segunda-feira, 5 de outubro de 2015

27

Aos 27 eu tive coragem de voltar ao Tinder. Daniel, Thiago, Bruno, José, o Sandro... Depois outros dois Danieis e o Matheus. E andei mexendo em umas gavetas também. Só que passado não é coisa pra se reviver.
Aos 27 comecei as aulas de canto e técnica vocal a fim de fugir das exaustivas sessões de fonoterapia.
Aos 27 malhar definitivamente parou de ser um sofrimento e passou a ser algo que eu gostava de fazer. E agora, algo que eu sinto muita falta de fazer. Acredite.
Aos 27 eu comecei a carregar garrafas de um litro ou um litro e meio pra facilitar. Sinto muita sede!
Ao que parece, aos 27, meu corpo se acostumou a dormir rápido. Acordar e dormir mais cedo. Estou adquirindo hábitos de uma pessoa mais velha. Baladas? Foram poucas.
Aos 27 eu pensei em virar atleta. Assim... como quem quer fazer as coisas de uma forma séria e não profissionalmente.
Aos 27 eu pensei em mudar de ideia. Reconheci que estou muito bem sozinha e que estar com alguém (sempre e em definitivo) pode não ser uma boa mudança. Bem... pode ser que não seja a grande mudança que espero.
Aos 27 eu descobri que gostava de espinafre.
Aos 27 eu comecei a usar mini mouse óptico sem fio.
Aos 27 eu fui a mestre de cerimônias na formatura da Educação Infantil.
Aos 27 eu assisti (com o Google) uma noite inteira de combate do UFC com somente um episódio daquele asco que se confunde com misericórdia e compaixão.
Aos 27 passei a noite de Natal com Ronda. Praticando aquela tal SIMPLICIDADE que me dei de presente no ano anterior.
Aos 27 eu aprendi a dançar quadradinho em uma festa de aniversário gay. E foi ótimo! Bem... me ensinaram. Não sei se aprendi mesmo.
Aos 27 eu cortei o cabelo beeeem curto apostando no poder da mudança que vem junto ao réveillon.
Aos 27 eu ganhei de presente uma sessão de calatonia encorajadora.
Aos 27 eu cozinhei o meu próprio cachorro quente de réveillon porque era isso que eu estava querendo comer.
Aos 27 conheci o RunKeeper. Porque nem só de Tinder se vive.
Aos 27 eu iniciei o projeto “pular corda” todos os dias por conta própria. Comecei com 10 minutos cheios de intervalos. Foi! Até a prioridade total ser trabalho e dinheiro. Dinheiro e trabalho.
Aos 27 eu aprendi que maçã é Gala, manga é Palmer, banana é Prata, Laranja Pera Rio, mamão Havaí e uva Rubi ou Itália. E que saco de lixo é o de 30 litros!
Aos 27 eu fiz a minha primeira viagem dirigindo. Sozinha! Bem... Ronda e eu. Conheci Itabira. Conversei com todas as estátuas de Carlos Drummond que havia na cidade!
Aos 27 eu vi as contas bancárias ficarem tão vermelhas quanto uma bandeira do PT. Vivi uma crise financeira que instalou o caos em todos os outros setores. Foi assim que parei de malhar, de cantar, de receber massagem, de sair sem rumo, de comprar as coisas... Difícil! Mas estou superando.
Aos 27 ei fui ao SENSACIONAL show do Foo Fighters. Sozinha mesmo! E lá eu conheci o Vinícius que comprou água pra mim enquanto eu guardava o lugar conversando com o amigo dele – o Edgar. José Edgar. Que, sendo mais alto que eu, me deixou ficar à sua frente para ter uma melhor visão. Mas logo a frente estava o Ricardo. Ricardo Luciano! Rsrs... Que também era mais alto que eu e também me cedeu o lugar. O Ricardo, por sinal. Pura gentileza! Sim! Eu acabei contando à eles que eu sou a Luana Márcia. Coisa estranha!
Aos 27 eu conheci o % dia. E comecei a comprar só o mais barato de tudo. Quase tudo.
Aos 27 eu fui promovida e aprendi muito com o novo cargo. Isso depois de uma baita indecisão! Daquelas de me fazer pensar em mudar de ideia totalmente.
Aos 27 eu me tornei oficialmente carateca.
Aos 27 eu pensei em desistir de ser mãe, mas pensei também no quão bom seria ter a minha família. Fato é que pensei menos. Nisso e naquilo.
Aos 27 eu coloquei a profissão como prioridade. Não só porque preciso de grana, mas porque a minha profissão, de fato, me enobrece. E um pouco mais tarde descobri que nem a nobreza da minha profissão, nem o dinheiro que ela me dá, nem o status das promoções tapavam o buraco. E eu fui aos poucos tentando parar de tapar o buraco com o trabalho.
Aos 27 eu voltei a não descartar a hipótese de me mudar. De carreira, de país, de religião, de ideias. De todas as ideias. Repensei... dos meus tempos no mosteiro budista aos tempos em Barretos. Dos tempos em que andava de ônibus todos os dias à época em que cismava de pegar um avião no final de semana para visitar um amigo em outro estado. Da vontade de ir estudar na Escócia à vontade de me mudar para o meio do nada e escrever um livro deitada na rede. Acho que repensei tudo! Tudo mesmo. Vidas passadas até. E Luanas que se foram. Tudo isso querendo imaginar qual seria o melhor futuro. Querendo uma saída.
Aos 27, no centro da cidade, eu esbarrei com uma jovem usando a blusa de uniforme do colégio onde estudei. E me ocorreu que talvez eu tenha virado professora devido a vontade de nunca deixar de usar o uniforme, uma mochila nas costas ou um bolsa bem grande, um monte de livros e anotações com as tarefas. Da vontade de nunca deixar a escola. E é verdade! Voltar a estudar tomou uma certa urgência na lista de afazeres.
Aos 27 eu me vesti de coelha da páscoa mais uma vez.
Aos 27 eu fiz a travessia da Lapinha ao Tabuleiro. Andei, andei, andei... E ainda não cheguei lá. Porque o lá é no interior de mim. Longe pra caramba!
Aos 27 eu fumei charuto.
Aos 27 eu masquei favo de mel.
Aos 27 eu fraquejei.
Aos 27 eu andei de MOVE por toda a cidade e conheci todas as estações.
Aos 27 eu comi o cachorro quente do Baiano.
Aos 27 eu, enfim, fiz a cirurgia nos olhos para corrigir a miopia e o astigmatismo.
Aos 27 eu fiz pipoca de panela pela primeira vez.
Aos 27 eu que não gosto de café experimentei comprar Cappuccino Chocolate. Porque me lembrava o sabor de um beijo bom.
Aos 27 eu me vacinei contra a gripe.
Aos 27 eu quis morrer, mas não de verdade.
Aos 27 eu dirigi de salto pela primeira vez.
Aos 27 de tanto repensar objetivos profissionais, acadêmicos e financeiros deixei as metas pessoais em segundo plano.
Aos 27 eu aprendi que paixão está intimamente ligada ao apego, à dependência. E que não tem nada a ver com você gostar MUITO de uma pessoa. Aos 27 eu aprendi!
Aos 27 eu comecei a perceber que a palavra “Google” está em todos os lugares e que eu a lia, aparentemente, zilhões de vezes por dia. Então:

