sábado, 30 de maio de 2015

Workaholic ou Worklover?

Estive pensando em me apaixonar. Paixão dá um certo sentido à vida, não dá? Eu, quando estou apaixonada, durmo pensando nele, acordo pensando nele. Fico mais saudável, mais agradável, mais elegante até. Paixão me deixa envolvida, me toma a atenção.

Estive pensando em me apaixonar, porque... por mais que eu tente ser uma pessoa equilibrada, que não gera muito apego nem muita aversão à nada, sou um pouco sistemática. Sou do tipo que tem uma forte tendência a ser cabeça dura em alguns aspectos.

Um pé na bunda, uma amizade perdida, atenção não correspondida... Desprezo e o medo da solidão são as coisas que mais me assustam. Então... estive pensando em correr atrás e me apaixonar. Pensei em três opções, mas ao que parece nenhum dos três estão com tempo nem disposição para paixões. Pensei bem e cheguei a conclusão de que eu muito menos. Preferia uma paixão platônica hollywoodiana ou de um romance juvenil qualquer. Preferia sim! Preferia um amor inventado a me apaixonar mais uma vez por alguém que não se quer apaixonar e nem se deixa ser apaixonante. Desisti deles, mas ainda assim estava precisando de um motivo pra sair da cama, pra arrumar o cabelo, pra comprar roupas novas, pra voltar a correr, voltar a beber. Enfim, pra botar um sorriso no rosto e ser mais saudável, agradável e até elegante.

Resolvi me apaixonar por quem tem paciência pra me ouvir. Por quem tem olhos atentos ao que faço. Por quem tem também coisas a ensinar quando me fala. Resolvi me apaixonar por quem me dá valor todos os dias e não só quando transa comigo, quando dividimos um porre na balada, quando precisa de um favor ou quando chega o Natal. Decidi me apaixonar cega e profundamente por quem me tem paixão também. Resolvi me apaixonar por meus alunos, por suas famílias, pela minha profissão e pela profissional que sou.

Percebi que, estando em crise financeira, não há muito o que fazer, a não ser trabalhar. Não estou devendo porque sou uma vagabunda gastadeira. Aprendi também, que trabalhar, só pra ganhar dinheiro não funciona. Repensei. E resolvi, definitivamente me apaixonar. Porque entre as outras paixões que tenho. Só o trabalho me distrai, me ocupa, me emagrece, me enobrece, me tira da cama, me faz sorrir, me tira a culpa, me faz ser útil... E paga as minhas contas. Ninguém mais faz isso por mim. Só o meu emprego. E eu estou apaixonada!

Apaixonada por Gabriela, Pedro, Bruna, Maria Eduarda, Henrique, João Vitor, Ana Cecília, Gabriel, Benício, Nicole, Bernardo, Eduardo, Alice, Davi, Carolina, Luíza...

Estou apaixonada pelo meu emprego, pois estou aprendendo mais do que imaginei que fosse aprender, mesmo tendo quase dez de profissão. Porque trabalhar me disfarça a agonia de tentar saber se ele me ama ou se me odeia depois de tudo. Trabalhar me disfarça a dor de ter que aceitar que sou uma pessoa só, somente só e sozinha. Trabalhar me disfarça a pressa de conquistar coisas que ainda não conquistei e a angústia de talvez não poder conquistar. Trabalhar me faz pensar que as dívidas são passageiras, a febre é passageira, a dor e choro também. Trabalhar me dá a certeza de que vai dar certo! Trabalhar me faz viver melhor.