quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Mudar é preciso!

Sim, eu me acho uma mulher bonita e interessante. Passando por uma fase de me achar linda justamente por achar também que tenho sido mais interessante. Fisicamente dizendo.

Que ainda estou fora dos padrões de beleza, é fato. Mas é verdade também que me esforço pouco para me adequar. Bem... Tenho sido menos cabeça dura. Por uma questão de saúde e bem estar. E de bom senso, claro! Nem tanto por estética, mas tenho me esforçado para padronizar-me. Tenho cá minhas razões secretas também.

Ainda há aquela birra às convenções sociais e estereótipos de beleza. Aquela indignação que ninguém me tira. É só. Reparem que eu não sou estilo princesa, mas também não sou aquela caricata rebelde que insiste em gritar feelings and thoughts aos quatro ventos. E sou do tipo normal. Inconstante. De Lua, mas normal.

Do tipo que gosta de uma coisa aqui e outra ali. Observa, aprende, repensa e num instante gosta de outra coisa aqui e, vez ou outra, demora a aprender a gostar de coisa ali. Em geral eu sou do tipo que se permite mudar de ideia.

Eu gosto do meu cabelo longo. Gosto porque sempre achei que isso me faria menos redonda. Porque pesando pra baixo, ele ficaria menos pra cima. Gosto porque da menos trabalho pra prender, porque gosto da minha nuca e pescoço expostos. Gosto porque me faço carinho antes de dormir. Porque fica bonito molhado, porque dá pra fazer muitos penteados. Porque é sensual...

Uma das coisas que eu mais gosto em mim é a forma como eu acordo. O cabelo bagunçado, os lábios corados e a minha cara de preguiça. E aparentemente mais magra! Gosto do meu cabelo bagunçado até eu ter que dar um jeito de arruma-lo. Aí... gosto da praticidade da progressiva e não topo levantar bandeira natureba nenhuma. Que Deus guarde os meus cachos. Gosto de dar uma sacudida na peruca e do rabo de cavalo que faço. Eu adoro o meu rabo de cavalo! E como ele balança quando corro. Gosto também quando ele fica torto e o cabelo, caindo de lado, fica parecendo uma extensão do rosto. Eu gosto do meu rosto! Gosto do jeito que prendo o meu cabelo para cima quando estou com calor. Daquele jeito que me faz parecer a Pedrita. E da liberdade de não precisar de nenhum acessório pra prender o cabelo que a gente só tem com certo comprimento pra dar-lhe um nó apertado.

Eu não era do tipo de criança que me ligava nisso. Digo, de aparências. Na adolescência não gostava de loiras. Pintava o meu cabelo de vermelho e isso sim era pura birra. Pintar cabelo (ainda mais de vermelho) dá um mega trabalho. E as loiras... aprendi que são tão mulheres bonitas quanto as outras. Acho inclusive que fiquei bem loira. Realmente... ilunina! Acho também que nunca tive cabelos tão longos. E de cabelos longos e loiros fui me achando mais bonita, mais atraente e ainda mais prática.

Eu não podia simbolizar o processo de mudança de uma forma melhor. Pensei bastante antes e as circunstâncias foram me dando coragem. Continuo achando tudo aquilo sobre meu cabelo longo e como sou com ele, mas estava na hora de não só simbolizar a mudança e sim de vivê-la. Trocar de agenda, fazer um brinde e virar mais uma folha no calendário são atitudes muito corriqueiras. 

Mudança, mudança mesmo(!) pede coragem, Mudar não é confortável. Mudei meus hábitos, mudei minhas roupas, mudei as pessoas com as quais me relaciono, mudei meu carro, meu emprego... Mudei! E confesso que mudança me gera uma baita insegurança. Um pé lá e outro cá. Eu gostava do meu cabelo comprido, mas quando a gente muda é querendo ser ainda melhor. Agora estou me ajeitando com o cabelo novo. Mudar não é fácil e pode nem ser tão bom assim, mas é necessário. Faz bem! E é mudando-se que a gente, de fato, muda!