Lose.
Love.
Make together loose’ve.
Which means, in my language, that I’ve been loose in a whole model of how romances should be.
Loose and lost.
Not finding connection between os.
Been loose in love so lost I am.
Lost I’ll always be.
Webbed in the ridiculous invisible line I have drawn myself between love and lose.
‘Cause if they remain apart, they’ll never mean endless.
They’ll only be forever double OS lying on a bed.

Aos 27 baixei o Adote e o Kickoff. E logo desinstalei! Tudo!
Aos 27 eu fui ao pico da bandeira e o atravessei de um estado a outro andando madrugada afora.
Aos 27 me despedi do Daniel.
Aos 27 conheci o Dê(ntista).
Aos 27 voltei a dar aulas no TFLA.
Aos 27 não comemorei os meus 2 anos no dia 30 de julho.
Aos 27 eu descobri que não dá pra ter mais de uma prioridade em tempo de crise. Ou se trabalha, ou se malha, ou se diverte.
Aos 27 eu conheci São Roque de Minas e tive a quase certeza de já ter estado lá antes.
Aos 27 eu assisti a Data Limite, sobre Capela, sobre o Chico... e tantas outras coisas que vêm me perseguindo de tantas formas e eu só procrastinando...
Aos 27 eu pensei tanto em mudanças. Tanto, mas tanto! Aos 27 eu desejei profundamente cruzar os braços e deixar tudo acontecer. O que vier é lucro! E ao mesmo tempo pensava em como mudar tudo, tudo o que eu pudesse e que me fosse permitido. Ê, 27! Agora entendo o porquê você matou tanto rock star por aí.
Aos 27 pensei em tentar ser escritora, secretária, policial, faxineira, babá... De um tudo! Mas estava tão decidida a ficar bem com essa indecisão logo.
Aos 27 eu conheci Pedro Leopoldo em uma madrugada.
Aos 27 eu aprendi o que é o comando Asthar e vi um eclipse lunar no mesmo dia.
Aos 27 decidi passar o meu aniversário a paisana. Coisa que nunca fiz. Acabei recebendo minha família e amigos em casa. Surpresa! Porque alguém sempre se lembra! E eles sabem que o quão importante é pra mim.

Acabaram os 27. 28 vai ser melhor. Tenho certeza! Boa noite idade velha. Feliz ano novo!

Nenhum comentário: