quarta-feira, 24 de junho de 2015

Feliz aniversário, Ronda!

Era um dia desses que eu saio de casa por sanidade. Pra procurar alguém que me escute e que fale. Fale o que eu gostaria e também o que eu preciso ouvir. Com jeitinho... Sinto vergonha em dizer que um dia assim é um dia típico e que esse teria sido só mas um se eu não tivesse encontrado com uma vira latinha na rua.

Quando resolvi trazer Ronda para casa, achei que teria problemas, afinal... estou em um espaço que não é meu. A gente não pode dar o que não tem. Enquanto eu dava um banho e tirava os carrapatos dela pensei que... mesmo que não fosse muito, alguma coisa teríamos a dar uma à outra.

Ela veio pra me lembrar que o espaço não era e nunca seria meu se eu não tomasse posse. E com ela aqui, a casa tomou cara de lar. Pra me mostrar que eu podia brincar de ser família sozinha. Ops! Com ela!

Comeu, bebeu e banhou-se. Veio quieta. Gostou de andar de carro. Passou comigo no pet shop para escolher os seus potinhos, sua guia e um ossinho para roer. Não latia. Mal me olhava. Foi valente encarando a veterinária, os exames e vacinas.

Eu a levava e ainda a levo comigo para onde posso. Da primeira vez que saí e precisei deixá-la em casa sozinha, a encontrei dentro do cesto de roupas sujas quando voltei. E nesse dia tive certeza de que ela era mesmo como uma criança. Ela ficou ali para sentir o meu cheirinho e eu fui tão grata por me sentir querida. Ah, se ela soubesse... Por gostar do meu cheiro, claro, ela preferia a minha cama à dela. Mesmo eu tendo cedido a minha confortável almofada para meditar. Dois edredons e um sofá! Tudo só pra ela! Não tem jeito! É enroscada aqui comigo que ela fica bem. E eu também.

Quando eu adotei a Ronda eu me sentia na obrigação de levá-la para passear, sobretudo pelo o que ficou da culpa que carrego por ter perdido Bisguila. Acontece que Ronda é tão compreensiva e carinhosa que, com o tempo, foi me mostrando que eu só precisava chegar. Tem dia que eu não faço festa pra ela e nem ela pra mim. A gente só se encontra e se entende com um abraço. Mesmo que no cansaço de final de dia. Mas olha... tem dia que é uma festa só! Que eu posso estar toda estropeada que ela me chama para dar uma voltinha. Que se eu deitar ela deita em cima e me descabela! E temos também os dias que ela pede colo e se encolhe feito bolinha. Pergunta se eu também já não fiz o mesmo. Claro que já! E ela me deixou ficar na pancinha dela. Quietinha.

Vez ou outra os pelos me incomodam.Sobretudo em crises alérgicas. Vez ou outra sinto o cheiro do xixi no jornal e me irrito por ter que limpar imediatamente. Vez ou outra ela mastiga o que não deve, entra no cio, rouba comida, rasga o lixo... Mas sempre está aqui comigo. Sempre!

Quando adotei a Ronda estava salvando uma vida. A minha própria. Que, vez ou outra, está mais perdida, suja e faminta do que ela, uma cadelinha de rua, um dia pôde estar.

Um ano depois e... Hoje é mais um dia difícil.  Mas hoje eu não estou só.

Feliz aniversário, Ronda! Obrigada! Amo você!

sábado, 20 de junho de 2015

I'm becoming an oyster

De repente estava eu lá escrevendo ao ex-namorado que nunca foi namorado de verdade. Um eterno amigo ou só um cara qualquer... Tem gente que sabe ser especial!

- Have't heard from you for a while - Ele disse.
- You're not the only one - Eu respondi sendo sincera.

Ele: um britânico, bem mais velho, bem-sucedido profissionalmente e pra lá de fechado. Eu: uma brasileira, bem mais nova, nada bem-sucedida profissionalmente e pra lá de aberta. Foi assim que o nosso relacionamento começou, durou e terminou.

Ele insistiu para que eu desse notícias e eu acabei dizendo:

- I'm not happy. There is something that goes even worse then my financial life. The personal one. For me, it still seems I don't have a family anymore and never will. Can't get rid of the guilty and this lack of power. I'm not a good friend anymore. I don't go out, drink, travel, dance, work out, buy things, go to the movies, eat special food... Budget! And I believe I'll never be able to be in love again. I've being thinking hard about this week. I'm lazy about meeting people because I already now the'll end up hurting me somehow. I'm becoming an oyster just like you.

E como se já não estivesse bom de martírio, me salta aos olhos um desses artigos bobos dizendo:

"Pode parecer difícil começar a se amar repentinamente, mas "Finja até ser verdade". Fique de pé, com a coluna ereta e conquiste seu espaço. Você jamais será perfeito, então seja gentil consigo mesmo em relação a suas imperfeições. Quando você se encontrar pensando negativamente sobre si mesmo, substitua esse pensamento negativo por um positivo. Você está se sentindo só, ou acha que precisa de alguém para estimular sua auto-estima. Você não vai encontrar uma combinação perfeita, mas você precisará sair e conhecer pessoas. É uma boa ideia pelo menos tentar sair um pouco da sua zona de conforto. Faça coisas que você gosta e conheça pessoas através disso. Esteja por aí. Seja amigável e aberto com as pessoas que conhecer. Apaixonar-se significa abrir-se emocionalmente para a outra pessoa. Tem a ver com correr riscos e estar vulnerável."


Como estou agora? Não estou muito bem, mas vou ficar. Obrigada.