drink, travel, dance, work out, buy things, go to the movies, eat special food... Budget! And I believe I'll never be able to be in love again. I've being thinking hard about this week. I'm lazy about meeting people because I already now the'll end up hurting me somehow. I'm becoming an oyster just like you.

E como se já não estivesse bom de martírio, me salta aos olhos um desses artigos bobos dizendo:

"Pode parecer difícil começar a se amar repentinamente, mas "Finja até ser verdade". Fique de pé, com a coluna ereta e conquiste seu espaço. Você jamais será perfeito, então seja gentil consigo mesmo em relação a suas imperfeições. Quando você se encontrar pensando negativamente sobre si mesmo, substitua esse pensamento negativo por um positivo. Você está se sentindo só, ou acha que precisa de alguém para estimular sua auto-estima. Você não vai encontrar uma combinação perfeita, mas você precisará sair e conhecer pessoas. É uma boa ideia pelo menos tentar sair um pouco da sua zona de conforto. Faça coisas que você gosta e conheça pessoas através disso. Esteja por aí. Seja amigável e aberto com as pessoas que conhecer. Apaixonar-se significa abrir-se emocionalmente para a outra pessoa. Tem a ver com correr riscos e estar vulnerável."


Como estou agora? Não estou muito bem, mas vou ficar. Obrigada. 

sábado, 30 de maio de 2015

Workaholic ou Worklover?

Estive pensando em me apaixonar. Paixão dá um certo sentido à vida, não dá? Eu, quando estou apaixonada, durmo pensando nele, acordo pensando nele. Fico mais saudável, mais agradável, mais elegante até. Paixão me deixa envolvida, me toma a atenção.

Estive pensando em me apaixonar, porque... por mais que eu tente ser uma pessoa equilibrada, que não gera muito apego nem muita aversão à nada, sou um pouco sistemática. Sou do tipo que tem uma forte tendência a ser cabeça dura em alguns aspectos.

Um pé na bunda, uma amizade perdida, atenção não correspondida... Desprezo e o medo da solidão são as coisas que mais me assustam. Então... estive pensando em correr atrás e me apaixonar. Pensei em três opções, mas ao que parece nenhum dos três estão com tempo nem disposição para paixões. Pensei bem e cheguei a conclusão de que eu muito menos. Preferia uma paixão platônica hollywoodiana ou de um romance juvenil qualquer. Preferia sim! Preferia um amor inventado a me apaixonar mais uma vez por alguém que não se quer apaixonar e nem se deixa ser apaixonante. Desisti deles, mas ainda assim estava precisando de um motivo pra sair da cama, pra arrumar o cabelo, pra comprar roupas novas, pra voltar a correr, voltar a beber. Enfim, pra botar um sorriso no rosto e ser mais saudável, agradável e até elegante.

Resolvi me apaixonar por quem tem paciência pra me ouvir. Por quem tem olhos atentos ao que faço. Por quem tem também coisas a ensinar quando me fala. Resolvi me apaixonar por quem me dá valor todos os dias e não só quando transa comigo, quando dividimos um porre na balada, quando precisa de um favor ou quando chega o Natal. Decidi me apaixonar cega e profundamente por quem me tem paixão também. Resolvi me apaixonar por meus alunos, por suas famílias, pela minha profissão e pela profissional que sou.

Percebi que, estando em crise financeira, não há muito o que fazer, a não ser trabalhar. Não estou devendo porque sou uma vagabunda gastadeira. Aprendi também, que trabalhar, só pra ganhar dinheiro não funciona. Repensei. E resolvi, definitivamente me apaixonar. Porque entre as outras paixões que tenho. Só o trabalho me distrai, me ocupa, me emagrece, me enobrece, me tira da cama, me faz sorrir, me tira a culpa, me faz ser útil... E paga as minhas contas. Ninguém mais faz isso por mim. Só o meu emprego. E eu estou apaixonada!

Apaixonada por Gabriela, Pedro, Bruna, Maria Eduarda, Henrique, João Vitor, Ana Cecília, Gabriel, Benício, Nicole, Bernardo, Eduardo, Alice, Davi, Carolina, Luíza...

Estou apaixonada pelo meu emprego, pois estou aprendendo mais do que imaginei que fosse aprender, mesmo tendo quase dez de profissão. Porque trabalhar me disfarça a agonia de tentar saber se ele me ama ou se me odeia depois de tudo. Trabalhar me disfarça a dor de ter que aceitar que sou uma pessoa só, somente só e sozinha. Trabalhar me disfarça a pressa de conquistar coisas que ainda não conquistei e a angústia de talvez não poder conquistar. Trabalhar me faz pensar que as dívidas são passageiras, a febre é passageira, a dor e choro também. Trabalhar me dá a certeza de que vai dar certo! Trabalhar me faz viver melhor.


terça-feira, 17 de março de 2015

"Precisa-se de Matéria Prima para construir um País"

Se é mesmo um texto de João Ubaldo Ribeiro eu não sei, mas... Me representa! Com exceção dos dois últimos parágrafos. A solução, ao meu ver, é EDUCAR! Educar o presente para corrigir o futuro, sem apagar o passado. É educar com prática! Com learn by doing. Com sentimento. A solução é ensinar política, religião, cultura e esporte na escola desde cedo e (para) sempre. É ensinar o que é imposto de renda, impeachment, tributos, bolsa de valores, agricultura, pecuária, PIB e tudo mais... Ensinar como funciona o sistema. Todos os sistemas e não só os solares, digestivo, endócrino... E que tal ensinar a se calcular o juros do cartão de crédito ao invés da inútil (perdoem!) fórmula de Bhaskara? 

E sim, talvez a gente precise de um ditador. Talvez... De Educação, certamente! Mas quem sabe um ditador? Tal como uma criança desobediente precisa de pais e professore rígidos para "ditar" limites. É assim que se cuida. É assim que se aprende.





"Precisa-se de Matéria Prima para construir um País"


A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique.
Agora alguns dizem que Lula não serviu e que Dilma não serve. E o que vier depois de Lula e Dilma também não servirá para nada...
Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que foi o Lula.
O problema está em nós.
Nós como POVO.
Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a "ESPERTEZA“é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais. 
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as "EMPRESAS PRIVADAS" são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se não fosse roubo, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu "puxar" a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito.
Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano.
Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
O povo saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas, dirige após consumir bebida alcoólica, pega atestado médico sem estar doente, só para faltar ao trabalho, quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.
Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes, compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata. 
Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve, se falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
E quer que os políticos sejam honestos.
O Brasileiro reclama de quê, afinal?
Aqui nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar o que não tem, encher o saco do que tem pouco e beneficiar só a alguns.
Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser "comprados", sem fazer nenhum exame.
Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar.
Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre.
Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes.
Como "Matéria Prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres de que nosso País precisa.
Esses defeitos, essa "ESPERTEZA BRASILEIRA" congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...
Entristeço-me.
Porque, ainda que Dilma renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que a suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor. Mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, Lula e nem a Dilma, nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados...
Igualmente sacaneados!
É muito gostoso ser brasileiro.
Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda...
Nós temos que mudar! Um novo governante com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada..
Está muito claro...
Somos nós os que temos que mudar.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo e desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO
ME OLHAR NO ESPELHO.

domingo, 15 de março de 2015

Não desço!

Se a gente sobe no muro e observa bem, vê com mais precisão o que tem à direita e à esquerda. E se a gente não desce do muro é porque ainda não sabe em qual lado vale mais a pena estar.

Desço quando convier e torno a subir se o que houver lá em baixo for baixo. Pra onde o nariz aponta vejo baixaria. Eu não desço! Nem de nível, nem do muro. Porque sou sábia e ignorante demais, respectiva e simultaneamente. Não desço!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Mudar é preciso!

Sim, eu me acho uma mulher bonita e interessante. Passando por uma fase de me achar linda justamente por achar também que tenho sido mais interessante. Fisicamente dizendo.

Que ainda estou fora dos padrões de beleza, é fato. Mas é verdade também que me esforço pouco para me adequar. Bem... Tenho sido menos cabeça dura. Por uma questão de saúde e bem estar. E de bom senso, claro! Nem tanto por estética, mas tenho me esforçado para padronizar-me. Tenho cá minhas razões secretas também.

Ainda há aquela birra às convenções sociais e estereótipos de beleza. Aquela indignação que ninguém me tira. É só. Reparem que eu não sou estilo princesa, mas também não sou aquela caricata rebelde que insiste em gritar feelings and thoughts aos quatro ventos. E sou do tipo normal. Inconstante. De Lua, mas normal.

Do tipo que gosta de uma coisa aqui e outra ali. Observa, aprende, repensa e num instante gosta de outra coisa aqui e, vez ou outra, demora a aprender a gostar de coisa ali. Em geral eu sou do tipo que se permite mudar de ideia.

Eu gosto do meu cabelo longo. Gosto porque sempre achei que isso me faria menos redonda. Porque pesando pra baixo, ele ficaria menos pra cima. Gosto porque da menos trabalho pra prender, porque gosto da minha nuca e pescoço expostos. Gosto porque me faço carinho antes de dormir. Porque fica bonito molhado, porque dá pra fazer muitos penteados. Porque é sensual...

Uma das coisas que eu mais gosto em mim é a forma como eu acordo. O cabelo bagunçado, os lábios corados e a minha cara de preguiça. E aparentemente mais magra! Gosto do meu cabelo bagunçado até eu ter que dar um jeito de arruma-lo. Aí... gosto da praticidade da progressiva e não topo levantar bandeira natureba nenhuma. Que Deus guarde os meus cachos. Gosto de dar uma sacudida na peruca e do rabo de cavalo que faço. Eu adoro o meu rabo de cavalo! E como ele balança quando corro. Gosto também quando ele fica torto e o cabelo, caindo de lado, fica parecendo uma extensão do rosto. Eu gosto do meu rosto! Gosto do jeito que prendo o meu cabelo para cima quando estou com calor. Daquele jeito que me faz parecer a Pedrita. E da liberdade de não precisar de nenhum acessório pra prender o cabelo que a gente só tem com certo comprimento pra dar-lhe um nó apertado.

Eu não era do tipo de criança que me ligava nisso. Digo, de aparências. Na adolescência não gostava de loiras. Pintava o meu cabelo de vermelho e isso sim era pura birra. Pintar cabelo (ainda mais de vermelho) dá um mega trabalho. E as loiras... aprendi que são tão mulheres bonitas quanto as outras. Acho inclusive que fiquei bem loira. Realmente... ilunina! Acho também que nunca tive cabelos tão longos. E de cabelos longos e loiros fui me achando mais bonita, mais atraente e ainda mais prática.

Eu não podia simbolizar o processo de mudança de uma forma melhor. Pensei bastante antes e as circunstâncias foram me dando coragem. Continuo achando tudo aquilo sobre meu cabelo longo e como sou com ele, mas estava na hora de não só simbolizar a mudança e sim de vivê-la. Trocar de agenda, fazer um brinde e virar mais uma folha no calendário são atitudes muito corriqueiras. 

Mudança, mudança mesmo(!) pede coragem, Mudar não é confortável. Mudei meus hábitos, mudei minhas roupas, mudei as pessoas com as quais me relaciono, mudei meu carro, meu emprego... Mudei! E confesso que mudança me gera uma baita insegurança. Um pé lá e outro cá. Eu gostava do meu cabelo comprido, mas quando a gente muda é querendo ser ainda melhor. Agora estou me ajeitando com o cabelo novo. Mudar não é fácil e pode nem ser tão bom assim, mas é necessário. Faz bem! E é mudando-se que a gente, de fato, muda!